Galamadriel Pt.13 – O Início do Fim

Empire

Por Lillithy Orleander

Sonya estava sentada na antena do Empire State, olhando o Sol nascer e observando como os homens agiam de forma despreocupada, quase inocente enquanto ela sabia o que estava por vir.

“ Quantas vezes eu estive nessa mesma letargia, presa á uma vida enquanto guerras inimagináveis eram travadas em outros planos, do lado da minha casa ou do meu trabalho?

Quantos conhecidos meus talvez servissem como hospedeiros de anjos e demônios? Quando foi que tudo isso aconteceu.” – ela perguntava á si mesma.

– Eu sinto muito que você tenha que passar por isso. – o farfalhar de asas fez com que Sonya se virasse de imediato para a voz atrás de si.

– Miguel? – disse ela surpresa.

Ele sorriu constrangido.

– Me desculpe não é todos os dias que desço de meu pedestal para visitar a Terra. E não é a primeira vez que alguém se assusta com minha presença.

Miguel sentou – se ao lado de Sonya e escondeu as asas. A roupa séria do general deu lugar á uma camisa de tom esverdeado com detalhes cinzas e mangas compridas, calça jeans e tênis. Miguel tentou esboçar um sorriso, como á muito tempo não fazia e pensou em  tudo que havia vivido até ali, e em como muitas de suas decisões haviam sido extremas e outras tantas, desnecessárias.

– Hey, se eu morrer hoje quero pelo menos que esse dia tenha valido a pena. Mostre-me sua cidade Sonya.

Sonya olhou o arcanjo impressionada, pois até o presente  momento o que ouvirá sobre Miguel contradizia em tudo com o jovem que estava diante dela. Onde estava o comportamento duro que a incomodou a primeira vez?

Miguel como se lesse a mente de Sonya sorriu e estendeu – lhe a mão.

– Esqueça o que eles disseram sobre mim. Aquele Miguel precisa de um dia de folga.

Miguel se jogou no ar de olhos fechados e recuando os braços no peito saltou daquela altura gigantesca.

Sonya perdeu o medo e sorriu levantando – se na direção que o outro havia acabado de pular e saltou atrás.

– Seja o que Deus quiser…

Ela ainda acreditava que pudesse dar certo e talvez aquele fosse o vôo da liberdade.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

– Precisamos ir.

Iridish beijava as mãos de Qüerinemer enquanto ela ficava de olhos fechados aproveitando as pequeninas mãos que alisavam o longo cabelo azul espalhado pela grama.

– Eu não queria, mas sinto que é necessário depois do que você me disse.

Iridish contará para ela tudo o que havia acontecido até o presente momento e explicará os motivos de Lilith para tudo o que ela tinha feito. Ainda sim ela amava Iridish por tudo e sabia que mesmo que ele não dissesse, ele também sentia o mesmo. E se eles morressem ali, no meio daquela guerra, ela morreria feliz.

“Como tudo tinha ganhado um caminho tão diferente do planejado. Em que momento eu me apaixonará por ela? Eu, um Mercador e ela um anjo, um anjo especial. Com livre arbítrio para ir e vir. Com força suficiente para devastar a Terra inteira. Mas ali em meus braços ela parecia tão frágil, com aquele seu cabelo azul que transmutava toda vez que seu humor mudava como seu rosto corava quando ela se sentia livre em meio à chuva, ou até mesmo quando ela voava livre em Galamadriel. Ela podia ser um anjo, mas eu lutaria por ela até o fim se fosse necessário.”

– Vamos? – ela se levantou e estendeu as mãos para ajuda – lo a se levantar.

Iridish sorriu e se levantou, lançando as asas negras no ar.

– As armas, minha eterna Qüeri.

– As armas meu Mercador. – disse ela acariciando o rosto de Iridish

Eles deram as mãos e atravessaram uma fenda que apareceu ínfima para manchar a paisagem dos belos Jardins de Avalon.

Tudo parecia estar parado, as borboletas voejavam e a brisa morna corria no lindo jardim, enquanto Sol ardia saudoso dos dois amantes. Seres tão diferentes e tão singulares, ali haviam habitado e por alguns momentos se tornaram únicos e foram felizes.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Lilith arrastará Sardon por todo o caminho e este já começava á não sentir os pés.

– Mi Lady, por favor… – ele disse súplice.

