Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.13) – O desenrolar dos fatos

por Mille Meiffield

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Gilly

– Entre e feche a porta senhorita Welch.

Eu estava virada para a lareira. Olhava intensamente para o fogo absorta em meus pensamentos, o inverno havia começado a pouco. O vento gelado batia forte nas janelas.

– Gilly, eu…

– Senhorita Welch, o que você fez não tem perdão. Nunca em nossa Sociedade das Sombras presenciamos algo tão pífio, repulsivo. Você foi desonrosa com nossa escola senhorita Welch. O que alega a seu favor?

– Senhorita Dazmann, eu nunca suportei a presença dessa vadia…

– Você pensa que está falando com quem Senhorita Welch? Nós somos amigas fora desta sala, aqui dentro eu sou a líder do Conselho e você é apenas mais um membro que deve se reportar a mim antes de tomar qualquer decisão. Fale com respeito da senhorita Zamerov.

– Como quiser. A senhorita Zamerov está mentindo. Meu irmão nunca encostou nela. Eu não vou permitir que ela manche a honra da minha família.

– Quem agrediu primeiro senhorita Welch?

– A senhorita Zamerov.

– Porque ela a agrediu?

– Alessia e eu zombamos dela e eu a chamei de vadia, foi aí que tudo começou.

– Aeryn, você é uma boa pessoa. Somos amigas há muito tempo, porque você fez isso? Você conhece a reputação de seus irmãos e a décadas não se falam. Pense bem Aeryn, se a Litza se sentir desconfortável com a sua presença aqui, serei obrigada a transferí-la para outra Sociedade das Sombras.

– Eu não posso sair daqui Gilly, você sabe que os Caídos estão me procurando. Aqui é um dos poucos lugares seguros que eu posso viver.

– Então na próxima vez pense antes de agir por impulso.

– Pensarei Gilly, eu prometo.

– Assim que a Litza acordar vou conversar com ela. Vamos torcer para o estrago não ter sido grande.

***

Lykke

Entrei no quarto de Zahra sem bater à porta.

– Zahra a Sophie está aqui? – perguntei aflita.

– Não Lykke, ela deve estar no quarto dela, o que houve?

– Ela não está lá, eu preciso encontra-la rápido. Zahra, Sophie estava conosco quando Gilly confirmou que Litza é a Princesa McAleese. Ela surtou e saiu correndo da sala da Gilly. Litza foi atrás dela mas antes de alcança-la encontrou com Aeryn e Alessia.

– O que a Aeryn fez dessa vez? – perguntou Zahra

– Litza cansou de ouvir as baboseiras de Aeryn e quebrou o nariz dela. Elas rolaram no chão se agredindo, mas Aeryn foi longe demais. Ela bateu a cabeça da Litza no chão com muita força.

– Ela está bem? – interrompeu Zahra

– Eu não sei. Petter e Addam a levaram para o quarto. Petter me pediu para levar Sophie para lá o mais rápido possível.

– Sophie deve estar no salão de jogos com Declan e Benjamin.

– Vem comigo Zahra, talvez você possa ajudar já que também é uma Ninfa.

– Claro que eu vou.

Zahra e eu corremos até o salão de jogos. Uma fina chuva invernal caía, umedecendo todo o ambiente.

O Salão de jogos estava cheio. Todos tomando alguma bebida quente. A maioria jogava jogos eletrônicos ou jogos de tabuleiro. Sophie estava num sofá perto de uma enorme lareira deitada no colo de Noah.

– Sophie, você precisa vir conosco. – falei.

– Desculpa Lykke, mas eu preciso ficar sozinha.

– Aeryn machucou a Litza, ela precisa de você.

– Como assim Aeryn a machucou?

– Eu te explico no caminho.

 

***

Addam

 

– Petter você acha que ela vai ficar bem?

– Aeryn não é tão forte Addam. Creio que ela não tenha batido a cabeça da Litza tão forte assim.

– Eu vou matar aquela garota. Quem ela pensa…

– Você não vai fazer nada Addam. Litza agrediu Aeryn primeiro, ela pode se complicar.

– Não deveríamos ter vindo para cá.

– Se ficássemos em North Conway Mark tentaria de tudo para impedir que Litza ficasse conosco.

