Estrada para o Abismo (Pt.2) – O Preço da Beleza

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Estrada para o Abismo

Capítulo 2 – O Preço da Beleza

Escrito por: Morgana Owl.

No primeiro instante que a vi, sabia que era a mulher perfeita. Olhos angelicais, cabelos loiros e bem penteados, mesmo estando esvoaçante naquela estrada. Ela tinha um perfume maravilhoso de rosas, fiquei hipnotizado, mal pude resistir a dar o bote… Mas mantive a calma, como fora o planejado.

Esperei por aquele momento durante anos. Queria que acontecesse ali, naquela hora, mas eu tinha que fazer tudo dar certo. Eu a queria, ela pertencia a mim. Só que… Ela não sabia.

O carro dela havia quebrado naquela estrada deserta. Era de tarde e fazia um dia lindo, perfeito para mim. A moça quase suplicou para que eu parasse minha caminhonete – como se eu não fosse parar de qualquer jeito, tolinha – parei, e a cumprimentei com a cabeça, logo perguntei o que havia acontecido e se eu podia fazer algo para ajuda-la:

– O que houve? Posso ajudar? É perigoso uma moça parada numa estrada sozinha, sabia? – contive meu riso de satisfação.

– Estava indo para a cidade vizinha, faço universidade lá, e no meio do caminho meu carro deu pane. Não faço ideia do que houve. Pode olhar para mim? Tenho um pouco de dinheiro aqui, posso pagar. – fitou-o, aflita.

– Guarde seu dinheiro, moça. Olho pra você sem cobrar nada. – sorrí para ela, era verdadeiro, juro!

– Ah, faço questão! Muito obrigada por ser tão gentil! – ficou aliviada, seus olhos agora brilhavam com uma cor maravilhosa, quase não resisti.

Olhei o carro dela e logo constatei o problema, e era fácil: estava precisando de água. Mas eu não falaria isso, não é mesmo? Eu a queria, e tinha que arrumar um jeito de leva-la comigo sem utilizar de violência. Queria-a inteira. Bom, pelo menos por enquanto.

Olhei, mexi e remexi em várias partes do carro e dei o veredito para ela:

– Quebrou algo no motor, não sei te dizer o que é exatamente. Mas posso levar você comigo até uma oficina mais próxima e buscar um mecânico. Ainda está no começo da tarde, é bom irmos logo. Ou você prefere esperar? – mal contive minha ansiedade.

– Imagina, vou com você! Estou morrendo de medo de ficar aqui sozinha nessa estrada, ao menos você me inspirou confiança. – Sorriu. Com lindos dentes brancos e alinhados.

– Hahahahaa! – ri alto – Verdade, moça. Tem tantos loucos por ai. Vamos então, pegue suas coisas de valor.

– Ótimo, 1 minuto! – Correu para pegar suas coisas no carro e trancou tudo.

Assim que ela entrou em minha caminhonete, aquele perfume tomou conta do ar. Viajei várias vezes enquanto ela falava e falava sobre sua estúpida vida de jovem adulta. Enquanto eu só pensava em como a deixaria desacordada e a levaria para o meu lar-doce-lar.

Não aguentei mais ouvi-la falar, parecia um rádio. Mal nos conhecemos e ela falava de tudo sobre ela… Quase perdi o encanto e a quis matar. Mas perderia toda a graça, não é mesmo?

Chegamos a um trecho fechado da estrada, disse a ela que pararia para pegar meu celular que estava dentro da minha mochila na parte de trás da caminhonete e que precisaria fazer uma ligação urgente para minha querida mamãe – o que é mais fofo e confiável do que um cara de meia-idade ligando para a mamãe. Assim que parei o carro, desci e peguei uma seringa que estava escondida no banco traseiro, junto com tranquilizante. Tudo preparado. Peguei meu celular também para ela não estranhar. Fingi estar em uma ligação com a minha mãe, enquanto ela estava ouvindo música distraída no seu Ipod. Como essas jovens são tão burras? – pensei. Esse era “o” momento. Era minha deixa e então a ataquei. Foi uma explosão de sentimentos… Aquele grito e cara de surpresa dela foram inesquecíveis. Eu estava extasiado, eufórico. Segurei-a enquanto ela se desfalecia em meus braços, com os olhos vidrados. Dei um beijo em sua testa e a deitei:

– Durma bem, moça. Mas não muito, ou perderá toda a diversão. Chegaremos em breve! – não pude mais conter minha risada. Nunca ri tão alto e com vontade em toda minha vida!

