Vendetta Pt.3 – Guerra e Paz

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Por Lillithy Orleander

VENDETTA PT. 3 – GUERRA E PAZ

Sorento dirigia o carro pelas alamedas apinhadas de gente, entrando e saindo de lojas suntuosas, feitas somente  para pessoa de poder aquisitivo superior, enquanto Olivier deixava o pensamento voar para longe. Em uma época em que as coisas eram diferentes, e sua Marie governava á seu lado o império dos Maensen com punhos de aço.

– Grunch! – gritou ela. – Me traga a porcaria do maçarico! Mas que droga tenho que fazer tudo sozinha nesse lugar?

Ela tamborilava os dedos manchados de carmim ao lado do alicate velho e enferrujado, sujo de sangue. Enquanto o scarpin vermelho de couro reluzia marcando o compasso do que parecia ser uma canção sombria. A melodia funesta da morte…

Olivier ainda podia ouvi – lá, como um eco triste do passado. Por que Marie havia partido tão cedo?

– Senhor? – chamou Sorento, tirando – o de seus devaneios.

– Sim, Sorento.

– O senhor permite – me fazer uma observação?

Olivier deu uma sonora gargalha, mostrando os dentes amarelados e puxando um charuto de dentro do paletó de linho preto.

– Ora Sorento, quebremos os protocolos. Há quantos anos está em minha casa, homem? 10, 20, 30… ? Diga – me o que te aflige? – respondeu Olivier, olhando – o com os grandes olhos acinzentados.

– Por que o senhor aceitou o acordo com Nhara Svalden?

Olivier olhou para frente, para o Lamborgini que levava um de seus bens mais preciosos e só então se deu conta de que Charlie era como a mãe, indomável e cheia de vida. Como será que Nhara iria dobrar a vontade de sua filha?

– Eu preciso desse acordo. – mentiu ele.

Olivier sabia que algo maior era necessário para aquela união, ele só não podia dizer naquele momento. Charlotte nascerá diferente e era para ela que o legado deveria ser entregue. Por que o destino escolherá um Svalden? Mas regras eram para ser seguidas e isso ele jamais quebraria, pelo menos não as de sua Ordem. Mesmo que Nhara não soubesse o real motivo dele ter aceitado tal trato.

Sorento olhou para seu patrão e ficou tentando decifrar o que o preocupava, mas optou por se calar e ver o que aconteceria dali em diante.

– Como você acha que é o filho de Nhara?

– Não sei ainda senhor, nunca ouvi falar nada do garoto Svalden, mas se o senhor quiser…

– Entendo. Sorento você pode…

– Considere feito, senhor.

O carro parou e Olivier desceu do carro em direção ao Lamborgini prata para abrir a porta do motorista.

– Papai, isso é tão medieval. – disse Charlotte sorrindo ao sair do carro. – então me diga o que devo vestir essa noite? Formal ou despojado?

– O que te faça se sentir bem, mas que te deixe elegante minha filha.

Charlotte sentiu o pesar nas palavras do pai, e de longe avistou Éolo parado á porta da Gucci.

– Parece então que teremos um dia cheio, está preparado Sr. Olivier Maensen?

Ele voltou a sorrir como se nada o chateasse e fez um beicinho de muxoxo para a filha.

– Isso é uma tortura mocinha.

– Oras você arranca unhas de mãos praticamente mutiladas, mas tem medo de fazer compras com sua filha? O que é isso Olivier? – perguntou ela séria

Ele espantou – se a principio e só então soltou a sonora gargalhada. Charlotte lembrava em tudo sua doce Marie.

A tarde passou preguiçosa enquanto Charlotte entrava e saia de diversos provadores e experimentava uma infinidade de sapatos. Ela ficaria bem pelo pai, pela família  era o que sempre dizia para si mesmo que por muitas vezes eles á afastassem daquela sujeira toda.

