Beijo Eterno – Sociedade das Sombras (Pt.3): A Chegada do Welch

LitzaPor Mille Meiffield

 

Agora a minha vida andava um pouco agitada, quase quatro, meses haviam se passado, desde que cheguei aqui. Rachel Maker e eu nos tornamos grandes amigas, mas Lykke continuava me lançando olhares gélidos. Faltavam duas semanas de aula antes das férias de inverno. O que era bom, já que tinha feito uma enorme compra de livros pela internet. Isso me manteria ocupada por um bom tempo.

Hoje especificamente, Addam não tirava os olhos de mim, o que congelava meus ossos. O medo súbito que eu sentia toda vez que encontrava com algum Greene, era mais real do que podia admitir. Deixei Rachel à mesa do refeitório e disse que ia ao banheiro – meu refúgio feliz naquele lugar assustador – e que não demoraria. Saí do refeitório, indo em direção ao banheiro do prédio ao lado, pois eu sabia que ele estaria vazio no momento. Quando entrei, me deparei com uma cena digna de filmes de terror. Lykke estava sentada num canto e tinha um saquinho que continha um liquido vermelho e viscoso grudado em sua boca. Parecia sangue. Ela olhou para mim e seus lábios se repuxaram num sorriso aberto, expondo presas enormes. Um fraco rosnado passou por seus dentes e deu volta em meus ouvidos. Senti minhas pernas tremerem e de repente, tudo ficou preto.

Acordei num lugar estranho. Não era um quarto, era uma enfermaria bem equipada, tinha paredes brancas e uma estante repleta de livros – os livros chamaram minha atenção, pois pareciam muito antigos, nada de atual parecia estar naquelas estantes – uma mesa de madeira clara num canto com um copo d’água e mais nada. Eu estava só. Tentei levantar, mas tudo começou a girar e me deitei novamente. Tentei lembrar o que tinha acontecido, mas de nada adiantou. A última lembrança que eu tinha, era de estar no refeitório da escola com a Rachel e depois nada. Tentei levantar novamente, dessa vez o quarto não estava rodando tanto e eu me forcei a ficar de pé. Dei um passo após o outro olhando com cautela todos os cantos daquele lugar esquisito. Abri a porta e para a minha surpresa, estava no corredor de casa, ou melhor, da casa de Mark. Eu não fazia ideia de como tinha ido parar naquele quarto assustador. Ao caminhar pelo corredor em direção a meu quarto, ouvi vozes vindas do andar de baixo e fui ao encontro delas. Me deparei com Mark conversando com dois homens altos e fortes ambos com cabelos castanho-avermelhados.

 

– Ah… oi tio- disse eu tímida.

– Oi querida, você está bem? Sente-se melhor? – Perguntou. Os olhos mostrando preocupação.

– Estou sim. O que aconteceu? Porque eu não estava no meu quarto?

– Eu troquei o papel de parede do seu quarto, ele estaria pronto quando você voltasse da escola, mas o diretor ligou dizendo que você tinha desmaiado e eu a acomodei na biblioteca. – disse Mark condescendente – Querida, você não acha melhor colocar uma roupa mais apropriada para o jantar? Teremos convidados.

Só então me dei conta de que estava de camisola. Ruborizada, subi apressadamente as escadas e corri para meu quarto. Ao entrar nele me encantei com o novo papel de parede com paisagens de dias ensolarados que meu tio colocou em meu quarto, mas eu não tinha tempo para isso. Precisava falar com a Rachel e descobrir o que tinha acontecido mais cedo. Peguei meu celular que estava na mochila dentro do closet e me tranquei lá para que ninguém ouvisse nossa conversa.

 

– Litza, como você está? – Rachel atendeu ao primeiro toque.

– Estou bem – disse eu – Só que… Eu não me lembro de nada, o que aconteceu?

– Você disse que ia ao banheiro, mas você demorou muito, então eu fui te procurar e a encontrei caída no chão.

– Deve ter sido só um mal-estar. Estou bem agora. – guardei comigo, a estranha sensação de que algo tinha acontecido. Algo de que eu não me lembrava, mas que mesmo assim me assustava.

