Paixão Obscura: Capítulos 1, 2 e 3

Um Crossover de Morgana Owl e Saul GuTerres

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Prólogo

Alícia já estava com tudo pronto para realizar seu ritual. As velas grandes e pretas estavam acesas dispostas em círculo sobre o chão, um pentagrama desenhado com um giz especial sobre a mesa, seu athame em mãos e um antigo livro de sua falecida mãe. Ela sabia que não tinha permissão para realizar aquele ritual, mas a paixão doentia por seu vizinho falava mais alto. Por algum motivo ela sabia que aquele era o único modo de ter aquele homem a seus pés e se vingar daqueles que debocharam de sua inocência. Então com uma das velas ela começou seu ritual:

“ Antigos espíritos que aqui habitam, escutem-me, estou pronta para este sacrifício, oh antigos mestres das paixões, dos amores e da luxúria, eu os invoco. E para isso eu ofereço, meu espírito, meu corpo e meu sangue…”

Com o athame em entre suas mãos Alícia deveria cortar seu pulso e derramar o sangue sobre o livro. Mas não teve coragem.

– Bela bruxa! Pensou ela. Desanimada ela levantou-se e desfez tudo que estava fazendo esquecendo apenas o pentagrama na mesa. Pegou o livro do chão e já ia fechando, quando leu algo bem pequeno, quase que invisível no final da página. A única coisa que ela entendeu foi “Cuidado ao invocar Eilieen”. Aquele nome ficou em sua mente, ela já havia ouvido falar sobre esse nome, mas cega pela paixão não ligou para aquilo. Apenas limitou-se a fechar o livro, ir para seu quarto e dormir. Afinal o ritual havia dado errado, e ela deveria achar uma outra forma de conquistar Wilton.

Capítulo 1 – Amada mãe

Alícia era uma garota típica do interior. Sempre desajeitada e gostava de tudo aquilo que garotas na sua idade abominavam. Possuía longos cabelos naturalmente ruivos, mas que estavam sempre presos, pois ela odiava ter que arrumá-los. Parecia-se muito com sua mãe Sarah, pelo menos em beleza. Sarah era uma mulher elegante e mantinha-se sempre bem arrumada e de boa conversa. Todos na cidade admiravam a sua beleza, e se perguntavam como Alícia poderia ser filha de Sarah sendo tão desajeitada? Esses comentários muitas vezes irritavam Alícia, pois ela odiava ser comparada com quem quer que fosse.

Para ela o seu modo de viver era melhor que de todos, pois ela não necessitava ser aquilo que as outras mãe decidiam para suas filhas e Sarah lhe dava todo o apoio. Amava a filha mais do que tudo, e sempre a deixou ter sua própria personalidade. A relação das duas era de muito afeto, e todas as noites Sarah contava histórias para ela, como as aventuras de seu pai que havia falecido em um náufrago, e também das incríveis mulheres que já passaram por sua família e que carregavam antigos dons e tradições. Estas cujas quais eram passadas para Alícia em segredo e que ela adorava.

Ao decorrer dos dias Sarah chamava Alícia e lhe mostrava algo novo e sempre a alertava do perigos que a magia poderia causar para a sua vida e a de todos ao seu redor. Falava de muitas mulheres que no passado, por vaidade e ambição haviam destruído suas vidas, e que esses sentimentos jamais deveriam influenciar em seus feitiços. Alícia escutava tudo com atenção, e se perguntava se um dia seria igual a sua mãe. Não que ela gostasse de ser como ela, mas ela admirava sua paciência e a calma para ensiná-la sempre algo novo.

Embora morasse em uma cidade pequena e de pouca movimentação, Alícia adorava aquele lugar, e jamais se imaginaria vivendo longe de sua casa e de sua mãe, porém o destino pensava outra coisa. E a vida de Alícia estava prestes a mudar. Após os tradicionais estudos sobre magia, Sarah deixou Alícia em seu quarto, deu-lhe um beijo de boa noite e foram as duas dormir. A noite estava fria e parecia que uma tempestade se aproximava. Asim que sua mãe saiu, Alícia logo adormeceu e teve um pesadelo. Se passava há muito tempo atrás e nele havia uma mulher muito bonita de longos cabelos ruivos como os seus e um rapaz que sabia lidar muito bem com cavalos e era muito bonito por sinal.

