Galamadriel Pt.11 – Aliados

aliados

Por Lillithy Orleander

– Então você é um…

– Ceifeiro, mas digamos que não tenho me orgulhado muito disso ultimamente. – respondeu Edmund deixando um meio sorriso transparecer enquanto seus olhos estavam dispersos no horizonte.

– E isso quer dizer que…

– Que trabalho para a Morte, mas que faço uns servicinhos pouco agradáveis as vezes para um dos lados dos chefões. – disse ele olhando nos olhos de Sonya.

– Assim como foi comigo?

– Sim, você era um presente para Dyell, já que você é a mortal que ela se aproximou por mais tempo nesses últimos séculos, então para agradar a sobrinha, ele me mandou te buscar. É estranho, ter você desse lado.

Você ainda é tão humana quanto qualquer outro humano, só que agora você é um pouco mais forte, sem dia para morrer e bonita, pela eternidade…

– Isso significa que eu pertenço ao Inferno?

– Não, você foi tocada pelo plano inferior, mas ainda é humana. Um pouco mais durável, sem doenças, eternamente bela.

Edmund parou abruptamente na frente de Sonya olhando em seus olhos como se a conhecesse á anos, e afastou uma mecha de seu cabelo que insistia em cair sobre seus olhos. Ele sentia um novo calor percorrer seu corpo, mas pensou ser a adrenalina do que estavam prestes a fazer.

– É bom ter você por perto. – ele sorriu sincero.

Sonya abaixou a cabeça encabulada e sorriu de volta sem a raiva que antes fervilhava dentro dela, por tal  ser.

– É bom estar aqui, Edmund. E lhe estendeu a mão. – Amigos?

– Mas é claro. – ele disse sorridente, soltando a mecha de cabelo e coçando o alto da própria cabeça, sem jeito.

Edmund puxou sua foice do meio das costas e “rasgou” suavemente o ar, traçando uma nova fenda e adentrando – a.

– Você não vem? – perguntou ele

– Eu não perderia isso por nada.

Deram – se as mãos e partiram. O destino? A morada de Gabriel, que nos últimos dias era o local onde todos desejavam estar, e era onde todos os mistérios se escondiam.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Paul havia levantado naquele dia ainda perdido entre calcinhas, pernas e espartilhos.

A festa na noite passada havia sido ótima, mas depois de séculos, essa era a primeira vez na qual sentia dor de cabeça.

A principio não se importou, mas ela ficou aguda, quase como se enfiassem agulhas em sua mente.

“O que será que está acontecendo comigo?” – perguntou enquanto observava o recinto da noite passada.

Um quarto decorado com luminárias escarlates e paredes aveludadas em um tom negro, a cama redonda, forrada com um lençol de cetim barato exibia duas mulheres nuas, deitadas de bruço. Uma amarrada a cama, com os seios á mostra enquanto a outra tinha os olhos vendados e vestia uma camisola roxa, totalmente transparente, que cobria somente um lado das nádegas.

Paul olhou novamente o cenário, garrafas de champanhe, morangos, chicotes e algemas, ele queria mais. Afinal de contas quem se importaria se ficaria mais ou não? O idiota do patrão? Ele estava decidido, abandonaria aquela espelunca assim que voltasse, ele merecia mais, a dor de cabeça começava a sumir e ele acreditou ser por que se levantará rápido demais.

– Meninas? – ele chamou batendo palmas.

Uma delas rapidamente se levantou com destreza e se prostrou atrás dele.

– O que deseja meu senhor? – sussurrou a mulher de cabelos loiros.

Ele então fechou os olhos se deliciando com a voz suave que cantava em seus ouvidos, mordiscando o lóbulo de sua orelha.

– Tio Paul, quer brincar mais. – e jogou a beldade na cama, acordando a que dormia, que sorriu maliciosamente, olhando para o membro que dançava em sua frente.

– Estamos aqui para servi – lo, meu senhor.

– E é assim que eu gosto.

Paul deitou – se na cama, soltando a moça que estava amarrada e beijando – a com avidez, ao virar para o lado e repetir o gesto com a outra, levou um susto ao notar que era o rosto Qüerinemer, que se aconchegava mais e passava as mãos por seu corpo.

Paul levou um susto e piscou várias vezes para ter certeza do que via, mas a imagem lhe fugia da cabeça.

“Devo estar ficando louco”.

