O Sangue da Meia Noite (Pt.03) De volta à Brasov

Escrito por Natasha Morgan.

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Brasov não estava nem um pouco diferente do que Gwen se lembrava. Ao menos a parte da cidade que ela conhecia. Afinal de contas, ela só havia visto a fortaleza de Morris. Não conhecia mais nada.

A enorme e ameaçadora fortaleza de pedra continuava imponente, forte, sombria e sedutora. As muralhas rochosas cercavam a construção antiga como um abraço protetor, impedindo que qualquer ameaça ousasse invadir.

Cercando o pesado portão de ferro, os guardas com armadura exibiam sua carranca habitual. Prontos para deter os inimigos, caso houvesse uma tentativa de ataque.

Eles eram tão ameaçadores que Gwen evitou os olhares sombrios quando Dimitri dirigia o carro pelo portão. Ele estacionou do lado de dentro, próximo onde ficava a garagem subterrânea.

Gwen foi a primeira a descer, afobada. Seus olhos vagaram pelo pátio silencioso, ansiosos. Podia sentir a energia densa do lugar, as sombras às quais já estava acostumada. Elas roçavam suas pernas num toque frio, ondulando ao redor.

Erika foi para seu lado em silêncio, também sentia a densidade do lugar. E, ao contrário de Gwen, ela não gostava das sombras. Em seus olhos havia medo, ainda não havia se recuperado totalmente do episódio ocorrido no labirinto. Voltar a Brasov era um golpe forte.

Gwen sentiu o medo da colega e, solidariamente, deu-lhe a mão. Ela também não estava certa de que fora uma boa idéia voltar para aquele lugar. Não importava o que a estava caçando, sabia muito bem que para o Mestre de todos os vampiros ela era a inimiga número um. Morris jamais a aceitaria como parte de sua família. – O que era um dos perigos que ela teria de enfrentar ali.

Gwen se encolheu em seu casaco de lã. Não havia neve, mas o vento gélido as açoitava sem nenhuma piedade. Em Brasov o frio estava sempre presente porque as trevas gostavam da frieza.

Dimitri se aproximou delas em silêncio, indicando para que o seguissem. Ele parecia mudado. Sua postura firme e correta estava mais acentuada, o rosto bonito agora tinha uma beleza sombria. Ele seguiu na frente a passos firmes e largos, indo em direção ao pátio central do grande castelo.

Gwen apertou a mão de Erika conforme se aproximavam do pátio em estilo grego, ela já o via daquela distancia e a cada passo seu coração batia mais forte.

Heron.

Ele estava em pé, levemente encostado em um dos pilares adornados de escritas antigas. Vestia uma calça folgada e um suéter negro e grosso, os cabelos castanhos e ondulados jogados de qualquer jeito pelo rosto lindo. Sua expressão não era em nada do que ela se lembrava, ele estava sério, intimidador… E frio.

Gwen reduziu os passos, pensando no que aquilo poderia significar. Será que Heron havia mudado? Será que ele não era mais o vampiro civilizado que ela conheceu?

Será que ela queria descobrir?

Erika a puxou gentilmente, impelindo-a a continuar. Seus olhos eram serenos e gentis – o que foi uma surpresa. Gwen continuou o caminho, tentando controlar as batidas frenéticas de seu coração.

Quando ela enfim chegou ao pátio central, esperou com todas as suas forças que ele sorrisse. Mas ele não o fez. Sua expressão dura permaneceu a mesma, indecifrável.

Gwen recuou um passo. Seus olhos se fixaram no desconhecido à sua frente, esperançosos. Por um momento seu coração doeu com a possibilidade de ele ter se perdido na própria escuridão.

Sua estrela.

Ele a chamava de sua estrela. E por uma boa razão. O brilho dela era quem iluminava as sombras que havia dentro dele. Seria possível que chegara tarde demais? Heron havia ficado muito tempo longe de sua estrela para se deixar iluminar de novo?

Não. Ela não iria perdê-lo. Amava-o demais para permitir que as trevas levassem o pouco de luz que ainda existia dentro dele. Ela era a sua estrela e para sempre iria iluminá-lo.

Ignorando a antipatia e frieza que emanavam dele, Gwen correu em sua direção e atirou-se em seus braços.

Heron sobressaltou-se, confuso com o que deveria fazer. Havia muito que não era abraçado assim, estava acostumado apenas com os abraços de sua mãe. Mas a força esmagadora da luz de Gwen o cegou por um momento, espalhando uma onda gostosa de calor… Um calor extremamente sedutor.

Seus braços a apertaram, hesitantes como se estivessem medo de feri-la. Ah, como sentira falta daquela doce e suave energia que o preenchia totalmente. Adiou aquele momento por muito tempo… Tanto que quase se perdeu. Mas sua estrela estava de volta, brilhando somente para ele.

Todas as sombras e trevas que o rodeavam ultimamente se dissolveu instantaneamente, devolvendo o calor humano que só um vampiro apaixonado era capaz de apreciar.

Ele sorriu.

