Galamadriel Pt.12 – Caminhos Tortuosos

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Por Lillithy Orleander

– Miguel.

 – Lilith, quanto tempo, não é mesmo?- disse ele forçando um sorriso.

Edmund agachou – se diante de Miguel fazendo reverencia á ele.

– Mi Lord, me perdoe pela má noticia que trago, não me agrada dá – lá dessa forma, mas não há como melhorar o modo de transmiti – lá.

Miguel voltou a sua face impassível enquanto se levantava e abria as asas como quem se espreguiçasse.

– Gabriel, nunca mais me prenda dessa forma.

– Era um mal necessário, meu irmão. Eu não sabia como você reagiria a tal… Confusão. Mas me responda,  por que Rafael se juntaria á Lúcifer?

– Simples, por que sempre foi mesquinho e de sentimentos influenciáveis. Logo com o dom de manipular á todos Lúcifer conseguiu achar um modo de tornar isso mais forte, quase físico. Ele o controla em todos os sentidos que essa palavra abrange. – respondeu Lilith

– Você só pode estar louca. Rafael, controlado? Ele sempre quis que isso acontecesse.

– Seu irmão é um egocêntrico, mas descobriu o que aconteceria se ele de fato conseguisse o que ele queria e desistiu  dos planos, como sempre, para tirar a própria pele do fogo cruzado, não antes de desestruturar  os dois lados perigosamente. Mas então Lúcifer decidiu que prender a aura de Rafael seria uma forma de garantia.

– Garantia para que? – perguntou Sonya que olhava as várias janelas que havia naquele lugar.

– Lúcifer tem a mim e Rafael para matar se Paul e Qüerinemer não o fizerem. Afinal de contas eu sou uma soberana nas ordas  infernais e á um comando dela Rafael se matará.

– Se seremos todos destruídos, o que ele ganha fazendo tudo isso?  – perguntou Miguel franzindo o cenho.

– Ele sobrevive, ele tem magos e ocultistas demais que sabem a forma da longevidade e de como se esconder de Morte por eras. Além disso, ele sempre manteve Námyra, sua parceira antes da queda, próxima, para que possa procria assim que tudo sumir, ou seja…

– Ele será púnico e sua prole dominará a Terra. Desgraçado. – disse Gabriel quebrando a tampa de seu piano com um soco.

Gabriel sentou – se no chão inconformado de como havia deixado passar tudo isso. Eles haviam planejado tudo corretamente, Paul mataria Qüerinemer e vice-versa, mas eles por ironia do que estava escrito, caminharam em diretrizes opostas, frustrando todas as expectativas.

Mas Lilith sabia, e ao que parecia bem mais do que eles.

Lilith sugerirá Iridish como guardião de Qüerinemer assim que soube que Gabriel precisava de um Mercador, para em seguida uni- los com a morte de Zaurur.

– Só me responda uma coisa Lilith. Zaurur era um velho amigo, e você tomou a forma de Rafael para mata – lo me diga por quê?

– Era um mal necessário. Qüerinemer era muito ligada á ele, e se eu pudesse fazer com que ela e Iridish nesse instante se descobrissem pelo menos como aliados, pelo menos parte de meus planos estariam salvos. Eles quase se mataram, mas valeu a pena. Eu consegui meu intento e ganhei um pouco mais de tempo.

– E se você estivesse errada? – perguntou Edmund para a rainha dos demônios, como os olhos arregalados.

– Eu teria dado um jeito, ou você acha que fico no Inferno me importando somente com o tamanho de meus espelhos ou podando rosas em meus jardins? Esse mundo em parte também me pertence Edmund e preciso preservar minha existência. – respondeu ela irônica.

– Astuta como sempre, nosso Pai a criou para ser uma grande estrategista e pelo o que vejo deu certo. Você é mesmo competente. – disse Miguel a comprimentando com a cabeça em sinal de respeito.

– Obrigado Miguel, vindo de você suponho que seja um elogio. – disse ela dando um meio sorriso.

– Mas e agora, o que fazemos? – perguntou Sonya, que agora começava a compreender a gravidade do que estava por vir.