– Porque ela não acorda? – não conseguia imaginar minha vida

sem Litza. A dor de pensar em perdê-la me enlouquecia.

– Ela precisa descansar, eu nunca vi uma humana enfrentar um vampiro e sair viva. Litza teve sorte.

– Você chama isso de sorte? – gritei – Litza está inconsciente, com o corpo coberto de hematomas e você acha que ela teve sorte?

– Se fosse uma humana comum, ela jamais teria alguma chance. Aeryn não a poupou em momento algum.

– Gilly tem que expulsá-la. Litza é a Princesa McAleese, merece respeito. E por ser a Princesa McAleese, ela deveria ter privilégios, como não ter que conviver com a irmã do cara que a violentou.

– Addam, você precisa se acalmar. Eu fico aqui com a Litza, traga Lykke e Sophie, Litza pode precisar dos poderes de um híbrido.

– Sophie não é uma híbrida.

– É o mais próximo que temos.

Me deitei ao lado de Litza e a beijei. Acariciei seu doce rosto e afastei uma mecha de seu belo cabelo ruivo que teimava em cobrir parte de sua bela face. Levantei, dei um abraço em meu irmão e fui procurar Lykke.

***

Lykke

Sophie e Zahra foram para o quarto de Litza e eu fui procurar Alessia. Entrei na biblioteca e procurei por entre as estantes repletas de livros antigos.

– Sabia que te encontraria aqui Alessia.

– O que você quer?

– Quero saber exatamente o que aconteceu. – Ela me olhou assustada. Parecia nervosa. – Fala logo senão…

– Me deixa em paz Lykke.

Me aproximei dela, a ergui com minhas mãos e a atirei sobre  a estante no fim do corredor. Alessia não passava de uma Sidhe, metade Ninfa, metade humana. Não tinha forças para lutar comigo.

– A Litza começou está bem? Ela bateu na Aeryn.

– A Aeryn começou não foi? – indaguei – Ela provocou a Litza.

– Foi.  – Alessia respirou fundo – Por favor me solta Lykke. Eu vou te contar tudo.

Joguei Alessia no chão. Ela reclamou e choramingou um pouco.

– Fala tudo. Agora!

– Aeryn recebeu uma ligação ontem, eu estava no quarto dela e ouvi parte do que disseram. Acho que o tio da Litza e os irmãos da Aeryn estão vindo para a Sociedade das Sombras.

– O quê? – isso não podia ser verdade. – Você tem certeza disso?

– Foi o que eu ouvi. Parece que eles vão chegar em dois dias.

– Olha aqui Alessia – eu a segurei pelos braços e a ergui novamente. – Se você estiver mentindo, vai se ver comigo.

– É verdade, eu juro.

Os olhos de Alessia demonstravam terror. Ela sabia que quando Aeryn descobrisse o que ela me contou, se vingaria.

– Eu vou te soltar e sair daqui, preciso ver como a Litza está. – eu a coloquei no chão novamente e me dirigi em direção a porta. – E não se preocupe, tudo o que foi dito nessa sala morrerá aqui.

– Obrigada Lykke.

***

Addam

– Lykke. – chamei.  A avistei saindo da biblioteca. – Lykke, aonde estão Sophie e Zahra?

– Eu as mandei ao quarto de Litza e porque você não está com ela?

– Eu vim procurar vocês. Petter disse que a Litza precisava da Sophie com urgência.

– Elas já devem estar lá. Vamos.

***

Petter

– Sophie, Zahra, que bom que vieram, ela ainda está dormindo mas está chamando esse Anjo Caído. Eu não sei o que fazer.

Litza começou a resmungar novamente, chamando por Rehael. Seu corpo estava ensopado de suor. Sua pele que já era pálida, estava como a neve. Suas feições pareciam sem vida.

– Petter, ela está fria. – disse Zahra.

– Ela poderia estar passando pela transição Zahra? – perguntou Sophie.

– Não, ainda é muito cedo. Ela está em pré transição, nem humana, nem Ninfa, ela precisa de sangue urgente.

– Mas ela não é uma vampira. – eu disse

– Ela não precisa de sangue humano e sim de uma Ninfa, mas seria melhor se fosse sangue de um Caído.

– Addam jamais permitiria isso Zahra.

– Nem se fosse a única chance dela?

