Sociedade das Sombras – Beijo Eterno (Pt4): Descobertas

Por Mille Meiffield

Alguns dias se passaram. Hoje é o último dia de aula antes do natal, amanhã começam as férias de inverno. Meu coração dói só de pensar que ficarei seis semanas sem passar o dia inteiro com Addam. Ficar só parte do dia com ele teria que ser suficiente, embora ainda não tivesse conseguido digerir tudo o que ele disse sobre meu tio, mas…

-Litza, você está bem? –  perguntou Rachel

– Sim, eu estou bem, só um pouco cansada.

– Ai, eu ainda não acredito que você vai passar o natal aqui. Quase todas as famílias daqui viajam nessa época do ano. Além de fazer muito frio, essa é a cidade do silencio nessa época, você tem a cidade inteira apenas para você, mas se quiser mudar de idéia, nós vamos para Malibu, meus tios moram lá.

– Não Rachel, sem problemas, eu gosto de ficar sozinha, é bom que eu consigo colocar minhas leituras em dia.

– Bom, você é quem sabe.

Rachel despediu-se de mim e entrou no carro de Matt. Como de costume a chuva estava começando a cair novamente e eu corri em direção ao meu Porsh, quando senti que alguém me observava. Olhei por todos os lados, mas só vi os alunos voltando pra casa como em um dia normal de escola, no entanto o alvoroço era maior pelo fato das férias estarem começando. Quando me virei novamente, vi Lykke parada ao me lado.

– Acho que eu lhe devo desculpas. – disse num tom amigável

– Não estou preocupada com isso. – eu disse, indiferente.

– Litza, eu…

– Lykke, não precisa fazer isso. Sei que você não gosta de mim.

– Litza, eu confio no Addam e no julgamento dele. Ele me disse que você se lembrou da cena que eu fiz. Eu estava com fome não comia há algum tempo, o motivo não convém explicar agora, mas eu precisava comer naquele momento.

– A história é realmente comovente, mas eu preciso ir.

Me virei de volta para meu carro e abri a porta. Lykke segurou meu braço e disse:  –Eu sei onde encontrar a Wendy.

– Me solta. Você está mentindo. Wendy desapareceu em Annandalle, você nem nos conhecia. Me deixa em paz.

– Sei que você e Addam combinaram de passar todas as tardes das férias juntos.

-Quem te contou isso?

– Addam é tão previsível.

– Lykke, eu não tenho nada contra você, mas fica fora do meu caminho. Addam não é mais uma criança.

– Mas ele só vai se encontrar com você se vier comigo agora.

– Eu não vou com você a lugar nenhum.

Entrei em meu carro e dei a partida no motor. Arranquei em alta velocidade fazendo os pneus cantarem no asfalto. Ao chegar na Forest Street, próximo a quinta entrada da estrada para a floresta, vi o carro de Addam parado. Ele estava do lado de fora, sentado no capô. Estava vestindo seu sobretudo preto e por dentro usava uma camisa azul céu, que fazia com que seus olhos parecessem ainda mais azuis. Parei meu carro do outro lado da estrada.

Addam veio em minha direção com um olhar sensual, abriu a porta do carro, segurou minhas mãos, me puxando pra fora e me beijou. Ele não disse nada depois que seus lábios soltaram os meus, ele ficou apenas fitando meus olhos, sem dizer uma palavra.

– O que foi isso? – perguntei quebrando o silencio.

– Não posso te beijar? – respondeu com uma outra pergunta.

– Addam, a ….

– Eu sei. A Lykke foi falar com você hoje. É por isso que eu estou aqui. Preciso te levar a um lugar.

– Addam, eu gosto de você, mas preciso ir pra casa. Mark vai esta tarde para South Hampton e só volta em seis semanas, quero me despedir dele.

– Você lembra o que a Lykke disse pra você há alguns minutos? – perguntou Addam retoricamente – Se você não vier comigo agora, nunca mais vamos nos ver.

– Desculpa mas eu não gosto de chantagem, adeus Addam.

– Litza, não é chantagem, você precisa ir comigo há um lugar agora, eu juro que é para o seu bem.

– Certo, mas eu preciso estar em casa em duas horas, no máximo.

Addam me levou ao mesmo lugar em que estávamos quando eu descobri toda a verdade. Agora, essa bela trilha colorida pelos diversos tons de folhas e flores, se tornava acinzentada à minha vista. Era algo diferente, eu amava Addam, mas também tinha medo dele. Mas para a minha surpresa, não estávamos ali sozinhos. Lykke e Petter estavam a nossa espera.

