Sociedade das Sombras: Beijo Eterno (Pt.6) – Wendy

Por Mille Meiffield

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LITZA

Addam e eu fomos acordados com o telefone tocando. Ele atendeu após dois toques.

-Matt? – indagou Addam. – Matt, fala devagar.

Eles falaram por alguns segundos e Addam desligou o telefone. Ele sumiu pela porta numa velocidade incrível e voltou para falar comigo.

– Addam, o que houve? – perguntei ansiosa

– A Rachel sumiu, a família do Matt está desesperada. Lykke e Petter disseram que mais cedo ela estava com Sarah James no shopping, Matt falou com a Sarah e ela disse que  Rachel não apareceu, então nós vamos procurá-la. – disse Addam

-Vocês três vão sair? – Indaguei

Quando me dei conta, Lykke, Petter e Addam já estavam no quarto, vestidos e preparados para procurar Rachel. Eles estavam com mochilas e lanternas, roupas escuras e rostos com expressões sérias, isso os fazia parecer mais perigosos do que realmente eram.

– Eu vou procurar a Rachel com meus irmãos, você vai ficar

bem sozinha? – perguntou Addam.

– Claro, pode ir, eu vou ficar bem, mas por favor Addam, me liga assim que souber de alguma coisa. – pedi.

Eu não queria ficar sozinha, ainda estava assustada com o que tio Mark poderia fazer comigo, mas não podia ser egoísta, a Rachel era minha melhor amiga desde que a Wendy desapareceu. Os minutos passavam se arrastando, pareciam horas. Senti uma pontada de dor no estômago e lembrei que eu quase não havia comido o dia todo.

Fui até a cozinha para preparar um sanduiche, mas não estava com vontade de mastigar nada, então abri a geladeira e peguei apenas um pouco de leite para beber.

Coloquei o copo na pia e no mesmo instante ouvi um ruído estranho vindo do andar de cima, parecia que alguém estava na casa. Addam poderia ter voltado para buscar algo que tenha esquecido, então subi as escadas correndo e fui para seu quarto, mas ele não estava lá. De uma coisa eu estava certa, realmente havia mais alguém na casa, mas não era um Greene. Aquilo não era humano, disso eu estava convicta, sua voz era fria e obscura.

– Olá Litza! Saudades de mim, irmãzinha? – Wendy estava diferente, o contorno de seus olhos estavam arroxeados e seu brilho havia desaparecido, sua pele estava mais branca que a neve, seus lábios também tinham um tom arroxeado, só que mais claro. Ela estava praticamente imóvel na minha frente. – O que houve? O gato comeu a sua língua?

– O que eles fizeram com você Wendy? – minha voz estava embargada e minha visão embaçada com a quantidade torrencial de lágrimas que escorriam por meus olhos.

– Eu estou ótima Litza, tio Mark quer que você volte pra casa.

– Eu nunca vou voltar para aquela casa Wendy, você ficou maluca? O que Mark e os Welch fizeram com você? – gritei irritada com sua indiferença

– Eles me deram liberdade e poder, e eu gostei.

– Você pode ter a aparência da Wendy, mas não é minha irmã falando, a Wendy era doce, era minha melhor amiga. – gritei. Minha voz saiu meio distorcida por causa das lágrimas que teimavam em cair de meus olhos.

– Não posso continuar sendo sua melhor amiga se agora você vive com nossos inimigos. Você nos traiu Litza, e Mark quer te dar uma segunda chance, ele quer que você volte a viver conosco.

– Não! – gritei novamente – Mark não está do nosso lado Wendy, ele não gosta de mim, e também não gosta de você. Além disso, tem coisas que você não sabe…

– Acho que tem coisas que você não sabe. – disse Wendy friamente – Você não sabe que Mark nos libertou, não sabe que nós não somos realmente irmãs, nem sabe quem você é.

– Eu sei quem eu sou e você é minha irmã. – disse firmemente. – O que eles fizeram com você? Wendy, você não vê que Mark está te usando para se aproximar de mim? Ele sabe que eu faria tudo para salvar você. Ele só está te usando, por favor Wendy, eu…

– Você não é minha irmã, você foi adotada pela mamãe, por isso você é fraca, você não tem nosso sangue correndo pelas suas veias, por isso está com o inimigo – Wendy estava enfurecida, seus olhos estavam avermelhados e com olheiras aparentes. Parecia exaurida e ao mesmo tempo, esbanjava energia.

– Eu confio nos Greene, eles me resgataram quando Mark mandou Chris me violentar. E porque você está dizendo que eu não sou sua irmã? Eu sei que não fui adotada – disse eu com os olhos marejados e a voz embargada.

– Você é a escolhida, você tem traços de sangue Zamerov mas não é minha irmã, você é uma Ninfa e se deixar Mark te apresentar esse maravilhoso mundo da imortalidade, tenho certeza que poderá se deleitar com tamanho poder. Venha comigo, o Chris te ama, ele…

– Ele me bateu, me violentou. Wendy, ele me hipnotizou e me obrigou a ir pra cama com ele. Eu o odeio. E odeio ainda mais essas suas palavras, eu sei o que eu sou, eu sou uma humana e nada mais.