À volta para casa foi cheia de sacolas, uma ligação para Nefertithy ou Nefer como Charlie gostava de chama – lá, o som tocava alto Radioacitive¹ e aquilo fez com que Charlie pensasse realmente no por que da mudança do pai.

– Ele sempre me ignorou quando foi preciso e sempre que havia a oportunidade me deixava de lado. Eu tenho certeza que tem algo errado.

Como fumaça que entrava no carro, Éolo que havia ficado calado até o presente momento, durante todo o passeio, se manifestou.

– E tem. – disse ele sério.

– Droga. – disse Charlotte freando o carro bruscamente. – Já não te disse pra não fazer isso Éolo?

– Me desculpe não foi minha intenção. Mas está chegando a hora e você precisa saber de algumas coisas importantes.

Charlotte o olhou séria, girou a chave na ignição e voltou a dirigir, dessa vez mais lenta do que costumava dirigir, ligou o celular e encaixou o aparelho em seu ouvido, discando o número de Joseph.

– Charlie, o que foi? – perguntou o irmão já preocupado, ela sorriu, de todos naquela casa ele era o menos ausente de sua vidinha.

– Não aconteceu nada. Só preciso que você avise papai que vou me atrasar uns 15 minutos

– Papai vai te matar. – ele pareceu sorrir do outro lado.

– É mais fácil ele matar quem deu a noticia. – Charlotte gargalhou do outro lado da linha. – até mais tarde Joe.

– Cuidado Charlie.

Ele desligou o telefone se preparando para o que o pai diria. Joseph estava cansado de  tudo aquilo, e agora mais do que nunca ele queria sumir de casa, mudar de nome, ter uma família e trabalhar em algo que não fosse matar gente ou cobrar maus pagadores.

– Joseph?

– Sim Norah.

– O senhor anda muito triste, tem algo que esta pobre velha possa fazer para que meu menino volte a sorrir?

Joseph olhou para Norah e se lembrou quantas vezes ela levará biscoitos escondidos para ele quando seu pai o colocava de castigo pelas coisas que ele não aceitava fazer. Lembrou – se da mãe que tantas vezes o levará á igreja e no caminho de volta lhe pedia para fugir de tudo aquilo, Joseph só entendeu tudo depois que ela morrerá. A mãe poderia ser a melhor assassina que conhecerá, mas também era a mulher mais dócil que ele já havia conhecido.

– Joseph? – perguntou Norah preocupada.

– Na verdade não Norah, só estou um pouco cansado.

– O senhor vai ficar para o jantar esta noite?

– Se não estivermos todos nessa porcaria de jantar, papai manda nos matar. – ele sorriu sarcástico deixando a cozinha.

Joseph descobrirá os segredos da família a tempos e se permitirá estudar o que acontecia ali, escondido, sem ao menos contar a Andrew ou qualquer outra pessoa não entendia como a mãe compactuará com tudo em silencio e não entendia por que só agora aquilo começava a se levantar novamente e o pior era a escolha por Charlotte…

– Pode começar a falar, sou toda ouvidos.

– Quantas vezes você se perguntou por que me via?

– Várias e você me disse que eu era diferente, especial.

– Você nasceu assim por que existia um propósito maior, destinado á você Charlie. E agora se aproxima a hora de tudo se tornar real.

– Não entendi.

– Você lembra que tinha medo do escuro e ninguém nunca lhe disse para não temer a escuridão?

– Me lembro, mas o que isso tem a ver agora?

– Seu pai não te deixou só por mal, ele queria te proteger do você mesma. Eu estou aqui para isso para não deixa – lá cair em tentação e fazer coisas piores. Você é forte Charlie e vai sair dessa, no momento você só precisa saber que todos nós ao seu redor te ajudamos á lutar contra a escuridão, contra o medo, contra a solidão. Nos dias atuais pode chegar um momento em que você só poderá contar com uma pessoa, e ela está prestes a entrar na sua vida. No fim tudo vai dar certo.

