O sangue da Meia Noite – Capítulo 06: Complicações Internas.

Escrito por Natasha Morgan.

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Leah esfregava o chão rochoso do pátio com a esponja encardida, sentindo o ódio borbulhar dentro de seu coração a ponto de fazê-la cerrar os dentes para não gritar. Maldita Gwen, ela pensava enfurecida. Aquela garota já lhe havia trazido problemas demais, desde a época em que conheceu Robert até aquele momento. Seu ódio por ela era imensurável, homicida. Enquanto ela estava ali, toda dolorida devidos às surras que levara de Morris, encardida da cabeça aos pés e sentindo-se um lixo, Gwen estava cercada de cuidados e atenção. Desfilava pelo Castelo como uma dama da alta sociedade, adorada por todos.

Toda sua raiva, mágoa e ressentimento a estavam corroendo por dentro, tornando-a uma pessoa ainda mais fria e perigosa. Se pudesse ter apenas dois minutos com aquela garota se certificaria que ela nunca mais voltasse a respirar. O pensamento frio a fez sorrir. Aquela menina sem graça era a responsável por sua desgraça, por tudo de ruim que havia sofrido nas mãos daqueles vampiros malditos.

Desde que foi sentenciada a servir Morris ela vinha vivendo num verdadeiro inferno, era usada da pior maneira que uma mulher poderia ser usada. Era humilhada, espancada e feita de escrava. Nem quando fugiu de casa aos doze anos e foi morar na rua tendo que fazer programa para sobreviver fora tão horrível como estava sendo agora. Nem tudo o que teve de aguentar dos homens que a possuíam era tão repugnante. Nem todas as vezes que apanhou de seu pai quando o respondia, nem todas as vezes que fora obrigada a transar com homens velhos e decadentes…

Nada disso fora tão humilhante em toda a sua vida.

Ela estava vivendo em um inferno frio… Um inferno onde nem mesmo o demônio suportava ficar. Nada tinha sentido, não existia mais esperança. Era como se toda felicidade fosse sugada de sua vida, restando apenas um mundo vazio, cruel e opaco.

E ela jamais se esqueceria de quem era a culpa de tudo aquilo. Lutaria com unhas e dentes para conseguir aqueles dois minutos a sós com a responsável por sua condição, e nem que fossem os últimos minutos de sua própria vida, ela iria se vingar.

Uma vingança fria, cruel e impiedosa.

Os passos pesados e imponentes a interrompeu, fazendo-a se encolher. Em geral, quando os guardas ou qualquer outro vampiro se aproximavam dela era para espanca-la ou se servir de seu sangue. E ela já não aguentava mais ser usada daquela forma. Não havia mais prazer… Apenas dor.

Mas ao fitar o vampiro a sua frente ela não sentiu mais nada além do torpor. Se ele pusesse as mãos nela não haveria mais nada além da morte. E toda dor que já havia sentido até aquele momento a anestesiou.

Dimitri se encostou a um dos pilares antigos, fitando-a com o ar perversamente divertido. Ele usava uma das habituais calças negras e grossas, a camisa escura levemente aberta. Aquele ar sensual o deixava parecido com um anjo sombrio.

Ele sorriu, malicioso, e mordeu a maçã vermelha que tinha nas mãos.

– Está desfrutando de sua estadia aqui? – ele perguntou, irônico. – Afinal de contas era isso o que você queria, não é mesmo? Desejava tanto ser apresentada à Morris… Ser amante do poderoso vampiro rei. Até me desafiou para ser a escolhida.

Leah o fuzilou com os olhos.

– Não sabe a satisfação que me dá vê-la desse jeito – Dimitri continuou, cruel – Vê-la esfregando o chão em que eu piso. Vê-la ser humilhada por todos que passam por aqui. Saber que você tem que servir todos os guardas. Ver você toda suja, encardida. Ah, não tem satisfação maior.

– Isso não vai durar para sempre – Leah se arriscou a dizer.

