A Garota Má (Pt.16): A caçada da Leoa Indomável

 

Escrito por Natasha Morgan

 

253654__hunting-lioness_p

 

 

O Bentley estacionou a alguns metros da propriedade privada, dando uma freada barulhenta. O ronco do motor silenciou com um pequeno rugido elegante, dando lugar ao silêncio sombrio.

Uksville estava deserto. Como um condomínio abandonado há séculos, exceto pela limpeza impecável dos arbustos e estradas. As mansões ficavam afastadas umas das outras por alguns quilômetros de distância, escondidas por entre os pinheiros, carvalhos e cerejeiras. Os moradores podiam usufruir tranquilamente sua privacidade dentro daqueles portões pesados de ferro antigo.

Um pequeno paraíso sofisticado.

Meera foi a primeira a sair do Bentley, a bota de combate esmagando o cascalho frágil sob seus pés. King a seguiu, como os demais. Sander e Halle travaram as portas do Mustang e se juntaram ao grupo em silêncio.

A mercenária parou no meio da estradinha vazia, apanhando um binóculo em seu coldre e fitou o alto do morro, ajustando a lente poderosa sobre seus olhos. Lá estava a mansão fortificada dos Petrov: Linda e Intocável. Bem no alto do morro, cercada de muros altos e fortes, rodeada de seguranças armados e impecavelmente vigiada pelas centenas de câmeras espalhadas em seu jardim adorável. Uma fortaleza impenetrável.

Meera deu um sorrisinho de canto de boca, maliciosa.

– Você parece otimista. – Halle disse, aproximando-se para checar o perímetro.

– Contei dezenove seguranças próximos ao portão. Devem ter mais escondidos e dentro da casa. – ela observou, focada nas informações que podia coletar.

– Estaremos preparados para eles. – disse Klaus, destravando a Desert Eagle.

– Assim é que eu gosto. – Meera sorriu.

Ela apanhou uma mala preta no porta-malas do carro e ajustou sua espada no coldre peitoral.

Um raio cruzou os domínios do céu e a fina garoa se intensificou, beirando a tempestade.

– Vamos acabar com isso. – Meera deu uma piscadinha. – É hora da diversão!

Fridda tirou o casaco de couro que usava, destravou a garrucha e seguiu a mercenária, juntamente como os outros. O condomínio deserto agora estava povoado, sendo invadido pelos leões selvagens e sua fome abrasadora.

O morro era um tanto inclinado, mas o grupo não encontrou qualquer dificuldade em subi-lo. O vento forte açoitava o rosto de quem ousava enfrenta-lo, fazendo voar os cabelos numa fúria sensual enquanto as gotas selvagens da chuva tocavam os rostos numa carícia provocante.

Eles pararam tão logo os portões de ferro surgiram à sua vista. Ocultos nas sombras dos pinheiros, estavam atentos aos sutis movimentos dos capangas lá dentro. Meera fez um sinal para que ficassem onde estavam, quietos, enquanto ela cuidava de um importante detalhe. Fuçou a mala que trouxera e retirou seis cargas de explosivos.

Imperceptível, a Mercenária deslizou pelas sombras até o muro alto e cinzento, e encaixou, um por um, os explosivos nas partes bifurcadas. Habilidosa, ela os armou em apenas alguns segundos e se afastou, voltando para junto do pessoal.

Todos se agacharam, protegendo-se do que estava por vir.

Meera girou o controle em sua mão, dando uma risadinha maléfica. E então apertou o botão.

O Muro ameaçador ruiu numa explosão violenta que fez voar escombros por todos os lados e acertar Sander na cabeça. O menino cambaleou em direção ao chão e praguejou em outra língua.

Podiam-se ouvir os ruídos preocupados dos seguranças lá dentro.

Meera levantou-se de um pulo, um sorriso brotando em seus lábios audazes.

– Hora do show!

Ela retirou uma Gatling Gun portátil e monstruosa de dentro da mala preta e a mirou em direção ao portão de ferro, aproximando-se a passos largos. E antes que os seguranças surgissem, começou a atirar.

O barulho foi estrondoso, quase ensurdecendo os outros. As balas voavam para todos os cantos, metralhando o que restou do muro, as árvores do jardim e os capangas que corriam naquela direção.

Antes que sua atenção fosse roubada para a ação, Fridda lançou um sorriso matreiro à mercenária, divertindo-se à beça com tudo aquilo.

Meera tremia com a potência da metralhadora e seus cabelos voavam ao vento, chicoteando seu rosto impiedoso. Ela riu, exibindo os dentes numa expressão aterrorizante. E quando a munição acabou, deixando para trás apenas o eco do silêncio, ela apanhou duas Hand Cannon de triplo cano e passou a atirar com elas. A mini metralhadora giratória era perfeita para seus fetiches sangrentos e moldavam-se em suas mãos com elegância, fazendo-a parecer uma vingadora fatal.

