Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.16) – Um Anjo nas sombras

anjo apaixonado

Por Mille Meiffield

REHAEL

Abri minhas asas e voei para longe. Eu havia causado uma dor quase insuportável a Litza. Ela confiava em mim.

Ela estava certa de me mandar embora. Como Anjo Caído eu não deveria me aproximar dela. Ainda mais ela sendo uma Ninfa e não uma Ninfa qualquer, ela era a Princesa McAleese.

Não importa que Litza tenha me mandado embora. Eu devo protegê-la dos perigos que ela irá correr com a chegada de Mark. Eu tenho que voltar a Sociedade das Sombras. Tenho que voltar e me esconder até que ela precise de mim. Talvez se eu salvá-la, ela mude de ideia e permita que eu fique ao seu lado. Mesmo que seja apenas como um amigo.

A noite havia caído. O inverno estava chegando, fazendo com que a brisa noturna parecesse mais fria do que era. Continuei voando até encontrar um campo deserto. Desci no meio dele e o observei com atenção. Estava vazio. Me deitei na grama baixa e fiquei ali fitando o céu noturno. Esperando pelo amanhecer, para enfim voltar a Sociedade das Sombras e esperar até que minha adorável Ninfa precisasse novamente de mim.

MARK

– Você precisa se controlar se quiser trazer a Litza para o nosso lado Chris. Esqueça esse maldito Anjo Caído. Ele vai ter o fim que merece quando Nahual e Kesabel o encontrarem.

– Eu não cofiaria neles Mark. – disse Chris. – Kesabel e Rehael sempre foram muito próximos. Nahual não é tão forte quanto parece.

– Já chega Chris! – gritou Brian. – Mark tem razão. Nahual e Kesabel vão dar um jeito nisso. Temos que focar em Litza. Teremos muitos problemas se ela desabrochar e estiver a favor dos Greene. Ela tem que estar do nosso lado.

– Essa é a parte fácil. – disse Chris debochadamente. – Eu farei com que ela volte.

– Do mesmo jeito que fez da outra vez? – ralhou Mark.

– Eu não sei o que ela fez para sair do transe da outra vez, mas desta vez, vai ser diferente.

– Que seja. Mark preciso falar com você a sós. Chris, acho que está na hora de você alimentar a Wendy, ela não bebe nada há dois dias e precisa estar com uma boa aparência quando chegarmos a Brusque.

Chris saiu do escritório deixando Brian e eu a sós.

– Diga Brian. O que há de tão importante que Chris não pode saber?

– Não creio que Chris possa fazer com que Litza seja hipnotizada novamente. Segundo Aeryn, quando seu espirito foi preso ao Mundo Longínquo, ela conseguiu retornar sem resquício algum. Com a ajuda de Addam, claro.

– Sempre aquele maldito Greene. – Mark estava furioso. – Diga a Aeryn para descobrir quem foi que enfeitiçou Litza.

– Esse foi um dos motivos que me fez querer conversar a sós com você. Mark, Aeryn não está mais do nosso lado. Ela disse que não quer ser expulsa como nós fomos.

– Ela é uma tola. Aquela garota não era nada até você encontrá-la.

– O meu sangue corre nas veias dela, ela tem o poder da família Welch. Infelizmente não posso fazer nada contra ela. Gilly deve estar de vigia como um cão de guarda.

– Gilly Dazmann sobreviveu a um ataque de um grupo de Anjos Caídos há algumas décadas. Creio que um ataque em massa à Sociedade das Sombras comandada por ela, faria com que o Conselho Geral desse o poder a outra pessoa. Litza é a Princesa McAleese, ela é a próxima na lista de líder do conselho. Tudo o que temos que fazer é tirar Gilly do caminho.

– Temos que tomar cuidado com o que vamos fazer. Nós fomos expulsos da Sociedade das Sombras e só vamos entrar lá novamente com a influência de Aeryn. Se suspeitarem que estamos armando alguma coisa, podemos ser executados.

– Esse ponto não me assusta, Brian pense comigo, há vários modos de uma Sidhe morrer, Gilly é fraca. Ninguém vai descobrir.

– Espero que sim Mark.

– Mark. – chamou Chris entrando no escritório. – Já arrumei as coisas da Wendy e as minhas. “Conversei” com ela e ela está mais calma.

– Espero que o efeito da sua hipnose nela seja mais duradouro dessa vez Chris. – disse Brian.

– Ela está totalmente “normal”. Ninguém vai perceber que ela não é humana.

– Ótimo. – disse Mark sombriamente. – Já que está tudo pronto, acho que já podemos ir. Nosso voo sai em duas horas.

LITZA

Minha cabeça latejava violentamente. Acordei arfando com a forte dor. Abri os olhos apenas alguns milímetros. Eu estava no meu quarto. Sozinha. A dor só aumentava e eu não conseguia mais me controlar. Comecei a gritar e gritar até que Addam apareceu.

– Addam. Me ajuda. – gritei com lágrimas nos olhos.

– Litza, anjo, o que você tem?

– Minha cabeça vai explodir. Me ajuda.