– Vai durar quanto tempo Morris quiser que dure. E sabe- se lá quanto tempo nosso suveran[1] pode se divertir com a sua desgraça – ele se aproximou, torcendo o nariz por causa do cheiro pútrido que ela exalava. – Mas não pense, nem por um segundo, que você será livre novamente. Quando Morris se cansar de te usar, ele a devolverá a mim. E quando isso acontecer… – ele sorriu, diabólico – Quando isso acontecer, querida Leah, seu inferno terá apenas começado.

– Não…  – ela balançou a cabeça, o pânico tomando conta de cada pedacinho de seu corpo.

– É claro que eu posso. Sou o seu mestre, esqueceu? Posso fazer o que eu quiser com você. Sou eu quem decide o seu destino… Eu decido até quando você pode respirar.

– Você não tem que fazer isso – Leah começou, suplicante. – Eu era uma boa companhia para você. Gostava de quando era o meu mestre. Ainda sinto falta do seu toque. Não há nenhum amante melhor do que você, Dimitri. Tudo pode voltar a ser como antes, eu posso me esquecer de tudo o que aconteceu. Podemos viver entre os prazeres da noite como fazíamos antes…

– Está tentando me seduzir? – ele gargalhou, desdenhoso.

Leah abaixou a cabeça, sentindo-se ainda mais humilhada.

– Você se esqueceu que me desobedeceu? Você me afrontou! E um vampiro como eu não perdoa tão facilmente esse ato insano de um mortal.

– Eu não entendo por que você ficou tão furioso – Leah começou, esquecendo-se de todo o perigo que corria e enfrentando-o abertamente. – Eu não fiz nada de mais. Apenas quis me livrar de um incômodo.

– Você desobedeceu as minhas ordens! – ele rebateu – Atentou contra a vida de uma garota inocente.

– Tudo isso por causa de uma humana? – Leah riu sem nenhum humor. – Ela não é inocente! É uma vagabunda sem escrúpulos que se meteu no meu caminho…

– Cuidado, Leah – Dimitri alertou, a voz fria e cheia de farpas.  – Suas palavras podem provocar a sua morte em apenas um segundo. Você já cometeu o erro de ofendê-la uma vez e o resultado não foi nada agradável.

– Pois saiba que eu vou me vingar! –Leah o enfrentou – Ela não vai se safar tão fácil pelo que me fez. Nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida, eu ainda vou mata-la!

Dimitri agiu tão rápido que a surpreendeu. Em um minuto ele a observava com o habitual escarnio e no outro tinha a garganta frágil entre suas mãos. Seu olhar era homicida, como o fogo destruidor. Ele estava furioso.

– Se você encostar num só fio do cabelo dela, eu prometo fazer de sua vida um inferno. Esqueça-se do que sofreu nas mãos de Morris e dos guardas, eu vou fazer pior. Vou marcar cada pedacinho do seu corpo com fogo e dar a sua alma para os exilados devorarem – sua voz era letal – Não brinque comigo, garota. Eu não sou humano. Há séculos não sei o que é ser um. Provoque-me e veja a fera que há em mim ser libertada e lhe fazer em pedaços.

Quando ele a soltou, Leah se encolheu no chão imundo, soluçando.

– Não se esqueça que está diante de deuses – ele a lembrou. – Aqui você não passa de uma humana. Talvez ainda menos que isso… Você é apenas carne. Comida.

Ele cuspiu no chão e saiu andando.

Seu quarto não ficava muito longe dali e no momento tudo o que ele queria era um pouco de diversão, pensou sarcasticamente. Ele seguiu pelos corredores ornamentados, sentindo a escuridão e a frieza do castelo abraça-lo conforme penetrava cada vez mais fundo para dentro daqueles túneis.

Os quartos ficavam no último corredor, as oito portas uma ao lado da outra, uma em frente a outra. Mas não eram só aqueles aposentos que haviam no castelo. Havia muito mais. Aqueles eram os reservados para as visitas especiais, os mais luxuosos. E Dimitri adorava se colocar na categoria de visita importante.

Por um momento ele se deteve, próximo á porta de seu quarto. Os olhos se fixaram na porta logo a frente.

O quarto de Gwen.