Por um momento, Fridda a invejou, observando-a pelo conto de olho enquanto lutava ao lado da rival, abatendo o que sobrara dos capangas. Eles vinham de monte, surgindo pelo jardim e dos fundos da casa. A Bestemor era ágil com sua garrucha, acertando-os com maestria e dando golpes naqueles que escapavam de sua mira.

Klaus divertia-se a seu modo, preferindo o corpo a corpo à suas pistolas elegantes.

King mantinha-se como um fidalgo sofisticado, lutando apenas com sua bengala em forma de lança. Seus golpes eram simples e eficientes, incapacitando os adversários em questão de segundos. E o Mouro ainda conseguiu manter sua roupa impecável.

Halle dispensou as preliminares, escapando pelas frestas em direção ao hall da mansão. Soube desviar dos capangas que abordavam seu caminho, abatendo cada um deles com um tiro direto na testa. Sua prioridade era encontrar Cherry e ele não tinha tempo a perder, tampouco para saborear aquele banquete.

Sander era o único descontrolado. Cego de ódio, batia e chutava desenfreadamente, espancando os capangas até que o sangue transbordasse de suas bocas e narizes. E a cada corpo que largava no chão ele perguntava de Willa. E quando não obtinha uma resposta, matava-os sem qualquer piedade. Sua fúria beirava à loucura, deixando-o vulnerável.

Klaus se distraiu, preocupado com o filho e acabou por levar um tiro no ombro.

Ao ouvir o grito do pai, Sander correu naquela direção e derrubou o capanga, silenciando-o com um tiro na testa. Seus olhos se voltaram para o pai e ele o ajudou a levantar.

– Eu estou bem, velho. Trate de cuidar de seu próprio traseiro! – disse e voltou ao combate.

Klaus disfarçou um pequeno sorriso, deu um tranco no ombro, ignorando a dor, e voltou à luta. Um guerreiro como ele não seria tão facilmente abatido.

Lado a lado eles lutaram, exterminando os homens de Bóris Petrov.

Fridda e Meera foram civilizadas e dividiram algumas presas, matando com elegância. Um dos capangas conseguiu fugir da mira da Hand Cannon e acertou um soco no rosto da mercenária. Fridda lançou-lhe um golpe com a ponta do pé e o fez ajoelhar, dando-lhe um tiro no meio da testa e finalizando o serviço. Em retribuição, a mercenária atirou nos dois soldados que se aproximavam sorrateiramente da velhinha.

Elas se entreolharam, sérias. E assentiram em agradecimento apenas uma vez, antes de voltarem à ação com as armas erguidas e a fúria solta.

Klaus, mesmo sangrando conseguiu chegar mais perto da entrada principal da mansão de cinco andares, dando cobertura para o filho e King se apossarem do jardim lateral. A manga de sua camisa refinada estava escarlate e o sangue pingava com lentidão. A ferida doía pouco, mas incomodava. Não que isso o impedisse de mover seu ombro contra os narizes dos estúpidos que ousavam impedi-lo de entrar na fortaleza.

Já havia derrubado uma fortaleza Petrov uma vez. E estava prestes a fazer ruir outra.

Sander se aproximou com a Glock, derrubando os capangas pelos joelhos e ouvindo seu lamento com satisfação. Fácil demais simplesmente matar, o bom é incapacitar! Uma lição que aprendera com a Bestemor. Socou mais dois no nariz com o cabo da pistola e conseguiu empurrar o último nos arbustos espinhentos do jardim.

King seguiu com seu balé assassino até que a ponta de sua bengala penetrasse a garganta do homem com quem lutava. Num giro rápido, livrou a lâmina da carne decrépita e limpou-a na manta de zibelina. Seus olhos focaram-se no soldado posicionado na varanda e ele fez um pequeno gesto com a mão, convidando-o a se aproximar.

O homem pareceu refletir por alguns segundos, segurando a carabina com nervosismo. Por fim decidiu que o oponente era poderoso demais para suas simples capacidades e resolveu fugir, largando a arma no chão e saltando por cima da cerca do jardim.

Meera observava a cena de perto e voltou suas duas pistolas Hand Cannon para a direção onde o homem corria, apertando o gatilho. As balas foram cuspidas pelos três canos da arma e voaram á longa distância, acertando o fugitivo bem no meio das costas.

Meera voltou seus olhos sorridentes para King e lhe deu uma piscadinha cúmplice.

O Mouro riu consigo mesmo e se voltou para junto de Sander na entrada principal, dando cobertura ao garoto.

Klaus abriu os braços, apontando suas pistolas para as duas direções enquanto dava cobertura aos parceiros.

Sander respirou fundo uma vez, ajustando a Glock, e chutou a porta. O cristal se espatifou com o impacto da bota grossa do rapaz, despencando em milhares de caquinhos preciosos. E foi então que a chuva de homens atingiu o grupo.

