Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.12) – A Princesa McAleese

Por Mille Meiffield

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LITZA

– Addam, Addam acorda.

– Anjo, o que foi? – perguntou.

– Addam, por favor… – eu o beijei. Sua boca demorou alguns milésimos de segundos para se mover junto a minha. Ele se afastou e olhou em meus olhos buscando uma resposta para a minha vontade louca e urgente de ter sua boca colada à minha. Não demorou muito e sua boca voltou a beijar a minha intensamente. Nossos corpos se uniram em prazer e êxtase.

O tempo parava quando estávamos juntos. Nossos corpos moviam-se ritmicamente. Não havia duas pessoas ali, havia uma alma apenas. Addam se movia suavemente sobre mim, enquanto desferia beijos em minha clavícula, subindo por meu pescoço e parando em meus lábios. Movimentos suaves e intensos coordenavam nossos corpos. Nos abraçamos forte quando nossos corpos chegaram ao clímax. Levantei e peguei minha toalha. O olhei, convidando-o a juntar-se a mim em um banho quente. Entramos na banheira e fizemos amor novamente.

Terminamos o banho, nos secamos e fomos deitar de novo, estava claro, o que mostrava que ainda teríamos algumas horas para dormir.

– O que foi isso? – perguntou assim que deitamos.

– Sonhei que você tinha morrido. Sonhei que Rehael havia matado você. Eu não posso viver sem você Addam.

– Ei, calma. – Ele me abraçou forte. – Estou aqui anjo. Nada de ruim vai acontecer comigo, nem com você.

– Precisamos descansar. Temos que falar com a Gilly em poucas horas.

– Não antes de eu te dizer uma coisa.

– O quê?

– Eu te amo anjo.

Acordei antes de Addam, levantei e fui até o banheiro. Tomei um rápido banho, me arrumei e fui ao quarto de Lykke e Petter. Bati levemente na porta e não demorou muito para a Lykke aparecer.

– Litza, o que foi? – perguntou.

– Preciso falar com a Sophie. Quero saber mais sobre Guinevere.

– Litza, a Gilly vai te explicar tudo o que precisa saber.

– Lykke, Gilly vai me ensinar a ser uma Ninfa, mas eu quero saber sobre minha mãe, sobre a família McAleese.

– Sei que é importante para você. Não deveria fazer isso. Bom, vou trocar de roupa, me espera aqui.

Não demorou muito, Lykke voltou.

– Vamos Litza, antes que Addam venha atrás da gente.

Corremos até o elevador e fomos a cobertura. Andamos apressadamente por um longo corredor e chegamos ao quarto de Sophie. Ela abriu a porta à segunda batida.

– Lykke, Litza, o que estão fazendo aqui? – perguntou Sophie.

– Eu preciso saber mais sobre Guinevere McAleese. Pedi a Lykke que me trouxesse aqui.

– Claro Litza, podem entrar. – disse Sophie – Zahra e eu estamos no meio de um ritual, vocês se importam em esperar?

– Podemos voltar depois se quiser, não quero incomodar.

– Não é incomodo algum Litza, eu também preciso falar com você. – Sophie me olhava admirada, era maravilhosa a ideia de poder ter mais uma irmã. – Zahra e eu fazemos esse ritual sempre que a lua cheia entra em seu ápice.

Entramos e observamos o segmento do ritual.

Zahra e Sophie se conectavam através da magia do ritual. Uma luz arroxeada sombreava seus corpos e as unia como se fossem uma pessoa. Sophie encerrou o ritual e ambas apagaram as velas, deixando apenas os incensos acesos.

– É um prazer ter sua presença aqui Litza.

– Obrigada Zahra. Sinto uma imensa necessidade de estar aqui.

– Você é uma Ninfa, isso se chama sexto sentido.

– Litza, você me disse que quer conhecer a história da nossa família.

– Sim, mas principalmente quero conhecer a história de Guinevere. Quero saber quem foi minha mãe.

– Para mim não há problemas em falar sobre isso com você.

– Então por favor Sophie, me diga, como era minha…como era minha mãe?