Ah, Gwen…, ele sorriu ao pensar nela. Era um anjo… Talvez uma estrela, como Heron costumava dizer. Irônico o quanto aquela mortal o provocava. Ela era capaz de despertar nele uma luxúria sufocante, perigosa e irresistível.

Ele sorriu mais uma vez, imaginando se seria uma boa ideia entrar sorrateiramente no quarto dela para espera-la. A ideia o tentou, mas ele rapidamente desistiu. Não seria bom irritar Heron… Ao menos não por enquanto.

Dimitri se voltou para a porta de seu quarto, decidido a ir dormir. Mas quando ela se abriu e a surpresa se revelou, ele imediatamente dispensou tal ideia. E várias outras se formaram em sua mente, perversas e pecaminosas.

A mulher que o recebeu era uma vampira… E muito linda. Vestia uma camisola transparente, expondo partes do corpo voluptuoso. Os cabelos eram negros como a noite e os lábios levemente avermelhados. Ela fixou seus olhos caramelados nos dele, sensualmente.

– Dimka! – disse com um sorriso, seu sotaque era russo.

– Iva – ele sorriu, perversamente malicioso.

– Estávamos esperando por você – Iva ronronou, indicando uma jovem loira atrás dela.

Dimitri lançou-lhes um olhar provocante. Suas intenções eram as piores, pecaminosas e isso só se intensificou quando ele olhou para a loira vestida de vermelho. Ela tinha um olhar indecente sobre ele, os cabelos claros e lisos caíam pelas costas retas. O sutiã de renda abrangia os seios fartos, escondendo parcialmente o que ele estava ansioso por tocar.

A jovem se aproximou lentamente, aguardando os movimentos dele.

– Surpresa agradável, Iva – Dimitri sussurrou, os olhos perdidos no corpo mortal.

– Encontrei-a na cidade – Iva disse, rodeando a mortal com um desejo palpável. – Ela estava perdida – as mãos gélidas envolveram os cabelos macios – Não podia deixar uma belezinha como essa no meio de tanta gente – a vampira sorriu, altamente maliciosa – Há tantas pessoas más por aqui…

Dimitri repuxou os lábios num sorriso perverso, divertindo-se com a malícia de Iva. Ele a ensinou muito bem. A caça tornou-se sua companheira… Sua guia. E agora sua velha amiga e amante o presenteou com algo tão raro…

Ele se aproximou da mortal, tocando o rosto frágil. Gostou da maciez da pele rosada. Seus dedos gélidos passearam pelo queixo, chegando ao pescoço lentamente. Ele podia sentir o sangue doce e quente pulsando nas veias… Chamando-o, seduzindo-o.

Iva sorriu, juntando-se a eles. Ela abraçou a jovem por trás, afundando o nariz nos cabelos claros, inspirando o perfume sedutor. A mão deslizou pelo corpo esbelto, passeando ousadamente entre as curvas. Ela puxou o rosto da jovem, fazendo-a se virar para ela e tomou conta da boca delicada, beijando-a com paixão.

Dimitri sentiu seu corpo inteiro se aquecer com aquela provocação insana. As presas se alongaram e a ereção se inflou dentro da calça, exigindo liberdade. O desejo o atingiu, forte e perverso.

Ele tomou a mortal dos braços da vampira e a beijou possessivamente, envolvendo o corpo frágil. Ela não parecia nem um pouco assustada, retribuiu ao beijo com a mesma voracidade. Mesmo mortal, a jovem sabia como jogar aquele jogo de sedução, envolvendo o vampiro em suas teias e se entregando completamente.

Dimitri deslizou as mãos audaciosamente pelo corpo feminino, tocando a pele macia e convidativa enquanto seus lábios lhe devoravam a boca. Ele sentia seu corpo começar a exigir uma ação mais profunda, tentando-o. Podia sentir Iva ao seu lado, as mãos movimentando-se também no corpo da garota, arranhando a carne humana. Ela também gostava disso, gostava da sedução tanto quanto ele. Por isso ele a escolheu anos atrás para dar-lhe o beijo da meia-noite e ensiná-la a ser uma caçadora como ele.