Saídos de dentro da casa, os soldados do búlgaro estavam igualmente armados e sem um pingo de medo de morrer.

Sander os encarou de frente, atirando no máximo de corpos que conseguiu mirar. King apanhou sua fiel escudeira bengala e juntou-se à luta enquanto Klaus abatia os homens direto da porta, impedindo-os de sair. Numa fila indiana da morte, os capangas eram mortos com tiros certeiros, manchando o chão com sangue.

Sem querer perder a diversão, Meera tomou a frente, empurrando o nórdico com pouca suavidade. Seu andar sensual era cômico em contraste com o massacre. Os soldados hesitaram, fitando a bela mulher de modo desconfiado, principalmente quando ela parou numa pose desafiadora diante deles.

Meera sorriu, lambendo os beiços e apontou as Hand Cannon em direção à eles, puxando o gatilho até o som das balas sendo expulsas pelos três canos soarem como música para seus ouvidos.

Não restou nenhum homem vivo. Nem elegância no hall destruído.

O silêncio imperou, enquanto a poeira flutuava no ar.

A mercenária guardou as pistolas no coldre.

– Esse andar está livre. Vamos nos certificar de limpar os outros até o térreo, é lá que Cherry e a garota estão.

– Como sabe? – Sander perguntou.

– Por que Bóris seria estúpido de deixa-las onde vocês pudessem pegá-las tão facilmente? – ela ergueu-lhe uma sobrancelha.

– Ótimo! Vou subir. – o garoto se apressou em direção ao elevador, erguendo sua arma.

Klaus o seguiu, junto com King conforme os outros iam adentrando a mansão.

– Mas que estrago! – a voz de Fridda ecoou. A velha olhava ao redor com um princípio de sorriso nos rosto.

A mercenária sorriu para ela.

– É o que essas belezinhas podem fazer. – acariciou a arma no coldre.

Fridda a ignorou, seguindo com os outros para o elevador.

Sander o checou antes de entrar. Tudo limpo.

Eles adentraram a caixa metálica, procurando qualquer tipo de armadilha. Halle apertou o botão para o segundo andar e olhou sugestivamente para Meera, que hesitou nas portas.

– Prefiro ir pelas escadas.

– Algum problema com elevadores? – Fridda alfinetou.

– Nenhum problema, velha. Além de serem ótimas armadilhas para pegar intrusos.

– Eu o chequei. – Sander olhou feio para ela.

– Mesmo assim, prefiro a escada e os desafios que posso encontrar por lá.

Halle suspirou.

– Ok. Vou com você.

– Relaxe, caçador. Prefiro trabalhar sozinha.

– Não é uma boa ideia se separar do grupo. – objetou Klaus.

– Está dizendo isso porque realmente se preocupa ou porque não quer ficar sem retaguarda?

Klaus suspirou.

– Ótimo. Então vá sozinha.

As portas metálicas se fecharam, deixando Meera sozinha com o silêncio empoeirado.

Ela observou os números na placa digital logo acima, franzindo os lábios. Perda de tempo. Acreditar que a mansão fora tomada era uma tremenda idiotice.

 

Alline assustou-se quando a porta se chocou contra a parede, ao fundo da sala. Ainda estava sentada nas almofadas sofisticadas do sofá, bebericando seu cálice de vinho caro enquanto observava a chuva aumentando de intensidade. O som brusco e os gritos de Willa quase a fizeram derrubar seu vinho na saia de seda. Seus olhos voltaram-se, preguiçosamente para o som desagradável.

Bóris mancava, arrastando a menina pelos cabelos com violência enquanto ela tentava se soltar aos chutes e gritos. Ele a jogou contra uma das mesinhas de vidro contendo vasos de porcelana e a antiguidade se espatifou no chão, a menina tombando em meio aos cacos.

Willa se levantou e avançou contra o búlgaro, ousada, mas foi silenciada com um tapa forte que lhe cortou o lábio.

Bóris a agarrou pelos ombros, forçando-a a encarar sua face furiosa.

– Você será minha! Nem que eu tenha de amarrá-la e amordaça-la! Eu me servirei do seu corpo hoje, cadela!

Deu-lhe mais um tapa com as costas da mão, jogando-a com violência no chão marmóreo.

Alline se levantou, deixando sua taça de vinho para trás. Seus passos entediados a levaram até a porta, sem olhar para trás.

– Honestamente? Nunca vou entender esses seus desejos nefastos.

Bóris gargalhou, avançando sobre a menina novamente.

Alline seguiu pelo corredor, pensando na tranquilidade de seu quarto e em como se distrairia nas últimas horas até que pudesse voltar à sua taça de vinho naquela sala agradável sem ser interrompida pelos fetiches desagradáveis daquele búlgaro idiota.

O salto fino tamborilava pelo piso de mármore, ecoando no silêncio com elegância. Estava quase chegando á porta do seu quarto quando ouviu o barulho de tiros. Ela estancou no mesmo momento. Aproximou-se com rapidez da torre que levava à escada curvada e espiou pela janelinha arredondada de vime.