Ele correu porta afora, me deixando sozinha novamente. Em poucos segundos ele estava de volta com uma garota, eu já a havia visto, ela era membro do Conselho, acho que o nome dela é Be alguma coisa. A dor aumentava a cada segundo.

– Anjo, Beatrice é uma curandeira. Ela pode te ajudar.

– Oi Litza, eu sei que está com muita dor, mas você poderia por favor tentar fechar os olhos e relaxar?

Eu não consegui falar então apenas assenti com um leve aceno. Beatrice apoiou suas mãos em minhas têmporas e começou a cantarolar algo. A dor foi diminuindo gradativamente. Ela continuou cantarolando algo ininteligível. Beatrice massageou levemente minhas têmporas e a dor se dissipou completamente.

– E então, melhor Princesa? – perguntou Beatrice.

– Por favor, me chame apenas de Litza.

– Tudo bem, Litza. Se sente melhor?

– Não sinto absolutamente nada, a dor passou completamente, obrigada.

– Não precisa agradecer, e não se preocupe, essa dor intensa significa que você está próxima de desabrochar, assim que isso acontecer essas dores vão sumir completamente.

– Ela desmaiou, isso não é normal, eu vi Zahra desabrochar. – disse Addam.

– Quanto ao desmaio eu não sei o que pode ser, mas Benjamin pode ajudar com isso.

– Ele também é um curandeiro? – indaguei.

– Sim, somos os únicos curandeiros dessa Sociedade. Desculpem, eu tenho um assunto particular para resolver, Litza se as dores voltarem não hesite em me chamar.

– Obrigada mais uma vez.

Beatrice se despediu e foi embora. Addam continuou sentado ao meu lado, mas seus olhos fitavam apenas o vazio.

– Sim, foi ele. Ele destruiu a minha vida. – admiti a pergunta silenciosa no olhar de Addam.

– Eu imaginei isso. Então foi realmente ele quem sequestrou a Wendy?

– Foi. – assenti. – Eu culpei você. – Eu não coloquei a frase em forma de pergunta, mas ele respondeu.

– Você estava confusa, Chris tinha acabado de te violentar, eu não a culpo, nunca culpei.

Minha vida começou a se resumir em três coisas nesses últimos meses: desmaios, dores de cabeça frequentes e lágrimas.

E parecendo que não havia outra saída, chorei novamente.

Addam me envolveu em seus braços, o choro foi cessando vagarosamente até se extinguir. Afundei meu nariz em seu peito e respirei profundamente, tentando armazenar o aroma de seu corpo o máximo possível.

– Eu realmente te amo. – eu disse a ele.

– Eu sei, por que eu também realmente te amo.

Nos beijamos.

Uma tímida batida na porta chamou nossa atenção. Me soltei dos braços de Addam e fui atender.

– Eles chegaram. – disse Sophie. – E ela está com eles.

– Ela? Você está falando da Wendy?

– Sim. Ela é assustadora.

– Ela é a pessoa mais doce que eu conheço. – Observei uma pontinha de um sentimento que creio que seja de inveja quando Sophie falou:

– Ela é linda. E tem sorte de ter você.

– Sophie, sei que nos conhecemos a muito pouco tempo, mas eu já sinto um carinho enorme por você.

– Meninas, acho que devemos nos juntar aos outros agora. – disse Addam nos interrompendo.

Dei um forte abraço em Sophie e nós três nos dirigimos para o pátio principal.

A chegada de Mark foi bastante tumultuada. Os Guardiões da Sociedade das Sombras seguiram Mark e seu séquito até o centro do pátio.

– Boa noite membros da Sociedade das Sombras de Brusque, hoje nós estamos recebendo alguns ex-membros da nossa Sociedade que foram banidos por comportamentos inapropriados. O Conselho só aceitou a entrada deles em nossa Sociedade em respeito ao pedido de um dos membros de nosso Conselho: Aeryn Welch.

– Aeryn, você poderia se aproximar por favor? – chamou Gilly.

Ela apenas assentiu com a cabeça e caminhou pesarosamente até o centro do pátio.

– Senhorita Welch, seus convidados tem a autorização do Conselho para permanecerem em nosso lar no tempo máximo de três dias e nada mais. Tudo o que eles fizerem será de sua inteira responsabilidade e caso eles causem algum mal a qualquer membro de nossa Sociedade, a senhorita sofrerá as consequências. Está de acordo senhorita Welch?

– Sim, estou. – disse Aeryn sem hesitar.

– Então eu dou permissão para que os senhores permaneçam em nossa Sociedade por no máximo três dias e nada mais. – concluiu Gilly. – Só mais uma coisa, a garota vai dormir no quarto designado a sua família. Ela é uma legítima Zamerov e tem direito ao seu próprio quarto.

Parecendo um animal raivoso e selvagem, Wendy retorceu os lábios e agarrada ao braço de Chris, rosnou:

– Eu fico junto com os meus.

– Você fica comigo Wendy. – Saí do meio da multidão e me impus em frente aos meus inimigos.

– Você não manda em mim Litza e como sempre, a queridinha de

todos está jogando no time errado.