– Olá Zamerov. – rosnou Lykke

Meus olhos se encheram de pavor. Eu não teria medo de Lykke se ela fosse humana, ou mesmo sendo como é, se estivéssemos no colégio ou em algum outro local público. Segurei firme o braço de Addam, enquanto seu braço emoldurava minha cintura em um meio abraço.

– Para com isso Lykke. – advertiu Addam

– Não estou fazendo nada irmãozinho.

– Não tenha medo dela Litza, nós não vamos machucar você. – disse Peter serenamente.

Mais uma vez segurei firme em Addam, mas não por medo, dessa vez, senti uma forte tontura percorrer meu corpo e perdi o equilíbrio.

– Litza! – chamou Addam. – Litza o que houve?

– Eu estou bem. Foi só uma vertigem. Não comi nada o dia todo, deve ser isso.

– Não, Não é. – Petter tinha um tom grave que fazia com que meu corpo todo se arrepiasse ao ouvir sua voz. – São os Welch, eles sabem que ela está conosco Addam. Você precisa deixá-la ir.

– Mas Petter, ela precisa saber que…

– Se algo acontecer a ela, ela jamais saberá. Tenha calma Addam.

– Saber o que? – perguntei confusa – Do que vocês estão falando?

– Addam tem razão Petter, podemos não ter outra oportunidade com os Welch na cidade. – disse Lykke

– Litza, como você se sente? – perguntou Petter condescendente

– Melhor. – respondi rapidamente e virei meu rosto procurando o de Addam. – Você me diz uma coisa?

– Tudo o que você quiser Liz. – meus olhos ficaram maredos e minha respiração acelerou. – O que foi? – perguntou Addam – Fiz algo errado?

– Liz? A minha mãe me chamava assim.

– Você sente muito a falta dela, não é? – perguntou Lykke

– Sinto mais a falta da minha irmã. – respondi cabisbaixa

– E se eu dissesse que nós sabemos onde a Wendy está? – perguntou Lykke

– Lykke! – repreendeu Addam.

– Como assim, vocês sabem onde a Wendy está? – perguntei exaltada – Era isso que vocês queriam que eu soubesse?

– Liz, não sabemos…

– Addam você sabe muito bem que o Mark transformou a Wendy em uma de nós.

– O que? – perguntei aterrorizada. – A Wendy …. Wendy

Meus joelhos cederam e eu cai. Fiquei ali parada por um tempo apenas fitando o chão, enquanto Addam falava suavemente ao meu ouvido, dizendo que tudo ia ficar bem. Eu não conseguia sentir nada a não ser seu abraço. Aos poucos minha percepção foi ganhando foco e consegui organizar meus pensamentos.

– A Wendy é uma de vocês? –  perguntei com um sopro de voz.

– Sim Litza, Wendy é uma de nós. – agora foi a vez de Petter falar.

– Vem Liz, acho melhor você ir pra casa. – disse Addam gentilmente

– Não Addam, eu quero saber. Preciso saber tudo que vocês sabem.

Os Greene e eu ficamos conversando por um bom tempo. Cheguei em casa ao anoitecer, Mark e seus amigos, estavam na sala conversando.

– Como você demorou querida. – disse Mark

– Eu precisava de um tempo pra pensar tio. Estava no lago. – respondi calmamente.

– Por pouco não encontra a gente aqui. – disse Brian sério.

– Eu pensei que o voo fosse à meia-noite, ainda são sete horas.

– Nós adiantamos o voo, queremos chegar com tempo para descansar, o voo sai as nove. – respondeu Mark

– Vocês já jantaram? – perguntei

– Não, só estávamos mesmo te esperando querida.

– Então vocês já estão de saída? – perguntei a Brian

– Sim Litza. – respondeu Brian em seu tom sério que sempre me assustava. – Vamos, Mark? – indagou.

– Sim. Bom querida, espero que você e o Chris se comportem. Tem dinheiro na última gaveta da cozinha, a geladeira e a dispensa estão bem abastecidas e os carros estão com o tanque cheio.

– Tio não se preocupe. Tenho meu dinheiro e já sei me virar, mas mesmo assim obrigada.

Mark e Brian foram embora e eu fiquei sozinha com Chris. Fui para o meu quarto tentar digerir a conversa com os Greene hoje à tarde. Deitei na cama e deixei minha cabeça voar em torno dos pensamentos que surgiam. Algum tempo depois, Chris bateu na porta e entrou no meu quarto.