A mortal gemia, entregue nos braços daquelas duas criaturas sedutoras. Ela não tinha ideia de quem eram eles, mas não resistiu à sensualidade daquela mulher quando a encontrou nas ruas sombrias da cidade e não resistiria àquele homem misterioso que insistia em tocá-la tão ousadamente. Não importava quem eles fossem, ela só queria sentir…

Iva a tocou com mais agressividade, girando o corpo da garota e tomando conta de sua boca mais uma vez enquanto Dimitri deslizava os lábios ao longo do pescoço, fazendo uma trilha perigosa pelos ombros, clavículas e chegando finalmente a um dos seios rosados.

Com as presas expostas, ele rasgou a renda vermelha e tomou um dos mamilos na boca, sugando-o suavemente. A garota gritou num gemido louco de prazer e arranhou as costas nuas do imortal. Iva a beijava com intensidade, devorando os lábios quentes e vermelhos devido à possessividade do beijo. Ousada, ela ousou mordê-los uma vez, docemente, apenas para sentir o gosto do sangue saboroso.

A mortal se deliciou com a mordida, agarrando-se a vampira com mais afinco, mas não se esquecendo dos lábios do vampiro em seu seio. A sensação era inebriante, algo que ela jamais havia sentido em toda a sua vida.

Não demorou muito e Dimitri se cansou de brincadeiras, ergueu a mortal no colo, sentindo as pernas dela o envolver com firmeza. Ele sorriu, malicioso. Uma presa tão fácil…

Era fácil demais seduzir os humanos, quase não havia diversão nisso. Tão frágeis, inocentes e influenciáveis.

Por um momento seus pensamentos se voltaram para Gwen. Ela era humana e com um simples olhar inocente…

Não, ele se interrompeu imediatamente. Não iria pensar em Gwen. Não enquanto tinha uma mortal loira, quente e apetitosa em seus braços.

Ele desligou seus pensamentos e mergulho a boca novamente no corpo convidativo que se oferecia tão descaradamente. Ousado, ele deslizou as mãos fortes pelas pernas compridas e se livrou rapidamente da calcinha pequena.

Quando ele a deitou na cama macia, ela estava mais do que disposta a se deixar possuir, pois abriu as pernas quase que imediatamente. Dimitri sorriu com perversidade diante daquele convite irrecusável e penetrou-a com força. A mortal gemeu uma vez, intensamente, e cravou as unhas vermelhas nas costas dele, fazendo-o soltar um gemido suave e aprovador. Ele se moveu uma vez, pressionando o corpo dela contra os lençóis de cetim e a ouviu gemer de novo, o que o incentivou a continuar.

Iva sorriu ao lado, deliciada com aquela cena pecaminosa. Ela estava ansiosa por participar, seu corpo correspondendo arduamente ao estímulo. Suas presas alongaram lentamente e ela se aproximou, tocando as costas do vampiro. Habilidosa, ela o despiu da camisa negra, revelando a pele pálida e tatuada.

Por um momento ela ficou extasiada com o desenho, como sempre ficava. O tribal negro e bem desenhado cobria as costas em toda sua extensão, alcançando o ombro forte e musculoso. Isso só o tornava ainda mais desejável.

Iva deslizou os dedos longos pelo desenho, acompanhando os traços que formavam um desenho misterioso e antigo. Seu toque provocou um leve arrepio na pele dele, o que ela adorou. Seus olhos escuros injetaram-se conforme ela o observava possuir a jovem humana. Os movimentos dele eram rítmicos, hora intensos, hora mais leves. Eram perfeitos… Ele era perfeito naquela dança sensual que levava ao mais puro prazer. Ela se lembrava muito bem o que era ser possuída por ele… E essa lembrança só a fazia o desejar ainda mais.

E pelo que parecia a mortal pensava o mesmo pelo modo como o agarrava com as unhas e as pernas, movendo-se junto dele.