Pouco se via do jardim, exceto os corpos dos homens abatidos na grama bem cuidada.

O barulho de tiros persistia, assim como o estrondoso disparo de uma metralhadora profissional.

Alline resfolegou. Não era possível que tivessem encontrado aquele lugar! Bóris era estúpido em diversos sentidos, mas não em se tratando de uma fortaleza como aquela. Ninguém sabia daquele lugar. Nenhum de seus sócios mais prestigiados. Absolutamente ninguém.

Ela se afastou da janela, tropegando de volta ao corredor. Seus olhos se voltaram para o elevador do outro lado, as portas estavam fechadas. Quando o medo se abateu em seu peito, ela decidiu dar voz à sua intuição e se apressou para seu quarto.

O aposento era o segundo melhor de toda a mansão e ela não dava a mínima por desperdiçar a cama por aquela noite. Correu em direção ao guarda roupa, unindo suas peças favoritas dentro de uma mala, apanhou os documentos que Bóris havia assinado a pouco e carregou sua pistola americana, guardando-a na bota de cano longo.

Saiu do quarto sem olhar para trás.

 

*-* *-*

Savedra era um homem frio e calculista que aceitou trabalhar para Bóris Petrov por poder, fama e dinheiro, entregando a própria filha adolescente para firmar a barganha. Naquela noite de tempestade, estava ansioso por cumprir às riscas a ordem de seu senhor e eliminar aqueles malditos intrusos.

Seus olhos azuis opaco fitaram a telinha do monitor da sala subterrânea, observando o setor do elevador principal.  A casa fora invadida alguns minutos atrás e no instante que o grupo intruso se apossou do elevador sem digitar a senha, um alarme foi disparado, alertando a segurança.

Savedra estava supervisionando dois novos recrutas, ensinando-os como monitorar as câmeras por aquelas centenas de telas naquela sala escondida quando ouviu o alarme disparar, acendendo uma luz vermelha irritante.

Entrou em modo de ação no mesmo instante, procurando nos computadores a imagem em HD do elevador. Sorriu ao ver o grupo distinto dentro da caixa metálica. Um homem negro vestido ricamente, um rapaz ruivo, um grandalhão viking, um metido à encrenqueiro e uma velhinha nada simpática.

Todos armados, é claro. E ostentando no rosto a arrogância de conseguir dominar a mansão tão fácil. Uns tolos! Ninguém entrava nos domínios de Bóris Petrov sem ser convidado… Principalmente destruindo sua propriedade tão amada.

Savedra riu, sarcasticamente, e apertou um botão violeta no painel de controle de segurança.

– Peguei vocês.

 

Sander foi o primeiro a perceber que havia alguma coisa errada quando ouviu o som esquisito de alguma engrenagem se movendo. E apenas poucos segundos depois o elevador deu um tranco, fazendo-os cambalear.

As luzes se apagaram repentinamente, acionando a lâmpada de emergência. A pequena caixa metálica foi preenchida por uma luz verde neon. A tela onde mostrava o número dos andares congelou, paralisada entre o 1º e o 2º andar. E por fim, o ar foi cortado dos tubos de ventilação, deixando-os num estado limitado de oxigênio.

Fridda segurou-se numa das barras de ferro, assustada.

Klaus apontou sua arma para as portas duplas e Halle para o teto.

O calor foi se apossando do quadrado fechado, impregnando-se no ar pesado e causando desconforto.

– Maldição. – o Mouro disse – Meera estava certa. – É uma armadilha.

– Não vamos cair nela.

Halle deu um salto, agarrando as grades finas do teto do elevador. Fez um pouco de força e conseguiu puxar a grade para baixo, expondo o buraco de acesso às engrenagens. O caçador se espremeu no pequeno espaço e conseguiu subir, sentando-se em cima da caixa e deixando os pés pendurados.

Fez-se um pequeno Bip e a tela dos números acendeu-se novamente, mostrando agora um relógio digital. 00.01:00. A contagem regressiva começou, rolando os números conforme o tempo passava.

– Mas que merda é essa? – Fridda encarou o monitor.

– Puta merda! – Sander resmungou. – Ande logo aí, Caçador, estamos com problemas.

Halle abaixou a cabeça para encará-lo.

– O que é?

– Parece que Bóris sabia que viríamos e desconfio que tenha instalado uma bomba no elevador.

O grupo se agitou ali dentro.

– Quanto tempo? – perguntou o caçador.

– Um minuto.

– Não vou conseguir destravar esta porcaria em um minuto. – ele olhou as pessoas lá embaixo. – Vamos ter que fazer de outro jeito.

Halle estendeu a mão pelo espaço apertado.

– Venham! Vamos sair um por um e escalar até o próximo andar.

– Em apenas um minuto? – Fridda o olhou com ceticismo.