– Algum problema meu senhor? – perguntou a criatura preocupada. Ele apenas balançou a cabeça negativamente, expulsando o pensamento e continuando de onde parou.

Olhou fixamente para a mulher que se posicionava em cima dele beijando a companheira e acariciando os seios da outra, Paul se sentia no paraíso. Afinal os mortais só podiam sonhar com aquela maravilha, mas ele podia vivenciar.

“Quem sabe um dia não tento com mortais. – disse ele para si mesmo orgulhoso de si. – Aliás a minha bela vizinha seria uma boa parceira para isso.”

Ele ficou eufórico com a idéia, enquanto era arranhado por uma e beijado por outra, o vislumbre de Qüerinemer á pouco havia sumido, e ele começava a relaxar quando alguém bateu á porta.

– Vá embora! Estou… Estamos ocupados. – disse ele gargalhando da situação, acompanhado pelas duas beldades.

Outra batida  e aquilo o incomodou.

– Já mandei ir embora, não precisamos de nada.

A voz atrás da porta era feminina e de imediato ele não reconheceu.

– Mas eu preciso. E se você se recusar a atender, eu mesma boto está porta á baixo. – a voz respondeu feroz, mostrando que não estava ali a passeio.

– Pro Inferno garota. Volta mais tarde, titio Paul agora está cuidando das amiguinhas. – ele respondeu entre risos e provocações acompanhado pelas duas garotas.

– Foi você quem pediu.

Dyell estava irada com a evasiva e a petulância de Paul. Afastou- se da porta e fez pontaria, mas ainda tentou uma última vez.

– Eu preciso falar com você. É urgente, e eu só quero que me dê cinco minutos, é pedir demais?

– Garota vá a merda, eu to trepando agora! Vai embora e vê se não me atrapalha.

Dyell se enfureceu ainda mais e puxou a arma que carregava, engatilhando a mesma e destravando o pino.

– Ok, foi você que pediu. – murmurou Dyell.

O estampido do tiro foi escutado em todos os lugares da proximidade e o tiro  estourou somente a fechadura da porta, fazendo com que muitos corressem de outros quartos apavorados sem querer nem saber quem era o maluco que estava á atirar. Podia ser o pedacinho de Inferno “nosso de cada dia”, mas ninguém se metia em briga de outros demônios.

– Droga de arma. – disse Dyell guardando a arma e derrubando a  porta com um chute.

– Você está maluca, garota? – disse Paul, empurrando a loira que cavalgava em cima dele, no chão. Enquanto a morena corria tonta pelo quarto tentando fugir.

Paul se levantou da cama enfurecido por ser interrompido, chutando as roupas e os objetos que estavam pelo caminho, prestes a dar um tapa em Dyell, mas esta foi mais rápida.

– Não ouse seu demoniozinho de bosta. – disse ela colocando a arma na direção do rosto de Paul e a engatilhando novamente.

– As duas estão esperando o que para sair daqui? Um convite formal? Eu preciso falar com ele em particular.

Dyell afastou a arma milímetros do rosto de Paul e atirou na luminária pregada a parede e fazendo mais barulho, o que gerou uma série de gritos das duas beldades que correram porta afora nuas.

– Eu gosto do que vejo, mas agora vista – se e me siga.

– eu já te disse uma vez e vou dizer de novo. Não vou me envolver nessa porcaria de história.

Dyell o olhou com os olhos marejados de raiva e voltou a apontar a arma para o rosto de Paul.

– O negocio é o seguinte: eu já perdi minha mãe, briguei com Gabriel, “tô” mandando um “FODA – SE” grandão pro meu pai  e na atual situação não estou nem um pouquinho afim de saber o que Lúcifer vai pensar de tudo isso.

Portanto seu demoniozinho metido á besta, se veste logo e me segue, ou eu meto um tiro nessa tua cara bonitinha e estrago ela pela eternidade. – disse ela puxando o gatilho.

– Merda, meu achei que aquilo fosse só um convite. – disse ele afastando a arma de seu rosto com a mão, mas Dyell atirou novamente

– Você está louca? Essa porcaria está carregada! – gritava Paul

– Eu não estou aqui para brincadeira e muito menos á passeio. – respondeu ela lacônica sem ao menos piscar os olhos. – Vista – se. Agora! – gritou ela, assustando – o.

Paul recolhia suas roupas do chão entre xingamentos e ameaças de socar Tyrone até que ele não agüentasse mais.