Gwen olhou para ele, momentaneamente fascinada com o sorriso bonito. Os dedos trêmulos se ergueram até os lábios e o tocaram, sentindo a suavidade fria. Ele a fitou com tanta paixão que o mundo poderia ter se incinerado e eles sairiam ilesos.

Heron sorriu uma vez antes de esmagar os lábios nos dela num beijo apaixonado. Gwen se agarrou a ele, envolvendo os cabelos macios nas mãos e entregando-se completamente ao amor que ele lhe oferecia.

– Senti sua falta. – ele sussurrou em seus lábios.

– E eu a sua. – ela sorriu, timidamente.

Ele a apertou nos braços com força mais uma vez, apenas para senti-la. E então seus olhos se voltaram para Dimitri.

– Você a trouxe. – disse respeitoso. – Sã e salva.

Dimitri desviou os olhos vidrados em Gwen e assumiu a habitual expressão maliciosa.

– De nada. – ele disse, mas seus olhos, ainda dilatados, entregavam seus verdadeiros sentimentos. Ele não havia desgrudado os olhos de Gwen desde que ela decidira enfrentar as trevas de Heron. E em todo momento seu olhar foi intenso, como se o fato de uma humana enfrentar as trevas de um vampiro fosse inacreditável.

Gwen não percebeu seu olhar, Heron tampouco. Estavam mais preocupados em matar as saudades um do outro. Os olhares apaixonados diziam o quanto se amavam.

– Helve quer vê-la. – Heron lhe sorriu. – Ela está esperando no templo. Aliás. – seus olhos se voltaram para Erika que esperava silenciosamente ao lado de Dimitri. – Ela que ver as duas.

– Ela sabia que eu viria? – Erika perguntou.

– Helve sempre sabe. – Heron sorriu, divertindo-se. – Seja bem vinda novamente, Erika. – ele disse, gentil.

A garota assentiu uma vez, sem graça, e seguiu os dois em direção ao templo onde as sacerdotisas imortais viviam.

*-* *-*

 O caminho até o Templo se estendida exatamente como da última vez que estivera ali, os cascalhos de cristais brilhavam sutilmente sob o brilho da lua. Os pilares escuros que sustentavam o templo estavam imponentes como antes, guardando a entrada mágica.

Gwen hesitou. Podia sentir a energia mística e antiga roçar-lhe o rosto mesmo antes de adentrar. Magia Antiga. Era isso o que a esperava dentro daquele lugar poderoso.

Ela fechou os olhos por um breve momento, inspirando o aroma doce dos incensos que queimavam lá dentro. A fumaça mística se estendia por todos os lados e envolvia o corpo da jovem bruxa.

Erika também se aproximou, postando-se ao lado de Gwen com os olhos vidrados. Também sentia a magia poderosa, mas não era isso o que a espantou naquele momento.

Gwen se virou para ela, notando o olhar espantado.

– Você está brilhando – Erika explicou.

Gwen franziu o cenho e fitou as mãos.

O brilho era sutil, mas estava lá, enlaçando-lhe a mão até a ponta dos dedos onde ganhava mais força.

– Como isso é possível? – Gwen sussurrou entre o espanto e a admiração.

– Minha estrela – Heron sorriu para ela, mais do que encantado.

– Você é Êzant. Deve ser por isso – Erika disse. –Sua alma reconhece a magia desse lugar. Até a sua aura brilha… Num violeta radiante.

– É estranho – Gwen comentou, fitando as mãos levemente iluminadas. – Da última vez eu não estava brilhando.

– Talvez seu corpo só se permitiu brilhar agora –  Heron sussurrou em seu ouvido, gentilmente.

– Vamos entrar. – Erika disse e puxou Gwen para dentro.

Nada havia mudado, Gwen pensou assim que olhou o Templo do lado de dentro. A energia antiga e sedutora continuava a mesma, forte, intensa e amistosa. Envolvia tudo com sua luz colorida.

Helve os esperava em meio àquela Magia toda, os braços estendidos numa expressão afetuosa. Ela usava um vestido vermelho desta vez, com o manto branco por cima – o que a definia como a mãe[1]. Parecia mesmo uma antiga sacerdotisa, principalmente quando sua aura brilhava daquele jeito intenso. Os cabelos longos e loiros estavam soltos, derramando-se pelas costas retas. Na cabeça, a coroa de cristais que sempre usava.

Gwen e Erika sentiram o poder vindo daquela mulher, ele incendiava o Templo com magia. Sem conseguirem se conter, as duas avançaram em direção à bruxa e a abraçaram.

Helve sorriu, satisfeita com o carinho que estava recebendo.

– Ah, minhas meninas!- ela suspirou, dando um beijo na testa de cada uma.

Seu olhar era tão maternal que transparecia todo o carinho que sentia por aquelas duas.

– Venham… – Helve as puxou suavemente. – Vamos nos sentar.

Gwen, Erika e Heron seguiram a sacerdotisa até a enorme fonte onde as outras costumavam meditar, ganhando um lugar entre as milhares de almofadas vermelhas e rosas que se estendiam em volta da água.

Heron sentou-se ao lado de Gwen, os braços fortes ao redor do corpo frágil. Não estava disposto a deixa-la nem por um breve momento, não agora que tinha sua estrela de volta. Enquanto pudesse ficar ao seu lado, ele com certeza ficaria. Seus olhos eram firmes e respeitosos ao olhar para Helve.