Os olhos de Sophie brilhavam à medida que ela ia descrevendo Guinevere. Sophie era seis anos mais velha que eu, o pouco tempo que ela passou com nossa mãe ainda estava fresco em suas lembranças. Me emocionei quando ela disse que beijava a barriga de nossa mãe quando ela estava grávida de mim.

– Isso é tudo o que eu me lembro Litza, e esse era seu nome, Ralitza. Quem quer que tenha levado você embora, manteve seu nome.

– Sophie, se Mark é meu pai, quem é seu pai?

Ela levantou o pulso e me mostrou um pingente pendurado numa pulseira de corda marrom. O mesmo pingente que eu usava na gargantilha que Gilly me deu.

– Sim Litza, eu também sou filha do Mark.

– E minha mãe Mary Zamerov? – indaguei confusa. – Como ela se encaixa nessa história?

– Mary era filha de uma das mulheres Zamerov com um djamphir. Mais uma entre as tantas sobrinhas que Mark tinha.

– E Wendy?

– Wendy é filha de Mary. Mark fez com Mary o mesmo que ordenou que Chris fizesse a você.

– Eu não entendo, se Mary sabia que eu era filha do homem que a violentou, por que ela me criou como se fosse filha dela?

– Não posso te responder isso Litza, eu não tenho essa resposta.

– Sophie, eu preciso fazer uma última pergunta. Meu pai, John, ele sabia? Ele sempre foi tão carinhoso comigo e com a Wendy. Éramos a família perfeita. O acidente só uniu ainda mais minha irmã e eu. John sabia que não era nosso pai?

– Sim Litza, sabia. John amava Mary e viu o que Mark fez a ela. – para minha surpresa foi Lykke quem respondeu.

– Lykke?

– John contava tudo a mim e a Petter. Ele viu Mark violentando Mary e nos pediu ajuda para leva-la para longe de North Conway. Foi por isso que eles se mudaram para Annandalle. Mark os encontrou e foi ele quem deixou você com Mary.

– Mark conviveu um tempo com a gente em Annandalle. Depois de um tempo, meus pais não falavam mais seu nome. A Wendy o odiava.

– Sua mãe contou toda a história para Wendy, no dia do seu aniversário de quinze anos. Elas não brigaram de verdade, Mary sabia que algo aconteceria e encenou aquela discussão para proteger a Wendy.

– Minha mãe ia me entregar ao Mark?

– Não Litza, Mary te amava. Ela e seu pai estavam indo nos encontrar, você ficaria conosco até desabrochar e poder se defender sozinha, entenda, Mary era uma djamphir, mas John e Wendy eram humanos, eles não poderiam se defender sozinhos.

– Então porque você me odiava tanto?

– Você era a queridinha do Mark. Pensei que estivesse do lado dele como já lhe disse antes.

– Eu nunca ficarei ao lado dele.

Três batidas na porta chamaram nossa atenção. Zahra se levantou e caminhou em direção a porta.

– Ora, ora, ora, veja quem veio procurar a namorada.

– Boa noite para você também Zahra – disse Addam.

Ele me lançou um olhar quente e aconchegante.

– Boa noite Sophie, me perdoe interromper, mas faltam apenas dez minutos para as duas horas e a Litza tem uma pequena reunião com a Gilly.

– Ai que droga! – exclamei. – Esqueci completamente. Sophie, podemos continuar essa conversa depois?

– Claro que sim Litza. Hoje após o horário das aulas vamos comemorar a plenitude da Lua Cheia.

– Vão o quê? – indaguei confusa.

– Vamos Liz, depois eu te explico. – disse Lykke.

Addam, Lykke e eu saímos do quarto de Sophie e fomos até o ecritório de Gilly. O ambiente ficava mais aconchegante e acolhedor à medida que os dias iam se passando.

Gilly e eu ficamos a sós em seu escritório. O dia amanhecia lá fora e o sono começava a aparecer.

– Bom Litza, creio que eu tenha lhe explicado tudo de forma clara. Mas, antes de terminarmos preciso fazer um teste simples com você.

– Que tipo de teste?