– Que monte de baboseira é essa? Sem sentido nenhum. Você esta ficando louco? De onde você tirou tudo isso? Olha eu tenho o jantar do meu pai essa noite e eu amo ter você por perto, mas você precisa parar de falar essas coisas, por que elas me assustam severamente.

– Eu não estou brincando Charlie. Olhe para sua infância. Você se lembra quando contou á seus pais que me via o que eles disseram.

Charlie se permitiu lembrar e então começou a pensar. Seus pais nunca a repreenderam por que ela falava com Éolo e nem o chamavam de amigo imaginário. Charlie se lembrou de quando foi a igreja com sua mãe e que quando contou ao pastor que estava vendo alguém a seu lado, ele disse que ela precisava ser exorcizada, o pastor foi chamado a sua casa  para tomar chá com sua mãe e debaterem a idéia. Charlie ainda se lembrava da mãe soca – lo e mandar Sorento arrasta – lo para o porão. Nunca mais Charlie o viu, nem ela nem mais ninguém.

Olivier ficou chocado e a partir daquele dia não se aproximou mais dela, sempre que possível dizia que a amava, mas só a procurava quando precisava que a filha comparecesse a um evento informal da família. Quando ficou mais velha eles lhe pediram para não comentar o que via. E assim Charlie fez. Ela perguntava para mãe o porquê da distância do pai, e a mãe sempre arrumava uma desculpa. Com 14 anos Charlie decidiu que queria ser como os irmãos, mas Olivier surtará e a proibiu. Marie então pediu a Sorento que a ensinasse escondido. Matriculou a filha nas aulas de violino e esse foi o disfarce perfeito, ela fazia as aulas na Segunda e  o resto da semana, ela aprendia como montar e desmontar uma arma, como manusear facas, punhais, adagas e espadas e aprendia a lutar.

– É para o seu bem. – dizia a mãe quando a via chorar e dizer que não queria fazer mais aquilo. – Eu e Sorento, estamos aqui pra te ensinar agora. Desafiando seu pai. Não vou estar aqui para sempre Charlotte.

Passaram – se meses e Olivier descobriu, quase mandou matar Sorento, mas Marie o enfrentou.

– Ela também é minha filha! E com certeza não vou criar uma dondoca que precise de um batalhão para defende – lá. Não existe arma que uma Maensen não saiba manusear e não existe uma Maensen que não manche suas mãos de sangue um dia.

Olivier aceitou e nunca mais se mostrou contra.

Charlotte então pensou como em sua família conseguia se manter assim, tão distante de certas questões. E se Éolo estava certo, será que seu pai sabia de alguma coisa?

Éolo ficou calado e Charlie deixou que a pergunta ficasse no ar.

“Fantasma desgraçado, me deixou com a pulga atrás a orelha.”

– Precisamos voltar. Você ainda tem um compromisso…  – foi tudo o que rapaz disse antes de sumir novamente. Charlie acelerou o carro e aumentou o volume. Havia nuvens escuras no céu e aquilo representava somente uma coisa: Tempestade.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

– Aleksander Svalden! – gritou a Angeline.

– Mais que droga vó! Me arrumaram essa porcaria de alfaiate, sem ofensas camarada, que já me furou umas trezentas vezes por que você e a mamãe  estão com uma presa infernal por causa dessa droga de jantar e se comportam como se eu fosse o noivo atrasado.

Angeline chegou a sala o mais rápido que pode quando Aleksander terminou de falar e lhe deu um tapa.

– Garoto insolente! Respeite sua avó, quando eu falo você se cala. Menino petulante. – e puxou a orelha do neto.

O alfaiate olhava a tudo preso entre o medo de dar risada e o medo de levar um tiro. Ele conhecia a fama dos Svalden, avisou que já tinha terminado as marcações e levou as roupas para fazer os ajustes finais, deixando a sala e o embate de avó e neto.

