Sociedade das Sombras: Beijo Eterno(Pt.9) – Um novo lar

Por Mille Meiffield

Wevelsburg30

O quarto estava escuro. Addam não estava comigo. Levantei, abri as pesadas cortinas cor de creme e uma claridade branda das luzes do pátio entrou pela janela. Fui ao banheiro e tomei um longo e relaxante banho morno.

Saí do banho e voltei ao quarto. No criado mudo ao lado da cama encontrei um bilhete de Addam. “No closet tem um vestido azul para você usar na reunião do Conselho hoje. Fui buscar nosso café, volto logo. Ps: você é minha vida. Te amo”. Fui ao closet e peguei o vestido, era deslumbrante. Na parte de cima um espartilho rendado com bordados prateados e na parte de baixo uma longa saia rodada.

Coloquei o vestido e calcei um sapato prateado de salto médio que também estava no closet. Prendi os cabelos em um coque, deixando alguns fios soltos. Estava passando meu gloss, quando Addam entrou no quarto.

– Liz, nossa… você… você está linda.

– Obrigada Sr. Greene. – comecei a rir da expressão do rosto de Addam. Estar com ele, fazia eu me sentir normal. Quando estávamos a sós, o mundo era só nosso e de mais ninguém.

– Litza, você precisa comer alguma coisa, em dez minutos temos que ir para o prédio principal.

– Não estou com fome.

– Ontem nós fomos dormir sem comer nada. Eu não vou deixar você sair desse quarto se não comer alguma coisa.

– Ah, para com isso Addam. Eu não sou mais criança.

– Eu trouxe frutas, pão, suco de laranja, torrada, geleia e cream cheese. É impossível você não querer comer nada do que eu trouxe.

– Tudo bem Addam. – disse eu irritada. – Eu como uma fruta, nada mais.

– Te amo minha pequena.

– Também te amo, chato. – Ele me beijou e sorrimos um para o outro.

Passei mais um pouco de gloss nos lábios e fui com Addam até o prédio principal. Subimos a mesma escadaria da noite anterior e fomos andando na direção oposta à sala da senhorita Dazman. Ao fim do longo corredor uma porta alta de madeira maciça nos separava do nosso destino. Addam girou a maçaneta e entrou na sala comigo logo atrás. Eu estava com medo, para dizer a verdade estava apavorada. A sala tinha uma ornamentação medieval, que contrastava com as cadeiras postas lado a lado em um altar de mármore. Na parte mais baixa haviam três cadeiras postas de frente para o altar. Addam me guiou até uma dessas cadeiras e nos sentamos, em seguida Lykke entrou e sentou-se ao meu lado. Estávamos em silencio quando Gilly Dazman entrou por uma porta lateral, anunciando em seguida a entrada dos membros do conselho. Onze membros do conselho entraram na sala um a um e foram se ajeitando nas cadeiras. Quando onze das treze cadeiras já estavam ocupadas, Gilly deu início a reunião.

– Boa noite senhoras e senhores, hoje temos uma questão diferente das questões em debate nas atuais reuniões do conselho. Hoje temos uma Zamerov entre nós.

Um burburinho começou entre os membros do conselho e não parecia ser algo agradável.

– Não! – gritou uma menina pequena de cabelos loiros e olhos castanhos. – Eu não a aceito aqui. Ela quase matou meu irmão e se voltou contra sua família, ela não é confiável, assim como o tio dela. Para quem traiu sua própria família, não deve ser difícil trair nosso conselho.

– Senhorita Welch, por favor, seus irmãos foram banidos da Sociedade das Sombras assim como Mark Zamerov e nós não a expulsamos pois a consideramos leal a nossa sociedade.

– Mas Gilly…

– Por favor Aeryn, já chega!

Segurei com força as mãos de Addam, e apoiei minha cabeça em seu ombro. Estava apavorada, esse era um mundo novo para mim e eu ainda não sabia o que isso significava.

– Pequena, não precisa ter medo, aqui agimos com civilidade. Nada nem ninguém poderá lhe fazer mal dentro destes muros.

-O..obrigada. – gaguejei.

– Calma anjo.

– Antes que mais algum membro deste conselho dê sua opinião sobre a permanência da senhorita Zamerov em nossa Sociedade das
Sombras sem saber o motivo de sua presença, gostaria de saber, o que a levou a buscar abrigo em nosso Instituto, senhorita Zamerov?

