Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.7) – Fuga

Por mille meiffield

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ADDAM

           

            Levantei devagar para não acordar Litza, desci as escadas rapidamente e fui ao encontro de meus irmãos. Petter e Lykke estavam na sala, de pé, em frente a lareira.

– O que você descobriu? – Perguntei à Petter

            – Wendy está com os Welch, Mark tem total controle sobre ela – disse Petter. – E a propósito, a Rachel não se lembra de nada, Matt ligou e disse que está com ela. Eles acham que ela se perdeu na floresta, mas ela não lembra como foi parar lá…

– Mark. – grunhi

– Ele apagou a memória dela, mas foi a Wendy quem a sequestrou, Matt disse que a Rachel está bem, só um pouco assustada. – Lykke parecia tensa, o que não me agradou.

– O que vocês estão me escondendo? – Indaguei.

– Eu ouvi a Wendy conversando com o Brian. – disse Petter.

– E? – perguntei impaciente.

– Eles querem a Litza a qualquer custo. – Petter parecia convencido de que uma guerra estaria próxima.

– Mark não vai tirar a Litza de mim, não enquanto eu viver.

– Mark está com os Caídos, Litza é inocente demais, ela pode ficar dividida se tivermos que lutar, foi por isso que Chris conseguiu hipnotiza-la sem ela sentir, ela confia nas pessoas, tenho medo de Mark fingir redenção e ela ceder. – Petter explicou.

– Eu não faço ideia de como fugir dos Welch levando a Litza junto. A única coisa que consegui pensar foi em levá-la ao Brasil. Nós poderíamos ficar na Sociedade das Sombras. Gilly Dazman nos deve esse favor. Ela é a líder do Instituto de lá, ela pode nos ajudar. – disse Lykke.

– Eu não sei, Brusque é uma cidade considerada sobrenatural, parece obvio leva-la para um lugar como esse, ela é uma Ninfa, ela ainda não sabe que é imortal, não sabe que por isso ela sobreviveu ao acidente em que os pais dela morreram. – eu disse.

– Ela não sabe que John e Mary  não são seus verdadeiros pais. Mark é o verdadeiro pai da Litza – disse Petter

– A Litza não pode saber disso nunca Peter, eu menti para ela, disse que estávamos por perto quando ela nasceu – eu disse – Lykke, nós deveríamos nos afastar da Litza, eu sei disso, mas eu a amo. Não vou conseguir fazer o que é certo. Não posso ficar longe dela, desde o dia em que ela chegou aqui, preencheu o meu vazio, eu simplesmente não posso me afastar.

– Addam, a Litza não é como as outras Ninfas, ela nem sabe o que isso significa, não foi criada para ser uma ninfa mas você sabe que se os Anjos Caídos souberem que ela está conosco, a guerra será declarada. Se a gente conseguir chegar em Brusque ficaremos bem, só numa Sociedade das Sombras podemos nos misturar em espécie, toda essa guerra um dia tem que acabar. – Lykke estava segura de que deveríamos sair de North Conway, eu sempre respeitava suas intuições e sabia que mais uma vez ela estava certa

– Guinevere McAleese sabia como destruir Mark, por isso ele a matou, pegou a Litza e a deu a Mary. Ele não queria que ninguém soubesse que Litza é uma Ninfa. Quando ela chegar aos dezoito anos se tornará uma imortal de sangue, por isso Mark quer que Chris a engravide, ele quer matá-la, mas não quer que a linhagem termine nela – continuou Lykke

– Ele quer que a Litza tenha um filho de um djamphir, Chris ainda não se tornou um vampiro, ele ainda não completou a transformação e ele é forte, então um filho dos dois seria algo surreal e de poder inusitado, e Mark quer usar esse poder para o mal. – disse Addam.

– Se isso acontecer, milhares de humanos serão massacrados, Mark quer poder. Se a Litza se juntar a ele, o mundo que nós conhecemos pode estar perto de desaparecer. – disse Petter

– Eu não vou deixar isso acontecer. – ralhou Addam

Em meio à conversa um barulho surdo (como o baque de um corpo caindo de uma altura considerável) veio do andar de cima, Litza começou a gritar meu nome desesperadamente no mesmo instante me deixando aturdido. Meus irmãos e eu corremos até meu quarto, até que meus pulmões foram inundados por um cheiro doce e quente, eu sabia o que era, era algo difícil de resistir, era simplesmente inebriante. Sangue. Não um sangue qualquer, o sangue dela, o sague de Litza.