– Estamos chegando. – ela sorriu mostrando os dentes caninos que haviam se tornado mais compridos do que o normal. A face desfigurada, agora era como a pele arrancada, que deixava à mostra a carne viva e sangrenta. Suas mãos ganharam garras pontiguadas, parecidas com navalhas feitas de titânio. Ela retirou do vestido um pequeno espelho e o jogou no chão, pisando nele.

Aquilo parecia uma queda livre, dentro de um líquido gélido e cheio de pequenos estilhaços de vidro que cortavam a face de Sardon.

Lilith então pousou suavemente e soltou o conselheiro no jardim.

– Sabe por que este é meu lugar favorito Sardon?

O conselheiro agora tentava fugir rastejando enquanto Lilith alongava o próprio corpo.

– Quando eu caí, assinando minha própria danação eterna, esse lugar mostrou – se, á principio, desconfortável e necessitado de algo que o habitasse e lhe desse mais um pouco de amor.

Então comecei a trazer rosas para este lugar. Rosas brancas  que Gabriel me dava quando estava na glória do Paraíso eterno. Mas então percebi que elas jamais sobreviviam. Os anos passaram e eu me saturei desse lugar, então foi aí que tive a idéia trazer aqueles que haviam se matado em vida, mas não qualquer suicida, trouxe aqueles que ceifaram a própria vida por amor para descansar aqui.

E qual não foi minha surpresa ao perceber que o sangue derramado não era perdido, as rosas o bebiam, e assim mantinham se fortes, belas e jamais morriam. Com o tempo elas desenvolveram uma autodefesa incrível e não precisava mais de mim para protegê – las. Foi então que minha doce Micarhy veio ao mundo e logo morreu, lembro – me que o único a ficar ao meu lado chorando minha dor foi Belial, e por isso o perdoei. Trouxe meu pequeno presente para este jardim e lhe dei um descanso eterno ao lado de sua mãe.

Lilith então virou – se para Sardon que tentava ficar em pé, mas percebeu que ela havia feito com ele o que ele havia feito a Lori.

– Sabe Sardon, Lori sempre me foi um servo fiel e muito querido por mim. Quando o Inferno surgiu Lori foi o demônio que criei para chamar de meu filho. O único que nasceu da prole de Lúcifer a quem realmente amo.

– O único da prole de Lúcifer? – ele perguntou confuso. – Mas Micarhy…

– Micarhy é filha de Gabriel.

– Era você quer dizer, ela está morta.

– Calíope é minha Micarhy, trazida da morte por Caronte.

– Barqueiro maldito! – ele disse furioso

– Caronte é sábio e muito mais forte do que qualquer um de vocês nesse buraco maldito que vocês chamam de casa. Agora voltemos aos negócios.

Lilith pegou Sardon e o levantou do chão somente com as unhas e o arremessou na parede, onde imensos espinhos começavam a se fechar ao redor do corpo de Sardon e ferir – lhe a carne.

– Bem vindo ao meu Inferno particular, Sardon.

Sardon tentou se desvencilhar dos espinhos, mas este cravavam – se ainda mais em sua carne derramando o sangue negro e lhe causando uma dor excruciante.

– Calíope! – chamou Lilith lançando um novo espelho no ar. – Sabe Sardon , no fim eu sempre mandei mais nessa pocilga do que Lúcifer e você nunca vai poder contar a ele o que aconteceu sabe por que?

Sardon mostrou – se assustado diante da indagação e só então começou a lembrar de outras contendas do passado que ela estava envolvida, algum demônio sempre sumia algum general sempre morria e ela sempre conseguia o que queria. Ele esboçou a reação para falar mas foi interrompido pelo chicote de Lilith que atingia – lhe a face.

–  Exatamente por isso Sardon, por que sempre consigo o que quero. – ela riu alto enquanto seus olhos mudavam para o vermelho – sangue e Calíope surgia irrompendo a brecha feita pelo espelho, com a bocarra aberta pronta para atacar.

– Este é seu fim  Sardon, suas últimas palavras…

Sardon tinha a face cortada de uma orelha ao queixo e percebeu o que estava para acontecer.

– Me perdoe Lady Lilith não foi minha intenção.

– Eu lamento Sardon, mas demônios não perdoam.

Lilith passou a chicotea – lo com violência enquanto Calíope arrancava nacos da pele de Sardon, fazendo com que ele gritasse de dor.