A sacerdotisa os fitou com afeto.

– Eu sei que vocês tem muito que conversar, mas eu gostaria de tê-la um pouco mais. – disse ela olhando para Gwen.

– Você pode tê-la pelo tempo que quiser – Heron disse. – Contanto que me permita ficar aqui – seu sorriso foi malicioso.

– Perfeitamente. – a sacerdotisa riu.

Gwen sentiu suas bochechas corarem, mas permaneceu firme nos braços de seu eterno amante.

– Heron é capaz de me dividir um pouco – ela disse com um sorriso tímido no rosto.

– Eu espero que sim. – Helve retribuiu o sorriso. – Como vão vocês, minhas queridas?

– Vamos bem, na medida do possível – Erika comentou, a voz doce. – Eu tenho estudado o livro que você me deu.

– Ora isso é muito bom – a sacerdotisa lhe sorriu. – Quando eu o dei a você sabia que não era inútil.

– Eu não ia ler – ela confessou. – Mas…

– Mas a magia a chamou – Helve completou por ela, com o olhar compreensivo.

– Exatamente – a garota deu um sorriso um tanto forçado.

– Não há motivo para se envergonhar.

– Não estou envergonhada – Erika disse sincera. – Na verdade não tenho mais nenhum receio com a ideia de ser uma bruxa – ela deu um sorrisinho.

– Digamos que a ideia de ser uma bruxa nos salvou hoje – Gwen disse num aparte discreto.

– É mesmo? – Helve ergueu as sobrancelhas.

– Erika nos defendeu hoje mais cedo quando fomos atacados – Gwen contou, sentindo Heron enrijecer levemente a seu lado. Havia se esquecido de que ele não sabia do ataque.

– Foi só um feitiço repelente – Erika balançou a mão como se não fosse nada de mais. – Aprendi no livro.

– Foi mais que isso – Gwen deu um suspiro frustrado. – Ao menos alguém consegue lidar com seus poderes.

– O que quer dizer? – Erika perguntou, embora já imaginasse sobre o quê a garota falava.

– Até agora meus poderes ainda não apareceram.

Helve franziu o cenho, olhando para as duas jovens ao seu lado.

– Não estão trabalhando juntas? – ela perguntou.

– Nem sempre – Erika respondeu. – Nós nos mantemos perto uma da outra como você sugeriu, mas não estamos sempre juntas.

– E mesmo assim você conseguiu fazer seu feitiço – Gwen argumentou.

– Você também já fez um excelente feitiço uma vez quando derrubou aquela cesta de basquete no pé do Thomas – Erika a lembrou.

– Aquilo não foi um feitiço! – Gwen ficou constrangida de repente. – E eu não queria ter feito aquilo. Foi errado.

– Ele ofendeu você. Nada mais justo do que você castiga-lo.

– Ela não queria ter feito – Heron a defendeu.

– Ainda assim…

– Não se preocupe, minha querida – Helve disse, fitando a garota com carinho. – Seus poderes aparecerão na hora certa. Você consegue sentir a energia das pessoas, distinguir o positivo do negativo. É assim que se caminha dentro da magia: aos poucos.

– Bela bruxa – Gwen riu sem humor.

– Ah, para de reclamar! – Erika a repreendeu com sua habitual insolência. – Você é Êzant. Uma bruxa com a alma ancestral e mágica. Está reclamando de quê?

– Você diz isso porque seus poderes estão à flor da pele – Gwen rebateu, sabendo que estava fazendo birra. – Você consegue ver a aura das pessoas.

– As bruxas não são iguais, Gwen – Helve disse. – Todas são muito poderosas, mas cada um tem o seu dom especial. O de Erika é ver a aura das pessoas. Eu tenho visões. Uma de minhas sacerdotisas tem uma ligação direta com a Terra, muitas vezes fazendo uma planta crescer ou se curar. Cada uma tem o seu dom. E o seu vai aparecer na hora certa.

– Talvez por você ser Êzant tenha mais de um dom – Erika comentou.

– Um dom é sempre um dom. Não importa quantos tenha. E ser uma bruxa já é um dom… Não concorda?

– Eu acho que sim – Gwen sorriu, cedendo.

Helve sorriu um pouco da aparente teimosia da jovem. Ela aproximou-se um pouco mais, deixando o rosto bem próximo, seu olhar era doce e firme ao mesmo tempo.

– Você consegue sentir a energia das coisas, dos lugares e das pessoas? – ela perguntou, fitando Gwen nos olhos.

A garota assentiu em silêncio, hipnotizada com aquele olhar antigo.

– Você consegue ouvir a sua intuição corretamente?

– Na maioria das vezes – ela sorriu um pouco.

– Você tem uma ligação, por menor que seja, com a natureza?

Mais uma vez Gwen assentiu.

– E o mais importante… Você sente a Magia rodear você… Chamar você?

– Sim – Gwen sussurrou.

– Então não tem com o quê se preocupar, criança.  Você está no caminho certo – ela repetiu como na outra vez. – Está indo muito bem.