– Posso conversar com você Litza?

– Claro.

– Não quero te incomodar. – disse Chris

– De maneira alguma.

Chris sentou-se ao meu lado na cama. Sua expressão era suave, porém preocupada.

– Aconteceu alguma coisa? – perguntei

– Não, não se preocupe. É que…

– Pode confiar em mim Chris, seja o que for eu vou te ajudar.

– Litza, sei que nos conhecemos a pouco tempo, mas eu estou apaixonado por você.

– Chris, eu…

– Não fala nada. Sei o que aconteceu em Annandalle e que você ainda deve sentir saudades do seu ex-namorado.

– Sim, eu sinto falta do Sammy, éramos melhores amigos.

Meus olhos ficaram mareados. Chris levantou meu queixo com os dedos, fazendo com que meu olhar encontrasse o dele.

– Ei, não quero que você chore. – disse Chris carinhosamente. – Posso apenas ficar aqui um pouco com você?

– Claro. – respondi tentando engolir uma lágrima que teimava em tentar escorrer de meus olhos.

Chris e eu nos deitamos abraçados. Era confortável ficar assim com ele. A minha cabeça girava tanto que eu já estava tonta. Percebi que na verdade o que eu sentia pelo Sammy era um amor de amigos, irmãos. Com Addam era diferente, eu o amava. Sei que aconteceu tudo muito rápido, mas eu sabia que realmente o amava. Mas com Chris, eu não sei. Me sinto segura e, ao mesmo tempo, ameaçada.

– Um dólar pelos seus pensamentos. – disse Chris

– Estava pensando que eu gosto de ficar assim com você.

– Você me perdoa? – perguntou Chris

– Pelo quê?

Ele me beijou firmemente. Suas mãos percorriam todo o meu corpo. Eu não queria, nem conseguia parar. O beijo de Chris era envolvente, mas ao mesmo tempo me fazia sentir como se não tivesse escolha, parecia que havia um magnetismo diferente no ar.

O telefone tocou interrompendo nosso beijo.

– Espera Chris. – disse eu

– Deixa tocar, não deve ser ninguém – disse Chris.

– Pode ser o Mark, com licença.

Corri para o corredor e atendi o telefone.

– Alô?

– Não fala alto Litza, sai de casa agora. Você precisa saber de umas coisas.

– Addam o que houve? – sussurrei assustada.

– Apenas ouça, Litza, arrume uma desculpa e me encontre em frente à escola em vinte minutos. – disse Addam. – Traga roupas e diga ao Chris que você vai passar a noite na casa da Rachel.

– Mas…

– Rápido.

Voltei ao meu quarto para pegar minha bolsa.

– Litza, quem era? – Perguntou Chris

– Era a Rachel, ela quer que eu vá até a casa dela, porque ela está sozinha e tem medo de ficar só.

– Mas você vai sair assim?

– Não devo demorar. – respondi.

– Você não acha que a gente deveria conversar sobre o que aconteceu aqui? – indagou

– Sim, mas a Rachel está precisando de mim e não demoro.

Peguei minhas coisas e saí o mais rápido que pude. Meu coração estava disparado. Minha mente girava em torno das palavras que Addam dissera. O que poderia estar errado?

Cheguei ao local combinado, mas estava deserto. Não tinha ninguém por ali, ao menos, ninguém que eu pudesse ver.

– Litza! – chamou Addam atrás de mim, me dando um susto tão grande que me fez estremecer.

– Addam, o que houve? – perguntei preocupada

– Entra no carro. Vamos para a minha casa, lá eu te explico tudo.

– Mas não posso deixar meu carro aqui. – eu disse

– Não vai deixar. Lykke vai levá-lo.

– Lykke? – indaguei confusa – O que ela está fazendo aqui?

– Por favor Litza, não complica as coisas. Vamos.

Entrei no carro e pelo retrovisor, vi Lykke dirigindo meu Porsh. Ficamos um bom tempo em silêncio. Addam parecia tenso. Seu olhar era de um negror profundo. Senti que algo horrível aconteceria em breve.

– Chegamos. – disse Addam

Ele me guiou até seu quarto e me fez sentar em sua cama.

– Addam, eu exijo uma explicação já! – praticamente gritei. Ele parecia transtornado. Sua face que sempre foi doce e gentil mantinha um vinco de preocupação na parte superior.