– Lutamos!

– Então é chegado a hora de medidas desesperadas.

– Sim, anjos precisam cair.

– Como assim caírem? – perguntou Sonya.

– Humanos. Precisamos de hospedeiros. Galamadriel foi criada para suportar pequenas castas e ordas por causa da burrada que Rafael cometeu, não suportaria o Céu e o Inferno inteiro dentro de si. Isso rasgaria o véu da realidade em definitivo e as coisas poderiam sair do controle de modo avassalador. Teríamos que lidar não só com fanáticos religiosos, mas também com criaturas que dependem do anonimato para existirem.

– Que tipo de criaturas?

– Você ouviu muitas histórias de terror, lendas e contos de fadas quando era criança, cara Sonya? – perguntou Lilith que parecia se divertir com o embaraço da garota.

– Claro isso é normal de onde venho.

– Já te disseram que toda história, conto ou lenda vem de algum lugar? – Sonya disse que sim com a cabeça. – Pois bem, 90% delas é real e vive entre vocês. Vocês só não sabem. – e saiu virando as costas para Sonya entrando em uma das janelas e partindo para seu reduto no Inferno.

– Então Lúcifer…

– Vai recrutar seus humanos também.

– Dyell corre perigo. – disse Edmund.

– Mande trazer minha filha.

– Será feito, meu senhor.

Edmund tornou a rasgar o ar com a foice e entrou na fenda que se abriu, sumindo para achar o paradeiro de Dyell, enquanto Miguel alçava vôo.

“ Hora de acordar os meus soldados…” – pensou Miguel sorrindo de forma vaga.

– Sonya.

– Gabriel.

– Hora de escolher um lado.

– Acredito que já escolhi mi Lord. – disse ela estendendo á mão para Gabriel.

Gabriel levou Sonya até uma de suas janelas e depois que a dispensou olhou pensativo por onde Lilith havia saído, o caminho que levava até o  covil de Calíope pensativo. E se todos morressem?

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Lori acordou em meio ao som de caldeiras, chiados e gritos de dor, ainda meio tonto tentou se levantar, mas não conseguiu, pois as correntes que lhe prendiam, apertavam – se mais a cada movimento. O que estava acontecendo? E por que estava ali?

Ele levantou a cabeça e olhou ao redor, haviam forjas, caldeiras fervendo algo que cheirava a sangue e diabretes que martelavam sobre bigornas, braços e pernas enquanto troncos humanos se retorciam de dor e cabeças dilaceradas com um pedaço faltando fosse da boca ou a pele arrancada, mostrando os olhos, gritavam.

– Lori, meu caro Lori. Com quem será que está sua fidelidade essa noite?

Um rapaz de longos cabelos negros e lisos, amarrados por uma cinta de couro, com chifres largos e retorcidos. Vestido em uma estola carmim e bordados dourados, caminho em direção ao que parecia ser a maca que Lori estava amarrado.

– Sardon, o que está acontecendo?

Sardon era o juiz do inferno, e escolhia de acordo com os crimes praticados em vida e os erros cometidos fossem eles os menores possíveis, mas que tivessem acabado em morte ou qualquer outro tipo de atrocidade para o próximo, ele escolhia o que seria feito para que sua estadia no Inferno fosse a mais tortuosa. Isso quando não estava ao lado de Lúcifer lhe aconselhando em determinados casos.

– Sua senhora, por assim dizer, desapareceu misteriosamente, depois que o bichinho dela atacou mi Lord e Belial, naquele jardim horrendo. Então Belial como sabemos ser muito desconfiado, supôs que você, como servo fidelíssimo de mi Lady possa nos dizer onde anda nossa dama infernal.

– Eu não sei do que você esta falando. Mi Lady nunca me diz o que faz ou para onde vai.

– Suspeitei que você dissesse isso, afinal são milênios de devoção para com Lady Lilith.

Os olhos azuis – acinzentados de Sardon brilharam de satisfação, ganhando um tom avermelhado de imediato. Sua pele muito pálida vez por outra tremulizava e resplandecia a escamas de mesma tonalidade carmesim, se escondendo atrás de seu cabelo e de suas roupas.