– Angeline. Aleksander. Vocês não podem parar por cinco minutos com essa gritaria? Nhara     caminhava apressada com a bolsa nas mãos e uma pasta. – Vou para o escritório e acho desnecessário dizer que preciso de silencio, tenho coisas á a certar antes de sairmos.

– Não sou eu mãe. É a vovó que parece que amanheceu com o cão no corpo hoje. – disse Aleksander dando risada e fugindo da avó que já levantava a bengala para acerta – lo novamente.

– Aleksander, volte pro seu quarto e dê um jeito nesse rosto, não quero que você cause má impressão aos Maensen.

Nhara já ia saindo quando se virou para o filho novamente.

– Ia me esquecendo, compre rosas. Olivier tem uma filha e será de muito bom grado que você leve algo para a moça.

– Lá vem você tentar me fazer ter intimidade com essas filhinhas de papai, metidas a princesa ou feias feito ornitorrincos. Que droga mãe!

– Não perguntei se te agrada Aleksander. São negócios e envolve a família, portanto apenas faça o que lhe pedi.

Nhara foi para o escritório e trancou a porta, ligou o computador que estava sobre a escrivaninha de mogno e sentou na cadeira girando – a para a janela, olhando para o belo jardim que se estendia a sua frente.

– Boa Tarde Sr. Nhara? – foi a voz que saiu do computador

– Boa Tarde XP350.

– Acesso concedido. – respondeu a maquina que só começava suas funções pelo reconhecimento de voz

– O que você tem pra mim hoje?

–  A transferência do dinheiro para os bancos da Noruega em nome do senhor Aleksander, podemos iniciar o processo?

– Podemos sim. XP, me ligue com Saintè.

– Sim senhora.

Minutos depois a voz masculina invadia o escritório de Nhara.

– Sra. Svalden, em que posso lhe ser útil/

– Precisamos nos encontrar. Tenho que falar com você sobre o testamento e preciso que você use sua influencia para me dizer quem é Charlotte Maensen, o mais rápido possível.

– Mais alguma coisa?

– Não por enquanto é só. Vemo-nos amanhã as 14 h.

– Ok.

– Obrigado.

Nhara tamborilou os dedos no braço da poltrona que estava sentada e ficou ali olhando para o nada, pensando nas finanças, nos filhos. Como deveria estar Jasmine? A filha fugirá de casa, queria dançar balé, mas Nhara queria que ela assumisse os negócios da família ao lado de Aleksander, que por mais que ajudasse muitas vezes, ainda era imaturo e levava tudo na brincadeira. Quem sabe agora ele não tomasse jeito.

Olivier tem uma filha linda, cheia de vida e que conhecia a parte deles no mundo. Ela viu isso no enterro de Marie, dia cheio havia acabado de chegar de viagem do Cairo e foi direto para o cemitério. Quando chegou em casa e viu a nova orgia de seu filho, ela enlouqueceu. Pegou a doze do marido que ficava em cima da lareira, carregou e subiu as escadas atirando, expulsou todo mundo que estava enfiado em sua casa, nu e aos gritos, deu um ultimato ao garoto, ela ia casa – lo para dar jeito nele, ou pelo menos ela tentaria. Angeline, sua mãe não concordava com a idéia, mas também não diria nada ao neto.

– Nhara?

– Sim mamãe? – Nhara fechou todos os programas do computador, se levantou e foi abrir a porta para sua mãe.

– Está na hora de se arrumar.

– Sim mãe, já estou indo.

Nhara beijou o alto da cabeça da mãe e voltou para pegar em uma das gavetas da escrivaninha o revolver de calibre 38 e colocou – o na bolsa.

– Para que isso minha filha, você vai á um jantar á uma guerra?

– Quando se janta com pessoas de nosso meio mãe, prevenir nunca é demais.

Elas saíram de mãos dadas, trancando o escritório e conversando banalidades, quando a campinha tocou.

Mike um dos empregados ia atender quando Aleksander apareceu correndo na ponta da escada.