– Não se preocupe, vovó, vou salvar seu traseiro.

Halle a segurou pelo braço e a içou pelo buraco, pousando-a em segurança junto às engrenagens. Fridda se equilibrou no espaço pequeno preso por apenas duas cordas grossas de metal, olhando para baixo com certo receio.

O caçador a olhou com seriedade.

– Suba pela escadaria. – ele apontou a escada enferrujada grudada à parede que levava até o próximo andar. – Consegue abrir a porta de metal?

Fridda puxou um canivete da bota, em resposta.

– Ótimo! – Halle assentiu, incentivando-a a continuar.

Voltou sua atenção aos outros e estendeu a mão pelo buraco novamente. Desta vez foi o Mouro quem foi içado. King se segurou no cabo de metal, equilibrando-se até a escada.

Dentro do elevador, Sander e Klaus discutiam quem iria primeiro.

– Velho, deixe de ser teimoso. – Sander argumentava com o pai enquanto os números rolavam no relógio digital. – Eu vou logo em seguida.

– Menino idiota! Estou lhe mandando subir neste maldito teto!

– E eu lhe disse que vou assim que você subir! – o garoto retribuiu o olhar, impassível.

Klaus rosnou.

– Podemos ficar discutindo e morrer os dois. Ou você pode mover sua bunda gorda até o buraco e sair! Vamos conseguir!

– Sander! – a voz de Klaus reverberou por todo o espaço metálico.

– Klaus! – o menino o enfrentou.

Halle perdeu a paciência, agarrando o nórdico pelos cabelos para chamar sua atenção e depois pelo braço, içando o corpo musculoso com certa dificuldade. Klaus se debateu, tentando se soltar, mas tudo o que conseguiu foi um tapa na cabeça.

O caçador não esperou por uma repreensão, abaixou novamente o tronco para estender a mão para o último que restava. Sander agarrou sua mão. Seus olhos se voltaram para o relógio digital.

00.00:45.

Maldição!

Halle içou o corpo do menino com rapidez e o empurrou em direção à escadaria.

Eles se agarraram ao metal enferrujado e forçaram os corpos a subirem.

Fridda tinha conseguido encaixar seu canivete entre as duas portas de metal e forçar a abertura. A porta abriu com um chiado e a velhinha empurrou seu corpo para dentro, apanhando a garrucha no mesmo momento e montando guarda no andar desconhecido enquanto sua equipe terminava de subir.

King a alcançou logo em seguida, acobertando-a.

Klaus olhou para baixo apenas uma vez, para se certificar de que o filho havia saído do elevador. Seus olhos se voltaram para cima e ele continuou subindo até que seus dedos tocaram o mármore do segundo andar. Ele debruçou-se sobre a cratera lá embaixo e estendeu a mão para o filho.

Sander aceitou a ajuda e foi içado para dentro. Ao mesmo tempo em que Halle alcançava o topo da escadaria.

Um segundo Bip fez-se ouvir.

E então o elevador explodiu com um estrondo ensurdecedor.

As chamas invadiram o poço sem fundo, subindo a uma velocidade sobre humana e espalhando sua fúria por onde passava.

Sander conseguiu puxar o corpo do Caçador antes que fosse atingido pela explosão. E o Mouro fechou as portas metálicas bem no instante em que as chamas tentaram invadir o andar.

O prédio todo estremeceu, derrubando-os no chão.

As lamparinas balançaram no teto, derrubando poeira.

Halle virou-se de barriga para cima, tossindo.

– Eu te devo essa, ruivo.

Sander riu, ofegando um pouco.

 

Lá embaixo, na sala de controle, Savedra amaldiçoou.

 

*-* *-*

Meera sentiu o impacto da escada. Os lustres tilintaram no teto abobadado, as janelas tremeram e o corrimão vibrou em protesto.

– Porra! – amaldiçoou.

Apreensiva, começou a correr escadaria à cima.

 

*-* *-*

Bóris ordenou que seus dois capangas pessoais de plantão fechassem as portas, assegurando que ninguém entrasse. Então voltou seus olhos de um desejo perverso para Willa.

A menina terminava de ser erguer sobre os cacos de porcelana no chão, o joelho esfolado. Sua expressão em nada se assemelhava à garota ingênua e medrosa que ele dominava num estalar de dedos. Aqueles olhos claros eram impetuosos e cheio de uma raiva ardente. Os cabelos cor de rosa ostentavam agora um tom desbotado, bagunçados no rosto selvagem de menina. E o vestido que usava tinha uma alça arrebentada.

Bem do jeito que Bóris gostava.

Ele deu um sorriso sacana antes de se aproximar mancando a passos largos.

Willa se esquivou com um empurrão que o fez cambalear. Ela andou pela sala com cautela, observando seu captor segui-la com os olhos. Um baile silencioso se iniciou, onde presa e predador se encaravam com imponência.

Mal sabia Bóris que ele é quem era a presa.