Sardon estendeu a mão, que agora mostravam garras de ferro fundido nas pontas dos dedos, manchadas de sangue seco, para uma mesa com vários instrumentos velhos e enferrujados.

Escolheu então um bisturi que parecia mal afiado e sem corte algum.

– Me parece que serei obrigado á fazê – lo falar – disse ele pegando também um alicate.

Sardon pegou a mão de Lori e começou a passar o bisturi como estivesse operando. Lori mantinha. – se calado, mesmo sofrendo por dentro e temendo as dores que ainda lhe seriam impostas.

– Agora me diga, por onde anda tua senhora?

– Já lhe disse Sardon, não faço a menor idéia.

– Eu acho que você não percebeu ainda, mas demos um jeitinho de te fazer passar por todas as torturas como se um humano estivesse passando por elas. Eu vou despedaçar você lentamente e como você é um infernal continuará sentindo a dor três vezes pior. Estou sendo… Maleável Lori, em honra ao longo tempo que nos conhecemos. Portanto se preza seu próprio traseiro, comece a falar.

As mãos de Lori estavam em carne viva e seus dedos só estavam pregados á elas por que Sardon não havia lhe cortado os tendões. Lori sofria, mas permanecia calado, sua senhora o amava e ele amava Lady Lilith, ela merecia ser feliz. Ele morreria, mas não a trairia.

– Isso está ficando sem graça, você fica aí calado, sem nada a falar a não ser que de nada sabe…

Sardon circundou Lori e voltou para sua mesa e pegou um alicate. Voltou para Lori e se ajoelhou diante dele.

– Creio que você precisa cortar as unhas.

Sardon enfiou a ponta do alicate embaixo das unhas do p é de  Lori e passou á  arranca – lá uma á uma, enquanto o outro se contorcia desesperado e as correntes o apertavam mais. Diabretes se aproximaram curiosos pelo o que acontecia e começaram a enfiar agulhas na carne onde Sardon acabará de arrancar as unhas, fazendo com que o ferimento sangrasse abundantemente.

Os pés de Lori latejavam, ele ofegava e suava feito um louco, mas de sua boca não sairia uma palavra, os olhos ardiam com lágrimas cada vez mais grossas e ele insistia em prende – lás.

– Você vai protegê – lá até quando seu maldito? Pensa que com isso ganhará o céu ou cama da sua Lady Vadia? – disse Sardon gargalhando e agora arrancando as unhas da mão mutilada.

Lori sentia a dor, mas não sentia mais os dedos, que agora se transformaram em uma massa disforme e sangrenta.

– Você me enoja Sardon! – disse Lori cuspindo sangue na cara do outro. – Já lhe disse que nada sei! – gritou ele.

Sardon limpou o rosto e riu sem se importar.

– Algo me diz que você mente. Seu corpo no atual momento é humano, portanto algum dos meus brinquedinhos surtira efeito, mais cedo ou mais tarde, é só uma questão de tempo, e eu só tenho que ser paciente, afinal nós temos a eternidade. Malveret! – chamou ele.

Um carrasco gigante, de rosto encoberto por um pano velho e sujo que só mostrava seus olhos manchados de sangue e um líquido amarelado que insistia em vazar, e sua boca que era costurada, caminhou vagarosamente arrastando uma foice cheia de dentes pontiagudos, a qual usava para cortar o pescoço de suas vitimas de forma demorada.

– Traga – me  uma marreta e claro um apoio de aço, para evitar muita sujeira.

Malveret se arrastou de um lado á outro e trouxe o que lhe foi pedido.

– Vamos ver o que essa belezinha pode fazer.

Sardon balançou o novo “brinquedo” diante dos olhos de Lori enquanto sorria de forma diabólica, demonstrando que se divertia com a situação.

– Sabe Lori, de fato você é mesmo um servo fiel. – e acertou a marreta nos joelhos de Lori, que urrou de dor e deixou que os xingamentos presos na garganta fugissem.

– SEU DESGRAÇADO, FILHO DA PUTA! EU JURO QUE TE MATO QUANDO SAIR DAQUI!

