Maysee, Um Toque do Mar [Parte 5]: Fogos e Revelações

10967786_599804743452397_1978439741_n

Festival Bluecastle

Loreena passeava buscando alguma distração até a hora dos fogos. Ainda iria demorar, afinal era apenas 20h00 e os fogos só seriam à meia noite. Parou para observar as oficinas de teatro e as apresentações folclóricas estavam para começar em 15 minutos, então ela iria dar uma volta para assistir esse show, que teria pelo menos uma hora e meia de apresentação.

Músicas animadas tocavam aqui e ali, os turistas já tinham começado a chegar e o local já apresentava uma quantidade considerável de pessoas para que alguém se perdesse na multidão, o que era bom para que ela não encontrasse as amigas de Jane.

Não tinha nada contra a irmã, amava Jane mais que a todos que conhecia, mas as amigas dela simplesmente não se davam bem com Loreena. Apenas Kate a tratava bem, mas não estava com muita vontade de andar em grupo ouvindo as bobagens das outras. Por isso tentou se distrair ao máximo entrando nas barracas e analisando item por item.

Isso foi, de certo modo, um lucro, pois ela pode ver cada detalhe dos objetos, se realmente valiam o preço que estava sendo cobrado ou estavam caros demais, pôde comparar a qualidade e a originalidade e por fim acabou comprando um par de pauzinhos de prender cabelo com entalhes na madeira, que ela considerou valer mais do que estava sendo cobrado, não aceitando o troco de volta.

Entrou em uma tenda sem paredes, cuidada por uma mulher e duas crianças sentadas diante de duas mesinhas no meio e um pequeno cercado de mostruários, onde observou ter produtos artesanais e naturais. Começou a observar os mostruários quando sentiu o movimento da mulher que estava à mesinha.

– Estou vendo bem? Reconheço esses cabelos ruivos em qualquer lugar! – Exclamou a mulher ao que Loreena virou-se pra deparar com Charlotte, a esposa de um pescador que tinha uma loja de artesanato na sua antiga cidade.

– Oh! – Loreena exclamou repentinamente feliz por encontrar alguém conhecido que há tanto tempo não via – Charlotte! O que estão fazendo aqui?

– Bom, Olavo e eu resolvemos participar de alguns festivais para ganhar um extra, vendendo nosso artesanato. Estamos viajando por todo o Reino Unido, País de Gales e Irlanda! – explicou – E você querida? Está tão crescida! – Disse analisando Loreena que havia passado dela na altura. – Eu sinto tanto pela sua perda. – Concluiu abraçando-a.

– Tudo bem, já tem dois anos… – Lore respondeu com certa nostalgia – E, nossa, como os meninos estão crescidos! – Exclamou ao ver os filhos de Charlotte que agora deveriam ter entre 8 ou 10 anos.

– Sim! – Charlotte riu – Eles também estão aprendendo nossa arte, e digo a você: eles têm talento!

Loreena riu e voltou a analisar a arte da amiga. Como não tinha percebido o estilo delicado e altamente detalhado dos objetos? Escolheu uma pulseira trançada de fio encerado azul e verde e no momento de pagar Charlotte não quis aceitar.

– Não querida, fique pra você! Como um presente!

– Ah não! Eu insisto! – Loreena falou entregando o dinheiro a ela.

– Então, eu quero lhe dar uma coisa. – Charlotte falou indo para o mostruário – Onde está? – Perguntou para si mesma, mais baixo – Um tubarão estava atacando algumas pessoas perto da nossa praia, tentaram de tudo para espantá-lo, mas ele continuou indo! Estava comendo todos os peixes, então Olavo e alguns amigos colocaram algumas armadilhas. Bom, o animal foi pego e para surpresa imensa ele estava morto!

– Nossa! – Loreena espantou-se com a história, mas não entendeu porque Charlotte a estava contando.

– O tubarão estava com várias mordidas pelo corpo, como se tivesse sido atacado por outro animal. Não sabemos qual, parecia outro tubarão… De qualquer forma… – falou sorrindo e levantando-se – Achei! – Caminhou até Loreena – O abriram para ver o que tinha dentro. Muitos peixes, muitas carcaças de peixe e dentro de uma dessas carcaças estava isto! – Apontou mostrando a Loreena uma pedra particularmente estranha emendada a um cordão.

– Esse colar estava dentro do tubarão?

– Na verdade, a pedra estava, o cordão dela estava completamente corroído e destruído. Estimaram que algum peixe engoliu o cordão e o tubarão comeu o peixe algum tempo depois. Pelo que falaram, estava dentro dele há muito tempo! Anos, décadas. – Concluiu – É uma pedra especial, dá para ver. Então refiz o cordão, tentando seguir o padrão dos restos do original.

– Nossa! Que história! – Loreena admirou o colar. Era vermelho, semibruto, com algumas partes moldadas, como se tivessem esculpido à mão. Tinha algumas sujeiras implicadas pelo tempo, mas parecia ser realmente especial. E pelo brilho da pedra poderia ser um rubi.