– Litza, enquanto Mark estiver fora, eu não vou deixar você sozinha naquela casa.

– O que? – indaguei achando aquilo algo realmente patético – Você ficou louco? Eu não vou sair de casa porque você está com ciúmes.

– Ciúmes? Litza, eu estou preocupado com a sua segurança e não com aquele imbecil.

– Addam eu…

– Litza, nós só queremos o seu bem. – disse Lykke entrando no quarto – Os Welch não são confiáveis.

– Olha, eu realmente agradeço por se preocuparem, mas se me derem licença… – peguei meu casaco que havia colocado sobre a cama e sai. Andei rápido em direção a meu carro, mas sabia que Addam já estaria lá, muito antes de mim. – Por favor, me deixa em paz. Eu não quero problemas com você Addam. E não quero me forçar a esquecer o que eu sinto por você por causa de um capricho.

Addam visivelmente perplexo com minha reação me deu passagem. Entrei no carro e nem olhei para trás. Dirigi rápido até em casa. Não sei o que estava acontecendo comigo, meus pensamentos e sentimentos estavam tão confusos. Tudo o que eu mais queria agora era estar nos braços de Chris.

Cheguei em casa e corri até a cozinha. Chris estava lá. Seus lábios se retorceram num belo sorriso quando ele me viu encostada na soleira da porta. Como se lê-se meus pensamentos, Chris se aproximou e me beijou intensamente. Uma forte onda de calor tomou conta do meu corpo. Subimos as escadas apressados e esbaforidos. Chris me deitou carinhosamente em minha cama. Não conseguíamos parar de nos beijar. Chris começou a me despir. Eu o ajudei a tirar a camisa e abrir o zíper da calça. Nossos corpos roçavam num vai e vem alucinante. Eu perdi a capacidade de pensar naquele momento. Em minha mente só passava uma coisa, Chris. Mas havia uma sombra de um outro alguém. Como era mesmo o nome dele?

Enfim, após algum tempo de prazer e êxtase, estávamos lado a lado, de mãos entrelaçadas, simplesmente nos olhando e um ouvindo a respiração do outro.

– Litza você está bem? – Perguntou Chris

– Sim, porque não estaria?

– Eu fiquei com medo de machucar você, não sabia que era a sua primeira vez.

– Está tudo bem Chris. – menti

Minha mente estava muito confusa. A imagem do olhar de tristeza que… Addam, esse era o nome dele. Porque eu me esqueci de Addam? O olhar que ele me lançou quando fui embora de sua casa, não saía da minha cabeça.

– Você estava maravilhosa. – ele interrompeu meu pensamento.

– Obrigada Addam – eu disse sem perceber.

– Addam! – exclamou Chris em fúria. – É ele quem você ama? Addam Greene?

– Chris me desculpa, eu …

– Cala a boca sua vadia. – Chris me deu um tapa na cara tão forte que desmaiei.

* * *

Acordei assustada ao sentir o toque das mãos de Chris acariciando meu rosto ainda dolorido.

– Ai… – gemi.

– Litza, meu amor, me perdoa?

– Chris, me deixa sozinha.

– Por favor – ele pediu.

– Eu só preciso ficar sozinha.

Chris saiu do meu quarto e eu fui direto para o banheiro. Tudo o que eu mais queria naquele momento era tirar do meu corpo o cheiro dele.  Eu sentia nojo de mim. Como pude fazer isso? Dormir com Chris amando Addam? O que aconteceu hoje?

Terminei o banho depois de alguns longos minutos e me dirigi ao closet para me vestir. Peguei uma camisola larga e confortável. Deitei em minha cama e comecei a chorar. Addam tinha razão, tem alguma coisa errada com os Welch.

Ouvi a porta abrindo e fingi que estava dormindo. Chris se deitou ao meu lado na cama e ficou me olhando. Abri meus olhos lentamente como se estivesse acordando e vi algo diferente em seus olhos.

– Que bom que eu não machuquei esse rostinho lindo que você tem. – disse Chris com ar maléfico.

– Chris, eu quero dormir.

– E eu quero você. De novo. – Chris sussurrou em meus ouvidos.

– Você só pode estar brincando. – disse eu com uma voz elevada, me sentando. – Você acha que eu vou “dormir” com você de novo depois do que você fez?

– Não estou pedindo vadia, estou mandando.

Chris me empurrou e deitou por cima de mim. Ele prendeu meus braços acima de minha cabeça. Por mais que eu tentasse me soltar, meus pulsos não se mexiam um centímetro sequer.