Porém aquele homem amava outra mulher, o que então despertou uma fúria na mulher ruiva. E ela enfurecida atacava o homem e a outra mulher com as mãos arrancando sangue de seus rostos. Assustada Alícia acordou sem entender ou lembrar de muita coisa. Porém ficou com a impressão de que conhecia aquela mulher, mas não sabia de onde.

Capítulo 2 – O retorno de Eileen

O dia amanheceu chuvoso e muito frio, e Sarah precisava ir a cidade grande para comprar suprimentos para a casa e efetuar alguns pagamentos. Ela estava acabando de terminar seu café quando Alícia acordou.

– Bom dia mãe!

– Bom dia minha pequena! Como passou a noite?

– Bem, mas tive um sonho estranho.

– É? Me conte.

– Eu não lembro muito mãe, apenas sei que havia uma mulher ruiva muito bonita que queria se vingar de sua irmã. Sarah sentiu um calafrio. Fazia algumas semanas que ela sentia a energia de Eileen rondando sua casa,mais precisamente sobre o quarto de Alícia. Mas não deu muita importância, afinal as antigas sacerdotisas a haviam banido para longe há muitos séculos. Porém agora com esse sonho de Alícia, ela já não sabia se isso era de fato verdadeiro. Questionou a filha se ela havia tido mais sonhos, mas Alícia disse não se lembrar. Então ela pediu a filha que se continuasse com esses sonhos ela deveria lhe contar sempre. Após tomar seu café Sarah deu um beijo em Alícia e saiu para a garagem onde estava seu carro. Ela queria sair logo antes que a chuva se intensificasse e o trânsito mais complicado. Quando ela estava dando partida ao carro Alícia apareceu na porta do carro dizendo:

– Mãe não vá, eu quero que a senhora fique!

– Não posso filha! Mas prometo que não vou demorar, Tá bom? Dando um beijo na face da filha ela saiu, olhando Alícia pelo retrovisor. Aquela sensação ruim continuava, e dentro dela parecia saber que aquele era seu último adeus a sua filha.

A chuva estava mais fraca, mas o vento frio soprava intensamente. Sarah chegou a cidade em menos de meia hora, realizou suas compras e resolveu todos os assuntos que necessitava. Ela queria chegar logo em casa, pois não saía da sua cabeça a sensação de que algo ruim estava para acontecer e isso a estava deixava nervosa. Na volta para casa a chuva começou a cair novamente mais forte, então Sarah reduziu a velocidade e prestava a tenção na estrada que estava um pouco escura. Um raio estourou no céu e Sarah levou um susto, olhou para o lado e viu a mulher do sonho de Alícia. Parou o carro dizendo um pouco assustada.

– O que quer de nós Eileen?

– Com você? Nada…Mas sua filha sim, ela vai me ajudar a estar novamente neste mundo e terminar minha vingança. E você não vai me impedir. Disse Eileen dando uma gargalhada.

– Eu vou sim, em minha filha você jamais tocará.

– Veremos!! Disse ela sumindo na escuridão. Sarah nervosa com essa situação deu partida ao carro e saiu o mais depressa possível. Estava tão nervosa que nem viu que andava a quase 100km/h. E era isso que Eileen queria.

Quando ela estava se aproximando da ponte, Elieem apareceu novamente a sua frente fazendo-a perder o controle do veículo e caindo sobre o barranco. A última coisa que Sarha ouviu foi o estouro em seu ouvido e nada mais. Morreu na mesma hora, para alegria de Eileen que assistia a cena rindo sem parar. Era o fim de Sarah, uma das descendentes daquelas que um dia ousaram cruzar o seu caminho. Seus planos estavam indo como ela planejara. Agora a sua vingança estava mais perto de acontecer.

Capítulo 3 – A nova casa

Como Sarah era muito conhecida na cidade, a notícia logo se espalhou. Todos estavam chocados, pois ela sempre foi muito cuidadosa na direção.

