Sociedade das Sombras: Beijo Eterno( Pt.8) – Sociedade das Sombras

Por Mille Meiffield

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LITZA

Chegamos ao Aeroporto Internacional de Navegantes em Santa Catarina, no Brasil. De lá seguimos em um carro alugado até a cidade de Brusque no mesmo estado. A Sociedade das Sombras ficava em meio a uma enorme floresta. A construção era antiga e obscura. Parecia uma cidade dentro de outra cidade. Seus portões de cerca de cinco metros de altura, eram prateados e tinham intrincados sulcos entalhados, que formavam símbolos de tempos antigos – tenho que me lembrar de pesquisar sobre esses símbolos mais tarde – ressaltei a mim mesma. Os muros eram tão altos quanto os portões. Não se via muito do lado de fora, mas parecia ser um lugar de magia e poder indescritíveis.

– Litza, essa é a Sociedade das Sombras. – disse Petter.

Petter desceu do carro e pediu que aguardássemos. Ele andou até o portão, levantou o pulso esquerdo e o virou para uma câmera de segurança.

– O que ele está fazendo? – perguntei a Addam, mas foi Lykke quem respondeu.

– Quando nos tornamos vampiros, recebemos uma marca em nosso pulso esquerdo. Essa marca representa o símbolo da família e da linhagem a que pertencemos. Addam e eu também temos o mesmo símbolo tatuado no pulso.

– Eu já havia reparado nessa marca em Addam, mas não pensei que houvesse algum significado.

– Nossa família tem lugar garantido em qualquer Sociedade das Sombras. Os Greene são respeitados há séculos. Temos um currículo impecável. Os Líderes são boas pessoas porém são justos. Muitas famílias perderam seu direito na Sociedade das Sombras por se juntar aos inimigos. Seu tio é uma dessas pessoas, mas não se preocupe, você está conosco. Eles não vão rejeitar você.

– Eu sei. – eu disse num breve sussurro – Confio em vocês e estou com vocês. Eu não tenho mais ninguém além de você Addam.

Petter voltou e entrou no carro. Ele nos deu cordões com pingentes que pareciam com um dos símbolos entalhados no enorme portão prateado.

– Esse pingente, ele…

– É o símbolo da família Greene. Só os usamos dentro da Sociedade das Sombras. Ajuda a identificar a qual família você pertence. – disse Petter

Com um rangido fraco, os enormes portões se abriram e Petter avançou com o carro pelas estreitas ruas desta distinta cidade. Paramos em frente a um prédio imponente, de construção clássica e lúgubre. Saímos do carro levando nossas mochilas e entramos no que parecia ser o prédio principal. Nos dirigimos ao segundo andar subindo por uma escada com um corrimão em madeira maciça de cor escura. Os degraus eram de um mármore altamente branco e muito bem polido. Chegamos em frente a uma porta de madeira também de cor escura onde se lia em uma pequena placa Diretora Dazman. Petter bateu na porta e uma voz feminina soou vinda de dentro da sala.

– Entre.

Entramos em uma sala enorme, com móveis antigos e um cheiro tão agradável quanto o cheiro de uma biblioteca. Tinha cheiro de lar para mim. Uma mulher de longos cabelos loiros, corpo esguio e aparentando ter os seus vinte e poucos anos estava sentada atrás de uma grande mesa de madeira maciça. Ela se levantou e veio andando em nossa direção. Ela vestia um longo vestido verde-esmeralda que combinava com seus olhos e usava um cordão parecido com o que Petter havia me dado, mas seu pingente era um símbolo diferente do meu.

– Ora, ora, ora, então você é a famosa Ralitza Zamerov? – perguntou a mulher – Há tempos não temos uma Zamerov conosco.

– Gilly, precisamos conversar com você em particular. – disse Petter – Há coisas que precisamos lhe contar antes de nos aceitar na Sociedade das Sombras.

– Não se preocupe meu caro Petter, vejo que me trouxe uma Ninfa e não, eu não vou manda-los embora. – disse Gilly – Temos outras Ninfas convivendo conosco aqui na Sociedade há algumas décadas.

– O que é uma Ninfa? – sussurrei a Addam – E por que ela está me chamando assim?

– Você não sabe o que é, criança? – indagou Gilly docemente virando-se em minha direção. – Nunca desconfiou que você não é uma humana comum?

– Não sei do que você está falando. – respondi – Addam, o que está acontecendo? – perguntei assustada. Segurei o braço de Addam com força. Eu estava com medo, mas não sabia do que.