Gilly fez sinal para eu me levantar. Fiquei em pé em frente aqueles olhares inquisidores. Me sentia intimidada e não sabia por onde começar

– Ralitza Zamerov, por favor nos diga o que a trouxe aqui.

– Eu não sei direito, nem sei quem sou. Meus pais morreram há pouco mais de dois anos e há alguns meses meus amigos foram mortos em minha casa e minha irmã mais velha desapareceu. Saí de Annandalle na Virgínia e fui para North Conway em New Hampshire. Mark era meu único parente vivo e eu o amava. Quando comecei a estudar na North Conway High School, conheci a família Greene, no começo pensei que eles pudessem me machucar, mas Addam e eu nos apaixonamos, e aos poucos fui descobrindo quem era Mark. Ele por gerações matou os membros da minha família.  E ele não é meu tio, é meu pai.

– Litza, porque não me contou que você sabia? – indagou Addam.

– Me perdoa Addam, e-eu só me lembrei disso agora. – me virei para encarar todos os membros do conselho. –  John e Mary não são meus pais, Mark é meu pai, mas eu não sei quem é minha mãe. Wendy me disse isso.

– Wendy? – Gilly me olhou sem entender. – Pensei que sua irmã estivesse desaparecida.

– Tecnicamente ela está. – disse Lykke – Há duas noites, enquanto eu e meus irmãos procurávamos uma amiga nossa que havia sumido, Wendy entrou em nossa casa e tentou convencer Litza a se juntar a Mark. Desde então, não fazemos ideia de onde ela esteja.

– Obrigada senhorita Greene, mas precisamos ouvir o depoimento da senhorita Zamerov.

– Me desculpe senhorita Dazman.

– Por favor Litza, continue.

– Antes de continuar, eu queria dizer que ouvi sua conversa com seus irmãos Addam. Guinevere McAleese? esse era o nome da minha mãe?

– Sim, e ela também era uma Ninfa. – disse Petter que não havia se manifestado até agora. – Sua mãe era maravilhosa, linda. Ela se apaixonou por Mark e depois de algum tempo você nasceu. Isso só foi possível porque ela era uma Ninfa, assim como todas as outras mulheres de sua família, como Yeva, Anya e todas as outras.

– Ele é um monstro. – Lágrimas escorreram por meu rosto enquanto ouvia Petter.

– Podemos adiar essa reunião para amanhã caso não esteja se sentindo bem Litza.

– Não, por favor senhorita Dazman, eu preciso saber se poderei ficar aqui. Não tenho para onde ir e não posso deixar os Greene voltarem para casa. Tenho medo do que Mark possa fazer com eles, e agora, eles são minha família.

– Então, por favor, termine seu depoimento para passarmos para as votações.

– Claro. – eu disse – Bom, Mark mandou Chris Welch me violentar, ele queria que eu engravidasse, ele me disse que eu era a escolhida, embora eu não faça ideia do que ele queria dizer com isso. Nesse dia Addam e seus irmãos foram me resgatar e fiquei morando com eles desde então.

– Isso é tudo Senhorita Zamerov? – perguntou Gilly

– Sim, isso é tudo.

– Então vamos começar a votação. – Gilly estava inquieta. Ela me olhou discretamente tentando me passar tranquilidade, mas seus olhos demonstravam preocupação. – Começaremos com você Dirk Caden.

– A história dessa menina me parece interessante, adoraria ouvir mais a respeito, voto para que ela fique.

– Ezra Garbor?

– A mim não faz diferença essa menina conosco. Creio que será agradável ter o conselho completo novamente depois de tanto tempo. Voto para que ela permaneça conosco.

– Aeryn Welch?

– Não, eu não a quero aqui.

– Beatrice Micah?

– Também não me importo com a permanência dela. Voto a favor.

– Declan Saimel?

– Não sei se uma Zamerov, ainda mais filha de quem é poderia ser aceita em nosso instituto de bom grado. Anulo meu voto.

– Petter Greene?

– Voto para que ela fique.

– Alessia Dhruva?

– Eu concordo com a Aeryn, ela não parece uma pessoa confiável.

Voto para que ela se retire.

– Zahra Hervé?

– Por mim ela pode ficar, gostaria de ter outra Ninfa no conselho.

– Benjamim Waser?

– Gostaria que ela ficasse.

– Sophie McAleese?

– Quero que fique. – Ela sorriu para mim enquanto falava.