Decidida a não perder nem mais um pouco da diversão, Iva o envolveu com os braços e posou a boca no pescoço convidativo. Dimitri gemeu uma vez, mas sem tirar sua boca do corpo da mortal. Iva beijou a pele nua, deslizando os lábios pelas costas dele lentamente. Ela amava provoca-lo daquela maneira, senti-lo estremecer sob seus lábios sempre foi uma sensação extasiante.

Dimitri estava ciente do toque provocante da vampira em seu corpo, assim como estava ciente do corpo da mortal sob o seu. Ele ainda sugava um dos seios fartos e se movia contra ela quando o orgasmo o atingiu, intenso. Ele jogou a cabeça para trás e urrou, liberando seu prazer dentro dela quase ao mesmo tempo em que ela atingiu o clímax.

A mortal se agarrou a ele com uma força desesperada, como se pudesse de algum modo prender aquela sensação extasiante que percorria cada pedaço de seu corpo em uma onda intensa. Ela se lembrava de ter feito sexo muitas vezes em sua vida, mas de jamais ter tido um orgasmo tão forte e arrebatador como aquele. Seus olhos se abriram devagar e fitaram o estranho que havia lhe proporcionado tamanho prazer.

Mas antes que ela pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, ele tomou conta da situação novamente. Girou seu corpo com rapidez, virando-a de bruços violentamente. A princípio ela se assustou, mas quando sentiu a mão dele afastar-lhe os cabelos gentilmente do pescoço, ela relaxou esperando por mais…

Dimitri expôs o pescoço convidativo, sentindo suas presas se alongarem novamente. Ele esfregou o nariz na carne macia, inspirando o aroma doce de um perfume qualquer e, sem poder conter a fera interior que ansiava por se libertar, ele a mordeu.

Quando o sangue cálido explodiu em sua boca, ele deu um longo gemido, apreciando o sabor. Sua fome era tanta que ele pressionou o corpo da mortal uma vez, agarrando-a com mais força. A jovem não conseguiu conter um gemido também. Não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, mas sabia dizer o quanto aquela sensação era boa, um formigamento delicioso que se começava na nuca e descia pelo dorso até a ponta dos pés, levando-a a flutuar em sensações que jamais havia sentido.

Iva observava a tudo, grudada ao corpo de Dimitri. Seus olhos não perdiam nada e encaravam aquela cena com desejo. Os lábios inquietos passeavam pelo pescoço do vampiro, ansiosos por um beijo… Ansiosos por se abrirem sobre a pele e seus dentes se afundarem. Ela também estava faminta.

Dimitri não matou a jovem humana. Deixou-a estendida na cama, levemente adormecida enquanto se virava com um olhar altamente malicioso para Iva.

No momento em que ela viu a fome naquele olhar, a vampira soube que seria a próxima… E que ele não pegaria leve com ela. Ia ser brutal, sedutor e sombrio.

E ela adorava isso!

 *-* *-*

Gwen desviou os olhos da pequena fresta na porta, perturbada. Havia visto absolutamente tudo. Desde a recepção calorosa de Dimitri pela vampira morena até o momento em que ele se perdeu no meio das pernas da mortal loira.

Aquela era a segunda vez que ela surpreendia duas pessoas num momento tão íntimo e não gostava nada disso. Mas que inferno!

Era normal as pessoas se divertirem… Normal serem desinibidas. Normal gostarem de se divertir a três. O sexo era completamente natural.

Mas ver Dimitri daquele jeito… Tão imponente a deixou, de certa forma, chocada. Ele era bruto, selvagem, sensual… Irresistível. Seu modo de seduzir chegava a ser desleal.

Por um momento Gwen ficou irritada. Não queria ter visto aquilo… Não queria se sentir seduzida por aquilo. Ela queria desaparecer, explodir em um monte de fumaça e se esconder, envergonhada por tê-lo visto transando com aquelas mulheres.

Ela queria simplesmente sair correndo dali o mais de pressa que pudesse e se afundar numa banheira com água gelada. Somente para afastar o calor absurdo que sentia por dentro…

Gostaria de nunca mais olhar na cara dele!

Esse sentimento a pegou de surpresa, chocando-a. Estava mesmo irritada por ter flagrado Dimitri se divertindo com alguém? Mas que despautério era aquele?