Meu celular vibrou e eu o afastei do rosto para ver quem estava na chamada em espera. Um número estranho me ligava, curiosa me despedi de Rachel, marcando de encontrá-la no refeitório da escola amanhã. Retornei a chamada para aquele número estranho e ao terceiro toque, me surpreendi ao reconhecer a voz do outro lado da linha.

– Boa noite Bela Adormecida – disse Addam sarcástico. – Está se sentindo melhor?

– Isso não é da sua conta. – disse eu irritada – Onde foi que você conseguiu o número do meu telefone?

– A Rachel é uma excelente amiga, mas receio que não seja muito inteligente. Lykke disse que precisava falar com Petter e tinha esquecido o celular em casa e….

– E a Rachel com o bom coração que tem, na mesma hora emprestou seu celular e foi lá que a sua querida irmãzinha conseguiu meu número. A Rachel não merece uma amiga assim.

– Calma Litza, Lykke não fez por mal. Ela sabia que eu queria te ligar e arrumou um jeito de fazer isso. – disse Addam na defensiva.

– O que você quer? – Perguntei jocosamente

– Eu estava preocupado com você. Preciso falar muito sério com você sobre um assunto nada agradável. – disse ele seriamente

– Pode falar.

– Não pelo telefone, é um assunto delicado.

 

Três batidas na porta me chamaram a atenção.

 

– Litza! – chamou Mark – O jantar está pronto. Não se atrase, lembre-se que teremos convidados.

– Tudo bem tio. Desço em dois minutos. – disse  a Mark. Coloquei o telefone de volta no ouvido e disse – Tenho que desligar Mark está me chamando.

– Tenha cuidado Litza. Mark não gosta de você.

– O quê? – perguntei – Como se já não bastasse sua irmã me agredir no meu primeiro dia de aula, você ainda fala mal da minha família?

Desliguei o telefone e fui para o closet procurar uma roupa legal para o jantar, já que íamos ter visitas, eu não poderia continuar de camisola. Coloquei um jeans velho e uma blusa de mangas compridas preta com paetês. Passei um brilho nos lábios e desci as escadas pesadamente, não estava a fim de fazer sala para os amigos do meu tio. Cheguei à sala de jantar e me sentei ao lado de um dos convidados.

– Que bom que veio se juntar a nós. – disse Mark

– Desculpe a demora, eu estava ao telefone com um colega do colégio.

– Acho que agora eu posso apresentar meus amigos a você. – disse Mark com um largo sorriso no rosto. – Esses são Brian e Chris Welch.

– Olá! – disse Chris. Brian, que parecia ser o mais velho, apenas assentiu.

– Vocês se conhecem há muito tempo? – perguntei a Chris

– Há tempo suficiente para sermos ótimos amigos. – desta vez foi Brian quem falou.

– Vocês moram aqui perto? – perguntei, apenas para puxar assunto, apesar do Chris ser muito lindo.

– Na verdade, Litza, eu os convidei para passar um tempo conosco. Eles chegaram hoje à tarde da Irlanda e vão passar algum tempo aqui. – disse Mark, naturalmente.

Vendo minha cara de espanto, Brian disse: – Se houver algum problema para você, podemos ficar em outro lugar.

– De modo algum, vai ser bom ter alguém em casa. Esse lugar é muito vazio.

– Você costuma sair com alguns amigos no fim de semana? – perguntou Chris

– Na verdade, eu só tenho uma amiga e nós apenas estudamos juntas no fim de semana. Eu não gosto muito de sair. – respondi.

– Que pena, o cinema daqui vai passar uma maratona de filmes trash de terror e eu comprei dois ingressos. – disse Chris – O Brian vai viajar com seu tio no fim de semana e….

– Você não vai estar em casa esse fim de semana de novo tio? – perguntei.