– É. Eu acho que estou mesmo – Gwen suspirou. – A verdade é que estou ansiosa. Eu quero que meus poderes apareçam. Finalmente eu sei quem eu sou e eu quero vivenciar isso. Eu quero ser uma bruxa.

– Você já é – Erika disse e havia tanta aceitação em seu olhar que por um momento Gwen se sentiu extremamente confortável na presença daquela garota que antes era sua inimiga.

– Boa menina – Helve assentiu com um sorriso. – Eu queria vê-las antes de irem para seus quartos. Queria matar as saudades, como dizem os humanos – ela sorriu – Mas já é hora de partirem – os olhos dourados da bruxa se fixaram no céu lá em cima, onde o teto firme se abria para o majestoso Carvalho poder respirar. – Já é quase meia-noite.

Heron se mexeu pouco a vontade e apertou Gwen em seus braços.

– Devemos ir, então – ele disse, levantando-se.

– Oh, sim – Helve sorriu. – Nos veremos mais amanhã.

Erika os acompanhou pelo templo, seguindo em direção á saída. Sentia-se um tanto desconfortável na presença do casal, mas preferia permanecer de boca fechada. A verdade é que a intensidade que os unia a incomodava. Era como ficar segurando vela… Mas um pouco mais complexo que isso.

Helve se despediu na porta, abraçando suas meninas amavelmente.

– Tenham uma boa noite, queridas – ela disse. – E mais uma vez eu digo que estou muito contente que estejam aqui embora a situação não seja boa.

– Estamos contentes em vê-la também – Gwen disse e seu olhar se voltou para Erika, que assentiu.

Helve sorriu e então lançou um olhar sério para Heron.

– Cuide bem de sua Gwen – ela disse.

– Não se preocupe, sacerdotisa. Ela estará em perfeita segurança.

Helve lançou um último olhar para os dois antes de sumir de volta em seu templo. Fora estranho, mas o olhar daquela sacerdotisa aparentava esconder segredos que Gwen nem sequer sonhava existir… Segredos que iriam mudar sua vida para sempre.

Heron a abraçou suavemente à medida que iam seguindo pelo caminho de cascalho em direção ao castelo. O ar ao redor era frio… Muito frio. E por um momento Gwen se amaldiçoou por não ter levado um casaco mais quente. Mas o calor que emanava de Heron apagou a memória gelada que as sombras deixavam no ar.

– Então – ele disse conforme caminhavam – Vocês foram atacados no caminho para cá?

Gwen sentiu-se enrijecer ao pensar no que passaram em San Diego.

– Sim.

– E por que você não me contou? –o olhar dele era mais preocupado do que zangado.

– Acabamos de chegar – Gwen sorriu para tentar amenizar as coisas. – Não tive tempo de contar. Mas não precisa se preocupar – ela esfregou o nariz gelado contra a bochecha dele num gesto carinhoso. – Estamos bem. Erika e Dimitri cuidaram muito bem da situação.

– Dimitri? – o olhar dele nublou.

– Não se preocupe, Heron – Erika sorriu com arrogância. – Eu fui a estrela do espetáculo. Dimitri apenas deu uma forcinha.

– Que bom para mim, não é mesmo? – Heron se permitiu sorrir.

– Onde vamos ficar? – Erika perguntou à medida que caminhavam para dentro dos corredores longos e estreitos do castelo, tentando acabar com a tensão.

– Temos muitos quartos ao longo da fortaleza – Heron disse, presunçoso. – Morris nos concedeu dois de seus melhores.

– Vamos dormir separadas? – Gwen perguntou, preocupada.

– Por que, tem medo do escuro? – Heron a provocou com um sorriso malicioso.

– Não. – ela lhe mostrou a língua. – Estou apenas preocupada com a Erika.

– Ah, tá. Como se eu quisesse ficar no quarto enquanto vocês dois estão se pegando – Erika revirou os olhos. – Obrigada, mas eu dispenso.

Heron riu do comentário da garota, divertindo-se silenciosamente com a possibilidade de realmente poder beijar sua amante como ela merecia ser beijada.

 *-* *-*

 O quarto era tão luxuoso que por um momento Gwen se sentiu sufocada com tanta sofisticação. Já havia estado em algumas salas daquele castelo, então fazia alguma ideia de como seriam os quartos, mas ainda assim foi uma surpresa.

As paredes escuras eram feitas do mesmo material antigo da fortaleza, exceto que ali dentro do quarto ela era adornada com alguns enfeites e duas tochas acesas para iluminar o ambiente.

A cama era enorme, em estilo vitoriano. Os lençóis dourados faziam um contraste surreal com as paredes e a mobília escura. O tapete que se estendia pelo amplo espaço era vinho… Um tom altamente audacioso para um quarto comum. Mas combinava com o sofá negro do outro lado, onde havia uma manta felpuda no mesmo tom dos lençóis da cama.

A parede do fundo abrigava o enorme e luxuoso banheiro.

Mas Gwen não foi olhar. Ela fitava o quarto, encantada. E podia ter certeza de que Erika não estava exagerando cinco minutos antes quando a deixaram no quarto da frente.

