A fé da gente – Lição 4

lição 4

 

A fé da gente

Lição 4

Escrito por: Zuleika Juliene

  Catarina sentiu seu mundo desmoronar, parecia que tudo havia saído do controle, vários pensamentos invadiram sua mente, como exemplo, se questionou sobre a razão de coisas ruins sempre acontecerem em trio, seu emprego estava por um fio, agora não tinha casa e teria que ir à justiça com Alfredo por causa dos meninos. Pensou em sua mãe que já estava no céu há algum tempo, em horas como estas o colo de mãe é fundamental, mesmo sua mãe tendo sido dura, rígida, nunca ter demonstrado muito afeto, ela sabia que se estivesse ali a ajudaria, saberia como lhe dar um bom conselho.

  Pensou sobre o que teria feito de sua vida, por que teria dado tanta importância a certas coisas e deixado outras de lado, o que ela mais queria naquele momento era uma segunda chance, era recomeçar, mas não via caminho nenhum aberto, parecia não haver saída para ela, sentiu-se fraca, lembrou que não tinha nem mais Dona Esther, caiu em prantos, em arrependimento profundo, arrependeu-se de não ter agido antes, de não ter construído sua história de outra maneira.

  Em meio a sua turbulência pessoal ouviu Alfredo que presenciava toda a sua humilhação comunicar-lhe que estava indo buscar os meninos, que ficariam todos na casa da comadre para que eles não vissem o estado lastimável da mãe e também ele não voltaria para casa, pois agora estava com a comadre, mas que quando voltasse não gostaria de vê-la.

  Catarina não tinha para onde ir, não sabia o que fazer, pensou na traição de sua comadre mais do que na de Alfredo, lembrou do início do namoro com Alfredo, de quantas vezes sua mãe a havia advertido quanto ao seu caráter, de como ela havia insistido para que Catarina não fosse morar com ele.

  Não tendo mais forças ela ficou estirada ali mesmo no chão até que adormeceu.

  Acordou em um lugar estranho que cheirava forte a lírios, sentiu uma sensação estranha, mas confortante, sabia que estava procurando algo, era uma montanha, pois tinha que escalá-la, sabia que era autora daquele obstáculo que agora lhe parecia intransponível, escorregadio, maior do que suas forças. Cravou suas unhas nas primeiras rochas, sentiu o limo, um odor nauseante a enfraqueceu, foi ao chão e de lá ficou olhando o tempo passar. Fechou os olhos na esperança de que a montanha sumisse, então sua visão começou a escurecer, não conseguia se lembrar de mais nada, não via quase mais nada, não conseguia mais se mover, sentiu-se paralisada, queria gritar, mas não havia ar em seus pulmões, sua cabeça girava e doía, sentiu vontade de vomitar, pois percebeu que a montanha estava dentro dela com toda sua dureza, com todo o seu peso e sua escuridão.

  Acordou puxando todo o ar que podia, ainda não conseguia enxergar direito, via pequenas luzes no teto, mas a claridade do ambiente era maior, com o tempo avistou janelas de vidro e pessoas andando de um lado para o outro, de repente tudo escureceu novamente, ela forçou os olhos, pois sabia que estavam fechados, porém não obtendo resultados parou e esperou.

  Finalmente conseguindo abrir os olhos reconheceu o chão de sua casa, aquele onde havia adormecido, foi levantando aos poucos, então avistou uma mulher sentada na poltrona, tomou um enorme susto e gritou:

  – Quem é você? Como entrou aqui? O que você quer?

  – Calma Catarina, entrei porque a porta estava aberta, não precisa ter medo, vim para te ajudar…

  -Mas quem é você? E quem te disse que preciso de ajuda?

 – Sou assistente social aqui do bairro, e também seria eu a palestrante da próxima semana, mas creio que haja ensinamentos que devam ser acelerados. A propósito, me chamo Flora.

   – E o que você quer?

  – Soube que está com problemas no casamento, que neste momento certamente está achando que perdeu tudo que tinha, que não tem para onde ir…

  – Como sabe de todas estas coisas?

 – Iponéia não é um bairro grande, não é mesmo Catarina? Bom, começaremos por partes, você tem uma casa muito grande…

 – Você é louca? Por que…

 – Só peço que me escute, como faz nas palestras da igrejinha… Aqui não será diferente, você precisa escutar o que tenho a dizer, lugares, templos, igrejas, são convenções, coisas do homem, apenas escute.

  Como ia dizendo, você tem uma casa muito grande chamada Terra, ela te fornece recursos para fazer, ser, estar onde quiser…

  Catarina tentou protestar, mas sentiu seus lábios grudados, tentou mover-se, mas estava paralisada.

 – A conexão que estabelecemos com nossa casa, “Terra”, e até mesmo com o universo é o que faz a diferença, é o que nos impulsiona ou nos deixa estagnar. Seus pensamentos atraem o que você quer e o que você tem medo, nós que damos os comandos Catarina, nós que construímos nosso mundo, nós o visualizamos e com o passar do tempo damos forma a ele.

  Uma coisa muito importante é valorizarmos o que temos e outra também de grande importância é tomarmos cuidado com o que desejamos, pois um desejo errado pode destruir boa parte de nossa vida.

  Não podemos nos esquecer nunca de agradecer ao universo, veja você tem ar em seus pulmões, tem o sol para te aquecer, a água para te hidratar e a terra te dá uma gama de alimentos para te nutrir, você é forte, é saudável, o que falta para você?

  Sei que não está satisfeita com sua vida, mas quem a colocou na posição em que está? Então agora me responda, quem deve a tirar desta posição?

  Nem sempre as coisas acontecem em nossa vida por mal, às vezes é apenas um sinal, um freio, um tempo para podermos analisar que estamos no caminho errado, são afortunados os que têm este tempo para refletir, pois isto significa uma segunda chance.

  Felizmente seu tempo de reflexão está acabando e eu espero que saiba aproveitar a oportunidade que lhe foi dada, que consiga ter uma ampla visão de todas as coisas, que consiga aproveitar as mensagens que lhe foram passadas em forma de ensinamentos nas palestras.

  Você é uma pessoa muito especial, precisa se dar conta disso e quando conseguir perceber o que estou dizendo verá o quanto sua vida irá mudar…

 Acredito que esteja bastante confusa, mas precisava escutar o entendimento vem depois.

 Ao término destas palavras Catarina sentia-se extremamente cansada, seus olhos começaram a pesar, seu corpo amoleceu e ela caiu novamente em sono profundo.

 Continua

 

3 comentários em “A fé da gente – Lição 4

  1. Háaaaaaaaa! Como eu imaginei, essas pessoas não existem, são enviados divinos!
    Concordo plenamente, nós escrevemos, nós devemos mudar. São poucos os que possuem a chance de mudar, ou a chance de conseguir ver a quantas anda a vida,

    Gostei do chacoalhão!
    Como a Gabi disse: não tem cena de ação, mas é ….. é foda euheueheu direto na ferida!

    Curtir

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