– Tem um congresso de medicina no Texas sábado, eu vou viajar na sexta-feira à tarde e só volto na segunda-feira. – disse Mark – Mas se você vê algum problema, eu posso faltar. Sei que eu tenho te deixado muito sozinha, mas…

– Sem problema tio Mark, eu só fui pega de surpresa e você disse que não viajaria por algum tempo, então…

– Se você quiser, eu suspendo a viagem e mando outra pessoa no meu lugar.

– Não tio, tudo bem mesmo, pode ir tranquilo.

– Chris, eu acho que seria bom se você ficasse aqui com a Litza, ao invés de ir ao cinema no sábado. – disse Brian

– Eu estou bem Brian, é sério. Não preciso de babá. – disse indignada.

– Litza! – repreendeu Mark

– Tudo bem Mark, ela só…

 

Levantei da mesa e fui para o meu quarto. Me tranquei lá, coloquei os fones e liguei meu ipod no volume máximo. Comecei a chorar de raiva pelo que havia acontecido. Depois de algum tempo, desliguei o ipod e fui tomar um longo banho quente. Coloquei uma calça larga e uma blusa de flanela para dormir, deitei na cama e já ia desligar as luzes quando alguém me chamou.

 

– Litza, sou eu, o Chris. – disse ele

 

Me levantei e fui abrir a porta. Não era culpa de Chris meu estado emocional.

– Me desculpa pelo que aconteceu. Eu acabei descontando em vocês a raiva que eu estava sentindo de outra pessoa. – disse eu

– Não esquenta, Mark estava me contando o que aconteceu com você. Meus pais e minha irmã mais nova morreram num acidente de avião há algum tempo. Só ficamos Brian e eu.

– Eu não quero falar sobre isso.

– Como eu disse antes, tudo bem. Eu sei o que você está passando. Só queria ajudar.

– Chris, eu vou ao cinema com você no sábado. – disse eu

– Por favor, não se sinta obrigada a fazer nada, não esquenta, eu não me importo de assistir alguns filmes sozinho.

– Eu quero ir sim, é claro…se você ainda quiser a minha companhia.

– Vai ser ótimo. – disse Chris – Te vejo no café?

– Ás sete e meia.

 

Entrei para o meu quarto e me joguei na cama. O sono veio pesado e eu dormi com uma estranha sensação de estar sendo observada. Acordei feliz pela primeira vez desde que cheguei aqui. North Conway estava finalmente se tornando o meu lar. Procurei alguma coisa diferente para vestir hoje, o dia estava incomumente quente, então vesti minha saia xadrez e coloquei uma blusa preta rendada, com um casaquinho leve também preto por cima. Coloquei uma meia na cor preta até a altura dos joelhos e calcei um tênis preto com branco, passei um pouco de maquiagem no rosto, prendi o cabelo num rabo de cavalo alto, deixando apenas a parte da frente solta e desci as escadas para tomar meu café da manhã.

A casa estava tão silenciosa que eu pensei que estava vazia, mas

ao chegar a cozinha me deparei com Chris sentado à mesa que estava repleta de comida para o café da manhã.

 

– Bom dia Litza. – disse ele. Chris estava lindo, vestindo preto dos pés à cabeça.

– Bom dia. Ah… Onde está todo mundo? – perguntei.

– Mark e Brian foram cedo para o hospital. – respondeu Chris – Brian está empolgado com o primeiro congresso de medicina dele. Ele e seu tio são muito bons mesmo.

– Bom, agora eu vou pro colégio. Até mais. – me despedi, pegando minha mochila e andando em direção a porta, quando Chris perguntou.

– Você não vai comer nada?

– Estou sem fome.

– Leva alguma coisa pra você comer no almoço.

– Obrigada, mas a Rachel vai levar o almoço hoje. Nós sempre almoçamos juntas, mas se você quiser me ajudar a preparar o almoço de amanhã, vai ser bom.

– Claro, mas amanhã não vai ter aula. Hoje é o último dia de aula, esqueceu?

– Esqueci, mas amanhã a gente pode fazer alguma coisa pra comer e assistir há alguns filmes antes de ir ao cinema. Mark e Brian vão viajar hoje.

– Você tem razão.

