Amigos de Outrora (Pt.6) – Descobertas

Descobertas

Amigos de Outrora (Pt.6)

Descobertas

Escrito por: Zuleika Juliene

  Fiquei ali meditando sobre os últimos acontecimentos por um bom tempo e um filme passou pela minha mente, percebi que de fato deveria tomar uma atitude, que não importasse de que maneira, teria que me levantar, então voltei para casa e lá chegando perguntei ao caseiro se ele tinha como entrar em contato com a Aninha e com a Dona Cida, pois precisava muito falar com elas, ele disse que conseguiria falar com Aninha, mas que da Dona Cida ele não sabia.

  Entrei em casa e percebi que não havia ninguém, na cozinha encontrei um bilhete de Glauco dizendo que iria se ausentar durante alguns dias e que havia dispensado as empregadas por serem todas incompetentes, mas já havia providenciado outras que não demorariam a chegar.

  Achei que aquilo veio mesmo a calhar, pois tinha o intuito de vasculhar a casa e testemunhas não seriam convenientes. Subi correndo para o quarto dele e comecei a procurar, procurava qualquer pista sobre o que o meu anjo havia dito, mas sem muito sucesso, achei várias velas negras, algumas pedras, livros de magia negra e um diário escrito em um idioma que eu nunca tinha visto, havia uma caixa de madeira muito pesada, mas esta estava trancada, então comecei a procurar em todas as gavetas uma chave para abrí-la e desta vez tive sucesso, pois na gaveta de meias dentro de um pé de meia encontrei uma chave e pimba, ela abria a caixa. Dentro da caixa havia terra escura e alguns bonequinhos de pano muito feios e fedorentos virados de bruços, fui virando um a um, o primeiro que virei tinha a foto do meu tio colada, o segundo tinha foto da minha tia e o terceiro tinha a minha foto, quando virei este tomei um susto tão grande que acabei esbarrando na caixa e a virando toda no chão, desci correndo para pegar uma vassoura para limpar. De repente comecei a escutar uma voz na minha cabeça falando para eu destruir todos aqueles bonecos, eu não tinha ideia do que eles significavam, mas me sentia arrepiada cada vez que os olhava, subi, despedacei todos eles e dentro de cada um havia objetos pessoais, no meu havia um anel que há muito tinha dado como perdido, limpei tudo, tranquei a caixa e quando fui colocá-la no lugar senti que algo atrapalhava, então subi em um banco para ver o que era e achei uma carteira e quando a abri quase caí do banco, a carteira era do Olavo, fiquei imaginando como aquela carteira podia estar ali e de repente me deu um click, como se algo me dissesse que o Glauco havia matado o Olavo e isso me deixou mal, comecei a ficar tonta, neste momento a campainha tocou, guardei a carteira e desci para ver quem era.

  Eram duas senhoras se apresentando para trabalhar, consegui pensar rápido e disse que deveria haver um engano, pois as vagas já haviam sido preenchidas. Sentia que ainda havia muita coisa para encontrar e para tanto não poderia ter espiões do Glauco na casa. Elas se entreolharam, agradeceram e saíram no mesmo instante em que Aninha estava chegando.

  – Aninha, temos que conversar, mas preciso agir rápido, então venha comigo!

  Coloquei-a a par de tudo e pedi a ela que me ajudasse, ela confessou ter muita raiva do Glauco e disse que faria qualquer coisa para que ele pagasse pelas maldades que havia feito.

  – Aninha, eu não sei se terá alguma paga, na verdade eu tenho até medo do que possa descobrir, não sei nem o que estou procurando, mas sinto que pode ser algo terrível.