– Então, quero que fique com ele! Um colar especial para uma amiga especial. – Charlotte, magra, bronzeada e baixinha, sempre tão feliz e bondosa com todos. Loreena pensou em recusar, mas algo dentro dela dizia que precisava aceitar.

– Obrigada! – Disse apenas, aceitando-o e o pondo no pescoço. – Vou guardá-lo para sempre!

– Ah, Loreena! Mande um abraço para a sua irmã! E diga a ela para passar aqui nos próximos dias! Terei algo para ela também.

– Sim, direi! – Loreena a abraçou novamente e despediu-se. Saiu caminhando olhando para a pedra, como ela era diferente, e de alguma forma familiar!

Mas também”, bufou para si mesma, “Tudo está sendo familiar e estranho de ontem para hoje!”. Levantou um pedaço da blusa e esfregou na pedra para tirar mais a sujeira, percebeu que ela tinha um brilho leitoso e ao mesmo tempo translúcido, e parecia que outrora tivera um formato especial, como se faltasse algo para completá-la. Acabou parando observando a pedra quando se lembrou da mostra de dança e notou o quanto estava lotado agora.

Ia virar-se quando esbarrou em algo duro. Sentiu o odor antes de ver. Era a mulher meio Hippie que tinha o cheiro de algas! A mulher cambaleou e se equilibrou, lançando a Loreena um olhar muito feio. Lore ia desculpar-se, mas a multidão cobriu a mulher e a separou de Loreena. Dando de ombros ela se encaminhou para o palco das danças folclóricas e não conseguiu ficar muito à frente, estava começando a realmente lotar.

Segurou a bolsa firmemente para não ser roubada e observou o show começar. Estava bastante distraída com as apresentações de sapateados e pessoas fantasiadas de reis e rainhas medievais dançando quando foi empurrada para frente, tropeçando na areia fofa. Olhou para trás e deparou com a hippie de costas para ela, mostrando seus produtos a uma moça. Franziu o cenho e levantou-se, percebendo que aquilo fora de propósito. Ficou olhando a mulher, que vez ou outra lhe lançava olhares. Quando a moça afastou-se a mulher virou-se para Loreena e a olhou de modo petulante.

– Está me encarando é? – falou e sua voz era fina e estridente, diferente. Não combinava com ela, mas tinha tudo a ver com seu corpo magro de hippie. – Engoliu a língua?

– D-desculpe, eu… – Loreena estava desconcertada com a atitude da mulher.

– Vou dizer só uma coisa – falou apontando o dedo magro para Loreena – Me deixe em paz! – gritou com sua vozinha estridente – A Corte já fez o bastante por mim e pelos meus!

– C… Corte? – Loreena estava mais confusa ainda. Seria a corte de um tribunal?

– Pensa que não sei quem é você garotinha? – A mulher falou, ainda apontando o dedo para Loreena, apesar de ser menor que Lore, estava agindo como se Loreena não tivesse mais que 50 cm. – Posso sentir seu cheiro!

– Cheiro? – Loreena irritou-se, sabendo que o perfume que usava era suave e não estava fedorenta – Se for dessa forma, posso sentir o seu! De algas do mar ao sol!

– Claro! O que esperava? Só não seria de peixe! Estúpida Filha das Conchas!

– Estúpida o que? Filha das conchas? – Loreena começou a desconfiar que a mulher era meio louca.

– Não se faça de boba criatura nojenta! – Agora a mulher estava realmente agressiva e empurrou o tórax de Loreena para trás, fazendo-a cair sentada na areia – Saia já de meus domínios!

– O que está havendo aqui? – uma voz surgiu atrás de Loreena e ela sentiu uma sensação estranha de eletricidade no ar, como se uma tempestade estivesse a caminho. – Ela te empurrou? – Um rapaz jovem estava ao lado de Loreena, de cabelos meio grandes, da cor de fios de ouro e pele dourada do sol, parecia um surfista. Os olhos também eram dourados e só quando fez esta observação percebeu que ele a olhava oferecendo a mão para levantá-la.

– Ah… – gaguejou buscando voz – Eu só estava passando e esbarrei nela sem querer…

– Sempre assim! – A mulher interrompeu – Podre Dinna! A culpa nunca é dos Filhos das Conchas! – Cuspiu no chão com repulsa ao nome e Loreena, ainda no chão sentiu a pedra de seu colar esquentando.

– Filha da Areia, se não fechar essa boca petulante, relatarei isto à Corte e sua estadia nesta praia irá acabar! – O rapaz falou duramente, como se fosse um oficial, com bastante firmeza. A mulher, aparentemente chamada Dinna, engoliu em seco, lançou um olhar feio a Loreena e, segurando seu mostruário, fugiu pela multidão.

Loreena ainda estava entre o choque e a raiva da mulher e a incompreensão das palavras trocadas. “Corte”, “Filha da Areia”, “Filha das Conchas”. Seriam codinomes? Seriam códigos? Seria ela de alguma gangue?

– Eiii! Você está bem? – o rapaz agitava as mãos diante de seus olhos para chamar sua atenção – aquela criatura lhe deu alguma coisa? – Falou oferecendo novamente ajuda para Loreena levantar.