Lilith sorria insana e passará a enfiar uma espátula cirúrgica de alumínio embaixo das unhas de Sardon para arranca – lás. Ele urinava e choramingava como criança por causa da dor e não resistiu. Morreu nas mãos de Calíope que dilacerava sua jugular e abocanhava cada novo pedaço que seus olhos alcançavam, estava feito Sardon não era mais uma preocupação.

Lilith voltou a sua fisionomia normal e deixou que a filha acabasse o serviço, ainda lhe doía saber que Calíope agora não tinha mais nada de Micarhy, e que havia se tornado somente mais uma criatura a seu serviço naquele lugar.

Ela adentrou seu quarto e tirou a roupa manchada de sangue.

– Minha senhora, muito obrigado por ajudar esse pobre servo.

Era Lori que se aproximava com um manto de cetim preto para cobrir a nudez de Lilith.

– Lori, me diga uma coisa. Você teria contado a Sardon tudo o que já tivemos que esconder de Lúcifer?

– Jamais mi Lady! – ela sorriu e beijou as faces do servo, voltando a virar – lhe as costas.

– Lori, dentro de alguns dias nós travaremos uma batalha onde pode ser que muitos de nós não sobrevivam, e você merece ter uma chance de ser feliz depois de tudo que já passou á meu lado nessa longa existência. Então decidi lhe dar um presente.

– Minha senhora, meu maior presente é servi-lá e eu não saberia fazer outra coisa, além disso.

– Vire – se.

Lori obedeceu e sentiu a dor lancinante invadir – lhe o corpo. Ele quis gritar, mas algo o impedia.

– Lori, meu caro e bom amigo, eu hoje lhe dou a chance de viver como mortal, um jovem aventureiro, herdeiro de uma grande fortuna. Daqui em diante meu caro amigo, faça por si tudo o que não pôde. Se tiver a oportunidade de encontrar alguém para amar, viva plenamente esse sentimento.

Lilith derramava grossas lágrimas, enquanto arrancava as asas de Lori, que agora deixava a aparência escamosa sair de seu corpo para ganhar uma epiderme morena, muito bronzeada, com os olhos castanhos e o cabelo liso e comprido escorrendo sobre o sangue da ferida que era cicatrizada. Lori agora era um homem, e o Inferno não era mais sua casa.

Ele ajoelhou – se diante de sua senhora e chorou copiosamente, vestiu – se e pela última vez, ajudou sua deusa particular a se arrumar para aquele dia que parecia ser interminável.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Miguel e Sonya caíram imperceptíveis no meio das pessoas que caminhavam apressadas com seus copos descartáveis da Starbucks e seus celulares.

– Eu havia me esquecido como vocês ignoram tudo ao redor. – ele riu desgostoso, aquilo só lhe mostrava por que havia desistido de ficar perto deles.

Um músico tocava Highway to Hell ¹com o violão e um boné jogado no chão juntando algumas moedas, com uma alegria contagiante, que fez com que Miguel desse risada da ironia musical.

– Nova York ainda tem algo bom, não sei se é o ar, ou algumas pessoas  que passam por aqui, ou o frio que as vezes é totalmente aconchegante. Mas ainda sim vale um muito a pena viver por aqui. Eu amo essa cidade.

– Você ainda é muito humana Sonya, depois de algumas décadas, talvez milênios você entenda o porquê de algumas aversões que sinto.

Ele nem parecia mais o tirano que todos pregavam e se fosse outro dia ele passaria como uma pessoa comum que só quer viver um pouco mais a vida.

Parecia que a presença da morte havia feito com que todos ficassem mais sensíveis e quisessem parar o tempo ou voltar atrás de suas escolhas.

– Dyell gosta muito de você.

– Tirando o fato de ela ter me escondido um tio maluco, um pirado e outro mais misterioso do que todo mundo sabe, e de  quebra um pai tirano, sem ofensas, ela é uma ótima amiga também.

Miguel deu uma sonora gargalhada e muitas pessoas pararam para olhar o  estranho, que imediatamente parou de rir e empalideceu.

A moça que caminhava em sua direção o fez suar frio e o medo da visão o fez esquecer do artifício de seu ardiloso irmão.

– Megara?

Sonya então olhou adiante e só então percebeu havia acabado a paz e a guerra estava  prestes a estourar…

¹ Highway to Hell – AC/DC

3 comentários em “Galamadriel Pt.13 – O Início do Fim

  1. Deus vai se levantar do seu trono vai levantar sua mão e vai dar ordem e miguel vai ganhar essa batalha facil pq as forças de satanas ñ tem forças contra o general de batalha que é DEUS .

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