– Ele não responde sozinho por ela Petter, ela é minha irmã e eu acabei de reencontrá-la, não vou deixar que ela morra por causa de um capricho.

– Supondo que Addam concorde, como faremos para encontrar esse Rehael.

– Não precisa, estou aqui.

Rehael abriu suas enormes asas negras e esboçou um sorriso malicioso.

– Eu a ouvi me chamando e vim o mais rápido que pude.

– Como assim você a ouviu te chamando? – perguntou Addam ao entrar no quarto.

– Calma Addam. A Litza precisa do sangue dele, ela está em pré transição e vai morrer se não estiver forte o suficiente.

– Ela não precisa do sangue desse Caído, ela vai ficar bem.

– Não Addam, não vai e como irmã mais velha eu autorizo Rehael a doar sangue para ela.

– Você não tem esse direito Sophie.

– Ah sim, eu tenho. E você não vai tirar esse direito de mim.

– Vem Addam, vamos deixar a Sophie com eles, vamos. – disse Lykke.

– Eu não vou sair de perto dela. – gritou Addam irritado.

– Vai sim. – segurei Addam por um braço e Lykke o segurou pelo outro. Seus olhos soltavam faíscas de um ódio quase mortal desferido à Rehael.

***

Rehael

Me deitei na cama ao lado de Litza, sentindo seu delicado corpo frio e imóvel ao lado do meu. Dei um breve beijo em sua bochecha e afastei com as mãos uma mecha de cabelo que teimava em cobrir seu belo rosto. Ela soltou um longo suspiro, mas continuava imóvel.

– Eu não entendo, porque ela reage a você mas não reage a nenhum de nós?

– Litza precisa do meu sangue, o corpo dela reage a isso.

– Não é só isso, tem algo mais – disse a garota que eu creio que seja a irmã de Litza.

– Sim, tem algo mais. Tem algo surreal e inexplicável, algo que une nossas almas, mas nem sempre vai unir nossos corações.

Puxei do bolso uma pequena navalha afiada e passei sua lâmina levemente sobre meu pulso. Uma linha escarlate surgiu e logo se transformou numa goteira vermelha. Com o polegar, pressionei para baixo o lábio inferior de Litza e pressionei o corte sobre a sua boca.

Aos poucos, seu corpo foi ganhando cor e vida e sua temperatura começou a se elevar. Suavemente, retirei meu pulso de seus lábios e desferi um suave beijo em sua boca. Seus olhos tremularam e se abriram devagar. Ela piscou algumas vezes e quando sua visão foi ganhando foco, ela me lançou um suave e doce sorriso.

– Rehael? – indagou confusa, embora seus olhos demonstrassem uma certa alegria ao me ver. – Você precisa ir embora, não quero que Addam o veja aqui.

– Addam sabe que Rehael está aqui Litza. – disse Sophie.

– Ele está lá fora com Lykke e Petter. – disse a outra garota na sala.

– Como? Addam odeia você Rehael.

– Eu era o único que podia salvá-la Princesa.

– Você já sabe que Litza é a Princesa McAleese? – perguntou Sophie segurando meu pulso, enquanto a outra garota estava às minhas costas dando cobertura. Eu estava fraco demais e elas sabiam disso.

– Sophie, Zahra, parem. – pediu Litza. – Rehael não vai me machucar, eu confio nele.

Elas me soltaram. Litza tentou sentar-se, mas eu a impedi. Novamente a beijei, mas dessa vez preferi um beijo longo. Um beijo de despedida. Eu ficaria por perto, a vigiando e protegendo, mas sabia que não poderia ficar com ou perto dela por muito tempo. Seria perigoso demais para nós dois.

– Princesa, eu preciso ir embora e não sei se algum dia voltarei a vê-la.

– Fique Rehael, podemos dar um jeito para você ficar aqui.

– Sou um Anjo Caído Litza, se eu ficar, outros como eu viriam me procurar e tudo acabaria em um grande banho de sangue.

– Eu não quero que você vá.

– Preciso ir. Addam está ansioso demais para saber que você está bem. Ele realmente a ama.

Vi lágrimas escorrerem do canto de seus olhos e segui seus caminhos com meus lábios. Levantei e andei até a janela.

– Adeus Litza.

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