 

Ao chegar a escola, vi Addam me esperando na vaga que eu costumava estacionar quase todos os dias. A expressão dele me dizia que algo ruim estava para acontecer. Passei direto por ele e fui para o meu armário pegar meus livros. Ele me seguiu de longe e não tirou os olhos de mim. Fui para o banheiro molhar o rosto e tentar forçar a minha respiração a voltar ao normal. Estava tremendo e não fazia idéia do porquê, já que Addam não me oferecia risco algum e o motivo de o meu coração acelerar quando estamos juntos não ser medo, sei que acontecer algo entre ele e eu seria impossível, mas ele mexe comigo profundamente, sei que sinto algo muito especial, forte e particular por ele, mas também estou sentindo uma estranha sensação perto do Chris. O que aconteceu comigo? Não posso estar apaixonada por duas pessoas ao mesmo tempo, ainda mais tendo tão pouco tempo que perdi Sammy.

Lykke entrou no banheiro. Ela estava sozinha, mas mesmo assim era assustadora.

– O que os Welch estão fazendo na sua casa? – perguntou.

– Nada que interesse a você.

– Olha como fala comigo perdedora. Se você não sabe com quem está morando é melhor tomar cuidado, mas se você estiver do lado dos Welch, é melhor nem aparecer mais por aqui.

– Eu já disse que não sei do que você está falando e não tenho medo de você. – gritei – Agora se você já acabou com o seu joguinho, eu quero ir para a aula de teatro.

 

Empurrei Lykke e saí do banheiro. Caminhei lentamente para a aula esperando que ela aparecesse atrás de mim e me atacasse. Era tudo o que eu precisava no momento. Uma boa briga. Nunca fui de usar a violência, mas eu estava mudando. Não era mais a doce Litza que todos conheciam, agora eu era Ralitza Zamerov, com todas as letras. Meu coração endureceu e minha alma congelou.

Entrei na sala de aula e me sentei na última fileira esperando não

ser notada pela professora Chatner, o que não aconteceu. Hoje é o dia que ela vai escolher o casal que fará Romeu e Julieta na peça da escola. Estremeci quando ela chamou Addam e em seguida a mim para interpretar o primeiro casal.

Eu não sabia como agir. Subi no palco cabisbaixa e ao levantar meus olhos e fixá-los nos de Addam, sufoquei. Foi como se o mundo parasse e o ar não entrasse em meus pulmões. Achei que fosse desmaiar de novo, mas me mantive firme e tentei seguir o roteiro que me foi entregue na semana anterior e do qual eu esquecera de ler completamente. Por sorte, eu conhecia bem a história.

 

– Qual cena? -perguntei quase gaguejando

– A cena da sacada. A grande declaração de amor mútuo entre Romeu e sua amada. Respondeu a professora em meio a suspiros emocionados

 

Ruborizada, encarei Addam esperando que ele começasse.

 

 

– Minha doce e terna Julieta, estais esplendorosa com a luz da lua tocando sua pele de creme.

– Ah meu Romeu, bons ventos o trouxeram a mim esta noite. Como soubestes que eu estava sozinha?

– A aia me contou. Disse que era para eu vir neste horário que minha donzela estaria me esperando.

– Minha aia é minha única amiga. Sei que… Que…

– Digas o que te afliges minha Julieta, meu eterno amor.

 

Soltei o pedaço de papel que estava em minhas mãos e desci do palco correndo em direção ao pátio. Entrei no meu Porsh e dirigi o mais rápido que pude até chegar na floresta. Procurei a entrada da qual minha mãe sempre falava. Eu precisava ficar sozinha. Respirar um ar diferente. Entrei na trilha e segui em frente. Após caminhar um pouco mais que quinze minutos, cheguei a clareira. Era uma paisagem estranhamente familiar. Nunca vi algo tão lindo em toda a minha vida, mas tinha a sensação de já ter estado ali. Tinha flores por todos os lados. O lago era lindo e não parecia ser muito fundo. Sentei-me em baixo de uma árvore e comecei a chorar. Não sabia o que estava sentindo e isso era angustiante.