Willa avançou contra ele usando uma das táticas que aprendera com os Von Kern, e o acertou bem no meio da perna ferida. O búlgaro soltou um grito do fundo da garganta, sentindo seu corpo ceder àquele golpe. Ele apoiou o joelho no chão momentaneamente, tomando fôlego.

A garota estabilizou-se, cruzando os braços e encarando a dor de seu oponente. Poderia ter se dado ao trabalho de correr até a porta e forçar a fechadura, mas sabia que estaria muito bem trancada. Além do mais, jamais desperdiçaria um momento como aquele. Antes de sair daquela casa maldita, teria o prazer de dar uma surra naquele ordinário e talvez vingar-se de todo o mal que ele lhe fizera no passado.

Bóris se ergueu do chão com certa dificuldade, mas o desejo insano dentro dele era forte o suficiente para fazê-lo ignorar a dor de seu osso semi-partido e a carne lacerada. Aproximou-se da menina novamente e viu-a se esquivar com a elegância de uma felina – o que ocasionou um sorriso em seus lábios.

– Quanto tempo passou na companhia daqueles malditos Von Kern? Move-se como Solina.

Willa o olhou com desprezo.

– Tempo o suficiente para aprender a não ceder à homens como você. E o nome dela é Cherry!

A menina o acertou novamente, desta vez com um soco no queixo.

O búlgaro apenas bambeou, mantendo-se firme naquela postura de caçador fajuto. Ele tentou agarrá-la novamente, mas tudo o que conseguiu foi tropeçar numa de suas obras de arte e cair com a cara no chão de mármore.

Willa avançou contra seu corpo estendido, dando-lhe uma saraivada de chutes que acertou suas costelas, ombros e o saco.

Bóris uivou, curvando-se sobre o corpo ferido. Mas lá estava aquele sorriso medíocre, indicando que tudo não passava de uma brincadeira para ele. Mas é claro. Willa havia se esquecido que o magnata adorava a dor como preliminar. Ele se esforçava o bastante para infringi-la às suas escravas. Ao se recordar disso, deu mais um chute no infeliz.

Bóris se encolheu novamente.

E foi então que eles ouviram o estrondo.

De repente o chão tremeu sob seus pés, fazendo ruir alguns quadros das paredes e o lustre tilintar seus cristais. O barulho fez os vidros tremerem em protesto, quase se estilhaçando.

Willa recuou, assustada, e desviou os olhos para as janelas de vidro que cercavam o interior da sala. Aquele foi seu erro fatal.

Bóris aproveitou-se daquele momento para dominar a menina. Com a perna boa, passou-lhe uma rasteira, dominando-a em poucos segundos. Ignorando o ferimento em sua coxa, o búlgaro forçou seu corpo pesado sobre Willa, enquanto ela tentava desesperadamente esmurrar seu rosto.

Ele segurou-lhe as mãos com firmeza, imobilizando-a com as coxas.

Seus lábios se abriram num sorriso cruel.

– Eu a peguei agora. Não tem para onde fugir, pequenina.

Willa se debateu sob suas garras, afastando o rosto do hálito fétido. Seus joelhos estavam muito bem imobilizados, impedindo-a de acertar seu agressor no meio das pernas, assim como as mãos, os pés e os braços. Não podia aplicar nenhum golpe que aprendera com Klaus, estava paralisada à mercê de um animal doentio.

Bóris pareceu decifrar as maquinações dentro de sua cabeça, pois a fitou com escárnio.

– E agora, Willa, o que vai fazer? – ele riu. – Não tem como fugir. Você está sob o meu poder agora. E a tenho todinha só para mim.

Como se quisesse provar o que dizia, afundou o rosto no ninho macio dos seios da garota, apreciando o aroma sedutor que o tentava. Ela se encolheu, tentando fugir de seu toque. Em represália, ele lhe deu uma pequena mordida.

– Então… Não serei idiota novamente. Vamos ver se esconde mais alguma faquinha… – uma mão áspera deslizou pelo corpo lânguido, apalpando-o com malícia.

Willa se mexeu, cheia de repulsa.

– Tire as mãos de mim, seu porco!

Bóris gargalhou.

– Ah, querida Willa, eu lhe tocarei com muito mais além de minhas mãos.

Ele pressionou seu corpo contra o dela, numa tentativa impiedosa de lhe provar seu desejo por ela. Louco de desejo, apoderou-se de sua boca macia, exigindo uma resposta daqueles lábios frios e petrificados.

Willa moveu-se debaixo dele, acomodando-se numa posição mais favorável, roçando-se nele para facilitar seus objetivos. Bóris ronronou, quase se permitindo cair na sedução selvagem daquela menina dissimulada, mas teve o bom senso de finalizar aquele beijo antes que tivesse os lábios presos por entre os dentes maciços.