– Espera. – havia uma McAleese no conselho e ela poderia saber sobre minha mãe. – Eu não sabia que havia uma McAleese aqui.

– Sei que tem muitas perguntas a fazer senhorita Zamerov, mas tudo a seu tempo. Preciso continuar.

– Tudo bem, me perdoe.

– Continuando, Noah Zandt?

– Ela pode ficar.

– Você pode votar agora senhorita Zamerov. – disse Gilly

– Eu posso?

– Claro, sua família não tem representante no conselho, então você tem direito ao voto.

– Gostaria de ficar. Muito mesmo.

– Meu voto também é para que fique querida. – Gilly parecia feliz com o resultado da reunião.  – Seja bem vinda a nossa Sociedade das Sombras e a este conselho Ralitza Zamerov.

Gilly se aproximou de mim e me entregou um colar com um pingente diferente.

– Litza, por favor, entregue este colar que está usando para a família Greene e use o que estou lhe entregando. Este pingente é o símbolo da família Zamerov. E como você pertence a duas famílias membro do conselho, esta pulseira, tem o pingente da família McAleese. Enquanto conviver conosco, você deverá usar tanto o colar quanto a pulseira. Alguma pergunta?

– Eu gostaria de saber mais sobre a minha família e também gostaria de saber o que eu realmente sou – eu disse

– Você é uma vadia cretina, não deveria estar aqui. – disse Aeryn

– Senhorita Welch, por favor. – repreendeu Gilly.

Aeryn se levantou e saiu da sala seguida por Alessia. Os membros do conselho um a um foram se levantando e saindo da sala. Sophie e Zahra vieram em minha direção.

– Litza, nós podemos te ajudar a descobrir mais sobre sua família. Incluindo o lado sobre nós os McAleese – disse Sophie

– E eu posso te ensinar a usar seus poderes assim que eles desabrocharem. – Zahra tinha aproximadamente vinte anos, cabelos castanhos alourados e olhos verdes, era um pouco mais alta que eu e tinha um belo sorriso. – Você completa dezoito anos em breve, certo?

– Em oito meses. – respondi

– Perfeito, tempo suficiente para aprender tudo o que precisa.

– Zahra, a Litza deve querer relaxar um pouco antes de começarmos a bombardeá-la com informações. – Sophie pegou minhas mãos e as segurou firmemente. – Se você for mesmo filha de Guinevere, você é minha… minha irmã. – os olhos dela ficaram mareados – Guinevere sofreu um acidente de carro a pouco mais de dezessete anos e morreu. Você estava com ela no dia, mas ninguém te encontrou. Eu esperei tanto pra te encontrar. – Ela me abraçou forte e me segurou junto a si por algum tempo.

–  Minha irmã? – fiquei surpresa – Eu nem sei o que dizer, mas… é tão bom saber que não estou sozinha.

– E eu não conto? – perguntou Addam

– É claro que sim. Quis dizer que é bom saber que eu tenho família, mesmo depois da Wendy…

– Liz, você não precisa lembrar disso. – disse Addam. – A Wendy vai voltar a ser o que era. Nós vamos trazê-la de volta anjo.

– Então, Sophie, Zahra, faz tempo que não nos vemos. – comentou Lykke. – Adoraria colocar a conversa em dia no shopping, o que vocês acham?

– Mas Lykke, eu preciso conversar com elas, eu preciso…

– Você precisa relaxar e além disso terá todo o tempo do mundo para falar sobre o que você precisa saber, agora vá passear um pouco com Addam, o campus tem lugares maravilhosos.

– Vem anjo, eu conheço a Lykke, ela não vai desistir enquanto não for ao shopping.

– Você me deve essa Lykke. – eu disse

– Pago em dobro cunhadinha.

Lykke puxou Sophie e Zahra pelo braço e saíram pelo corredor. Não havia reparado antes, mas Gilly estava num canto conversando com Petter e um outro homem, acho que era Dirk Caden.

Addam me deu um breve beijo e fomos nos juntar a seus amigos.

– Ralitza Zamerov, será um prazer ter sua presença em nosso conselho. – disse Dirk.

– Litza por favor, não gosto de Ralitza.

– Claro princesa.

– Anh, princesa? – indaguei

– Litza, podemos conversar em meu escritório? – perguntou Gilly – Addam, você também pode vir se quiser. Temos que conversar sobre um assunto muito delicado.

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