– Você pode pelo menos me contar a verdade? Por que na boa aquele teatrinho não me convenceu de jeito nenhum. E o fato de Lúcifer não saber, não me parece uma boa idéia, eu pretendo sair vivo dessa bagunça.

Dyell olhou para Paul de esguelha e abaixou a arma.

– O que você quer para trabalhar ao meu lado fazendo somente o que eu mando sem muitas perguntas?

Paul parou de imediato e soltou as roupas no chão, olhando maliciosamente Dyell de cima á baixo, como se fosse devora – lá ali mesmo.

– Tem uma coisa que você pode fazer por mim. – e olhou para baixo, onde seu membro parecia impaciente.

Dyell revirou os olhos se perguntando como ele numa hora daquelas poderia escolher somente aquilo.

– Aporta está quebrada.

– Não seja por isso, eu tomo um banho e você nos arranja outro quarto. – disse ele sorrindo

– Isso é sério? – perguntou ela incrédula

– Nunca falei tão sério em toda minha existência, e você nem tem idéia do quanto esperei por isso.

Paul ainda se lembrava do tango magnífico de Dyell e de como desejou ardentemente aquela mulher em sua cama naquela noite, e agora se ele fosse morrer pelo saberia se havia o fogo do Inferno ou a frieza de Miguel, que era conhecida em toda Galamadriel, correndo nas veias de Dyell…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Iridish olhava o lago cristalino cantar sua música suave, enquanto Qüerinemer, ainda parecia dormir.

O dia estava claro e por horas aquilo parecia incomoda – lo, ele já não sabia se ficava feliz por tê – lá ali em seus braços ou se ficava preocupado, ela acordaria furiosa e se preciso fosse ela o mataria, e ele sabia que ela tinha poder para tanto.

“Em que momento eu me apaixonei por ela?”

Iridish pareceu se lembrar de todos os dias em que a acompanhará á mando de Gabriel e em seguida ao comando de Lilith, seu mestre lhe havia dito que os motivos eram os mesmos, mas que ele jamais interferisse e nem se quer perguntasse qual era o segredo entre os dois soberanos de pólos tão diferentes.

Ele achou graça no cabelo azul ondulado, nas manhãs de chuva, enquanto ela analisava as pessoas e armazenava suas características, no vestido da década de 60 que as mães e donas de casa usavam com seu avental xadrez amarrado sobre o saiote balão, que ela insistia em vestir para causar impacto nas pessoas como se ela saísse de um seriado á lá Mary Poppins. No chiclete que ela mastigava enquanto escuta Let her Go¹  sorrindo feito criança quando ganha um presente, ou mesmo quando sentava – se na soleira da janela com o gato no colo tomando seu costumeiro chá de amora. Ele sentia com ela a falta que ela sentia de casa e de ter que partir de Galamadriel. Sentiu com ela a morte de Zaurur, e ainda se perguntava por que Rafael o havia matado, embora a pena que Qüerinemer encontrará lhe deixava dúvidas de que de fato havia mesmo sido ele. Tinha alguma coisa que ele estava deixando passar.

Qüerinemer acordou com a claridade, cercada por cortinas claras e esvoaçantes ao redor de uma cama redonda de lençóis lilás, enquanto pequenas borboletas dançavam ao seu redor, e o que pareciam ser crianças minúsculas e de orelhas pontiagudas dormiam sobre seu cabelo, ombro e asas.

A luz do Sol invadia cada poro seu e se não fossem os pequeninos ela sorriria despreocupada, estava de novo em sua casa, como se tudo não tivesse passado de um sonho ruim. Guirlandas de flores caiam sobre o leito no qual dormia, multicoloridas e exalavam um perfume almiscarado que a fazia ficar calma.

Ela quase se esqueceu quem á havia levado até ali e o chamou para ter certeza de que tudo não era somente um sonho.

– Iridish?

Mas o silêncio permaneceu. Era um sonho. Graças aos céus.

– Iridish? – chamou novamente

– Qüerinemer. – respondeu ele sentando na margem da cama para se aproximar dela

Ela o olhou e virou o rosto.

– O que você fez? Era tudo um plano para sua missão? – perguntou ela

– O que fiz com você foi para sua segurança e a de nossos reinos. Mas não planejei, me apaixonar por você. Perdoe-me, não quis feri – lá.