Irritada, ela saiu pisando fundo para dentro de seu quarto e fechou a porta cuidadosamente, resistindo à ideia de batê-la e acabar com a festinha dele.

Ela suspirou, sentindo-se ridícula.

– Ele poderia ter fechado a porta. – ela resmungou, tentando convencer a si mesma de que havia uma boa razão para sua birra.

Seus olhos vagavam pelo quarto, perdidos na lembrança de Dimitri se saciando. Por mais que ela tentasse não pensar, a cena vinha em sua mente provocando-a. A lembrança dele nu, a enorme e linda tatuagem que ostentava pelo dorso até um dos ombros. Ele era maravilhosamente lindo. A forma como se movia dentro daquela mulher, como a beijava… Como sugava os lábios vermelhos nos seus tão perfeitamente esculpidos… A forma como ele arfava…

Gwen grunhiu, resistindo ao impulso de dar um tapa em si mesma. O que estava acontecendo com ela? De onde vinham aqueles pensamentos libidinosos?

Furiosa, ela abriu a porta do banheiro, ligou o chuveiro e se enfiou debaixo da água fria. Não se importou em tirar a roupa, deixou que a água caísse por seu corpo suavemente e aplacasse aquele fogo vivo que a fazia ferver.

Fechando os olhos, ela tentou pensar apenas na sensação suave que a água fria lhe proporcionava. Pensou em Heron e seus beijos doces… Em quanto já estava com saudades de Elin. Em quanto tinha o que viver e aprender. Pensou em como as trevas a incomodavam ali em Brasov…

Ela tentou pensar apenas nas coisas boas. Mas as imagens sedutoras de Dimitri se espalhavam por sua mente, deixando-a irritada, chocada e envergonhada.

Gwen deslizou pelo azulejo frio, soltando um suspiro irritado de frustração e se permitindo sentar no azulejo frio. Sua respiração se alterou lentamente e ela começou a ofegar – o que estranhamente quase lhe rendeu um ataque histérico de riso! Aquilo tudo era tão ridículo!

– O que está fazendo parada aí? – a voz feminina a surpreendeu.

Gwen ergueu os olhos abruptamente e fitou Erika. Ela usava um vestido azul escuro um tanto comportado e estava levemente maquiada. Seu olhar era preocupado.

– Calor.  – Gwen respondeu.

– Até parece – Erika bufou. – Um frio de congelar os ossos e você com calor?

Gwen franziu o cenho para ela.

– Eu sei exatamente quando estão mentindo para mim – Erika disse, aproximando-se para desligar o chuveiro. Delicada, ela ajudou Gwen a se levantar e a envolveu com uma toalha felpuda.

Erika conduziu-a de volta ao quarto e a empurrou gentilmente na cama, pegando outra toalha para lhe secar os cabelos. Não queria se aproximar tanto dessa garota, mas a ligação que as unia tornava isso inevitável.

Gwen não disse nada, deixou que a outra secasse e desembaraçasse seus cabelos. A sensação suave das cerdas da escova em seu couro cabeludo a fez fechar os olhos. Por incrível que pareça os pensamentos errôneos não a incomodaram novamente – o que a fazia pensar se Erika não estava usando de magia para acalmá-la.

– Obrigada – Gwen murmurou.

– Você me ajudou ontem – Erika deu de ombros – Se vamos ter que conviver juntas, então que seja em paz.

– Você quase não parece mais aquela garota nojenta que eu conheci.

– Não abuse – alertou Erika, mas havia um resquício de sorriso em seus lábios.

Gwen sentiu o sorriso e sorriu também.

– Vai me contar o que a levou à um banho frio à essa hora da noite num país onde o sol sequer aparece? – Erika perguntou, terminando de desembaraçar os fios dourados e macios.

– Eu vi Dimitri se divertindo com duas estranhas – Gwen respondeu.

A escova parou no alto de sua cabeça.

– Ah… – foi tudo o que Erika disse.

– Eu estava voltando para o quarto e encontrei a porta do quarto dele entreaberta. Foi quando os vi…

– Com duas mulheres? – Erika tentou fazer piada.