– Ah, não… – ela aceitou a mão – só estava tentando entender essa história de filha da areia e corte… – falou voltando à realidade ao sentir um choque elétrico vindo dele.

O rapaz agora estava à sua frente. Vestia uma camiseta branca e jeans pretos, pés descalços, mas isso era normal, estavam na praia, e trazia um colar com uma pedra na ponta. Loreena que era quase expert em pedras preciosas, semipreciosas e raras, sabia o suficiente para entender que aquela pedra era uma Ônix, preta com mesclas douradas, quase como se ouro e Ônix houvessem se formado juntas. Tinha formato diferente, não natural, mas lapidado e polido. Como se tentasse formar um desenho em alto e baixo relevo.

– Veio ver os fogos? – ele perguntou sorrindo simpático.

– Sim, estava com minha irmã, mas ela encontrou unas amigas e… – calou-se. Porque deveria revelar tanto para esse estranho?

– E você não vai encontrar suas amigas? – ele perguntou, ainda rindo.

– Desculpe cara, mas não o conheço. E acho que tenho que ir. – ela disse evasiva, incomodada com a sensação de eletricidade no corpo e no ar e atordoada com o calor da pedra em seu pescoço. Já ia virando para se misturar à multidão quando ele segurou delicadamente sua mão, fazendo-a voltar.

– Sinto muito não me apresentar logo – falou – Sou Jonathan Golde-Leapier – disse curvando-se e tocando os dedos de Loreena em sua testa. Uma parte de Loreena sentia um fogo Elétrico na mão, e a outra parte identificou esse movimento como um gesto muito antigo de respeito.

–Ah… – ela buscou a voz – Loreena Oseen.

–Encantado. – respondeu Johnny voltando ao normal. – Pode me chamar de Golde. É como todos me chamam.

–Gold? Como ouro? – Lore repetiu olhando os cabelos e olhos dourados do rapaz.

–Não, G–O–L–D–E – soletrou rindo – geralmente se confundem.

– Ah… – Loreena analisou-o, olhou em volta e lembrou como tudo estava esquisito naquele dia. Fazia muito tempo desde que parara para prestar atenção em algum garoto, terminara o colégio sem socializar com ninguém depois que veio para Bluecastle. Mas lembrava-se das pessoas de sua escola e nunca o tinha visto em lugar algum. – Então, você é um turista?

– Pode-se dizer que sim. – Ele riu, mas agora olhava em volta, analisando o ambiente e as pessoas ao redor. – Só vim dar uma olhada no festival, mas não moro muito longe desta cidade.

– De onde você vem? – Ela inquiriu por impulso e se arrependeu – Desculpe, não quero bisbilhotar. Então… – Ela viu que ele ia responder com um sorriso humorado, mas não permitiu que ele falasse – Eu acho que já… – Interrompeu-se quando sentiu o colar quase pegando fogo – vou. – concluiu baixinho olhando para o pingente que parecia estar do mesmo modo que antes.

Tentou tocá-lo e percebeu que ele só estava esquentando o seu peito, mandando ondas de calor pelo seu colo e coração. Elevou a pedra até a vista e percebeu que a pequena parte que ela mesma polira emitia um brilho luminoso.

– O que há com seu Relicário? – Ele perguntou e ela percebeu que ainda estava ao lado de Golde.

– Eu não sei! Está quente em meu pescoço, mas quando o toco não queima!

– Como assim? – ele disse olhando a pedra – Ele não deve fazer isso!

– Não entendi – ela disse vendo a expressão analítica de Golde.

– Seu relicário não deveria esquentar. – Explicou e olhou para ela, o que a perturbou.

– Ah… – Ela estava achando tudo muito estranho. – Então, acho que já vou…

– Espera! – Ele disse segurando novamente o braço dela. – Bom, como sou meio que turista, poderia me mostrar o local? – sorriu e ela o analisou um pouco.

– Eu ia assistir essas apresentações de dança, mas já perdi boa parte mesmo… Vamos dar uma volta então. – Loreena disse e saiu andando na frente, abrindo caminho de volta às barracas da festa ainda incerta com a decisão.

Golde seguiu atrás. Por vários motivos ele não a queria perder de vista. Primeiro que aquela Filha da Areia poderia voltar a incomodar. Segundo que o cheiro daquela garota era o mesmo cheiro daquele guarda chuva do dia anterior e isso era algo que ele tinha que investigar. Terceiro, havia alguma coisa errada no relicário dela. Talvez a Filha da Areia tenha feito algo antes dele ter chegado. De qualquer forma, a garota à sua frente era uma Filha das Conchas, tinha certeza disso, e isso explicava ter conseguido ver e fugir da serpente marinha. E ainda, havia ameaças de Telquines pelos arredores daquela praia, se ela era uma Filha das Conchas ele precisava acompanhá-la, pois parecia não saber se defender.

Passaram por algumas barracas, e Golde vez ou outra parava para analisar os itens. Loreena acabou gostando da companhia dele, que não a importunou muito fazendo perguntas pessoais, apenas perguntava sobre as lojas e sobre a cidade. Lá pelas 22h ela sentiu fome e informou que ia lanchar. Ele sorriu, afirmando estar sem fome, mas a acompanhou.