  – Se for algo terrível Lara, ele terá que pagar…

  Terminamos de olhar o quarto do Glauco e eu fui para o quarto dos meus tios, a Aninha foi olhar a cozinha, era algo insano se pararmos para pensar, duas pessoas virando a casa de cabeça para baixo atrás de algo que não tinham a mínima ideia do que fosse, procurei como uma doida em gavetas, armários até que encontrei uma caixa de documentos com algumas coisas antigas junto, havia uma correntinha, algumas fotografias, algumas notas, uma toalinha e muitos envelopes. Comecei a ler e eram algumas cartas de amor da minha tia para meu tio e do meu tio para minha tia, uma delas falava sobre traição e pedidos de perdão, minha tia prometia se afastar se ele desse a ela mais uma chance. Outra falava sobre uma possível viagem de reconciliação, que deixariam Glauco com Dona Cida e teriam uma segunda lua de mel, sugeria alguns lugares e fazia planos para dias apaixonados.

  Tirando a questão da traição ali não havia nada de interessante mesmo assim ainda olhei mais algumas e em uma delas minha tia dizia a ele que alguém havia descoberto alguma coisa e que agora eles corriam risco de morte, que o certo era ela ir pegar a menina, pois se algo acontecesse a ela, ela não conseguiria conviver com a culpa.

  As coisas começaram a parecer enigmáticas demais e àquela voz voltou dizendo que eu estava no caminho certo, então continuei a ler, algumas eram muito românticas, outras ainda mencionavam o deslize, achei uma que era a resposta do meu tio a respeito dela ir pegar a tal menina e ele dizia que não, que aquilo era assumir o erro, que enquanto houvesse dúvidas tudo estaria bem, mas que se ela tomasse aquela atitude todos saberiam a verdade e que isso não seria bom para ninguém, ele dizia que estava com muita saudade e que ele deveria mudar de emprego em breve para poder ficar mais com a família, que sentia muita falta do Glauco e que ele se sentia sozinho. Faltavam poucas cartas para eu terminar quando peguei um telegrama que me fez querer estar tendo um pesadelo, tive a sensação de estar dentro de um castelo de horrores, comecei a duvidar da minha sanidade, na carta meu tio dizia com certo tom de desespero que estaria voltando para casa naquele dia, pois o que ele mais temia havia acontecido, sua irmã em uma crise de ódio e ciúme havia jogado o carro em uma ribanceira ocasionando na morte dos dois, li e reli aquele telegrama umas cinco vezes me certificando que não havia lido errado, as ideias estavam confusas na minha cabeça, então peguei outra carta e esta era da minha mãe,ela dizia que diferente dele não soube perdoar principalmente pelo fato dela não poder ter filhos e dele ter levado uma menina para casa que era fruto de uma traição, de ter a enganado dizendo que era de um casal muito pobre que o havia procurado dizendo não ter condições de criar e que agora mediante esta monstruosidade ela não conseguiria mais viver nem com ele e nem com a menina e que se sentia traída por ele também que era seu irmão.

  Senti um nó apertando a minha garganta, mas não tive nem tempo de raciocinar, pois o telefone tocou e eu corri para atender, era o Glauco questionando o fato de eu ter dispensado as empregadas, disse a ele que quando Dona Marisa saiu pediu que eu cuidasse da casa junto a Dona Cida e que esta já deveria estar voltando das férias, pois faltava pouco para completar um mês que ela havia saído ao que ele me respondeu:

  – Ela não irá voltar Lara, soube que ela não está bem e com sua atitude temo que ela possa piorar.

  Engoli a seco, fiquei imaginando que maldades ele poderia estar fazendo com ela, seria chantagem, tortura, teria matado ela também…

  – Lara, está me ouvindo?

  – Sim.

  – As senhoras que enviei para trabalhar irão voltar, receba-as para o bem de todos…

  – Se você acha melhor assim Glauco, tudo bem.

– Em no máximo dois dias estarei de volta, as coisas aqui correram melhor do que eu imaginava.

  – Tudo bem, pode deixar.

Desliguei o telefone quase entrando em colapso, então a Aninha gritou:

  -LARA ME AJUDA AQUI NO PORÃO.

  Quando cheguei no porão não pude acreditar no que meus olhos viam, Dona Cida estava amarrada a uma cama e amordaçada.

Continua

 

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