Em Minha Pele (Pt.2) – Dejavu

Por Mille Meiffield

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Sarah e Dean haviam saído há umas três horas. Estava em meu quarto lendo um livro quando ouvi a campainha tocar. Olhei para o relógio e já passava das onze da noite.

– Quem será a essa hora? – Perguntei a mim mesma.

Abri a porta e me deparei com um homem de aproximadamente um metro e oitenta e cinco, olhos cor de mel, barba rala e olhar profundo. Ele ficou parado me encarando por longos minutos.

– Olá, sou Declan Anderson, irmão adotivo do Dean. – disse o homem misterioso. O som de sua voz era extasiante. – Você deve ser a Sarah?

– Na…não – gaguejei. Seu olhar me deixou nervosa. – Sou Katherine White, irmã da Sarah. O Dean não disse que você viria.

– É porque ele não sabe que eu viria, tem dois anos que não nos vemos. – Ele parecia desconfortável. – Posso entrar, ou espero pelo Dean aqui mesmo?

– Ah, me desculpe, claro, pode entrar. Dean e Sarah estão na Flórida esse fim de semana.

– Então creio que seja melhor eu ficar em um hotel. – disse Declan.

– De modo algum.

– Como você sabe que eu não sou um pervertido que quer lhe fazer mal? Você nem questionou se eu sou mesmo irmão do Dean.

– Uma vez Sarah me mostrou uma foto do Dean com você. Sou uma excelente fisionomista.

– Isso é muito bom.

Declan trazia consigo apenas uma mala pequena. Ele a dispôs ao lado de um dos sofás e se sentou sem fazer cerimônia.

– Você gostaria de beber alguma coisa?  Perguntei meticulosamente, afinal, eu não o conhecia.

– Adoraria um whisky por favor.

Fui até o bar da sala e servi uma dose de whisky em um copo com uma pedra de gelo. Voltei para o centro da sala e entreguei o copo à Declan antes de me sentar no sofá.

– Katherine, você já trabalhou em algum bar antes?

– Meu pai tinha um restaurante no Alabama quando Sarah e eu éramos mais novas. Quando ele faleceu, estávamos na faculdade, e não teríamos como cuidar do restaurante, então o vendemos.

– Isso explica apenas uma pedra de gelo no whisky. Vejo que aprendeu a reconhecer os gostos dos clientes apenas com o olhar.

– Meu pai sempre dizia que um bom bar tender sabe ler mentes.

– E ele estava certo.

A conversa silenciou enquanto Declan bebia um longo gole de seu whisky.

– Não bebe nada Kath? – indagou. – Posso chama-la assim?

– Ah, claro. Todo mundo me chama assim. E, eu não bebo mais há algum tempo. Como sou idiota, você deve estar com fome, o que gostaria de comer?

– Na verdade eu comi alguma coisa no caminho, obrigado.

– Tudo bem.

– Você deve estar cansada, já passa da uma da manhã.

– Tem dois meses que eu praticamente não durmo.

– Posso saber o porquê?

Parecia que ele estava me estudando. Suas perguntas eram pessoais em sua maioria. Era como se ele quisesse saber tudo sobre a minha família, só não entendia o motivo.

– Eu prefiro não tocar no assunto, é algo que me incomoda.

– Desculpe, não quis ser invasivo. É que você se demonstra intrigante.

– Intrigante?

– Seus lábios mostram um belo sorriso, mas seus olhos refletem uma dor profunda.

– Me desculpe, eu preciso descansar pois levanto cedo amanhã. O quarto de hóspedes é o último à direita, o meu fica à esquerda. – disse me levantando do sofá. – Caso precise de alguma coisa é só me chamar. Boa noite.

Ele apenas assentiu em silêncio. Fui em direção à meu quarto sem olhar para trás, entrei e bati a porta.

O intenso e insistente olhar de Declan mexeu com algo dentro de mim. Uma corrente elétrica parecia atravessar meu corpo cada vez que ele desferia seu olhar a mim. Eu nunca havia experimentado essa sensação. Retirei meu roupão e o joguei na cadeira ao lado da cama. Sentei na cama e voltei a ler. Algum tempo depois ele bateu À porta.

– Kath. – chamou. – Posso perguntar uma coisa a você?

– Oi? – indaguei ao abrir a porta.

– Eu não estava conseguindo dormir e vi a luz acesa, pensei que você poderia querer um chá.

Declan segurava duas xícaras, seu olhar era ao mesmo tempo sedutor e sombrio.

– Adoraria. – falei. – Abrindo mais a porta para ele poder passar.

– E então, porque não consegue dormir?

– Tenho terror noturno. Quando ouço algum barulho do lado de fora do quarto não consigo dormir. E você? – perguntei.

– Minha noiva, ela morreu em um acidente de carro porque eu dormi e não fui busca-la no trabalho. O carro dela estava no conserto e ela pegou carona com um colega, ele perdeu o controle da direção e o carro capotou. Toda vez que eu fecho os olhos vejo a luz dos faróis e ouço pneus de carro cantando no asfalto.

– Sinto muito.