– Então… É a primeira vez que vem a Bluecastle? – Ela perguntou alguns minutos mais tarde, enquanto comia um pastel delicioso.

– Na verdade não, mas nunca vim ao festival… – Ele disse olhando em volta. – E você? Deve conhecer tudo não?

– Haha, – ela riu – na verdade eu só moro aqui há dois anos, e a cada ano eles mudam algumas coisas e as bandas. Então não é como se eu conhecesse tudo.

– Entendo… Quais bandas vão tocar hoje?

– Para falar a verdade eu não sei. Eu só vou ver os fogos e volto para casa, não estou muito animada para ficar.

– E se eu te fizer companhia? – Ele olhou para ela suavemente. Era um convite para um “encontro”, ela sabia. Ponderou um pouco e deu outra mordida no pastel para poder responder.

– Acho que vai ficar pra próxima. – Concluiu, lembrando que ele não era dali e por mais que fosse bonito, não era uma garota de aventuras, para depois ficar ali abandonada e isolada. – Realmente quero ir para casa após os fogos.

– Então posso acompanhá-la até a hora dos fogos? – O olhar de Golde era intenso.

– Tudo bem. – Ela cedeu.

_X_

Continuaram andando pelo Festival, Loreena percebeu que ele ficava sempre atento às pessoas ao redor. Devia ter algum problema com multidões ou ter medo de furtos, mas ainda assim era atencioso e fazia comentários engraçados quando viam algo ridículo. Em dado momento viram Dinna passando, ela olhou para Loreena como se fosse aniquilá-la e só então percebeu a presença de Golde que cruzou os braços sobre o peito franzindo o cenho, fazendo-a virar as costas e sumir novamente.

– É, você realmente fez uma nova melhor amiga! – Ele disse e Loreena não conseguiu prender o riso. Ela nunca mais tinha saído na companhia de alguém fosse amigável, ou a quem ela quisesse permitir a amizade. E foi bom rir, percebeu com certo alívio que isso tirava um pouco a tristeza acumulada.

Perto da meia noite as pessoas começavam a se agrupar entre os palcos, em frente ao píer para ver os fogos. Mas Loreena não estava interessada em vê-los no meio da multidão. Circulou o amontoado de pessoas ignorando o ardor do colar, que passara a noite toda quente e percebeu que Golde a acompanharia até a hora que informasse que iria para casa. Então tomou uma súbita decisão.

– Eu não quero ver os fogos correndo o risco de ser pisoteada. – Informou quando ele indagou o que ela estava fazendo circundando o palco principal, em direção ao leste – Ali mais à frente há um banco de areia, onde podemos ver os fogos sendo lançados sem sofrer empurrões.

Era seguiu adiante, era um pouco afastado da multidão, e ela sabia que era perigoso ir sozinha para um lugar mais escuro com um estranho. Mas não estaria realmente sozinha e ele a defendera mais cedo. Provavelmente ele só queria paquerar para não ficar sozinho a noite toda, e ela decidira que tia Emy tinha razão e Jane também, ela precisava gostar um pouco das pessoas e viver. Ela tinha 18 anos e a única imprudência que cometia era caminhar na chuva.

Seguiram até o banco de areia, passaram por alguns casais se agarrando na penumbra das luzes da festa. Ele sempre seguindo atrás dela, soltava piadas baixinhas que a fazia rir. Contornaram a curva na areia e subiram no banco próximo à água.

– Aqui. Se formos mais à frente corremos o risco de ver alguém tentando gerar um filho. – Ela disse e Golde riu.

– Isto aqui não é realmente um banco de areia, sabia? – Ele falou sentando ao lado dela, deixando uma perna pendurada e observando o mar à frente.

– Não? – Ela indagou simplesmente abraçando as pernas à frente e sentindo a brisa morna vinda do mar.

– Abaixo dessa areia há um grande rochedo, não teria como tanta areia fina ficar agrupada tão alto assim. Veja. – Disse cavando alguns centímetros e mostrando com as luzes do festival uma superfície mais escura e rígida que a areia sob eles. – Este ambiente é cheio de formações rochosas.

– Nossa! Você é algum geólogo por acaso? – Ela disse admirada – Tem o que, uns 22 ou 24 anos?

– Não! – Ele riu – Tenho apenas 20. E não sou geólogo. Apenas gosto de pedras.

– Eu também… – Ela falou olhando agora os próprios anéis.

– Temos isso em comum! – Exclamou rindo – E você tem quantos anos? – Ele disse analisando-a.

– Dezoito. – Ela respondeu simplesmente olhando para o píer. – Do que aquela mulher estava falando? – Resolveu perguntar. – Filha das Conchas, Filha da Areia… Eu não entendi nada.

– Como assim não entendeu? – Golde a analisava curioso. – Ela era uma Filha da Areia, está na cara…

– Isso é algum tipo de gangue? Ela me chamou de Filha das Conchas! Eu não sou de nenhuma gangue! – Loreena exclamou. Golde não respondeu, a encarava descrente. O cheiro dela estava no guarda chuva, ela estava usando o relicário e não havia outra explicação da Filha da Areia tê-la tratado assim e, no entanto ela agia como se não soubesse o que era. E talvez ela não soubesse mesmo. Poderia ser uma descendente de um Filho das Conchas com um Filho do Barro.