Quando Heron a abraçou gentilmente, rindo com o olhar fascinado que ela lançava por todos os lados, Gwen se assustou. Ele sorriu, malicioso e beijou-a no queixo. Seus lábios eram um tanto frios, mas deliciosos na pele macia. Principalmente quando eles deslizaram lentamente em uma trilha ousada até o pescoço.

– É lindo, não é? – ele sussurrou no ouvido dela.

Gwen apenas assentiu, incapaz de dizer alguma coisa. Qualquer coisa que quisesse dizer ficou presa em sua garganta no momento em que ele a abraçou. Estar tão perto dele assim em um lugar fechado… E sozinhos, fazia com que seu coração batesse mais rápido e a respiração saísse acelerada.

Heron, com toda certeza, sabia disso. Porque seu sorriso malicioso estava intacto no rosto. Mas ele se afastou, relutante, e foi se sentar na cama gigante.

Gwen o fitou com admiração, pensando em como ele ficava lindo com os cabelos escuros e ondulados caindo no rosto perfeito. Seus olhos brilhavam ao olhar para ele.

– O que está olhando, mici? – ele perguntou, a voz rouca.

Gwen sorriu e se aproximou da cama com o olhar apaixonado. Ela se sentou ao lado dele, encostando a cabeça suavemente no ombro forte.

– Senti sua falta – ela disse.

– Ah, mici… – ele suspirou, acariciando-lhe o rosto gentilmente com a mão. – Eu também senti.

Gwen franziu o cenho, sentindo a repentina frieza na pele dele. Não havia se dado conta antes, mas a temperatura dele não estava normal.

– Não tem se alimentado? – ela perguntou.

– Hoje ainda não. – ele respondeu tranquilamente.

– E nos outros dias? – ela se arriscou.

– Sabe que eu preciso – ele pareceu pouco confortável em responder.

– Como? – Gwen perguntou, sentindo seu coração pular dentro do peito ao pensar na resposta.

– Às vezes com o estoque de sangue – ele disse, cauteloso. – Ás vezes em uma caçada nas montanhas… E, ás vezes, com os fornecimentos especiais de Morris.

Gwen enrijeceu um pouco.

– Eu não transei com ninguém – ele disse com sinceridade ao notar a reação dela.

Gwen recuou um pouco e fitou o rosto do vampiro com profundidade. Era doloroso saber que ele poderia ter feito sexo com outra pessoa enquanto ela estava fora. Ela sabia que ele fazia isso antes. Mas agora… Agora tudo era mais complicado porque ele a tinha.

– Não foi por isso que eu perguntei… – ela murmurou.

– Você queria saber se eu estive no labirinto – ele disse, sério.

Gwen apenas assentiu.

– Há muito tempo que eu já não me permito participar de tais caçadas – ele disse fitando-a com sinceridade. – Eu caço nas montanhas. Animais. É um esporte. Às vezes me permito caçar alguns humanos, mas os escolho pelo caráter.

– Não gosto da ideia de você caçando animais. – Gwen resmungou.

– Prefere que eu cace humanos? – o sorriso dele era divertido.

– Dependendo da situação, sim. – ela fez uma pausa. – Você os mata? Os humanos.

– Assim é a caça – ele disse com simplicidade. – É a minha natureza. Como um lobo que mata suas presas na floresta todos os dias.

– Pode parecer egoísta e um tanto maldoso, mas antes pessoas cruéis do que os animais…

– Os humanos que eu caço não tem caráter nenhum – ele assegurou, sentindo que devia satisfação à ela. – São perversos e cruéis. E mesmo se eu quisesse me parar… O lobo tem o controle sobre mim. Eu não tenho escolha.

– Você pode evitar o momento da morte. – ela disse, confusa.

– Eu consigo me controlar quando estou na forma humana.

– Entendo.

– Preciso libertar a fera em certos momentos. É uma coisa que está dentro de mim… Faz parte de mim. E afinal de contas, qual seria a diversão nisso?

Gwen o fitou com certa surpresa.

– Uau! Então você gosta desse tipo de caçada? De matar pessoas? –ela perguntou.

– Eu sou um vampiro – Heron disse com a voz um tanto fria. – Não sou um ser humano com princípios.

– Você é uma pessoa com princípios! –Gwen rebateu, ficando irritada.

– Eu sou o que eu sou e nada pode mudar isso. Você sempre soube. Eu costumava ser doce quando estava perto de você e da sua família pacífica, mas não é isso o que eu realmente sou. Eu sou um vampiro, quer você aceite ou não. E estar aqui reflete em mim todas as sombras e trevas das quais sou feito. Não há nada que você possa fazer para mudar isso.

Suas palavras foram tão duras que Gwen considerou seriamente dar um tapa nele e ir dormir com Erika no outro quarto. Ele nunca falara daquela maneira com ela antes, demonstrando tanta frieza cruel.

Ela sentiu seus olhos encherem-se de lágrimas enquanto fitava o rosto duro de Heron e se odiou por isso. Não queria chorar na frente dele, não enquanto ele se mostrava todo forte, firme e cruel. Mas não conseguia ter o controle sobre seus verdadeiros sentimentos. Ele estava tão diferente…

– Às vezes sinto reconheço mais você – ela murmurou.