Mas Lori continuava se negando a falar.

– Malveret meu caro e bom amigo, o que falta fazer? Já quebramos seus joelhos, já enfiamos agulhas em seus dedos após arrancar suas unhas, mãos ele já não tem mais…

Malveret balançou a cabeça e olhou em direção a Lori, com a boca costurada, tentando mostrar um sorriso maléfico, voltou – se de costas por alguns instantes e trouxe em suas mãos, duas finas barras de aço incandescentes, brilhando alaranjadas pelo calor do fogo, recém saídas da forja.

– Ah Malveret que bela idéia! – disse ele aplaudindo.

Ele tomou as barras em suas mãos e caminhou em direção a Lori.

– Lori, onde está sua senhora? Diga – me! – gritou Sardon impaciente.

– Eu não sei onde ela está. Por favor, estou lhe implorando. Poupe – me de seus castigos.

– Um demônio implorando? Oras Lori, nunca te disseram. Demônios jamais imploram!

Sardon enfiou as duas barras quentes nos olhos de Lori cegando – o de imediato e o fazendo arfar em desespero.

– Lady Lilith, por favor, olhe por este servo teu!

Sardon gargalhava do desespero do outro e instigava os diabretes a espetar a carne de Lori, que perfurada em várias partes, sangrava em abundância.

– Diga, onde está àquela vadia que você chama de senhora, maldito! – dizia Sardon segurando o pescoço de Lori para enrolar em arame farpado. – Vou degola – lo se não disser, eu espalharei seu corpo do Estige ao Tártaro, e darei o que sobrar á Cérbero.

Quando Caronte te restaurar vão faltar pedaços e então você se lembrará a quem deve ser fiel, cão pulguento.

Sardon acabará de amolar o facão e se preparava para cortar, em definitivo, o que havia sobrado das mãos de Lori, quando sentiu a lâmina fria atravessar – lhe o peito, e uma gosma negra ser repelida de seu corpo, para fora formando uma poça de sangue negro como o piche.

O athame cravejado de pequenos rubis e diamantes negros, com lâmina de prata, fazia agora o caminho inverso.

– Sardon?

Ele olhou para trás e temeu a visão que teve.

Calíope era trazida pela mão por Lilith, balançando a cabeça em sua direção e mostrando uma fileira de dentes afiados.

– Você sabe o que é dor, Sardon?

– Mi Lady?

– Como ousa tocar em meu servo?

– Foram ordens de Belial, mi Lord precisava saber onde se encontrava e não tivemos outro modo de conseguir que Lori falasse… – tentava se explicar desesperado.

Lilith arrancou o athame de seu peito e limpou o sangue na manga do vestido.

– Lori, meu querido estás em condições de caminhar para fora deste lugar?

– Não, mi Lady mas darei um jeito. – respondeu ele aliviado e cortês com sua senhora.

– Calíope, leve Lori e o deixe em meus aposentos, assim que terminar volte. Temos trabalho a fazer.

Sardon caiu ao chão segurando o próprio peito e olhou para cima.

– Você sabe que sou do tipo de ser que detesta que mexam nas minhas coisas, não é mesmo Sardon? Agora você vai acertar seus ponteiros comigo pra nunca mais passar por cima dos seus senhores. Aliás meu jardim será mais apropriado para o que desejo fazer.

Lilith pegou o que parecia ser um gancho de açougueiro que estava jogado em um canto no chão e o enfiou no tornozelo de Sardon, que urrou de dor e pediu clemência.

– Ora Sardon, pedindo misericórdia? Demônios não pedem misericórdia. A propósito quantas pessoas você já torturou neste lugar? Eu acho que você vai gostar de reencontra – las. – sorriu uma Lilith diabólica que agora mostrava seus chifres da cor do sangue e arrastava com força sobre humana o corpo do conselheiro infernal…

 

 

 

 

Continua…

O caminho até aqui tem sido uma aventura e em breve ela chegará ao fim. Espero que vocês gostem desse capitulo da mesma forma que adorei escrevê – lo.

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