A fé da gente – Lição 3 aprendida

Lição 3 Aprendida

 

A fé da gente

Lição 3 aprendida

Escrito por: Zuleika Juliene

  Catarina acordou sobressaltada com a ausência de Alfredo, correu para espiar os meninos e olhar se a casa estava em ordem, sentiu algo em seu peito que não sabia descrever, um tipo de inquietação. Foi até a cozinha beber um pouco de água e avistou um bilhete sobre a mesa.

  Alfredo havia conseguido um emprego e estava começando naquele dia, Catarina ficou imaginando o motivo dele não ter comento isso com ela no dia anterior, achou estranha esta atitude até mesmo para ele, mas pensou que até que era uma boa notícia, pois não teria mais que carregar o peso das despesas sozinha.

  Ela não se sentia bem naquela manhã, tinha dores no corpo e na cabeça, um mal estar que denunciava que a chegada de uma gripe forte estava a caminho, pensou mais que uma vez em faltar no serviço, poderia ficar com os meninos e descansar um pouco, mas não tinha este costume e a consciência pesava muito, então decidiu seguir sua rotina.

  Quando chegou no serviço achou estranha a presença do patrão àquela hora em casa, o cumprimentou observando o quanto ele estava entretido na leitura de um livro, fez uma ronda pela casa constatando que ali estavam apenas os dois, Catarina pensou que aquele era realmente um dia atípico, mas que de qualquer forma o serviço estava lá a esperando ansiosamente.

  Pegou o rodo, o esfregão e o balde repleto de produtos de limpeza dentro e se dirigiu ao banheiro, pensou em começar pelo serviço mais pesado para depois fazer com calma o mais leve, então ouviu o patrão lhe chamar.

  – Catarina!

  Em tantos anos que Catarina trabalhava naquela casa, jamais imaginou que o patrão soubesse seu nome, aliás, não lembrava nem um dia sequer que ele estivesse em casa.

  – Pois não senhor Nicolas?

  O homem olhou profundamente nos olhos de Catarina a deixando desconsertada e depois de um minuto teve coragem de falar:

  – A Esther me deixou e levou com ela minha filha.

  Por várias razões Catarina perdeu o chão, fosse pela conversa que tivera com a patroa no outro dia, fosse pela falta que ela faria, por pena daquele homem que estava a sua frente, por saber que seu futuro no emprego era incerto, o fato é que ela ficou ali parada em frente ao patrão sem proferir palavra.

  – Não sei como será o meu futuro, mas neste momento gostaria de ficar sozinho. Não sei quando foi a última vez que tirou férias, mas pode tirar quinze dias, eu pago, só preciso ficar sozinho.

 Catarina não tinha intimidade com o patrão, então não argumentou, simplesmente perguntou se ele precisava de alguma coisa e como a resposta foi negativa ela agradeceu e virou-se para pegar suas coisas, mas o patrão a chamou:

  – Catarina, tome este livro para você. Ele ensina a sermos fortes.

  Catarina pegou o livro e agradeceu, não entendeu direito o gesto, pois pensou que naquele momento quem mais precisava de forças era ele.

  No caminho de volta para casa ela foi lendo o livro que falava da vida de pessoas comuns, como ela, mas que tinham um sonho e que mesmo em meio as dificuldades conseguiram atingí-los tornando-se líderes, presidentes, físicos, celebridades. Catarina compreendeu que a moral que o livro desejava passar era a determinação, pois independente dos acontecimentos e eventos bons ou ruins de suas vidas nenhum deles haviam desistido de seus objetivos, então entendeu a mensagem que o patrão quis transmitir ao lhe dar o livro, ele tinha um objetivo e por esta razão sacrificou sua família terminando por perdê-la, sim o livro ensinava a sermos fortes.

  Chegou em casa cansada, pois já saíra mal, então se deu ao luxo de deitar para descansar aproveitando para pensar em tudo que estava acontecendo em sua vida, lembrou das palavras de Dona Amanda, “O quanto você se ama?”, esta frase podia ter múltiplos aspectos a serem analisados, então fez um breve exame de sua vida, dois filhos, casamento infeliz, sem profissão, não se achava atraente… No fundo queria outra vida, outra oportunidade, se pudesse voltar no tempo não teria engravidado cedo, não teria casado com Alfredo, teria estudado, estaria em uma posição melhor e certamente se sentiria bem em relação a sua imagem.

   Ouviu uma voz em sua mente” você ainda está viva”, sabia que sua consciência estava certa, mas havia coisas que não poderia mudar, porém outras, sabia que só dependia dela.

  Questionou se as crianças eram felizes, se Alfredo era feliz e novamente lembrou da palestra – O que eu poderia fazer para que fossem felizes? – Meditou durante um longo tempo sobre isto até chegar a uma conclusão, ela tinha que se melhorar, ela tinha que se amar, tudo se resumia a ela, tudo estava em suas mãos.

  Quando deu por si estava quase na hora de pegar os meninos na escola, levantou arrumando-se rapidamente, então escutou Alfredo chegar.

  – Precisamos conversar.

– Depois Alfredo, está quase na hora dos meninos saírem da escola…

  – Quero a separação, quero que saia da minha casa e vou ficar com os meninos.

  Uma outra voz invadiu a mente de Catarina “ Quando não tomamos as rédeas de nossas vidas, corremos sério risco deixando-a nas mão do destino”.

Continua

3 comentários em “A fé da gente – Lição 3 aprendida

  1. éeeeeeeeeee……….. A gente sempre vê o erro no outro, mas não pensa nas cagadas que podemos estar cometendo!… Segura essa onda, Catarina, certeza que vc muda isso!

    Um rumo realmente interessante!

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