Iridish  nunca esperou que  o silêncio fosse a resposta dela, pois este doeu mais do que se ela o enfrentasse como uma guerreira e saísse contra ele com socos e chutes. Ele se levantou e estava prestes a sair quando ela o segurou pelo pulso.

– Não vá.

Ele abaixou a cabeça e uma lágrima de alegria pareceu povoar seus olhos. Qüerinemer ficou em pé e com ele ainda de costas agarrou – lhe o pescoço carinhosamente.

– Eu não tenho mais perguntas por hoje, mas você ainda me deve explicações. Volte para o meu lado, o lugar do qual você não deveria ter saído e vamos esquecer que existem nossas ordens, nossas castas e nossas missões. Só por hoje Iridish, seja meu sem se importar com minhas asas, ou com quem eu sou.

Iridish, segurou as mãos que entrelaçavam seu pescoço e as beijou, virou – se para Qüerinemer com os cabelos soltos, sobre o seio desnudo e lhe beijou, um beijo demorado e sem preocupações, ele jamais resistiria á ela.

Qüerinemer desejou que o tempo parasse ali e naquele instante ela amou um Mercador sem se importar que em algum momento eles haviam se odiado.

“Quando foi que me apaixonei por ele?” – foi seu último pensamento, antes de se entregar plenamente ao ser amado.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Miguel ainda olhava para Rafael sem entender ao que Gabriel se referia.

Gabriel pareceu puxar do ar uma leve brisa, que parou tudo e todos, deixando somente ele e o que parecia ser seu irmão em movimento.

– Você realmente achou que me enganaria?

O rosto de Rafael passou a sumir e as asas á perderem a cor uniforme, ganhando tonalidades variadas, como se fosse um arco – Iris, asas multicoloridas.

– Eu jamais pensei em te enganar e se estou fazendo tudo isso é para o bem de todos.

– Bem? De todos? Lilith o que você tem na cabeça? Matou Zaurur se passando por Rafael. Qual é o seu interesse em tudo isso? Por que claro, eu fui um idiota em acreditar que você tivesse mudado.

– Não fale assim comigo? – gritou Lilith com os olhos cheios de lágrima e furiosa. – Ele e Lúcifer estão juntos, e você goste ou não eu sou a única que não finge estar tentando frustrar os planos dos dois.

– Mas do que você está falando?

– Ele quer que eu o ajude a te tirar do caminho.

– Mesmo que ele conseguisse ainda haveria Miguel.

– Megara tiraria Miguel do controle.

– Megara está morta! – disse ele

– Ele a trouxe de volta a vida, com a ajuda de um ceifeiro. Ajuda não, ele o obrigou a trazer Megara de volta, mas o que habita dentro dela são só as lembranças de outrora, e com elas a maldade e a ambição de Lúcifer, ele conseguiu e agora se compara a nosso Pai.

– Mas como ele… – a pergunta ficou no vácuo e a face da incredulidade tomou conta de Gabriel.

– Você mente Lilith.

– Infelizmente não Mi Lord. – disse Edmund saindo de uma fenda, acompanhado por Sonya.

– Ele de fato trouxe Megara de volta a vida e com a minha ajuda.

– Então estamos…

– Se mi Lord me permite, estamos perdidos e se ninguém convencer Miguel de que de fato aquilo é uma carcaça cheia de maldades, nossos reinos poderão ruir e tudo o que o senhor tentou preservar desde a criação de Galamadriel e da separação dos planos, estará destruído para sempre.

– Ou seja? – perguntou Sonya sem entender

– Não zeraremos a nossa criação, seremos extintos. Não haverá Terra e nem humanos, nem Galamadriel ou anjos e demônios, nós morreremos.

Era Miguel que furará a magia do irmão e atravessará a malha de tempo que o mesmo havia feito…

 

Continua…

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2 comentários em “Galamadriel Pt.11 – Aliados

  1. Você disse que sente algo faltando, né?
    Acredito que está sendo perfeccionista IUAHSDIAUSDHAISDUHASDIHU
    Ou perdeu o amor por algum dos personagens
    No mais, eu gostei.
    Mas confesso que bateu uma vontade de ver sangue e porrada como em Enchatriagge 😀

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  2. Me sinto mais tensa a cada capítulo. A passagem entre os acontecimentos é bastante leve. Acredito que o nível de porradaria está bem equilibrado com as tensões e as problemáticas apresentadas até agora. Relaxe!

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