– Você sempre foi fraca Litza, sempre se uniu as fracos, os Greene vão definhar e se estiver junto a eles, você também irá.

– Eu acho melhor você ir embora, não quero que Addam a veja aqui, embora não pareça com a Wendy que eu conhecia, você continua sendo minha irmã.

– Eu vou sim, não por medo de um Greene, mas porque tenho que levar a Rachel de volta pra casa.

– O quê? – indaguei surpresa. – A Rachel está com você?

– Na verdade ela está com o Brian. – disse Wendy com desdém – Não se preocupe Litza, ele não fará nada com ela, ela voltará inteira pra casa.

– Eu não acredito que você está fazendo servicinhos sujos para os Welch. – gritei.

– Adeus Litza!

Wendy saiu em disparada pela janela do quarto. Lágrimas irromperam por meus olhos fazendo minha visão ficar turva e meu peito convulsionar em soluços. Desci as escadas cambaleante, minhas pernas tremiam muito. Cheguei a cozinha e bebi um copo de água bem gelado, precisava me acalmar. Me joguei no chão próximo à pia e abracei meus joelhos, me encolhendo ao máximo, tentando juntar meus pedaços e voltar ao que eu era em Annandalle. Eu tinha uma família feliz e era muito bom, tinha bons amigos, e agora nem sei mais quem sou. Meus olhos começaram a pesar de sono, já passava das quatro da manhã. Tentei levantar, mas minhas pernas não paravam de tremer. Me apoiei com mais força na bancada da pia e me forcei a ficar de pé, andei cambaleante em direção a porta e sentei na escada da varanda esperando Addam. A noite estava fria, e o céu nublado, apenas um fraco halo da luz da lua iluminava parcamente a entrada da casa. Ouvi um barulho de motor ao longe, que se aproximava cada vez mais. Os Greene estavam de volta.

Antes que eu pudesse me dar conta, Addam estava ao meu lado, me segurando em seu colo. Seu corpo gélido e rijo me parecia quente e aconchegante, dessa vez mais confortável do que sempre fora.

– Litza, o que aconteceu? – perguntou Addam assustado

– A Wendy… – foi tudo o que eu consegui falar. Fui interrompida por mais lágrimas e soluços.

Addam me apertou mais forte contra seu peito, suas mãos se enroscaram em meus cabelos e seus dedos acariciavam minha nuca.

– Vamos encontra-la Liz, eu te prometo

Lykke e Petter entraram na casa e Lykke voltou a varanda sozinha.

– A Wendy esteve aqui. – disse Lykke ao voltar para a varanda.

– O quê? – perguntou Addam furioso. – Como assim?

– Eu senti o cheiro dela no seu quarto, Petter foi atrás do rastro, parece que não faz muito tempo que ela saiu.

– Litza, ela te machucou? – perguntou Addam preocupado.

Eu não conseguia falar, então balancei minha cabeça de leve, de um lado para o outro. Meus olhos estavam fechados e eu não conseguia abri-los. Só conseguia sentir o cheiro de Addam, seu aroma suave, algo que lembrava folhas verdes, frescor e madeira.

             – Addam, leva a Litza para o quarto, ela parece estar em choque. – pediu Lykke.

– Não! – gritei – Não, por favor Addam, não me deixa lá sozinha, por favor.

– Eu vou ficar com você Liz, não vou te deixar sozinha, calma. – Addam falava carinhosamente apesar de parecer ansioso com a visita da Wendy.

            – Litza precisa descansar Addam.  – insistiu Lykke – Leve-a para o quarto e fique lá com ela, farei um chocolate quente pra ela relaxar e assim que o Petter voltar vamos ter que decidir o que fazer sobre o que aconteceu aqui.

             – Vamos Litza, você precisa descansar. Não quero que fique doente. – disse Addam.

Addam me levou para o quarto em seus braços. Ele me colocou na cama e me cobriu, se deitando ao meu lado e acariciando minha face, deixando um rastro frio por onde seus dedos passavam. Ele me aconchegou perto de si e o calor frio de seu corpo foi me acalmando aos poucos.

– Eu te amo Addam. – eu disse. – Por favor, fica comigo.

– Eu estou aqui Liz, jamais vou te deixar minha pequena. – Addam beijou o alto de minha cabeça me fazendo sentir segura e protegida.

Lykke entrou no quarto trazendo uma grande caneca de chocolate quente com marshmallows. Ela deixou a bandeja na cômoda e foi sentar ao lado dos meus pés.

– Litza, nós estamos com você, aqui ninguém pode machuca-la, não enquanto estivermos aqui. Ei, eu sei que fui uma idiota com você mas eu tinha que proteger meu irmão, para nós vampiros os sentimentos são mais intensos que os dos humanos.

– Eu entendo Lykke, eu também faria tudo pela Wendy. – eu disse.

– Minha pequena, a Wendy vai ficar do nosso lado, nós vamos traze-la de volta, beba isso, você precisa se aquecer.

Bebi o chocolate quente e deitei novamente, minhas mãos ainda tremiam. Addam me abraçou novamente e Lykke sutilmente levantou da cama e saiu do quarto apagando as Luzes.

– Durma Liz, ainda estarei aqui quando você acordar.

Ouvindo o som calmante da voz de Addam, adormeci.

 ***

 continua

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