– Calma anjo, Gilly é nossa amiga há muito tempo e ela vai te explicar algumas coisas que nós não podemos. – disse Addam. – Lembra que o Dr. Ballard disse que sua recuperação era fora do comum? – indagou – Você não achou estranho seus ferimentos terem cicatrizado tão rapidamente?

– Eu sempre soube que eu era diferente – eu disse – Até tentei conversar com meus pais. Meu pai tentou me contar alguma coisa uma vez, mas minha mãe não deixou. O que é uma Ninfa? É isso que eu sou?

– Nós vamos ter tempo para falar sobre isso, agora vocês precisam descansar. Sei que a viagem foi longa e cansativa. – disse Gilly. – Já está quase amanhecendo e aqui nós dormimos durante o dia e fazemos nossas tarefas à noite. É muito mais confortável quando não temos que trabalhar à luz do sol. – Gilly disse especialmente para mim. – Eu pedi para prepararem dois aposentos especiais no prédio anexo a este, é onde as famílias que fazem parte do conselho moram. Litza, sei que para você isso é novidade, mas os Zamerov também fazem parte deste conselho, ao total treze famílias fazem parte. – Gilly foi conversando comigo enquanto caminhávamos em direção ao prédio ao lado e nos dirigíamos a um elevador na entrada deste outro prédio. – Sua família não tem um membro representante no conselho desde que Mark foi expulso por se envolver com as Trevas. Há quase um milênio os aposentos de sua família estão vazios, eu mandei reformá-lo e arrumá-lo quando Petter disse que vocês viriam. Espero que goste.

Gilly abriu uma porta cor de marfim envernizado. O quarto era enorme, quase do tamanho de minha casa em Annandalle. Os móveis eram antigos e bem conservados, todos em madeira escura, com uma fina camada de verniz. Pareciam muito novos e caros. O closet era algo novo, com portas brancas e muito grande. Havia além da cama, uma cômoda e um condicionador de ar. Havia mais uma porta dentro do quarto, também na cor branca, como a porta do closet e a cor das paredes. Atrás dessa porta havia um enorme banheiro quase todo em mármore. Com uma banheira de hidromassagem nunca usada e um espelho que ia do teto ao chão.

– E então, o que achou? – perguntou Gilly.

– É…. simplesmente… maravilhoso. – eu disse ainda absorta em todo aquele lugar. Nunca havia estado ali, mas era um ambiente familiar. Era como se eu já tivesse estado ali sem nunca estar.

– Bom vou levar Petter e Lykke ao aposento deles. Anh…Litza, espero que não seja problema Addam dormir aqui com você. – disse Gilly.

– Não tudo bem, eu não gostaria mesmo de ficar sozinha e prefiro ficar perto dele, obrigada.

A senhorita Dazman e os Greene nos deixaram a sós. Addam colocou nossas mochilas sobre uma poltrona que ficava ao lado da cama. Ele veio em minha direção e segurou minha mão. Seus lábios roçaram meus dedos e foram subindo pela extensão de meu braço. Ele me puxou para mais perto de si, envolvendo meus lábios com os seus. Um forte calor de paixão e luxuria nos preencheu. Estávamos sozinhos e em segurança, tínhamos a noite (ou melhor, o dia, já que aqui os horários são invertidos) toda para nós.

– Addam, preciso tomar um banho, estou me sentindo exausta. – eu disse – Vem comigo?

– Eu vou colocar nossas coisas no closet e vou em seguida.

Entrei no banheiro e liguei a água para encher a banheira, despejei alguns sais de banho e comecei a me despir. Fazia muito calor nessa cidade, porém uma brisa fresca com cheiro do orvalho da manhã entrava pela janela.

Entrei na banheira e tentei relaxar, embora estivesse calor, foi bom sentir o toque da água quente em minha pele. Ouvi uma batida na porta e o som de vozes vindas do quarto, em seguida Addam entrou no banheiro enrolado em uma toalha azul royal que contrastava muito bem com o tom de sua pele.

– Gilly mandou algo para comermos. Espero que esteja com fome. – disse Addam

– Sim estou. – eu disse – Vem, fica aqui comigo.

Addam retirou a toalha e a pendurou no cabide. Ele entrou na banheira, acomodando-se do lado oposto ao meu. Suas mãos acariciaram minhas pernas e seguraram minhas mãos. Seus negros olhos me fitavam profundamente.

– Você é linda. – disse Addam – Eu não posso mais ficar sem você Litza. Tenho lutado contra isso desde o dia em que nos conhecemos. Eu preciso de você, preciso te amar.

– Então me ame. Eu te desejo Addam, sempre desejei. O que eu mais quero essa noite, é ser sua.