 

– Você é realmente uma grande idiota Litza, como você pode achar que está apaixonada por um Greene. Logo Addam Greene. O que deu em você? – perguntei a mim mesma.

– Litza? Você está aí? Sou eu, Addam. – Addam me seguira até aqui. Poucas pessoas conheciam essa estrada. Minha mãe dizia que ela e meu pai se encontravam aqui sempre, porque Mark era contra o namoro deles e era muito difícil alguém andar nessa trilha.

 

Não queria que Addam me visse chorando. Comecei a correr para me esconder, mas tropecei em uma raiz exposta e caí. Gritei quando um graveto furou minha mão que começou a sangrar. Tirei meu cachecol e enfaixei a ferida para que o sangue estancasse. Um rugido alto e feroz ecoou pela floresta, parecendo vir de todos os lados. Com medo de encontrar um animal selvagem qualquer por aqui, comecei a caminhar rapidamente para voltar a trilha e chegar até meu carro. Contornei uma enorme árvore e gritei quando dei de cara com Addam.

 

– Você está bem? – perguntou. Ele parecia realmente preocupado

– Vou ficar assim que chegar em casa. – respondi – Afinal, o que você está fazendo aqui?

– Vim atrás de você. Ninguém em sã consciência sai correndo de uma aula como você saiu. Eu queria ter certeza que você estava bem.

 

– Estou ótima, obrigada. Agora tenho que ir para casa.

– Porque estava chorando? – perguntou Addam.

– Olha, muito obrigada por se preocupar comigo e vir até aqui, mas eu quero ficar sozinha.

 

Comecei a caminhar em direção a estrada. Corri, para ser mais precisa. Addam veio atrás de mim.

 

– Você tem que ir embora, tem que sair daqui. – gritei em meio a prantos

– Não vou deixar você aqui, não nesse estado. – rebateu.

 

Ele se aproximou de mim e me segurou firme com suas mãos grandes e suaves, me puxou para o seu peito e enroscou seus dedos em meus cabelos

 

– Eu sei o que você sente por mim, porque eu também sinto por você.

– Eu não sinto nada por você Greene – disse com repulsa.

– Tem certeza? – perguntou sarcástico.

– Ah, não, espera. – disse empurrando Addam. – Eu sinto sim, sinto nojo. Eu te odeio Addam. Some da minha vida e diz para a Lykke ficar tranqüila, porque eu não faço mal a um verme, então não tem como eu machucar o irmãozinho dela.

– Lykke só é um pouco protetora demais quando se trata de mim e Petter. Nada mais.

– Então diz a ela que a próxima vez que ela ousar encostar um dedo em mim, eu não vou ficar parada, muito menos recuar. Eu não tenho medo dela. – gritei a plenos pulmões.

– Lykke o quê? – perguntou Addam irritado Ela te agrediu?

– Sim, no meu primeiro dia aqui e hoje, pouco antes da aula, ela tentou novamente.

– Eu não acredito, ela só pode ter pirado de vez. Ela tem seus motivos para isso, mas eu disse que você era diferente. – disse surpreso.

– Eu não quero saber o que você disse ou deixou de dizer. Eu vou embora. Não quero mais saber desse teatrinho. A única coisa que eu ainda não consegui descobrir é porque você se importa tanto com o que eu penso sobre você.

– Um dia você vai entender e eu espero que não seja tarde.

– Não quero mais que você me siga. Eu preciso ir pra casa.

 

Addam me puxou pelo pulso e caí por cima dele. Meus olhos se prenderam aos dele e meu coração acelerou.

 

– O que você quer de mim? – perguntei com a voz embargada. Por mais que eu tentasse, não conseguia engolir o choro que tentava sair.

– Quero você, quero seus lábios, quero seus beijos. – respondeu ainda me segurando firme.

– Então me beija.

 

Addam me olhou confuso, mas não demorou e me prendeu em seu doce beijo. Seus lábios eram suaves e firmes e me faziam tremer como se uma corrente elétrica percorresse o meu corpo. Ficamos ali por algum tempo. Eu rolei para o lado e ele se virou para ficarmos abraçados.