– Já fazem dois anos. Por isso eu fugi. Eu acordava de madrugada gritando e sempre assustava minha mãe e Dean, meu pai morreu quando éramos crianças.

– Você a amava?

– Acho que era um gostar intenso, mas não chegava a ser amor.

– Entendo.

– Bom, você deve querer dormir. – disse ele se levantando. – Eu já vou para o meu quarto.

– Eu ainda não estou com sono. – eu disse, também me levantando.

Nossos lábios estavam a poucos centímetros de distância. Seu hálito era fresco e hipnotizante. Seu olhar encontrou o meu e prendeu minha atenção. Declan segurou minha cintura e minha nuca com as mãos e me beijou vorazmente. Embora tenha me assustado com seu gesto repentino no começo, o gosto do seu beijo era energizante. Correspondi com a mesma voracidade.

Acordei assustada com um barulho alto. Percebi que o barulho era do meu corpo caindo da cama. Eu estava sonhando. Declan não estava no meu quarto. Mas o gosto de seus lábios pareciam tão reais, o aroma de seu corpo ainda estava em mim.

– Deixa de ser boba Kath. – disse a mim mesma. – Ele deve estar no décimo sono a essa hora. – me levantei e ouvi batidas na porta.

– Kath? Está tudo bem?

– Tudo bem Declan. Eu apenas esbarrei na cadeira ao me levantar. – gritei. Abri a porta para falar com ele. Ele não vestia nada mais do que uma cueca boxer preta. Seu corpo definido me deixava com vontade de tocá-lo. – Eu vou fazer um chá para poder voltar a dormir, você aceita?

– Eu estou muito cansado, prefiro me recolher. Nos vemos de manhã. Boa noite.

– Boa noite.

***

 

                        Acordei suada e febril. Retirei minha roupa molhada de suor e fui tomar um banho frio para diminuir a sensação de febre. Liguei a água gelada e me enfiei sob ela. Fiquei no banho mais ou menos uns quarenta minutos. Declan bateu na porta do quarto.

– Kath? – chamou Declan.

– Estou no banho. – respondi.

– Está tudo bem? –  disse entreabrindo a porta do quarto.

– Não me sinto muito bem. Estou com febre e minha garganta está doendo. Devo ter pegado uma gripe.

– Vou preparar o café, espero que goste de waffles.

– Obrigada, mas não estou com fome.

– Você precisa se alimentar. Coma alguma coisa e descanse.

– Farei isso assim que sair do banho.

Ele fechou a porta. Desliguei o chuveiro, vesti um short largo e um moletom, peguei um cobertor e fui para a sala. Liguei a televisão e fiquei passando os canais. Declan veio da cozinha com uma xícara fumegante e a estendeu para mim.

– É chá de hortelã com gengibre, vai fazer você se sentir melhor.

– Obrigada, não precisava fazer isso.

– Não foi nada demais. Eu gosto de um bom chá quente de manhã e preparei um a mais.

– Mesmo assim obrigada.

– Ontem você disse que Dean e Sarah foram para a Flórida, sabe quando eles voltam?

– Eu me lembro de ter dito que eles ficariam lá só por esse final de semana. – Ele riu de mim, quase gargalhando.

– E você acreditou? Kath, quando Dean e Sarah viajam para a Flórida eles não voltam antes de uma semana no mínimo.

– Sarah disse que voltariam na segunda.

– Confia em mim, eles não vão voltar. Ah, você disse que precisava levantar cedo hoje.

– Eu não acredito que a Sarah fez isso comigo, ela sabe que eu não posso ficar sozinha.

– E eu sou ninguém, não é?

– Desculpe Declan, não foi isso que eu quis dizer, eu… droga, eu odeio falar sobre isso.

– Então não fala, não precisa.

– Preciso sim…meu melhor amigo Sean, ele…

– Ele tentou passar dos limites com você e você ficou com medo de ficar sozinha com homens?

– Não, ele está em coma, no Michigan, há três meses.

– Sinto muito.

– Ele me defendeu de um idiota que queria me agarrar à força, mas acabou ali e fomos embora. Eu estava bêbada então Sean ficou na minha casa, rolou um clima e nos beijamos, foi no exato momento em que tocaram a campainha, parece que o cara do bar nos seguiu. Ele atirou em Sean e foi embora. Desde então eu não bebo. Sean não tem família, sempre fomos bons amigos na faculdade e eu sinto que fiz errado em deixa-lo no Michigan e vir para cá.

– Você não fez errado. – disse Declan se aproximando. Ele pegou uma mecha do meu cabelo que estava solta e brincou com ela entre os dedos. – Você é nova, precisa viver sua vida. Com a pensão que você e Sarah ganham dá para viver bem por muitos anos.

– Eu vou começar a trabalhar em um restaurante italiano que estou querendo comprar.

– Tem que ocupar a mente para não ficar relembrando o passado.

– Declan, muito obrigada pelo chá mas estou sentindo dores no corpo e acho que estou com febre, vou me deitar um pouco.

– Sem problemas.

Fui para o quarto e fechei a porta. O que estava acontecendo comigo? Porque Declan mexia tanto com a minha cabeça?