-x-

Ao chegar à cidade vizinha, Carter notou que as ruas estavam vazias. Parecia uma cidade fantasma, as únicas pessoas que estavam nas ruas estavam voltando de tarefas obrigatórias como ir ao mercado, trabalho e escolas. Um caso de assassinato poderia causar isso tudo? Muito estranho – pensou Carter. Há assassinatos todos os dias na cidade grande, mas não ali. As pessoas não estavam acostumadas com tal atrocidade. Aquela cidade ainda era mais pacata do que a outra, pessoas os olhavam com cara de assustadas, pedindo socorro com o olhar. Então Brummel resolveu trazer o Carter de volta a realidade, quebrando o silêncio:

– Estranho isso, não? Todos com cara de susto. As notícias correm rápidas. – Falou enquanto mascava um chiclete e mexia no seu celular, pare checar o endereço. – Bom, segundo o endereço que nos deram, é logo ali naquela rua, só virar a direita. Número 550, Av. Hilston.

Carter assentiu com a cabeça, fez a curva e parou em frente há uma casa abarrotada de pessoas. Parecia que todos da cidade que faltavam nas ruas estavam ali, querendo saber o que houve. Assim que desceram do carro, as pessoas começaram a cochichar e olhar para os dois, que logo mostraram seus distintivos. Houve um alívio coletivo. Logo notaram a presença de um casal de meia idade, chorosos. A mulher estava pálida, parecia que não dormia há dias. O homem tinha a feição dura, como se tivesse acabado de acordar com um péssimo humor.

Anne Brummel, como sempre, tomou a iniciativa de se apresentar ao casal:

– Boa tarde! Sou a detetive Anne Brummel, os senhores são os pais de Jennifer Orleans? – olhou para eles com compaixão.

– Sim! – respondeu a mulher, que logo caiu em prantos ao dizer.

– Somos os pais de Jennifer. Chamo-me Mario Orleans e essa é minha esposa, Jane Orleans. – Mario levantou-se da cadeira e cumprimentou os detetives rapidamente. – No que podemos ajuda-los? Estaremos à disposição para qualquer coisa. Quero encontrar esse monstro imundo que fez isso com a minha garotinha! Espero que vocês o encontrem antes de mim… – O homem socou a própria mão, com muita raiva. Já era de se esperar.

– Bom, podemos conversar a sós? – disse por fim, Carter. – Precisamos de algumas informações sobre sua filha, para podermos ter ideia do que possa ter acontecido e tentar decifrar quem o fez. Pode ser?

– Claro! Vamos para o escritório. Não podemos nos livrar dos vizinhos fofoqueiros agora. Seria falta de educação. – Falou Mario em tom de deboche, apesar da tristeza.

– Mario, eles só querem ajudar, não seja tão ranzinza! – Repreendeu Jane, secando suas lágrimas com um lenço rosa, nele tinha um bordado escrito Jennifer, cheio de florzinhas em volta.

Mario deu de ombros para o que a mulher disse e fez sinal para que os detetives o acompanhassem. Subiram uma escada de madeira escura que dava para o segundo andar, muito bem decorado. Entraram em uma porta que dava para o escritório. Com várias medalhas expostas na parede, o pai de Jennifer com certeza era veterano de guerra.

– Como podem ver, servi ao país como vocês o fazem. Fui para a guerra quando era garoto. Vi muitas tragédias, muitas pessoas foram mortas na minha frente. Vi coisas inimagináveis. Mas como não era com a minha família, não senti a dor. Lógico que senti compaixão, porém não tinha tempo e nem como demostrar. Estávamos em conflito! Tinha que ser duro! Se não acabaria como um deles. Morto e esquecido, estirado no chão como lixo! E agora o que eu ganho de recompensa por anos servindo a essa pátria? Minha filha morta e estirada no chão, feito lixo; feito os mortos na guerra. – Mario bateu na mesa com tanta força, que os papéis voaram, mal pôde conter suas lágrimas. Mas logo se recompôs. – Por favor, peguem o cara que fez isso com a minha garotinha! Não quero que mais pais passem por esse sentimento, por essa dor que estamos passando.

– Eu sinto muito, senhor Mario. – disse Carter, compassivo – Iremos pegar essa pessoa, confie na gente. Para isso precisamos fazer-lhes algumas perguntas. Estão prontos? Precisamos fazer o quanto antes para que não aconteça de novo.

– Claro, sem dúvida. – Mario fez um sinal com a mão para que eles sentassem.

– Bom, precisamos saber da rotina da sua filha. O que ela fazia da vida? Tinha namorado? Muitos amigos? – Anne pegou se bloco para fazer as anotações, assim como Carter.