Acontecia com certa frequência Filhos das Conchas renunciarem, mas era raríssimo o cheiro e a origem se manifestar com tamanha intensidade como o dela. Talvez tivesse mais de um ancestral Das Conchas. E mesmo assim isso não explica o Relicário.

– E seu Relicário… De que é feito? Foi você quem fez? – Ele resolveu indagar quando a viu segurando-o novamente.

– Não sei… – Ela disse – Eu ganhei mais cedo… Uma amiga disse que o marido o achou dentro de um tubarão. – Explicou e o viu arregalar os olhos com certo pavor.

– Como assim ganhou? – Golde agora entendia porque ele estava esquentando. Não era dela, mas devia estar próximo do verdadeiro dono, e por isso reagia.

– Uma amiga é dona de uma barraca que está nesta feira, quando me viu me contou a história e me entregou.

– Conte-me a história, Loreena. – Ele disse. Era a primeira vez na noite que falava o nome dela, e ela sentiu certo susto ao notar que o nome na voz dele saiu tão bonito, apesar da seriedade aplicada. Ela contou a história de Charlotte, vendo-o ficar imerso em pensamentos.

Golde pesava todo o ocorrido. Precisava relatar a Divere o quanto antes. Havia algo de estranho nela e conter um Relicário de outra pessoa, que pulsava daquela forma… Ela poderia ter roubado, mas não parecia uma ladra. Iria observá-la o máximo para saber o que ocorreria.

Os fogos começaram e tudo ficou iluminado com as cores belas que desenhavam traços brilhantes no céu. Eles se levantaram para poder ver melhor. Loreena sorria, lembrando de sua infância, quando os pais a levavam para ver os fogos na praia de Dartmouth. Golde observava Loreena, apesar de também estar um pouco maravilhado com aquelas cores no céu, que era algo um tanto incomum para ele. Mas estava de serviço. Tinha que saber mais dela.

Deu um passo à frente e hesitante segurou a mão de Loreena, que à princípio se contraiu, mas depois relaxou a mão fina dentro da sua. Seria mais fácil seguir o trabalho adiante se ele não estivesse sentindo esses choques elétricos vindos da mão dela. Golde nem imaginava que esse fora o motivo de Loreena ter se retraído inicialmente, mas agora parecia um fogo elétrico percorrendo seus braços. Ele ficou satisfeito e assim garantiria acompanhá-la até sua casa, para que pudesse passar o relatório mais completo a seu líder. Se ela não quisesse sua companhia, teria que segui-la, mas com a praia praticamente deserta seria difícil se esconder e se seguisse pela água poderia perdê-la caso entrasse na cidade.

Loreena não conseguiu conter a emoção que os fogos traziam. Seus pais não estavam mais ali e sua irmã estava metida entre aquela multidão com as amigas. Loreena flutuava destacada de todos ali, distante do mundo. Quando o rapaz segurou sua mão sentiu-se mais aquecida, menos só. E por isso relaxou, de certa forma foi bom ter permitido que ele a acompanhasse, também não saberia o que fazer caso aquela hippie maluca a atacasse novamente. Não era boa em briga, nunca brigara, para ser mais exata.

Passaram os 20 minutos do show pirotécnico de mãos dadas. Ela chorava em silencio e com a outra mão secava as lágrimas que escapavam de seus olhos. Golde percebeu que ela chorava e envolveu seu ombro com o braço.

– O que houve? – Falou quando acabaram os fogos. Será que ela realmente roubara o colar e agora estava arrependida?

– Eu só estava me lembrando dos meus pais. – Ela disse com a voz embargada e limpou a garganta.

– O que têm eles? – Perguntou Golde olhando pela primeira vez para os olhos verdes e mareados de Loreena, e tendo a sensação que conhecia aquele olhar.

– Eles… – Ela disse incerta – Faleceram há dois anos. Sempre víamos os fogos na praia onde eu morava…

– Entendo… – Ele disse agora solidário. – Quer ir para casa agora? Você disse que só ficaria até os fogos… – ele falou e ela levantou o olhar para ele. Ouro em Esmeralda.

Ela sentiu-se tão bem ali naquele momento. Não estava realmente triste. Era saudade, mas também alívio. Não iria perder esse momento que tia Emy e Jane tanto desejaram. Não fazia nada de sua vida além de confiná-las na depressão da vida no Chalé e na sua tristeza. Estava fazendo-as se preocuparem com ela e enquanto pensava estar cuidando, na verdade estava sendo egoísta. Que teria de mal sair e passar algum tempo com Jane? Que tinha ver os fogos com um completo estranho?

Era mais que natural pessoas jovens fazerem isso, ela não fazia nada disso desde que seus pais se foram. Pela primeira vez depois desses dois anos conseguia ver nesse momento um pouco de fuga, conseguiu sentir-se até feliz e energizada. Aquele rapaz que mal conhecia a dava a tranqüilidade e conforto que apenas a chuva vinha dando a ela.