– É algo bem simples. – Gilly pegou uma pequena caixa de madeira envernizada em um dos armários de seu escritório e a dispôs sobre a mesa, a minha frente. – Litza, abra essa caixa e segure a pedra que está dentro dela.

Fiz o que Gilly pediu. Abri a caixa e peguei a pedra disforme de um tom azul safira transparente que havia dentro dela. Ao tocar a pedra um halo de luz foi expelido da pedra, iluminando todo o ambiente. Logo em seguida, uma forte explosão esmigalhou a pedra.

Addam e Petter entraram no escritório de Gilly seguidos por Lykke e Sophie.

– Litza, o que houve? – Perguntou Addam ao ver todo o ambiente cintilando com o pó brilhante em que a pedra havia se transformado.

– É ela Addam – disse Gilly. – Litza é a Princesa McAleese.

– Eu não acredito nisso. – disse Sophie sem emoção na voz e com o rosto inexpressivo. – Como Litza pode ser a Princesa McAleese?

– Ela tem o poder da Líder das Ninfas, um poder que só a Princesa McAleese pode ter.

– Mas isso não pode ser possível, ela não tem a marca. – Sophie parecia indignada. Seus olhos mostravam ira. – Ela nem é a primogênita.

– Sophie, pensei que você ficaria feliz com isso – eu disse.

– Porque ficaria? – indagou retoricamente – Você chegou aqui na Sociedade das Sombras mudando a vida de todo mundo, descobri que você é  a  minha irmã que estava desaparecida por dezessete anos e agora que nós poderíamos ter uma vida tranquila e nos conhecermos melhor, você vai ter que ir embora para se esconder dos Caídos ou eles vão te matar. Você acha isso justo Litza?

Sophie saiu apressadamente do escritório de Gilly. Eu não fazia ideia dos sentimentos de Sophie, não sabia que o fato de eu ser a Princesa McAleese fosse magoá-la. Uma lágrima quente rolou por meu rosto.

– Eu preciso falar com ela.

– Ela vai ficar bem Litza.

– Não Addam, não vai. Eu não posso fazer muita coisa pela Wendy no momento, mas eu posso fazer pela Sophie.

– Litza, precisamos ir embora. Agora que temos a certeza de que você é a Princesa McAleese os Caídos vão te procurar em todos os lugares. A última Princesa McAleese só viveu por uma semana após descobrir que era uma princesa.

– Eu não me importo e não sou a última princesa. Estou cansada de ter medo.

Sai do escritório de Gilly e caminhei devagar até o quarto de Sophie. Antes de chegar ao prédio anexo ao prédio principal esbarrei com Aeryn e Alessia.

– Olha por onde anda coisinha.

– Não tenho tempo para as suas gracinhas agora Aeryn, tenho coisas mais importantes a fazer.

–  Espere queridinha, você acha que pode vir aqui na nossa casa, inventar mentiras sobre meus irmãos e achar que vai ficar tudo bem?

– Não foi mentira nenhuma, Chris me estuprou.

– Creio que ele apenas te “comeu” e te largou, meu irmão jamais ficaria com uma vadia.

Uma fúria súbita se formou dentro de mim e dei um soco com toda a minha força no rosto de Aeryn. Seu nariz começou a jorrar sangue. Ela segurou meus cabelos e me jogou no chão, sua força era inumana. Trocamos vários socos e puxões de cabelos. Aeryn era mais forte, mas eu não desistia.

– Sua vadia, eu vou acabar com você! – gritou Aeryn.

– Eu ainda vou fazer você engolir essas palavras Aeryn. – gritei.

Desferi um soco no estômago de Aeryn que arfou. Ela envolveu suas mãos em minha garganta me fazendo sufocar.

Comecei a ouvir vozes bem longe, bem distantes. Aos poucos as vozes se aproximavam e em um solavanco Aeryn foi retirada de cima de mim. Alguém me ergueu do chão, mas eu estava atordoada, não conseguia firmar os pés no chão. Só ouvia ruídos e burburinhos. Eu estava cansada, mas não lembrava o porquê, então fechei os olhos e dormi.

 ***

 continua

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