Addam me puxou e eu fiquei em cima dele na banheira. Nos beijamos ardentemente. Ele envolveu meus cabelos em seus dedos, segurando mais forte minha boca contra a sua. Nos levantamos e saímos da banheira. Addam pegou uma toalha marfim que estava no cabide e nos secamos juntos. Fomos para o quarto nos beijando. Ele me deitou delicadamente na cama e deitou sobre mim. Suas mãos percorriam a extensão de meu corpo enquanto seus lábios me beijavam com urgência. Seus lábios abandonaram os meus e deslizaram por minha clavícula, descendo até meus seios. Suas doces mãos não deixavam de acariciar minha pele nem por um segundo. Era uma sensação mágica, intensa e profunda. Senti sua excitação aumentando e Addam e eu nos tornamos um só. Fizemos amor intensa e ardentemente. Explodimos ofegantes em paixão e êxtase. Ele me beijou e acariciou meu rosto mais uma vez antes de se deitar ao meu lado.

Eu fiquei onde estava, fitando o vazio por alguns minutos. Addam me abraçou e beijou minha bochecha.

– O que foi? – perguntou Addam. – Você está chorando?

– Eu…

– Eu te machuquei?

– Não Addam, não. – disse eu imediatamente – Você foi maravilhoso. É que… a minha primeira vez deveria ter sido assim, e só não consigo entender o que foi que deu em mim.

– Anjo, vamos esquecer isso. – disse Addam – Liz, eu te amo. Você não teve culpa do que aconteceu.

Eu o beijei e rolei por cima dele. Nossos lábios ardiam em brasa. Nossos corpos pareciam lavas vulcânicas de tanto prazer. Por onde suas mãos passavam, deixavam uma trilha de fogo frio em meu corpo. Sua gélida e rija pele e sua doçura me entorpeciam. Seus lábios deixavam um rastro quente e delicioso por minha pele nua. Fazer amor com Addam era simplesmente mágico. Novamente éramos um só, num ato de amor profundo. Seus dedos enroscados em meus cabelos, meu puxavam mais para si. Nossos movimentos se intensificavam a cada segundo, até explodirmos novamente em paixão e desejo. Um insaciável desejo pelo calor que nossos corpos emanavam.

– Por favor, não chore de novo. – pediu Addam ajeitando-se ao meu lado. – É perfeito estar com você Litza. Eu te amo, sempre vou te amar.

– Eu te amo Addam. Não sei o que eu faria se você não existisse em minha vida.

Ficamos abraçados por um longo tempo. O cheiro de Addam me acalmava. Ele continuava acariciando meu rosto, minha nuca.  Ficar assim com ele, quase fazia parecer que minha vida era normal.

– Addam, você acha que estamos seguros aqui? – indaguei. – Quer dizer… você acha que Mark ou os Welch podem me fazer algum mal aqui?

– Por que isso agora Litza? – ele parecia confuso com minha pergunta. – Ninguém entra na Sociedade das Sombras se o conselho não permitir. Mais tarde, vamos nos reunir com meus irmão e Gilly na sala do conselho. Os Líderes das tradicionais famílias estarão reunidos como de costume as oito da noite e nós temos que estar lá. Petter estará sentado na cadeira destinada a minha família, Gilly é a Líder Suprema e sentará na cadeira destinada a família dela, a cadeira da sua família era ocupada pelo Mark até ele ser expulso, ou seja, Gilly e Petter vão votar para você ficar aqui, mas temos que tentar convencer os membros das outras famílias que fazem parte do conselho a aceitá-la. Você também poderá votar para ficar, então só precisamos convencer quatro dos dez membros restantes do conselho a votarem para você ficar.

– Eu… eu não sabia disso. – eu disse assustada. – Eu não quero voltar para North Conway Addam, eu não quero ficar perto do Mark de novo.

Ele me abraçou e beijou o alto de minha testa. Uma brisa cálida entrava pelas frestas da janela e se misturava ao ar frio do condicionador de ar, transformando o quarto em um ambiente acolhedor.

– Anjo, não se preocupe, Gilly é líder do conselho há mais de cem anos. Nunca um membro do conselho liderou essa Sociedade das Sombras por tanto tempo. Ela é respeitada e todos a escutam. Vai dar tudo certo.

Essa Sociedade das Sombras? – perguntei confusa – Existem

outras?

– Sim Anjo. Existem treze Sociedades das Sombras espalhadas pelo mundo. Liz, acho melhor a gente dormir agora, teremos uma longa noite pela frente quando acordarmos.

– Eu realmente estou muito cansada. Boa noite Addam, eu te amo.

– Boa noite Anjo.

***

continua

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