E não entendiam o porquê dessa tragédia. Os policiais atribuíram a fatalidade ao clima, e seu corpo foi retirado com cuidado dos destroços. Todos estavam com pena da pobre Alícia que ainda nem sabia do ocorrido. Ela estava sentada lendo um livro quando sentiu uma dor forte na cabeça que a fez desmaiar. Sentiu um suor frio em seu rosto, e a imagem daquela mulher ruiva apareceu em sua cabeça fazendo sentir medo. Ouviu batidas na porta e foi atender. Era sua vizinha Amélia, que sempre quando precisava ajudava Sarah em suas tarefas. Com lágrimas nos olhos ela abraçou Alicia que sem entender nada perguntou:

– Que houve dona Amélia?

– Oh minha querida! Não sei como te dizer.

Nesse momento Amélia já estava em prantos e sem coragem para falar a verdade a Alícia. Os policias logo chegaram e dando força a Amélia contaram sobre o acidente e morte de sua mãe. Alícia desmaiou na mesma hora, e foi levada para o quarto onde permaneceu desacordada. Amélia que ficara encarregada de cuidar dela entrou em contato com os tios de Sarah que ela sabia que moravam na cidade grande. Eles logo que souberam do ocorrido vieram para casa de Alícia. Assumiram todas as responsabilidades e cuidaram de todos os detalhes.

O enterro foi na manhã seguinte, Alícia já não parecia mais aquela garota sapeca. No seu olhar havia tristeza e medo. Não sabia qual seria o seu destino dali para frente, ela mal conhecia aqueles tios, mas sabia que agora só tinha eles no mundo e seus caminhos estavam incertos. Ela já estava com 16 anos, mas mesmo assim sabia que não teria como recusar qualquer proposta deles. Após o enterro, seus tios Carlos e Dalva conversaram com ela sobre levá-la para morar com eles, ela recusou, mas não tinha opções.

Embora não fossem muito severos com ela, eles explicaram que ali não poderiam morar, pois tinham uma vida em outra cidade, e que Alícia agora fazia parte da família deles e deveria obedece-los. Então na outra semana tudo foi providenciado, a mudança, escola e quarto. Seus tios não tinham filhos, e ela passaria a maioria dos dias sozinha. Isso pra ela não era o pior, ela gostava de estar só. O seu tormento seria definitivamente a escola. Isso era o que ela mais mais temia.

Nunca havia estado em uma escola, sua mãe a ensinava em casa e ela gostava disso, e agora não poderia mais contar com ajuda da mãe. Só lhe restava enfrentar, lembrou de sua mãe e da força que ela tinha, sentiu saudades, olhou para trás e partiu para nova cidade. A casa era extremamente grande, Alícia nunca havia visto tantos quartos em sua vida. Seus tios mostraram toda a casa, ela achou bonita, o seu quarto era enorme e cheio de lugares para ela por suas coisas e seus preciosos livros.

Nas primeiras semanas ela foi apenas se adaptando a casa. Seus tios tinham vários empregados que a ajudavam em tudo. Ela se sentia ás vezes uma inútil, mas com o tempo se acostumaria. Na manhã seguinte seria seu primeiro dia de aula, e ela estava um pouco nervosa. Sua tia Dalva explicou como ela deveria agir para que não se metesse em problemas, ela ouviu tudo com atenção e foi saindo para a rua quando avistou um moço alto saindo da outra casa ao lado da do seus tios.

Ela pensou conhecer aquele rapaz, mas não falou nada, apenas observou ele que pelo visto, também estava indo para escola. Quando a professora anunciou seu nome todos a olharam com ar de deboche. Pois Alícia era uma menina da cidade pequena e não se vestia como a maioria das outras garotas. Ela foi apresentada e tudo acabou ali. Ela até que gostou das aulas e da escola. Na hora do recreio avistou o rapaz que havia visto mais cedo. Ele estava com outros garotos e parecia ser muito simpático.

Ela não entendeu porque estava fascinada por ele. Apenas quem sabia era Eillen que de longe observava toda a cena quase dando pulos de alegria, por não precisar mexer um dedo para Alícia sentir atração por Wilton. Continua…

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