Com essas palavras Heron recuou. Os olhos amendoados, antes indiferentes, fitaram o rosto magoado da jovem, as lágrimas tristes que enchiam aquele olhar azul que ele tanto amava. E ele se perguntou por que estava deixando as sombras o dominarem quando tinha a sua estrela ali tão perto.

Ele desviou o olhar.

– Você sabe que não é verdade – Gwen disse muito baixo – Eu não acredito que você seja assim. Eu conheço você! Sei quem você realmente é… E isso está além de você ser ou não um vampiro.

Heron a fitou, analisando cada traço do rosto jovem. Seus olhos vagaram até se encontrarem com o azul dos dela, mergulhando fundo naquele oceano selvagem. Sem dizer uma única palavra, ele ergueu a mão e gentilmente enxugou um das lágrimas que conseguiu escapar. Seu toque era frio… E distante.

Gwen fechou os olhos, decidida a apenas sentir. Sabia o quanto um vampiro podia ser cruel, Heron já havia lhe dito isso muitas vezes. Ela mesma estava percebendo isso conforme convivia com aqueles seres feitos de trevas. Mas ela também sabia muito bem que até as trevas podiam ser iluminadas. E aquele era o vampiro que ela amava. E ele não era frio daquele jeito.

Gwen não pensou em mais nada além de seus sentimentos por ele e se atirou em seus braços, abraçando-o com a mesma força de antes. Não permitiria que ele fosse sufocado com aquela crueldade que flutuava por entre as montanhas de Brasov. Ela lutaria até o fim para trazer aquele Heron amável que conhecera em San Diego.

Ele não retribuiu o abraço. Continuou parado em sua frieza, os olhos recusando-se a olhar para ela. Mas ela não sabia dizer se ele estava tentando ignorar a frieza ou se estava se entregando a ela. Quando ele fechou os olhos, relutante, ela soube que ele não queria se entregar.

Gwen tocou os lábios suavemente nos dele, obrigando-o a engolir sua doçura mais uma vez. O toque era suave, doce… E deu a ele uma prova do que estava perdendo.

Heron rosnou uma vez,  finalmente se rendendo. Seus braços a apertaram junto de si e sua boca se abriu para a dela. Ele sufocou completamente seu lado escuro naquele beijo, esmagando os lábios dela sob os seus.

– Gwen… – sua voz saiu arrastada… Entregue… Seduzida. – Eu te amo… Tanto – e com um suspiro de rendição ele voltou a beijá-la.

Gwen sentiu seu mundo despencar, as lágrimas secando enquanto ela se entregava completamente àquela paixão sufocante.

Heron se afastou gentilmente, o olhar amendoado emanado calor quando a fitou.

– Perdoe-me – ele disse.

Gwen não disse nada. Concentrou-se no rosto dele, contornando com os dedos os traços profundos e belos. Os lábios eram tão macios e convidativos que ela se sentiu tentada a beijá-los novamente. Ele era tão perfeito a seu ver… Que, às vezes, não parecia real.

E ela morria de medo de acordar um dia e perceber que tudo não passava de uma simples e cruel ilusão.

– Então era sobre isso que você se referia quando me disse que as sombras o dominavam? – ela finalmente falou.

– Sim – ele disse, sem expressão. – Você se torna frio… Cruel. Nada importa para você além do desejo e sangue. Tudo o que você amava passa a se tornar mundano demais… Humano demais. E você passa a abraçar somente as trevas. Elas tomam conta da sua alma e de seu coração.

– Eu não acredito nisso.

– Você viu – ele disse, o arrependimento tingindo –lhe a voz. – Você viu como eu a tratei agora. Fui um cretino.

– Há luz dentro de você – Gwen disse. – Eu sei que há.

– O que restou da luz que havia em mim está se apagando conforme os dias passam. Não há lugar para as duas coisas, Gwen. Ou é a luz ou são as trevas. E eu mal consigo ver a luz que há em mim…

– Eu posso fazer com que veja! – Gwen o fitou com intensidade.

Heron sorriu, seu lindo e sedutor sorriso.

Stea – ele disse e tocou os lábios dela com o polegar numa carícia maliciosa. – Stea mea[2].

Gwen se perdeu naquele olhar amendoado.

– Por mais que as sombras e as trevas tentem me dominar, você sempre as espanta com seu brilho – Heron disse. – Está fazendo isso agora e fez isso quando me abraçou no pátio mais cedo.

– Fico feliz em saber que sou capaz disso – Gwen se permitiu dar um sorriso.

– Ah, mici… – Heron sorriu em seus lábios, provocando-a. – Você é capaz de muitas coisas quando se trata de mim.

Gwen estremeceu uma vez e o beijou.

Heron os derrubou na cama, de modo que pudessem ficar abraçados. Seu olhar era apaixonado e ele se perguntou quando foi a última vez que uma mortal conseguiu fazê-lo se libertar das trevas. Mas nunca houve. Gwen era única e ela era eternamente sua.

– O que vai acontecer conosco agora que eu estou aqui? – ela perguntou.