Deitei e tentei relaxar e dormir um pouco. Estava me sentindo exausta por causa do resfriado, tomei um comprimido para a febre e fechei os olhos. Acordei assustada. Declan estava sentado na beirada da cama com a mão na minha testa.

– Desculpe, não queria assustá-la, mas você estava gemendo e pensei que a febre estivesse piorando. Você estava ardendo em febre há umas duas horas. Coloquei compressas frias em sua cabeça para diminuir a febre. Eu fiz seis meses de enfermagem na faculdade, mas desisti.

– Obrigada, mas eu prefiro ficar um pouco sozinha.

– Eu vou sair, mas não antes de ver você comer toda essa sopa que eu fiz. É uma verdadeira sopa levanta defuntos. Coma apenas o suficiente para ajudar seus remédios a fazerem efeito.

– Por um acaso você é médico? – perguntei.

– fui expulso da faculdade de medicina no quinto período.

– Desculpe.

– Sem problemas, prefiro a vida como é agora.

– Declan, o que você faz da vida agora?

– Eu vivo do dinheiro que meus pais deixaram antes de morrer, é o suficiente para viver bem o resto da minha vida. Eu viajo, conheço lugares, pessoas, sou muito diferente do Dean.

– Também tenho vivido assim. Mas pretendo montar algo para mim, só não faço ideia ainda do que.

– Podemos analisar isso depois, mas agora que você já comeu quase toda a sopa, acho melhor você descansar.

– E você realmente me fez comer. – disse entre risos.

– Era essa a intenção.

Declan saiu do quarto e eu o fitei admirada. Ele me deixava hipnotizada. Não havia outra palavra para descrever o poder dele sobre mim. Puxei a coberta e me cobri até ficar apenas com o rosto descoberto. Não demorou muito, adormeci.

Sons estranhos vinham da sala. Meu corpo estava menos dolorido e não estava mais com febre. Levantei da cama e espiei pela janela. Já era noite. Abri a porta do quarto e fui para a sala. Declan estava no sofá com uma enorme bacia de pipoca e assistia a um filme de terror. Ele percebeu minha presença e se ajeitou no sofá.

– Me perdoe, eu devo ter te acordado com o barulho da tevê.

– Já é tarde, que horas são?

– Quase onze.

– Onze?  -indaguei surpresa. – eu dormi o dia todo.

– Está melhor?

– Me sinto bem melhor. Obrigada pela sopa.

– Você deve estar com fome, quer que eu prepare algo?

– Não obrigada, mas essa pipoca está com uma cara deliciosa.

– Senta aqui então, até as quatro da manhã tem maratona de filmes trash de terror.

– Terror? Se importa se eu gritar um pouco? – perguntei rindo.

– De modo algum.

Me sentei no sofá e a única coisa que nos separava era a enorme bacia de pipoca. A cada susto que eu levava Declan se aproximava mais. A pipoca havia acabado, estávamos empanturrados e deixamos a bacia no aparador atrás do sofá. Em uma cena de bastante suspense de um dos filmes, soltei um gritinho e dei um pulo do sofá. Declan se aproximou e passou um dos braços pelos meus ombros. Nossos olhos se prenderam um no outro e ele me beijou. Dessa vez não era sonho, era real. O gosto do seu beijo era delicioso. Ele espalmou sua outra mão em meu rosto acariciando cada centímetro de pele. Sua mão desceu por meu pescoço e continuou pela extensão do meu braço.

– Declan, por favor, eu não posso.

– O que você não pode?

– Eu nunca… fiz…

– Peraí. – ele disse se afastando. –  Você é virgem?

– Isso é um problema?

– Isso é o que torna você especial. – disse olhando em meus olhos. – Kath, foi apenas um beijo. Relaxa.

– Estou relaxada, mas isso não me pareceu apenas um beijo.

– Você sentiu algo mais? – perguntou.

– É diferente, eu só havia beijado o Sean antes. Nunca beijei mais ninguém.

– Garota, aonde você estava todo esse tempo?

Ele me beijou de novo. Mas dessa vez com mais cautela. Eu não queria deixar me envolver, mas meu corpo dava sinais que precisava continuar. Minha mente por outro lado me implorava para parar. Peguei a mãe de Declan e a coloquei sobre meu seio. Ele não a moveu, então eu o instiguei a continuar movendo sua mão com a minha.  Em um surto extasiante me joguei literalmente em cima dele. Me aconcheguei montada em seu colo, beijando seu pescoço e me demorando o máximo possível. Puxei sua camisa e a joguei longe. Segurei um de seus mamilos com os dentes e o chupei com vontade. Ele gemeu. Suas mãos que percorriam a extensão de minhas costas, agora estavam estacionadas na parte inferior da minha coluna.

– Kath, se você continuar eu não vou conseguir parar.

– Eu não quero que você pare.

***

continua

2 comentários em “Em Minha Pele (Pt.2) – Dejavu

  1. Eu estava louca pela continuação! Finalmente você postou e eu quero mais! Estou adorando o clima misterioso, mas ela não deveria jogar a virgindade dela fora assim kkkkkk mas aí como seria um romance erótico? Enfim, continua que quero o resto!!!

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