Golde ainda a encarava e percebeu que ela estava guardando e sentindo um turbilhão de emoções. Sua função na Corte o fez aprender a interpretar tudo e todos os sinais. Sabia ler os sentimentos das pessoas e as emoções, servia muito em interrogatórios, sabia quando alguém mentia e quando alguém estava nervoso. Reconhecia o medo e a ansiedade, conseguia também ver a tristeza e a alegria. A garota à sua frente estava sentindo tudo de uma vez, tristeza, frustração, felicidade, saudade e outro sentimento irreconhecível para Golde, como se tivesse guardado por muito tempo dentro de si e os fogos tivessem aberto a tampa do lugar onde prendera os sentimentos. Uma música começou a vir do palco principal.

– É o Ed Sheeran. – Ela falou reconhecendo a voz, olhando rapidamente para o palco. Depois de reconhecer a música olhou novamente para Golde – “Kiss me”. – Ela disse.

– O que? – Ele apenas a encarava absorvendo a intensidade do olhar dela.

– É o nome da música. – Falou. E ele viu que ela estava começando a liberar os sentimentos guardados, ele estava interpretando ela quando foi pego de surpresa. – Golde. – Ela falou o nome dela pela primeira vez na noite e então o beijou.

Loreena já havia beijado antes, beijo de criança, brincando. Mas já fazia tanto tempo e nunca havia sido tão intenso. Foi surreal. Ela sentiu que ele foi pego de surpresa, com o corpo completamente tenso, depois sentiu a rigidez dos seus braços suavizarem ao envolvê-la e correspondeu o beijo com ardor. Que levou o tempo da música e o começo da música seguinte. Para ela estava sendo sua primeira aventura. Para ele foi uma surpresa que fugia completamente de seus planos e de seu trabalho. Pela primeira vez na vida, Golde sentia-se sem chão, sem saber como agir no momento seguinte.

Depois ele perdeu-se em pensamentos, entregando-se ao beijo e destacando-se de tudo junto dela. Não era como se fosse real ou como se eles fossem eles mesmos. Não era como se estivessem no banco de areia ou no Festival de Bluecastle. Simplesmente poderiam estar dentro do mar, no Chalé, no rochedo do dia anterior ou em qualquer outro lugar do planeta. Eles não estavam mais ouvindo a música ou lembravam-se de outra coisa a não ser aquele momento que Loreena temeu nunca mais ter igual.

Durou tempo suficiente para que um guardasse o toque, o cheiro e o sabor do outro. Loreena estava muito feliz como se amarras houvesses se soltado de seus pulsos e toda aquela tristeza houvesse sumido. Sentia o cheiro de maresia e sol na pele dele. A única coisa que faltava naquele momento para que ela se sentisse plena seria a chuva maravilhosa que ela amava. Golde travava uma batalha dentro de si. Não conseguia pensar em como agir, no que falar ou fazer. Precisava falar com Divere, mas não sabia o que fazer com relação a ela. Quando finalmente seus lábios separaram-se ele esqueceu o que pensava e ela apenas sorriu curtindo a música que tocava.

– Acho que posso ficar e curtir o show mais um pouco. – Loreena disse e ele sorriu e sentaram-se novamente.

– Até que hora os shows ocorrem?

– É para ser até começar a clarear, mas não agüento ficar acordada até essa hora, eu acho. – Ela disse. A música foi abaixando e Golde ouviu um ruído vindo do mar, virou o olhar rapidamente para as ondas, mas não havia nada suspeito. Um pouco mais adiante, perto do píer pensou ter visto uma forma escura, mas foi rápida demais, não poderia ser um Telquine. Cerrou os olhos para as ondas abaixo do banco de areia e tentou apurar os ouvidos em meio à música. Nada. Golde relaxou um pouco. Mas permaneceu atendo. Ficaram ali até o final do show, que só durou uma hora.

– Hora de ir para casa. – Ela anunciou, quando o show acabou, bocejando e levantando.

– Já? – Ele pareceu surpreso.

– Sim. Estou com sono e minha tia avó ficou só em casa. Duvido que minha irmã vá voltar cedo… – ela explicou. Ele nem precisou pedir. – Vamos?

– Eu não tenho veículo, só para avisar – ele riu – vamos no expresso “canelinhas”. – ela riu da piada infame e segurou a mão dele.

– Não tem problema, não moro muito longe. Vamos pela praia e logo chegaremos.

Seguiram o caminho em silêncio. Ouvindo a música ao longe, quando a outra banda já cantava. O caminho ficava escuro à medida que se distanciavam, mas o brilho do mar, que neste dia estava intenso, iluminava suavemente a praia.

– Espero que tenha gostado da minha companhia. – Golde falou para quebrar o silêncio que o estava enlouquecendo. Precisava falar para pensar. Precisava pensar.

– Foi… Um prazer passar esta noite com você. – Ela respondeu timidamente, – Você virá ao Festival nos próximos dias?