– Hum… – Heron fingiu pensar. – O que você gostaria que acontecesse? – ele perguntou num sorriso malicioso.

– Na verdade eu não me importo muito – Gwen sorriu, ignorando a malícia na voz dele. – Desde que estejamos juntos qualquer coisa é válida.

– Eu devo concordar – ele a beijou suavemente. – Só de tê-la em meus braços já é maravilhoso. É bom ter meu coração de volta, você ficou com boa parte dele.

Gwen sorriu.

– Você também ficou com uma parte do meu – ela disse. – Senti tanto a sua falta…

– Ah, minha querida. Senti sua falta também. O que me tirou dessa solidão foi o instinto natural de um vampiro, o que me tornou frio.

– Não quero que você fique frio de novo – Gwen disse, voltando o rosto para ele e fitando-o com intensidade.

– Eu também não quero – ele sorriu – Mas não é uma coisa que eu possa controlar… Não quando estou longe de você.

– Você não está mais longe – ela disse, tocando o rosto dele com a ponta dos dedos. – Estou aqui e não vou embora. Não enquanto você ainda me quiser.

– Eu sempre vou querer você, mici. – ele disse, intenso.

– Então não vá mais embora – ela disse e sua voz tingiu-se de agonia. – Não quero me separar de você nunca mais. Foi horrível…

– Não – ele franziu o cenho para ela – Não quero que pense nisso. Esqueça-se dessas lembranças ruins. Estamos juntos agora.

– Eu pensei que nunca mais fosse vê-lo – ela sussurrou.

– Shh… – ele a silenciou suavemente. – Estamos juntos.

– Isso não apaga as lembranças, Heron – ela o fitou com seriedade. – Tampouco os pensamentos idiotas que me vieram a cabeça por todo esse tempo.

– Que pensamentos? – ele se empertigou.

– Pensamentos tolos. Eu cheguei a pensar que com tudo o que havia acontecido você tivesse escolhido seu lado vampiro a final. Escolhido seu lado mulherengo. Achei que não voltaria mais para mim.

– Não diga besteiras, Gwen – Heron pareceu se zangar. – Acaso se esqueceu de tudo o que eu lhe disse? Eu amo você. Não é tão simples deixa-la para sempre. E por que eu escolheria meu lado vampiro e sombrio se eu posso ter o seu brilho constante em minha vida e voltar a sentir o que eu já não sinto há muito tempo? – ele a encarou por longos minutos em silêncio.

– Por um momento eu realmente pensei todas essas coisas – ela confessou.

– Eu nasci como um vampiro, Gwen. Eu nunca fui capaz de sentir como um humano, as trevas sempre estiveram presentes em minha vida, em meu coração. Então é uma novidade para mim, poder sentir algo mais do que apenas crueldade. E você me deu isso. Você é minha doce e terna amada. E eu não trocaria isso por nada!

– Eu começo a enxergar essas coisas agora – ela disse.

– Não quero mais que pense nessas coisas. Estamos juntos agora e não vamos mais nos separar.

– Por quanto tempo? – ela perguntou, notando que não fazia ideia de quanto tempo seu mundo feliz iria durar.

– O tempo que for necessário. Quando o mundo lá fora for seguro de novo, então você poderá partir.

– E você voltará comigo? – ela teve que perguntar.

– E eu não disse que não íamos mais nos separar? – ele sorriu.

– E quanto á Morris? – Gwen perguntou, expondo suas preocupações e dúvidas. – Ele vai deixa-lo ir?

– Ah, eu devo me empenhar para ganhar a liberdade – Heron sorriu, malicioso demais. – Até lá você é minha prisioneira.

Gwen gargalhou, entregando-se àquele momento. Heron soube como beijá-la, como ele sempre sabia, enroscando os dedos nos cabelos macios e puxando-a para mais perto. Seus lábios eram gentis nos dela, amavam a suavidade, o calor. Ele morria todos os dias por não poder beijá-la.

Seu corpo correspondia àquela paixão com ardência, um fogo líquido que queimava a alma. Ele a puxou para cima, deixando que ela se encaixasse perfeitamente em seu quadril, mas sem interromper o beijo. Quando o peso dela o atingiu, ele soltou um gemido profundo.

Gwen estava ciente de como aquele beijo estava se tornando quente. Mas não se importava nem um pouco. Seus braços agarraram-se no pescoço de Heron quando ele se sentou na cama ainda com ela no colo e afundaram-se nos cabelos grossos de modo que era impossível para ele escapar de seu abraço.

Não que Heron quisesse escapar. Longe disso. Estava empenhado demais para pensar em qualquer coisa que não fosse os lábios ardentes dela.

Ousado, ele deslizou uma das mãos lentamente para baixo enquanto a segurava com a outra e tocou – lhe a pele nua e macia das costas. Ela suspirou, satisfeita com o toque suave e jogou a cabeça para trás.

Heron deixou seus lábios fazerem um caminho sensual até o pescoço com aquele convite irresistível. Ele beijou a pele levemente perfumada e, provocante, deixou que uma de suas presas roçasse a pele.

Gwen gemeu uma vez, entregue.