– Mike, é pra mim pode deixar que eu atendo.

Angeline subiu um dos degraus enquanto Nhara olhava para o filho surpresa.

A porta se abriu e a cor laranja invadiu a sala como se fosse um pedaço do próprio sol ao amanhecer. Aleksander pagou o florista e pegou o buquê de Gérberas  para coloca – lo na mesa próxima a escada.

– Eu disse rosas Aleksander, rosas. – disse Nhara olhando as flores.

– Prefiro Gérberas mãe, não implica em romantismo nenhum, me livra de uma baranga e é casual. Vi na internet. – Aleksander sorriu e voltou a subir as escadas.

– Esse garoto é tão genioso e calculista quanto você, Nhara. Isso você não pode negar.

Nhara deu o braço para Angeline e subiu as escadas, à hora estava se aproximando e ao longe ouviu – se Mike ir atender a porta novamente, o alfaiate voltava com a roupa de Aleksander.

A hora não demorou a chegar. Nhara chamou o filho para que todos saíssem junto, mas Aleksander se recusou á ir com elas e o motorista.

– Se você não aparecer no jantar eu mesmo lhe mato, entendeu. – disse Nhara arrumando o nó da gravata prata.

– Não se preocupe, vou pegar as flores e encontro vocês lá.

Aleksander voltou para a casa, subiu a escadas pulando degraus, e pegou sua Magnum embaixo do travesseiro, colocou – a nas  costas e desceu para a entrada da casa onde Mike o esperava com o paletó cinza e as Gérberas na mão,pegou tudo e correu até o jardim que ficava próximo do escritório de sua mãe, colheu uma rosa branca e colocou na lapela do mesmo. Foi para a garagem e escolheu o Porsche vermelho que reluzia convidativo, colocou a chave na ignição e ronronar do carro o fez sorrir. Saiu logo atrás.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Charlotte afinava o violino que á tanto tempo não tocava e se lembrou da mãe com um sorriso divertido se lembrando quando Joseph o dera á ela.

“Quero ver se você fez mesmo as aulas, ou só enganou o papai.” – disse ele piscando e saindo ao deixar o quarto dela antes de viajar á uma viagem de negócios com o pai em Moçambique.

– Srta. Charlie? – Nefer bateu a porta.

– Entre. – respondeu Charlie esboçando um largo sorriso.

A moça de pele morena e longos cachos castanhos entrou apressada.

– Garota pensei que não fosse mais te ver. – disse Nefer abraçando – a

– Me desculpa amiga, as coisas ficaram meio difíceis depois que minha mãe faleceu, mas estou me restabelecendo aos poucos. E desde quando temos essas formalidades? – disse Charlotte com as mãos na cintura.

– Entendi, eu sinto muito. Fiquei muito triste, mas você não atendeu á um telefonema meu, garota burra. – Nefer balançava o dedo indicador na cara da outra, como se lhe dê – se uma bronca, fazendo cara de zangada. Enquanto Charlotte se divertia dando altas risadas.

– Também senti sua falta, Nefer.

A outra então respirou fundo e jogou alguns cachos para trás.

– Ainda estou muita brava com você e você ainda me deve muitas badalações por aí, certo? Mas me diz aí qual é a comemoração de hoje?

– Uma droga de jantar que meu pai inventou de última hora, depois de um dia super cheio, de baterem no meu carro, brigar com a Mon’t Blanc na volta às aulas…

– Peraí. Você brigou com a Mon’t Blanc? Diz pra mim que esse arranhão na boca e as escoriações não foi ela.

– É ela também não saiu muito bem dessa e nem o babaca que estava com ela, saiu com um nariz quebrado.

Nefer dava risada e rolava na cama da amiga como se fosse criança.

– E ninguém me avisou que um babado desses tinha acontecido?

– Você não existe Nefer. Senti muito a sua falta, garota.

– Espero que esse sumiço seu não ocorra outra vez.

