A fé da gente – Lição 4 aprendida

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A fé da gente

Lição 4 aprendida

Escrito por: Zuleika Juliene

  Catarina acordou sentindo-se esgotada, lembrava de algumas coisas que tomou como um sonho, algumas palavras ressoavam em sua mente, “Quem a colocou onde você está?”, sentia-se perdida, confusa e fraca. Ficou sentada no mesmo lugar durante uma hora envolta em pensamentos e angustias, ela sabia que teria que sair, mas para onde? Sabia que deveria ser rápida, mas não contava com muitas opções, então mesmo em meio aquela turbulência mental, tentou vasculhar sua mente em busca de uma solução.

  Após um bom tempo pensou em ligar para o patrão, não tinha muita liberdade com ele, mas era uma hora de necessidade e ela não tinha mais a quem recorrer. Tentou se acalmar e fez uma oração pedindo coragem para efetuar a ligação e forças para aceitar uma má resposta. Pegou o telefone sem firmeza nas mãos, lembrou que não sabia o número de cabeça, percorreu a agenda até o nome de Dona Esther, pensou que se ela ainda estivesse lá as coisas seriam bem mais fáceis. Não sabia dizer a razão, mas de repente veio outra frase em sua mente, “Uma coisa muito importante é valorizarmos o que temos e outra também de grande importância é tomarmos cuidado com o que desejamos, pois um desejo errado pode destruir boa parte de nossa vida.” Permaneceu sentada com o telefone na mão durante alguns minutos retendo esta mensagem na cabeça, tentando entender ou atribuir-lhe algum significado, mas naquele momento nada fazia muito sentido, olhou novamente para o telefone e finalmente fez a chamada.

 Quando Nicolas atendeu, Catarina esclareceu sua situação propondo um acordo para poder pagar um aluguel e procurar outro emprego, mas o patrão deu-lhe outra alternativa.

  – Estou indo para a casa de campo Catarina, tirei uns dias na empresa e preciso descansar de tudo que está me acontecendo, temos um projeto para que após meu recesso eu continue a trabalhar de lá, então esta casa ficará fechada. Gostaria que considerasse a ideia de vir morar aqui, pelo menos por um tempo, para cuidar da casa, depositarei uma quantia mensal para suas despesas e o seu salário, o que você acha?

  Catarina pensou que realmente não estava tudo perdido e agarrou a oportunidade com todas as suas forças.

  Arrumou rapidamente suas coisas e partiu para a casa do patrão.

  No caminho encontrou Dona Divina que lhe perguntou:

  – Indo viajar Catarina?

 – Não Dona Divina, muita coisa aconteceu em minha vida nos últimos tempos, estou apenas de mudança.

  – Boa sorte, espero que dê tudo certo. E não esqueça a nossa última palestra.

  – Última? Não eram cinco? Em minhas contas ainda faltam duas…

 – Creio que que a conta está correta Catarina, você participou de quatro, agora falta a última e gostaria muito que você fosse.

  Catarina pensou que com a distância a probabilidade era que ela faltasse, mas não comentou nada e ainda estava confusa com o cálculo em relação a quantidade de palestras.

  – Qualquer coisa passo no seu serviço para te pegar…

  – Tá bom! – Catarina respondeu sem refletir e quando se deu conta de que não havia dito para onde estava indo Dona Divina já estava virando a rua.

  Ao chegar à casa do patrão Catarina se deparou com uma bagunça e sujeira tão grandes que a deixaria ocupada por vários dias, porém agradeceu o mais forte possível em seu íntimo, pois teria um teto e um salário para se manter, além de ter um tempo para refletir sobre sua vida.

  Nicolas deu-lhe as chaves e as instruções, já estava com tudo pronto para partir, Catarina agradeceu o patrão e quando este virou as costas ela começou a limpeza, pois o ambiente estava péssimo para se viver. Enquanto limpava ia fazendo um balanço de sua vida, tentando obter respostas de seu interior, fazia uma revisão detalhada dos últimos anos de tudo o que havia passado, de como as coisas poderiam ter sido, de como gostaria que elas fossem, às vezes parava para tomar um café e nestes momentos listava algumas modificações que gostaria de fazer em sua vida a partir daquele momento e não raro mensagens que havia escutado nas palestras da igrejinha vinham a sua mente a fazendo refletir cada vez mais e mais.

  Naquela semana esta foi a sua rotina, pensar em suas ações e quais os reflexos que elas haviam produzido, rabiscar metas e estratégias para conseguir atingí-las, muitas vezes se sentia sozinha, desamparada, mas nestes momentos pedia forças ao universo, agradecia todas aquelas oportunidades de crescimento e de uma maneira que não saberia explicar sentia-se acolhida, confortada, segura.

  Pensou em como em um mês sua vida poderia ter mudado tão drasticamente, mas em alguns dias aceitou que mudanças nem sempre são ruins, que enquanto estamos vivos sempre há tempo de mudar o jogo, sempre pode haver melhoria. Pensou em estudar, em fazer novos amigos, talvez adquirir um passatempo favorito, visitar lugares que nunca tinha tido a oportunidade de ir devido a vida corrida com marido e filhos. Sabia que ainda havia muita coisa para viver e só dependia de sua vontade, sendo que esta estava aflorando a cada dia, e desta maneira foi percebendo como as manhãs eram lindas, como o perfume de um novo dia era inspirador, como a cada amanhecer lhe soava como uma nova oportunidade de vida e agradecia por estas percepções.

  Como tinha tempo começou a ler um livro e lembrou que sabia tricotar, fez algumas peças para os meninos, para entregar-lhes quando os encontrasse, cuidou das plantas de Dona Esther que quando chegou estavam quase no último suspiro e as viu melhorar a cada dia, fez delas suas amigas e confidentes, arriscou testar algumas receitas novas que havia visto em um programa de televisão e ficou admirada ao descobrir um novo talento.

  Aquela semana foi muito especial para Catarina, pois ao se dar a oportunidade de refletir sobre seu eu e sua vida ela deparou-se com coisas surpreendentes.

 Continua

Um comentário em “A fé da gente – Lição 4 aprendida

  1. srrsrssrsr olha, acho que estou num momento Catarina, lição 4!
    Aprendi isso também… sobre as oportunidades, sobre fazer tudo enquanto estamos vivos.
    Eu cheguei a pensar que ela ia juntar forças com o patrão, porém ele deu uma baita saida pra ela. Um cara bem legal.
    Falta só a lição 5… deve ser a mais dificil de todas.
    A demora por tomar uma decisão por si mesma, mas o desejo de mudar a fez estar onde está agora….
    Gostaria muito que ela terminasse bem, já que aprendeu tanto 😀

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