– Não tenho certeza… – Ele disse incerto da próxima tarefa e percebeu que ela ficou um pouco decepcionada, isso o deu o movimento involuntário de segurar a mão dela um pouco mais firme e parar para olhá-la. – Loreena – Disse novamente seu nome, como uma palavra mágica ou secreta, cheia de sentimentos e significados. – Eu realmente gostei desta noite. Não esperava vir hoje para cá, e veja só que surpresa boa.

– Mas? – Ela incentivou.

– Mas, – Ele suspirou. – eu não sei o que terei que fazer amanhã, preciso antes consultar o meu… Pai. – falou pensando no superior – Por que vim aqui com ele, a trabalho. – Ele disse e os olhos verdes dela estavam acinzentados por causa da penumbra noturna. Isso o fez sentir vontade de beijá-la novamente, sem considerar tudo que isso implicaria depois. Depois que ela chegasse em casa. Depois que ele passasse o relatório à Divere. Depois que descobrisse quem e o que ela era.

Golde tomou a iniciativa desta vez. Inclinou-se para frente a beijou novamente, com o mesmo ardor anterior e a envolveu num abraço mais informal, mais íntimo que o primeiro. Teria sido o momento perfeito para o dois se ele não tivesse ouvido os ruídos à sua volta e Loreena ter sentido os músculos de Golde enrijecerem. Seus lábios paralisaram sobre os dela e ela se afastou para observá-lo.

– O qu… – Não pode concluir a frase porque ouviu também os ruídos. Estranhos, não era como se alguém andasse, era como se várias coisas se arrastassem pesadamente. O som vinha de todos os lugares ao seu redor.

– Telquines! – Ele exclamou furioso e ela não teve tempo de reagir. Os braços dele que antes estavam a seu redor voaram para seus bolsos de onde ele tirou dois dardos que expandiram-se até tornar-se longas adagas de aparência antiga. Loreena gritou e os seres ao seu redor atacaram.

Ouviu um grito, como se fosse de guerra e viu as formas se aproximando. Eram cinco coisas imensas, que não tinham aparência conhecida. Ela estava paralisada pelo medo e Golde os encarava girando ao redor dela esperando a ofensiva. O ar assumiu novamente aquela eletricidade de tempestade vindoura. Rápida sacou o celular da bolsa e buscou a lanterna para ver o que estava à sua volta.

Não deu tempo. Os seres atacaram ao mesmo tempo. Golde girou as lâminas tentando acertar as formas monstruosas. Finalmente Loreena conseguiu ligar a lanterna do celular e se arrependeu de tê-lo feito pelo que viu. O ser que vinha à sua frente era disforme e imenso. Maior que um homem adulto muito alto. O corpo era lustroso, como de um leão marinho, mas preto como uma foca. As pernas era cotocos atarracados numa mistura de nadadeiras e pés. Do tronco saltavam braços semi-humanos com garras imensas e negras ao invés de mãos e do pescoço uma Imensa cabeça negra e peluda brotava. O focinho era longo como de um cachorro, mas os olhos não tinham nada de cachorro ou humano. Eram maléficos, raivosos e demoníacos.

Loreena gritou novamente e tentou correr. Golde estava se defendendo de três seres ao mesmo tempo. Atacava e recuava num estilo rápido e ágil, os seres, ela percebeu, eram um tanto desajeitados, mas as garras eram letais. Um deles ergueu a garra cedo demais, Golde viu a brecha e acertou o peito do ser, que fez jorrar um sangue grosso e escuro, totalmente inumano. O bicho explodiu em liquido preto e grosso, sujando tudo ao redor e sumiu. Os outros ficaram mais espertos e dois deles estavam cercando Loreena, falando em uma língua que ela não conhecia, mas ela entendeu mais como se decidissem qual o destino dela.

– Fuja, AGORA! – Golde gritou para ela, que recuperou as forças das pernas e bateu em disparada, lembrando-se do monstro marinho que vira no dia anterior. “Era real! São reais! Eu não estou louca!” constatou e algo esbarrou em suas pernas, levando-a para o chão. Virou-se para ver o que a derrubara e percebeu que uma rede de pesca com pesos havia sido lançada por um dos monstros e agora os dois se aproximavam. A lanterna do seu celular, que caíra mais à frente, iluminava mais a luta de Golde do que os seres que se aproximavam pesadamente dela, mas com uma rapidez assustadora.

Golde matou o segundo monstro decapitando-o com tamanha agilidade e ela percebeu que isso era algo que ele deveria fazer com freqüência. Mas não teve tempo de pensar nisso direito, pois ouviu o grito do ultimo ser que lutava com Golde, um pedido de ajuda. Uma das formas que ia em direção a ela voltou-se para a batalha.

– Golde! Cuidado! – Gritou a plenos pulmões e ele virou-se, mas não a tempo de escapar das garras do segundo monstro, que acertou seu braço esquerdo, rasgando sua camisa. Isso pareceu deixá-lo furioso e ele contra-atacou cortando fora a “pata” do bicho.