– Você podia ficar e me acompanhar nessa bomba relógio, pelo menos pra garantir que ninguém se exalte.

– Sei bem o tango que deu da ultima vez. Hahahahaha.

Olivier ouviu as duas conversando e olhando no relógio decidiu ver se a filha já estava pronta.

– Charlotte?

– Sim papai.

– Você está pronta minha filha.

Nefer olhou para ela ainda vestida no hobby roxo de seda e deu risada.

– Está quase tio Olivier. – Ela sabia que ele detestava, mas adorava provocar o pai da amiga

Olivier deu risada da petulância da garota, mas no fundo sabia que a garota era uma ótima amiga para sua filha.

Nefertithy ajeitava os cachos compridos feito molas e colocou a pedido de Charlotte,um laço azul de cetim simples para combinar com seu vestido. Escolheram então a maquiagem suave, em tons pastel para que Charlotte parecesse mais delicada e escondesse  os arranhões que estavam em seu rosto.

– Então o que você vai vestir essa noite?

Charlotte fez cara de assustada e se dirigiu ao closet voltando de lá com duas capas de plástico.

– Correção. O que nós vamos vestir?

Charlotte abriu a primeira capa e dela tirou um vestido curto, na altura do joelho, de organza azul turquesa, que deixava os ombros á mostra, com desenhos florais cravejados de cristal na bainha.

– Ele é lindo! É perfeito.

– Meu pai gosta de passar a imagem de garotinha do papai, frágil e totalmente açucarada. Do tipo boneca de porcelana.

– Sei. E a porcelana você deixou onde mesmo. Embaixo da escada ou enterrada no porão?

Charlotte sorriu para amiga e abriu a segunda capa, e dela deslizou um vestido verde esmeralda, com finas alças, de seda. Marcado por detalhes dourados no busto e na cintura.

– Esse é seu. – disse Charlotte sorrindo.

– Você só pode estar brincando. Eu não posso aceitar. Aliás, quem disse que eu vou ficar?

– Pode sim, eu estou te dando é um presente, portanto nem pense em dizer NÃO! E eu disse que você ia ficar lembra?

As duas deram risada e continuaram a se arrumar. Charlotte escolheu uma sandália de salto agulha na cor creme e pediu para que Nefertithy escolhesse um para si.

Dirigiu – se até a penteadeira, onde havia uma gaveta menor do que as outras, trancada de chave. Abriu-a e dela tirou a Taurus 938 cromada, olhou se estava carregada, para em seguida tira um coldre mais fino e prendê-lo a coxa. Encaixando a arma com destreza.

– Aonde você pensa que vai com essa coisa, garota?

– É só precaução. Sabe caso os ânimos se alterem.

Nefertithy balançou a cabeça e saiu ao lado da amiga dando risada, quando elas escutaram a campainha tocar.

Charlotte chegava á escada para descer quando viu seu pai, Joseph, Andrew e Sorento recebendo duas senhoras.

Elas desceram as escadas de braços dados, e Nhara a olhou sorrindo, parecia satisfeita com o que via.

–  Acho que você não vai poder usar seu “brinquedinho”. – sussurrou Nefertithy se divertindo com a cara da amiga, que fazia um beicinho de muxoxo e desaprovação.

– Menos mal, suponho.

– Boa Noite. – Nhara foi a primeira a dizer

– Boa noite senhoras, sejam bem vindas á mansão Maensen. É um prazer conhecê-las.

– Seu pai bem me disse que você era linda, só não imaginei que fosse tanto. Olivier ela é perfeita! – disse Nhara batendo palminhas de satisfação.

– Muito Obrigado, senhora…

– Svalden, querida. Nhara Svalden, mas me chame de Nhara. Está é minha mãe, Angeline.

– Essa é Nefertithy, minha melhor amiga, espero que vocês não se importem com a presença dela está noite.