Ele se ergueu do chão, puxando-a pelos cabelos num aperto cruel. Arrastou-a sob sua vontade, usando sua garra monstruosa para ameaçá-la. Apanhou o emaranhado de metal em algum lugar daquela sala e o encaixou na mão, aproximando-a do rosto amedrontado da menina. Roçou o metal frio na pele rosada e macia, fazendo a garota estremecer.

Bóris agarrou-lhe a garganta, obrigando-a a se sentar no sofá sofisticado que ostentava em sua saleta luxuosa. Willa o obedeceu, os olhos sempre fixos nos dele numa vigilância sombria. Ele se aproximou com cautela, agigantando o corpo sobre ela. Num movimento rápido, rasgou o vestido que ordenara August vesti-la, exibindo os seios rosados.

Willa reprimiu o pânico que a invadiu quando seus seios ficaram expostos aos olhos cobiçosos de seu captor. Principalmente quando os lábios nefastos profanaram sua pele, beijando-a com agressividade.

Bóris respirava com sofreguidão enquanto se esbaldava com o aroma adocicado dos seios dela, devorava-os com uma paixão quase fervente. Lembra-se da perfeição de suas meninas e o vício ao qual elas o submetiam, quase o levando à mais agoniante das loucuras. Malditas mulheres, elas o tinham na palma da mão e nem sequer sabiam!

Furioso por ser escravo àqueles desejos, ele deslizou a garra pelas coxas da garota, afundando-as perigosamente perto de suas partes mais secretas, ameaçando destruí-la num piscar de olhos e cessar todo aquele desejo.

Willa se retesou, esperando por qualquer movimento brusco. Mas o búlgaro se limitou a tortura-la com ameaças vãs. Bem sabia que ele amava ser refém daqueles desejos insanos. Vivia por isso.

Ele a agarrou pelos cabelos novamente, beijando-a a força. Raivoso por não corresponder,  mordeu-lhe os lábios, arrancando uma pequena gota de sangue. Cada vez mais ensandecido de desejo, enfiou a mão embaixo da saia do vestido que ela usava, enrolou os dedos na calcinha fina e a puxou, arrebentando os fios de seda.

Willa continuou paralisada, observando-o por trás das pálpebras fechadas.

Bóris agarrou-lhe as pernas e a posicionou de uma forma favorável, como um banquete fino ao qual estava prestes a se servir. Ansioso, desabotoou as calças e voou para cima dela, preocupando-se em beijá-la inúmeras vezes no pescoço, rosto e lábios como um fiel fervoroso.

– Finalmente a terei de volta, pequena Willa. – sussurrou ele em seu ouvido, antes de roçar seu membro duro no corpo da menina.

– Eu nunca fui sua, Bóris Petrov. – os lábios rubros sussurraram de volta. E ela abriu os olhos.

O brilho sombrio de suas íris congelou a alma de Bóris por apenas alguns instantes, antes dela conseguir acertar um chute em seu estômago e se livrar de suas garras maléficas. Willa o agarrou pelos cabelos sebosos e acertou o joelho em seu nariz num golpe violento que fez jorrar sangue. Bóris caiu aos pés do sofá que tanto amava, tonto com o golpe. A menina o rondou com elegância e quando ele voltou os olhos assustados para cima, ela fechou o punho e o desceu sobre o rosto espantado, espancando-o três vezes enquanto o segurava pelo colarinho da camisa importada.

Bóris engasgou com o próprio sangue, caindo para trás. Estático, ficou ali deitado, respirando com dificuldade, o rosto parcialmente destruído pelos socos que levara. Os olhos rolaram nas órbitas, procurando pela menina.

Ela estava logo ali, prostrada ao seu lado, observando sua agonia com certa satisfação. Com horror, ele se deu conta de que os lábios dela se curvavam num quase sorriso, como Cherry costumava fazer quando matava.

Ele conseguiu dar risada. Um ruído fraco, um esgar rouco. Rolando no chão de mármore, o búlgaro fez força para se erguer, equilibrando-se com dificuldades. A perna ardia como o inferno, assim como o nariz quebrado, a mandíbula e todos os ossos que a maldita havia acertado.

– Sua puta! Não vou deixar que se transforme naquela vadia desalmada!

– Não sou puta. Não sou sua. E eu me transformei há muito tempo!

Willa lhe deu um chute no meio do peito, fazendo-o voar em direção ao barzinho de mezanino.

Bóris se chocou contra as bebidas ao fundo, estilhaçando as garrafas e caindo em meio ao caos de vidros quebrados. Os cacos impiedosos se cravaram em sua carne. Ele gritou, mais furioso do que ferido, arrancando o vidro do corpo.

Willa caminhou tranquilamente até ele, com a elegância de um felino.

– Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? – ela perguntou, enquanto rondava o espaço entre o bar destruído e ele. – Desta vez é você quem é a puta.

Ela lhe aplicou um chute na coluna com a ponta do pé e quando ele se curvou, deu um murro em suas costelas, tendo certeza de sentir uma delas se partir.