* * *

LITZA

 

Addam e Lykke foram os primeiros a entrarem no quarto. Addam ficou estático mas Lykke logo veio até a cama seguida por Petter.

– Litza, o que aconteceu? – perguntou Lykke apavorada.

A cama estava banhada de sangue, meus braços e minhas pernas estavam furados em locais de grande fluxo sanguíneo. Minhas veias haviam sido furadas subitamente por algo invisível, pareciam furos de garras, pois em algumas partes, eu havia sido retalhada e não apenas perfurada.

– Lykke, me ajuda – eu disse chorando, a dor era quase insuportável, eu não conseguia me mexer.  – Isso dói muito, me ajuda por favor.

– Addam!  – gritou Lykke. Ela deu dois tapas em seu rosto para tentar fazê-lo se recompor. – Addam, a Litza precisa de você, temos que leva-la ao NC Hospital agora!

Addam mal olhou para mim, ele correu até a cômoda, abriu uma gaveta e pegou algo parecido com um cobertor, minha visão estava turva e meus olhos quase fechando, eu estava exausta, tinha acabado de acordar mas estava me sentindo mortalmente cansada, cada movimento era intensamente doloroso. Addam me enrolou no cobertor suavemente e me ergueu em seus braços, uma vertigem repentina me atingiu e mantive meus olhos fechados por todo o caminho até o hospital. Lykke e Petter foram na frente para poder ajeitar a parte burocrática do seguro saúde, para eu pode ser internada imediatamente quando chegasse.

Abri um pouco os olhos e ví por uma pequena fresta, que Addam havia estacionado numa vaga próxima à entrada do setor de emergência. Ele ainda parecia meio estático. Parecia que ele ia….

– Vai em frente. – sussurrei. – Eu sei o que você quer. Pode beber. Eu não ligo Addam. Eu te amo.

– O seu sangue me deixa louco, você é diferente das pessoas com quem costumo conviver, seu sangue me deixa entorpecido, mas eu nunca vou beber seu sangue Litza, por mais vontade que eu tenha, sua vida e sua segurança valem muito para mim. Vamos, você precisa de medicamentos.

Addam saiu do carro, deu a volta e abriu a porta do passageiro para me ajudar a ficar em pé, ele me pegou no colo novamente e correu em direção a sala de emergência, Lykke e Petter já estavam lá me esperando ao lado de uma maca. Um médico loiro, alto e de olhos verdes estava conversando com eles. Addam me deitou na maca e o médico loiro veio me examinar.

– Bom, Litza né? – perguntou – Eu sou o Dr. Yorgo Ballard. O sangue dos seus ferimentos já está começando a coagular. Isso quer dizer que em breve estarão cicatrizados. Você tem uma cicatrização extraordinária. Isso ajuda. Bom, você vai receber duas bolsas de sangue por via intravenosa e vai se alimentar nas próximas vinte e quatro horas apenas de soro.

– Vocês podem sair se quiser. – eu disse aos Greene. – Sei que isso não é muito confortável para vocês.

– Litza, você não vai mais ficar nem um segundo se quer sozinha, não enquanto estivermos em North Conway. – disse Addam.

– Lykke, Petter, os passaportes e as passagens já estão comigo, ela ficará melhor em algumas horas, o que dará tempo suficiente para vocês fazerem as malas e irem para o Brasil. – disse o Dr. Ballard.

– Yorgo, você conseguiu o documento de emancipação de Litza? – perguntou Addam.

– Está junto com os documentos que vocês me pediram – respondeu o Dr. Ballard. – Eu também separei alguns sacos de sangue para vocês se alimentarem antes de saírem da cidade, eles estão na minha sala.

– Vocês podem ir – disse Addam a Lykke e Petter – Eu vou depois, preciso conversar umas coisas com a Litza em particular.

Lykke, Petter e o Dr. Ballard nos deixaram a sós na enfermaria. Addam se aproximou da cama, se sentou ao meu lado e segurou minha mão. A intensidade de seu toque, mesmo que em um mínimo pedaço de minha pele, percorria meu corpo como uma descarga elétrica.