– Faça – ela murmurou.

– Você está cansada – Heron disse com a voz rouca.

– Faça mesmo assim.

– Não. – ele sussurrou em seu ouvido, provocando-a. – Não agora.

– Você quer! – ela o desafiou.

– Não tenho palavras para dizer o quanto eu quero – ele concordou.

– Prove – ela sussurrou em seus lábios e aquele foi o ponto de impacto.

Heron sentiu uma corrente elétrica passar por todo seu corpo com a descarada provocação. Seus desejos foram se libertando, um a um, e ele pôde sentir seu pênis enrijecendo dentro da calça.

– Não deveria me provocar assim, Gwen – ele disse, os olhos dilatando-se. – Tem alguma ideia do que provoca em mim? Eu posso não resistir…

Como se quisesse provar seu argumento, ele pressionou os quadris contra ela, fazendo-a sentir sua enorme ereção. Gwen sentiu seu corpo ferver diante daquela revelação. O sangue correu mais rápido e convidativo dentro de suas veias, seduzindo a mais impiedosa das criaturas.

Mais uma vez ela atirou a cabeça para trás, expondo o pescoço macio.

– Faça – ela disse e desta vez sua voz não permitiu uma recusa.

Heron soltou um suspiro de rendição e pousou os lábios frios no pescoço dela, beijando suavemente antes de penetrar os caninos na pele macia. O sangue explodiu em sua boca, doce e sedutor, lembrando-lhe de como era viciante beber dela.

Gwen gemeu quando sentiu as presas dele se afundarem em sua carne, aquela sensação extasiante começou a percorrer seu corpo, levando-a para um mundo totalmente diferente. Fechando os olhos, ela se agarrou à Heron, permitindo que ele a conduzisse por aquele caminho pecaminoso e audaciosamente tentador.

Automaticamente, suas mãos comprimiram a cabeça dele contra seu pescoço, forçando-o a sugar mais e mais. Heron permitiu que ela se prendesse a ele, puxando-a para mais perto. Seus corpos estavam colados agora e ele estava ciente de sua ereção sendo esmagada. Isso só o provocava ainda mais, levando-o para aquela onda de êxtase que ele tanto conhecia e gostava.

Não era apenas o sangue viciante, ele pensou enquanto se alimentava dela, era ela também. Não podia se permitir ficar tão perto… Ela era como um imã, arrastando tudo para si.

Se aquilo persistisse… Ele não conseguiria manter o controle por muito mais tempo.

E foi isso que o fez parar.

Lutando contra o aperto dela, Heron separou os lábios da pele macia. Sua língua serpenteou pelo pescoço, selando a pequena ferida. E então ele a fitou.

Gwen estava zonza como sempre ficava quando ele a mordia, os olhos levemente abertos e vidrados. Estava tão linda que ele seria capaz de atirá-la na cama naquele momento e só parar quando a tivesse devorado.

Ele a beijou com paixão, completamente fascinado com o que podia causar nele.

Gwen estremeceu ao sentir o gosto do próprio sangue nos lábios dele. Era estranho, mas o sabor não lhe pareceu salgado… Era levemente adocicado… Como um vinho antigo e poderoso.

– Ah, mici – ele suspirou.

Gwen o abraçou, aconchegando-se nos braços fortes e acolhedores. Sua cabeça tombou levemente, aninhando-se na curva do pescoço.

– Você deveria descansar – Heron disse, acariciando-lhe os cabelos gentilmente.

– Você me esgotou – ela disse com a voz arrastada.

– Oh, sim – ele sorriu, todo cheio de malícia. – Foi você quem me provocou.

– E você se aproveitou.

– Ah, eu adoro me aproveitar de você, Gwen.

Gwen riu e tentou abrir os olhos. Ela piscou duas vezes, olhando ao redor do quarto. Estava tão cansada que corria o sério risco de desmaiar nos braços dele.

– Hum – ela suspirou – Eu adoraria tomar um banho.

– Não acho uma boa ideia – Heron disse.

– Por que não? – ela o encarou, confusa.

– Porque parece que você vai desmaiar a qualquer momento – ele disse, acompanhando os lábios dela com os dedos. – E seria tentação demais você estar nua em um lugar tão próximo a mim.

Gwen sentiu seu rosto corar, o calor espalhando-se por todo o seu corpo numa onda gostosa.

– Você toma banho amanhã – Heron disse, esforçando-se para ignorar a vermelhidão do rosto dela. Ele ergueu-a da cama gentilmente e puxou os lençóis e cobertas. Quando a colocou de volta sobre o colchão, certificou-se de que estava confortável e a cobriu. – Agora você vai descansar.

– Você vai ficar? – o olhar dela se prendeu a ele.

– E para onde eu iria? – ele sorriu, deitando-se ao lado dela.

Gwen se aninhou nos braços dele mais uma vez e se permitiu fechar os olhos, não levaria muito tempo para ela apagar.

– Boa noite, mici – ele sussurrou.

– Boa noite – Gwen murmurou e então se entregou ao sono.

[1] Aqui Gwen se refere à sacerdotisa representando a face Mãe da Deusa.

[2] Minha estrela.

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