– Cala a boca. – gritei. – Se você quiser continuar nesta Sociedade, fica comigo. Eu também pertenço ao Conselho, então reivindico minha autoridade como membro de sangue do Conselho desta Sociedade das Sombras, Wendy fica comigo ou não será bem-vinda.

– Como você aprende fácil a ser autoritária, maninha. – ironizou Wendy.

– Estou fazendo por você o que você faria por mim se estivesse no meu lugar. Estou te protegendo.

– O que você sabe sobre proteção? – indagou Wendy. – Você sempre foi fraca, indefesa. Sempre teve alguém para te defender.

– Eu não preciso que ninguém me defenda. – Minha voz se elevou. – Eu sou Ralitza Zamerov filha de Mark Zamerov e Guinevere McAleese. Eu sou membro do Conselho dessa Sociedade das Sombras e também sou a Princesa McAleese. – após alguns burburinhos Mark se manifestou.

– Você não pode ser a Princesa McAleese.

– Mas ela é! – Gritou Sophie vindo para o meu lado.

– Minha doce Sophie, como você cresceu.

– Eu o conheço muito bem Mark, sei exatamente do que é capaz. Saiba que aqui, Litza fez amigos. E ninguém vai deixar que nada aconteça a ela. Então não tente nada.

– Não tenho intenção de fazer mal a ninguém aqui, filha.

– Eu não sou sua filha. – disse Sophie entredentes

– Gilly, gostaria de pedir um enorme favor, na verdade dois, para poder aceitar a permanência desse senhores em nossa Sociedade.

– Diga Litza.

– Exijo que eles não entrem na área destinada aos nossos quartos

e que Wendy fique no meu quarto.

– Eu concordo. – disse Gilly.

– Senhor Zamerov, Senhores Welch, sigam-me. Senhorita Zamerov acompanhe Litza a seus aposentos.

– Eu não…

– Faça o que ela disse. – falou Chris se dirigindo a Wendy.

– Mas…

– Meu amor, em breve nos veremos. – continuou Chirs. – Eh Litza, você é uma delícia na cama, mas a sua irmã, é irresistível. – disse Chris ao passar do meu lado.

– Você é um cretino, não vou perder meu tempo com você.

Gilly conduziu Mark, Brian e Chris até o alojamento de hóspedes no lado oposto do dormitório dos membros do Conselho. Eu perdi o equilíbrio e me apoiei em Sophie. Por uma fração de segundos vislumbrei um olhar de preocupação em Wendy.

– Litza! – Addam veio correndo até mim.

– Litza você está bem? – indagou Sophie.

– Foi só um mal estar repentino. Estou bem. – dei um abraço apertado em Sophie e me despedi.

– Preciso levar a Wendy ao nosso quarto, vejo você depois?

– Claro. Ah, Litza, se precisar de qualquer coisa, eu estarei no quarto de Zahra.

– Obrigada minha irmã.

Sophie abriu um largo sorriso que media de uma ponta da orelha

a outra.

Estendi minha mão para segurar a de Wendy mas ela rosnou e se encolheu, então apenas me virei e caminhei em direção ao quarto.

Chegando lá, indiquei um espaço no closet para que ela pudesse guardar seus pertences. Deixei ela se estirar na cama e ficar o mais à vontade possível. Eu apenas fiquei em pé ao lado da porta, observando suas atitudes.

– O que foi maninha? – ironizou Wendy. – Está com medo de mim?

– Não, não tenho medo de você, tenho pena. Você era alegre, fascinante. Eu a admirava. Agora, você só vive com uma aparência cansada, como se chorasse a noite toda por várias noites seguidas.

– Como você me faz rir Litza. Ah, vamos ter que dividir a cama? – indagou. – Eu prefiro dividir a cama com Chris.

– Pode ficar com a cama Wendy, eu durmo na poltrona.

– Vai ficar me vigiando vinte e quatro horas por dia?

– Se for necessário, sim.

– Quem você pensa que é, Litza? Você não sabe tudo o que aconteceu comigo, você não sabe de nada.

– Eu sei. – eu disse friamente. – Sei exatamente o que você passou e ainda passa nas mãos de Mark.

– Ele é meu pai! – gritou. – Meu verdadeiro pai. Ele me botou no mundo e não aquele medíocre do John.

– John foi um pai exemplar e só está morto porque Mark mandou Rehael fazer seu servicinho sujo. Ele me colocou no mundo, mas não merece que eu o chame de pai. Ele estuprou nossa mãe!

– Cala a boca sua vadia!  – Wendy estava enfurecida. – Não ouse mentir sobre o meu pai.

– Ah que lindo, você já o chama de pai como se ele a tivesse criado.

– Já chega vocês duas!  – gritou Lykke ao entrar no quarto. – Litza, Gilly me mandou passar a noite com vocês, Addam vai dormir no meu quarto com Petter.

– Você pode ficar de olho nas coisas um pouco por favor? – eu disse, me dirigindo a Lykke. – Preciso conversar um pouco com a Sophie.

– Eu não preciso de babá! – ralhou Wendy.

– Pode ir Litza. – disse Lykke ignorando o comentário de Wendy. – Daqui ninguém entra, nem sai.

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