– Litza, eu preciso que você entenda algumas coisas claramente e pense bem no que vai fazer quando tiver essas informações. Bom, nós estamos indo para o Brasil, temos uma amiga na Sociedade das Sombras de lá e ela pode te proteger, nós vamos…

– Mark nunca vai me dar autorização para viajar com vocês. – eu disse

– Ele não precisa, Lykke pediu para o Yorgo arrumar um jeito de você ser emancipada e como Mark não é seu parente direto, ele conseguiu com facilidade.

– O que é esse lance de Sociedade das Sombras? – indaguei – E por que temos que ir para lá?

– Liz, na Sociedade das Sombras você vai ter mais respostas para muitas coisas que estão acontecendo. Lá você pode consegui ajudar Wendy a vir para o nosso lado.

– Litza, você está melhor? – perguntou Lykke entrando no quarto com Petter.

– Sim, já me sinto bem melhor.

– Petter o que houve? – perguntou Addam

– Mark está na recepção, ele disse que quer ver a Litza e que sabe que ela está aqui.

– Mas que droga! – Addam parecia furioso. – Temos que tirar a Litza daqui agora. Você pode correr? – perguntou a mim.

– Acho que sim. – respondi

– Addam, seus irmãos já colocaram as coisas que vocês precisam no meu carro, ele está nos fundos do hospital, indo por lá Mark não vai ver vocês. – Dr. Ballard se aproximou de mim e verificou meus hematomas. – Vejo que já está melhor, seus ferimentos já estão quase cicatrizados. Você está pronta para outra Litza.

– Obrigada. – respondi.

– Vão logo. – ordenou Dr. Ballard. – Mark não pode alcançar vocês. Lykke, dê um abraço na Gilly por mim.

– Com certeza! – Lykke sorriu.

Nós quatro saímos da enfermaria, indo em direção as escadas. Addam me ajudou a descer os degraus. Meu corpo ainda estava dolorido por causa dos ferimentos, mas era uma dor suportável. Chegamos ao estacionamento e corremos até um utilitário branco que estava próximo à saída da escada. Entramos no carro e Petter dirigiu o mais rápido que pode, Addam havia sentado no banco de trás comigo e Lykke sentou-se no banco do carona. Em pouco mais de quarenta minutos chegamos ao Leavitt Airport em Albany.

Deixamos o carro no estacionamento, pegamos nossas mochilas e andamos rapidamente em direção aos portões de embarque. O aeroporto estava vazio, o que não parecia ser normal. Notei uma rápida olhadela entre Lykke e Petter e minha tensão aumentou. As feridas já haviam cicatrizado e eu só sentia uma certa sensibilidade nos locais onde há algumas horas haviam ferimentos profundos.

– Addam, o que está acontecendo? – perguntei

– Está tudo sobre controle Litza. – respondeu Addam. – Há uma tempestade a caminho, talvez o voo atrase.

– Se o voo atrasar Mark pode nos alcançar. Addam, estou com medo.

– Não vou me afastar de você novamente. – disse Addam carinhoso. – Eu te amo, Litza, nada nem ninguém vai te machucar de novo. Eu prometo.

Lykke e Petter trouxeram refrigerantes e fast-food para comermos. Petter carregava uma mochila com sacos de sangue para ele e seus irmãos. Comemos e conversamos um pouco, tudo parecia bem. Cerca de vinte minutos se passaram quando uma voz vinda do alto-falante do aeroporto, anunciava o nosso voo. Fomos até o avião com nossas mochilas. Vi um pequeno sorriso no rosto de Lykke quando Petter a beijou e o ouvi murmurar qualquer coisa parecida com um eu te amo em seu ouvido.

Entramos no avião e nos sentamos após arrumarmos nossas bagagens nos compartimentos acima de nossas cabeças. Nunca havia viajado num voo de primeira classe – nunca me importei com luxo ou dinheiro, isso nunca me fez feliz – e fiquei encantada com algumas coisas que vi, por exemplo, a aeromoça trazendo champanhe e perguntando a mim e a Addam se queríamos mais alguma coisa antes do avião decolar.

Enfim o avião alçou voo. Um sentimento de segurança pairou sobre mim. Eu estava com Addam e seus irmãos e confiava plenamente neles. Me aconcheguei nos braços de Addam. Seu cheiro me trazia paz. Eu o amava e sabia que ele me amava. Ele beijou minha testa e colocou sua mão sobre a minha mão. Estávamos partindo, indo em direção a um possível novo futuro. Um futuro de promessas, de aprendizado e de esperanças.

***

continuação

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