– Oh não, eu acho perfeito. Meu filho logo chegará e será muito bom para ele ter companhia enquanto eu e seu pai tratamos os de negócios. Agora me diga seu pai, nos disse que você toca violino…

Nhara deu o braço para Charlotte e as duas, embaladas em uma conversa animada sobre musica clássica, foram em direção a sala de estar para esperar o filho de Nhara e assim começar o jantar. Angeline vinha logo atrás com Joseph de um lado e Nefertithy do outro. Enquanto Olivier era acompanhado por Andrew, deixando Sorento esperando o rapaz que logo chegaria o que não demorou muito.

Charlotte estava sentada de costas para a porta quando ele adentrou a sala, conversava alegre com Nhara, Angeline e Nefertithy marcando um dia tomar um chá ou dar uma volta no shopping.

– Boa noite. Senhores e senhoras me perdoem o atraso.

– Meu filho. – Nhara se levantou e foi de encontro ao rapaz para abraçá-lo. Charlotte levantou – se para receber o convidado, mas devido ao aglomerado que se formou a sua volta para os devidos comprimentos, ela só enxergou as flores.

– Hum alguém trouxe suas favoritas, Charlie. – brincou Nefertithy

– Fica quieta Nefer, é só por educação que ele trouxe as flores, ainda bem que não são rosas.

As duas amigas deram risadas o mais baixo que podiam, disfarçando para não chamarem a atenção para si.

– É um prazer conhecê-lo… – disse Olivier

– Aleksander.

– Aleksander, vejo que trouxe as flores preferidas de minha irmã, suponho que deve tê-lá investigado antes de vir para cá. – disse Joseph analisando a reação do rapaz.

Todos riram, tirando Charlotte e sua amiga dos devaneios e fazendo – as prestar atenção.

– Na realidade não. Apenas dizem que a Gérbera representa amizade.

Nhara abriu caminho para o filho, para que entregasse a flores, mas o choque se instaurou na face dos dois.

– Mas que droga! – disse Aleksander já puxando a Magnum das costas.

Charlotte levantou a barra do vestido com rapidez e engatilhou a arma apontando para o meio da testa de Aleksander.

– Eu te disse que na próxima vez…

– Charlotte Maensen! Abaixe essa porcaria de arma. – gritou Olivier

– Não.

– Mas o que está acontecendo aqui? – perguntou Angeline sem entender.

– Ele bateu no meu carro.

– Ela quebrou meu nariz.

– Aleksander você disse que…

– Briga de trânsito mãe, só que o motorista era ela.

– Abaixa a arma Charlie. – pediu Joseph.

Mas Aleksander sorriu em desafio o que gerou em Charlotte fúria, ela desviou a arma alguns centímetros de Aleksander e atirou. Estourando em milhões de pedaços o vaso de flores que ficava próximo a porta.

– Senhora Svalden? Nhara. Perdoe-me, mas vamos ter que marcar outro dia mesmo, vai ser impossível ficar nesta casa hoje. Me dêem licença e ótimo jantar á todos.

Charlotte deixou a sala gritando por Norah e subindo as escadas.

– Charlie… Me desculpe, srta. Charlotte. O que posso fazer por você?

– Manda tirar meu carro estou de saída.

Charlotte entrou no quarto pegou um casaco longo de veludo negro e o celular.

– Você vai aonde?

– Me desculpa Nef, mas não dá pra ficar aqui. Olha aproveita o jantar, fica com o Joe. Vou sair pra esfriar a cabeça. Esse cara me lembra a Mon’t Blanc e não to a fim de estragar os negócios do meu pai.

– Mas e a Nhara?

– Eu falo com ela depois.

Olivier pedia desculpas, enquanto a risada de Nhara se ouvia ao longe. Charlotte passou feito um raio pela porta e entrou no Lamborgini.

– Eu sinto muito pelo ocorrido e se o senhor me permitir eu posso tentar falar com sua filha e lhe pedir desculpas.