Bóris urrou, curvando-se mais ainda, e seus olhos encheram-se de lágrimas.

– Está chorando? – ela parecia lívida de raiva. – Não há lágrimas o suficiente para o que fez comigo!

Willa forçou a cabeça dele contra o tampão do bar, deixando-o cair, fraco, no chão.

Bóris vomitou, respirando com sofreguidão logo em seguida. Seus olhos voltaram-se para a menina, horrorizados com o que viam. Ele se arrastou pelo chão, manchando o mármore com seu sangue na tentativa patética de se afastar do demônio que havia criado.

A menina sorriu, pescando seus pensamentos.

– Estou longe de ser o único demônio que você criou.

Bóris a ignorou, concentrado em chegar novamente ao sofá, onde poderia apanhar sua pistola escondida e terminar de vez com aquela palhaçada. Ele a forçaria a ser sua! Domaria aquela cadela e expurgaria seus demônios.

Willa seguiu seu olhar.

Ela deu um sorrisinho e balançou o dedo duas vezes.

Foi o que bastou para o búlgaro reunir o que lhe restava de forças, erguer-se do chão e atirar-se em direção ao sofá, enfiando a mão entre suas almofadas confortáveis e puxar uma beretta preta. Ele apontou na direção da menina.

Willa estancou, fitando a arma.

Bóris recuperou a compostura, limpando o rosto na manga da camisa. Deu alguns passos à frente, cambaleando um pouco, mas totalmente no controle da situação.

– Agora, Cadela, tire as roupas e deite-se no sofá. – ordenou.

– Vá para o inferno. – Willa cuspiu.

Bóris desviou o foco da arma apenas alguns centímetros e puxou o gatilho, cravando uma bala na lamparina ao lado da garota. Willa deu um pulo, assustada, e não pode deixar de dar um grito surpreso.

Ele voltou a mira da arma novamente para ela.

– Eu mandei tirar a roupa e se deitar!

– E eu o mandei ir para o inferno! – ela o enfrentou com coragem.

Bóris se aproximou cambaleando, a expressão beirando a fúria. Encostou o cano da pistola na testa dela.

– Faça o que eu lhe mandei, puta. Ou juro que vou lhe estourar os miolos sem pensar duas vezes!

Willa não se abalou, permaneceu imóvel fitando aqueles olhos sem piedade.

– Puxe o gatilho. Faça o que quiser. Nada no mundo será capaz de me fazer deitar com você.

Bóris deu um sorrisinho, destravando a arma com um click.

– Última chance, Vadia.

– Vá se foder!

O barulho de tiros os interrompeu, vindo do lado de fora da sala.

Bóris voltou seus olhos cuidadosamente para a porta fechada do outro lado da sala, ansioso.

Houve um breve momento de silêncio e então algo foi arremessado contra a porta pesada num baque estrondoso. Outro momento de silêncio se estendeu. E então outro baque se ouviu contra o metal antigo. A porta foi aberta com um chute que arrebentou a trinca.

Cherry entrou, desvencilhando-se dos corpos mortos dos capangas que guardavam a saída. Ela vestia apenas calcinha e sutiã, e tinha uma adaga de cabo vermelho presa à cintura numa pose ameaçadora. Seus olhos de leoa eram tempestivos, trazendo a promessa ardente de um vulcão em erupção.

Primeiro ela fitou Willa, permitindo-se um breve momento de alívio. E então seu olhar recaiu sobre o búlgaro e tudo o que restou foi a cólera lasciva.

– Solte-a. – foi tudo o que disse.

Rapidamente, Bóris dispersou sua atenção da menina, voltando-se completamente para sua amada vingadora.

Willa correu para junto de Cherry.

– Quero que saia daqui. – disse Cherry. – Siga pelo corredor até a escadaria. Acredito que os outros estejam lá embaixo nos procurando. Há mais guardas chegando, quero que saia daqui o mais rápido que puder!

– E quanto a você?

Cherry deu um sorrisinho.

– Eu vou me contentar com o resto que você me deixou e extirpar esse câncer da sociedade.

Willa olhou uma vez para o búlgaro, saboreando a satisfação de vê-lo finalmente nas garras da leoa, e então lhe deu as costas. Antes de sair, a menina se certificou em encostar a porta. Quando se viu sozinha naquele corredor vazio e silencioso, o pânico a dominou, impelindo-a a correr.

Cherry desviou os olhos da porta por onde Willa saiu e os voltou para o búlgaro.

Seu sorriso toldou o ar ali dentro da sala.

– Aqui estamos eu e você, sozinhos. Finalmente.

 

   Continua!

7 comentários em “A Garota Má (Pt.16): A caçada da Leoa Indomável

  1. Gente como a Willa cresceu nessa história!! A personalidade dela e a surra que deu no Bóris foram incríveis nesse capítulo *—*
    Mal posso esperar pro confronto Bóris x Cherry

    Curtir

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s