– Minha menina – começou Jane, com a voz um pouco baixa e falhada – é… Era muito sociável. Não sei dizer ao certo se ela estava namorando, não conversávamos muito sobre isso. Mas ela saia muito todos os finais de semana. Estava começando a faculdade de moda, trabalhava meio período durante a semana para comprar suas próprias coisas. – falava de Jennifer com orgulho.

– Ela trabalhava no que? E estudava em que universidade? – Indagou Carter.

– Jenni trabalhava em um café da universidade onde estudava. O Campus da Universidade fica na cidade vizinha, de onde vocês são. Universidade São Phillipe, no curso de moda. – disse Mario.

– Entendo. Ela tinha muitos amigos, como disseram, poderia nos dizer quais eram? Os mais íntimos? Ela teve alguma briga ou discussão recentemente? – Perguntou Anne, enquanto anotava.

– Sua melhor amiga era Ester, as duas viviam juntas. Que eu saiba, era só Ester que era a mais intima. Os outros eram só amigos de festa, segundo Jenni. – Jane sorriu enquanto falava, lembrando-se das frases de sua filha, sempre bem humorada. – As duas viviam juntas. Pelo telefone, trocando mensagens… Faziam faculdade juntas. Se tem alguém que conhece Jenni tão bem, esse alguém é Ester.

– Obrigada senhora Jane. E sobre as brigas? Notou algo? – perguntou Carter, pensativo.

– Nada… Pelo menos ela não nos falou nada sobre desavenças com alguém. Como disse Jane, ela era bem humorada. Não ligava para o que os outros pensavam dela. – Respondeu Mario.

– Esses três meses que minha menina saiu para ir à Universidade e nunca mais voltou, foram os piores de nossas vidas. Cada pessoa que ligava cada pessoa que batia a porta, corríamos feitos loucos para atender, e sempre a mesma decepção. Esperávamos nossa princesa e nunca era! – disse Jane aos prantos – Cada dia sem Jenni, sem saber o que estava acontecendo com minha filha, era terrível. Esse desgraçado que tomou nossa menina de nossas vidas merece pagar com a dele! – Mario a abraçou apertado, e choraram juntos.

Anne ficou com os olhos cheios de lágrimas, pois era seu primeiro caso de assassinato. Nunca presenciara tamanha dor, tamanha tristeza e sede de vingança; ela mesma estava querendo vingança.

Desde pequena Anne sempre sofrera por ser bonita demais. Hã? Como assim? Você deve estar pensando, não é mesmo? Mas é a verdade. Ela odiava ser bonita demais. Todos só a queriam por causa de sua beleza. Subestimavam-na por causa disso. Chamavam-na de burra e que só os peitos prestavam. Por chamar atenção demais por causa de seu corpo esbelto, foi vítima de um grupo de garotos mais velhos durante o colegial. Isso a tornou dura e mudara totalmente seu estilo. Os garotos que fizeram mal a ela foram devidamente punidos. Mas isso não fez com que Anne se sentisse melhor; isso apenas mudou sua vida drasticamente. Mudaram suas roupas, seu jeito, seus sentimentos. Foi invadida e sentia sede de vingar-se de alguma forma. Queria libertar-se daquele sentimento horrível de culpa, de ódio, de repulsa contra si mesma. Por isso espelhou-se na vítima, as duas foram acusadas, condenadas e punidas por causa de uma única coisa: A beleza.

Carter e Anne despediram-se de todos na casa e prometeram pegar o psicopata que fez isso, mas ao chegarem ao carro, notaram que tinham mais de 10 chamadas no rádio de Anne. O que será que havia acontecido naquele curto período? Anne rapidamente pegou o rádio e ligou para a delegacia. Ninguém atendeu.

– Mas que porra aconteceu? –disse Anne, assustada. Seu corpo gelou.

– Ligue para o rádio do capitão Kent, Anne. Tenho um mau pressentimento… – Carter abaixou a cabeça no volante.

Anne digitou rapidamente o número do xerife, como não pensou nisso antes?! – Ahn, Alô? Capitão Kent? Aqui é Anne. O que houve? Não me diga que…

*Sim, Ann. Venham correndo para cá… Encontramos mais uma vítima… E parece que nosso “querido” andou experimentando coisas novas*.

– MAS QUE PORRA! Estamos a caminho! – Dissera Anne totalmente transtornada e Carter apenas assentiu com a cabeça, ele sabia que aconteceria, mais cedo ou mais tarde. Aparentemente, estavam lidando com um serial killer.

Continua

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Nota: Queridos, gostaria de me desculpar pelo atraso do capítulo. Estava realmente muito atarefada e consegui tempo para terminá-lo. Espero que gostem!

3 comentários em “Estrada para o Abismo (Pt.2) – O Preço da Beleza

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