– Agora sim vamos nos divertir vadia. – disse Chris

Eu gritava o mais alto que podia, mas da minha boca não saía som algum. Quando Chris terminou, se levantou e foi em direção ao banheiro. Enquanto ele tomava banho, a única coisa que eu conseguia fazer era chorar.

Me levantei e tentei correr até a porta do quarto, mas em uma fração de segundos, Chris apareceu na minha frente.

– Aonde você pensa que vai?

– Er… eu…

-Você nada! – gritou Chris – Você é minha e só faz o que eu mandar.

Apenas assenti com a cabeça, mas Chris queria me ouvir falando. Ele me segurou com força pelos braços e me sacudiu até que eu falasse. Ele então me empurrou com uma força sobre-humana, fazendo com que eu caísse na cama. Chris veio pra perto de mim e me deu um tapa no rosto, com força suficiente para fazer minha boca sangrar.

– Já chega Chris.

– Tio Mark! O que você está fazendo aqui?

– Eu nunca saí daqui Litza. – disse Mark como se o que ele acabara de ver fosse natural. – Eu só precisava que você achasse que estava sozinha com Chris.

– Então você sabia que ele estava me machucando e não fez nada para impedir. – perguntei indignada.

– Ele tinha que fazer isso Litza. Chris é um vampiro mas antes foi um djamphir. Ele precisa terminar a transição para se tornar um vampiro inteiro como Brian e eu. Você tem que entender que eu não podia deixar a linhagem Zamerov acabar em você, por isso pedi que Chris a seduzisse.

– Isso é ridículo. Eu jamais teria um filho com um desgraçado como o Chris.

– Você não tem escolha querida. – Mark parecia louco. Ele estava alucinado. – Não tem como você sair dessa casa.

– Eu nunca mais vou permitir que seu amiguinho toque em mim. – gritei

Mark tentou acariciar meu rosto, mas me esquivei com medo.

– O Chris se excedeu um pouco querida, mas ele não voltará a

fazer isso. Ele gosta muito de você.

– E foi um prazer te ajudar Mark. Litza é uma delícia. – disse Chris ironicamente.

– Ninguém pediu sua opinião Chris. – disse Brian entrando no quarto. – Mark, acho que os dois precisam ficar sozinhos. Vamos conversar lá em baixo.

Subitamente, um barulho ensurdecedor veio do andar de baixo. Mark e os Welch correram para ver o que estava acontecendo e me trancaram no quarto. Lágrimas escorriam desenfreadamente de meus olhos. Se eu tivesse acreditado em Addam, não estaria aqui.

Nesse momento aquela figura de capa negra que estava no deserto no dia em que meus pais morreram – a mesma que matou meus amigos e sumiu com minha irmã – entrou em meu quarto. Um estado de pânico tomou conta de meu corpo. Minhas pernas ficaram bambas e cederam. Essa “coisa” me segurou e me arrastou pelo quarto me tirando dali pela janela.

Quando conseguimos descer, uma risada maléfica atingiu nossos ouvidos e eu gritei, atrás de nós estavam Chris, Brian e Mark e para a minha surpresa uma palavra destruiria tudo.

– Boa noite Addam. – disse Brian – Veio resgatar uma Zamerov? Pelo visto os Greene mudaram de lado.

– Nós sempre estivemos do lado do bem e da verdade Brian, não somos como vocês.

– A garota é nossa, entregue-a e poderá ir em paz.

– Se é só isso o que vocês querem, ela pra mim não tem nenhuma serventia, contanto que vocês não incomodem minha família o trato está feito. – Nesse momento, meu coração se estilhaçou em mil pedaços. Eu pensei que Addam era diferente, mas me enganei. Eu estava só, e morrer era a minha única opção.

– Então entregue-a. – ordenou Mark

– Acho que não vai dar, eu a amo, e vocês sabem que eu honro minhas promessas.

– Você vai se arrepender Greene, vai ser muito bom ter seu sangue em minhas mãos. – disse Chris.

– Acho que hoje não vai dar pessoal. – Lykke e Petter surgiram das sombras das árvores e se colocaram em posição de ataque. Se qualquer um seja Welch ou Zamerov se mexesse, haveria um banho de sangue.

– Parem – gritei quase sem forças, meu corpo mal ficava em pé. – Addam, eu vou com eles, eu não quero que você se machuque.

– Não Litza, não somos nós que vamos nos machucar.

Desmaiei de novo.

 ***

Continua

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