Loreena não pode ver mais, pois a forma gigante que a seguia chegou a ela e sem esforço algum tirou a rede de suas pernas, erguendo-a no ar. Loreena gritou e esperneou, as garras do monstro rasgaram suas pernas e num ato de desespero enfiou a mão na bolsa que estava pendurada quase caindo. Segurou algo longo e sacou os pauzinhos de cabelo que comprara mais cedo. Não pensou duas vezes e enfiou um em um dos olhos do monstro que rugiu como um urso e a soltou no chão berrando furioso.

Ela rolou para o lado para não ser esmagada pelo seu peso. Olhou para a batalha de Golde a tempo de ver um dos monstros fugindo para dentro do mar e o outro vinha, ora vejam só, em sua direção. Era o que ele havia decepado a mão. Golde o seguia de perto, quase alcançando-o. Ela virou-se para constatar que infelizmente o outro já havia se recuperado do seu golpe e começava a puxar suas pernas, as roupas enchendo de areia e os arranhões ardendo com a esfoliação. Gritou.

Sentiu então algo dourado passando ao seu lado e a faca de Golde acertou a pata do bicho que a puxava. Ele berrou e atirou o objeto no chão. O outro, sem mão, passou direto e entrou no mar, sendo seguido pelo cego. Golde ainda atirou a segunda lâmina, mas não acertou os monstros que entraram na água negra e sumiram.

Loreena não conseguiu se movimentar. Caiu de costas na areia e tentou recuperar o fôlego. Golde pôs as mãos em suas costas sentando-a.

– Você está bem? – Perguntou, os olhos dourados arregalados e, literalmente, acesos.

– Sim. – Ela disse encontrando a voz e olhando para o mar novamente. – Você está ferido! – Ela exclamou e ele revirou os olhos.

– Consegue se levantar?

– Sim… – Ela disse, mas ele a ajudou mesmo assim. Apoiou-se no braço direito dele, vendo que a sua blusa estava encharcada de suor e sangue e sua pele pregava com o icor negro do animal. Ao ficar em pé percebeu que sua perna doía muito, os arranhões das garras haviam sido mais profundos do que esperava. – O que eram aqueles… Monstros?

– Telquines. – Golde falou. – O que não entendo é porque eles queriam levá-la. – Completou.

– Golde… – Ela disse olhando para o rosto dele, os olhos brilhantes, enquanto ele a levava até o celular. – O que é você?

– Eu ia te perguntar a mesma coisa. – Ele disse encarando-a de volta – Mas aparentemente nem você sabe. – Sua voz era dura. – Espere aqui.

Ele foi até a beira mar e recolheu as lâminas, que voltaram a ser pequenas setas, as quais ele guardou nos bolsos. Olhou em volta escutando, aparentemente o ataque cessara.

– Onde aprendeu a lutar assim? – Ela disse quando ele voltou para ela, os olhos normais.

– Na Corte. – Ele disse – Vamos para sua casa.

– Minha tia! – Ela exclamou – Será que esses monstros atacaram toda a praia? – Os olhos de Loreena estavam arregalados de pavor. – Ontem eu vi uma serpente gigante no mar e pensei que ela fosse me atacar, corri quando a vi vindo em direção à praia… – disparou – Mas esses monstros não existem! Não deveriam existir!

– Mas existem. – Golde disse. – E só existem nove Telquines. Eles só atacam em maioria e você teve sorte que eu estava presente, por que você estaria morta. Aliás – Falou abraçando a cintura dela, enquanto passava o braço esquerdo dela sobre seu ombro – Você teve sorte dupla, porque ontem eu e meu superior matamos aquela serpente marinha.

– Não pode ser! – Ela não acreditou.

– Sim, achamos seu guarda chuva retorcido na boca do monstro e pensamos que ele a tivesse devorado. Mas quando a abrimos vimos que não.

– Eu… Eu não consigo mais pensar em nada. – Ela disse e ele apenas acenou com a cabeça. Seguiram para o Chalé, ela mancando e ele a apoiando.

Tudo girava na cabeça de Loreena, um redemoinho de informações e imagens borradas e tensas. Nem conseguia se lembrar da sensação de alivio e felicidade que sentira antes. Golde aparentemente não era apenas um turista e Loreena era…

O que eu sou? Quem eu sou?” Ela se perguntava. Em seu pescoço o colar pulsava quente e aceso sem que Loreena percebesse.

_________________________________________________

Então queridos, o que acharam? Já estava na hora de ação não é?
Não percam os próximos capítulos, muitos monstros, muitas aventuras e revelações irão mudar a vida de Loreena para sempre. Não esqueça de comentar o que achou para eu possa fazer as devidas correções! ❤ G.W.

8 comentários em “Maysee, Um Toque do Mar [Parte 5]: Fogos e Revelações

  1. Gabi, acho que agora vc engatou ahahahahah
    to gostando de ver esses elementos marinhos e tals, acho que é muito pouco explorado em geral nas histórias!! Traga mais, principalmente lutas kkkkkk ❤

    Curtir

    1. Pois é Raquel, eu estava louca para colocar lutas desde o começo, mas algumas coisas precisavam acontecer antes da luta e a partir de agora mais e mais chegarão. Pesquisei monstros marinhos para deixar realmente legal :3 Obrigada pelo comentário ❤

      Curtir

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s