– Vá sim meu filho, converse com Charlotte. – Nhara respondeu antes de Olivier.

Aleksander saiu correndo a tempo de ver o Lamborgini cruzar os portões da mansão, correu em direção ao Porsche e arrancou cantando pneu.

“Mas que droga, minha mãe fala pra eu não ferrar tudo e olha só o que eu faço. Arrumo encrenca logo com quem. Que ironia, não corro nunca atrás de mulher e olha o que estou fazendo hoje. Mas devo admitir, ela tem seu charme. Sabe ser linda, sabe ser forte, vamos ver agora se ela é rápida.”

Aleksander acelerou e sorriu ao ver que o ponteiro do carro já batia os 220km/h e já era possível avistar a traseira   do Lambrogini prata que parecia costurar a avenida entre outros carros com bastante desenvoltura.

– Te achei Maensen. – ele então pisou mais fundo.

A corrida continuava e Charlotte percebeu que o Porsche vermelho a seguia sem lhe dar trégua.

“Cara cretino, se não me deixar em paz atiro nele e com certeza vai ser pra matar.”

O sinal fechou e eles emparelharam os carros, roncando os motores. Aleksander foi o primeiro a abaixar o vidro, acompanhado por Charlotte que já apontava a arma novamente.

– Olha eu preciso falar com você. Pensa nos nossos pais pelo menos e para essa porra desse carro pra gente conversar.

Charlotte olhou para o farol e sorriu.

– Sinto muito, não vai dar otário.

Ela arrancou com o carro e o virou de frente para Aleksander, mirando no pneu dianteiro e atirando.

– Boa noite Svalden.

O som do pneu estourando assustou Aleksander e o fez desejar atirar também, mas ela já estava longe.

Charlotte diminuiu a velocidade e conectou o celular ao carro, discando um número em especial. Precisava fugir daquilo tudo pelo menos aquela noite.

– Alô?

– Preciso sumir.

– Te encontro onde?

– No lugar de sempre.

– Ok.

Ben acabará de sair do banho, o treino tinha sido cansativo, mas o que ele não faria por Charlotte. O que ela não pedia chorando que ele não fazia sorrindo. Se ela precisava dele, ele iria.

“Um dia, Charlie. Um Dia…” pensou Ben.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

MANSÃO MAENSEN

– Sua filha é um encanto, além de linda tem fibra. Charlie tem um futuro promissor. Que garra, que determinação.

Olivier olhava para Nhara entre surpreso e abobado.

– Só fico me perguntando uma coisa, senhora Svalden.

– Nhara, por favor, jovem Andrew. Nhara. E qual seria está duvida?

– Quem será que sobrevive? –perguntou ele se divertindo.

– Acredito que será uma boa briga Andrew, mas acho que os dois saem ilesos, afinal de contas se tivessem que se matar, teria feito isso aqui. Você não acha?

Nhara tinha razão, Charlotte lhe daria uma nora perfeita, era só uma questão de tempo. Enquanto Olivier pensava, sentado do outro lado da mesa.

“Ela de fato está destinada á ele, não importa o que o destino apronte. Eu senti como nunca senti antes…”

Éolo estava encostado na soleira da porta apoiando um pé no batente e sorrindo. Logo tudo ia mudar. Fosse para bem ou para o mal, mas ia.  Agora era só uma questão de escolhas…

                                                  CONTINUA…

PoPor Lillithy Orleander

Um comentário em “Vendetta Pt.3 – Guerra e Paz

  1. AAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIII SIM!!!!

    Entrou muito bem no clima de máfia! Adorei!! asiudhsiduhasdiuahs agora acho bom ter toda semana iouahsdiauhisuhisduhisdh xD

    1 – Charlie será uma mulher perigosa??
    2 – Esse abiguinhu imaginário HEHEHE é do bem ou do mal???
    3 – essa Nhara pelo jeito é causaria IUHASDIAUHSDAISDHISDH QUERO MAIS

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