– Com duas mulheres. – Gwen assentiu.

Erika riu, o olhar malicioso brilhando.

– Não tem graça.

– Ah, você me desculpe, mas tem graça sim! – Erika continuou a rir. – Até parece que você nunca viu uma coisa dessas.

– Não seja boba. Só acho que momentos assim são íntimos demais para expor para qualquer um ver.

– A culpa é sua – Erika disse com a maior naturalidade – Quem foi que mandou ficar espionando através da porta?

– Eu não estava espionando! – Gwen se zangou.

Erika ergueu as mãos no ar como quem se rende.

– Tudo bem, tudo bem – disse ela e por um momento fixou os olhos na jovem ao seu lado, analisando-a. – Foi por isso que você estava debaixo do chuveiro gelado?

Gwen desviou o olhar, assentindo em silêncio.

– Por quê? – Erika perguntou suavemente, embora já soubesse a resposta.

– Você não entenderia – Gwen suspirou, cansada. – Nem eu mesma entendo.

– Você ficou mexida com o que viu – Erika disse e não foi uma pergunta.

– Não seja boba.

– Estou vendo a sua aura, Gwen – Erika a alertou, séria. – Está turbulenta, em cores fortes. O que indica emoções perturbadas.

– Como queria que eu estivesse? – Gwen a fitou com intensidade.

– Não sei – Erika admitiu. – Envergonhada? Excitada? Quem vai saber? – ela deu de ombros, compreendendo a colega. – Só acho que se sentir atraída por uma coisa dessas é completamente normal!

Gwen balançou a cabeça num suspiro longo. Recusava-se a pensar em qualquer possibilidade de ter se sentido atraída, de alguma forma, pela cena que presenciou. Não porque fosse algo fora do comum, mas porque não conseguia lidar com tal sentimento.

Seus olhos se voltaram para a outra.

– E você, o que veio fazer aqui? – ela perguntou, educada.

– Na verdade vim convidá-la para uma festa – Erika disse e seus olhos se iluminaram.

– Festa? – Gwen franziu o cenho, cética.

– Até mesmo os vampiros adoram uma boa festa. Na Torre oeste existe uma espécie de bar onde eles se divertem…

– E você sabe disso como? – Gwen a interrompeu.

– Sou muito bem informada – a jovem piscou. – Além disso, se vou pertencer a esse mundo desconhecido tenho que me informar de tudo sobre a vida aqui em Brasov.  Você e eu vamos nos divertir.

Gwen tentou reprimir a risada alta, mas não conseguiu.

– Você só pode estar de brincadeira! Eu e você num bar cheio de vampiros selvagens que adoram caçar humanos em noite de lua cheia?

– Não seja ridícula. Você e eu somos completamente capazes de nos defender. Estamos seguras em qualquer lugar de Brasov.

– Isso não significa que possamos sair por aí e nos enfiar em uma torre sombria onde vampiros famintos se saciam. O que deu em você? Isso aqui não é a Disney!

– Disney ou não, Brasov oferece diversão – Erika gargalhou de sua rima. – Vamos lá, Gwen. Eu preciso me divertir! Depois de tanta adrenalina, fuga e ameaça por parte daqueles cães fedorentos eu bem que mereço alguma diversão.

Gwen a fitou, cética.

– Você também precisa se divertir um pouco – Erika argumentou – Ficar aqui trancada o dia todo. Isso não faz bem.

– Como se um passeio num bar cheio de vampiros fizesse algum bem!

– Você pode encontrar Heron lá – Erika lançou a isca.

Gwen titubeou um pouco, seduzida pela ideia de poder se encontrar com Heron. Sabia que ele precisava ficar de vigia do lado de fora, mas talvez pudesse lhe fazer um pouco de companhia…

– Não importa. É mais seguro ficar aqui dentro – ela disse, atendo-se à razão.

– Covarde!

Por um momento Gwen se irritou profundamente.

– Eu lhe mostro quem é covarde – ela disse, irritada. Pegou seu casaco e saiu marchando pela porta.

[1] Soberano.

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