 

– Nossa, seu beijo é muito bom, imagina se você quisesse me beijar então. – disse ele sorrindo.

– Eu te odeio Greene. – Tentei me levantar mas Addam me segurou firme e me beijou novamente. Terminamos o beijo ofegantes e nos deitamos um ao lado do outro novamente.

 

– Por que você é tão arredia assim? – indagou

– Por que a vida me fez ser assim.

– Eu te amo Litza.

– Addam, eu… Eu estou muito confusa.

– Não preciso que você me diga nada, eu só precisava falar.

 

Eu toquei a pele pálida, rija e gélida de Addam e a imagem de Lykke bebendo sangue aquele dia no banheiro voltou a minha mente. Me levantei de repente e corri, corri o mais rápido que pude.

 

– Litza. – Chamou Addam

 

Ele me alcançou e me segurou.

 

– O que houve, o que está acontecendo com você?

– Me solta, por favor, me deixa ir, não me machuca.

– Litza, eu jamais a machucaria.

– Por favor, me deixa ir. – eu disse em meio às lágrimas. – Eu juro que não vou contar a ninguém o que eu sei sobre você e a Lykke.

– O que você sabe? – Addam perguntou confuso

– Eu vi a Lykke no banheiro da escola, ela estava bebendo sangue.

 

-Você viu? – perguntou Addam irritado, suas mãos apertaram ainda mais meu pulso quase prendendo minha circulação. – O que mais você viu?

– Nada, eu juro. – Disse eu – Agora me deixa ir. Ninguém vai saber. Eu prometo.

 

Suas mãos afrouxaram em meus pulsos e ele fixou seu olhar em meus olhos. Nada naquele olhar me deixava apreensiva, mas sim triste. Seu olhar parecia perdido.

 

– O que foi? –  perguntei

– Eu não queria que você tivesse descoberto assim. Ser como eu sou é horrível.

– Mas você não me machucou até agora – disse eu com a voz ainda tremula.

– Não é isso. Meus irmãos e eu nos alimentamos com sangue “doado”. Roubamos de bancos de sangue.

– Então você é mesmo um vampiro? – perguntei ainda perplexa, porém mais calma.

 

Addam se afastou e virou em direção ao lago, eu me aproximei e fiquei cara a cara com ele. Seu olhar era triste. Aquele lago negro que eram seus olhos quando passou por mim no primeiro dia de aula, se tornou apenas um vazio.

 

– Sim, eu sou um vampiro. – Addam sentou-se à beira do lago. Pensei que fosse impossível o que eu acabara de ver, mas eram lágrimas

que caíam de seus olhos.

– Eu sei que você não vai me machucar, mas porque você tem tanto interesse em minha família? Você disse que eu sou diferente, o que isso significa?

– Litza, tem muitas coisas sobre nossas famílias que você precisa saber. Eu não posso te contar agora porque podemos estar sendo vigiados.

– Vigiados? – perguntei confusa

– A única coisa que eu posso te adiantar agora é que você não pode confiar em seu tio nem nos amigos dele.

– Mark é minha única família, como posso não confiar nele? – disse eu com raiva

– Litza, Mark é um de nós, mas ele sabe se camuflar. – disse Addam com raiva. – Ele mata pessoas, e quanto mais pessoas ele mata mais parecido com os humanos ele fica, por isso minha família e eu somos gelados e rijos por que não nos alimentamos de sangue fresco.

– Você está me dizendo, que eu moro com alguém que pode me matar?

– Sim, ele pode fazer com você o mesmo que fez com a Wendy.

– Wendy? Como? O que ele fez com a minha irmã?

– Litza, eu não posso te contar tudo agora, por favor, vá para casa, amanhã eu te conto mais, mas se prepare, nem tudo que parece real, é.

– Me desculpe, mas eu preciso saber sobre a Wendy.

 

Addam segurou com força meu braço e disse olhando dentro de meus olhos: – Não conte a ninguém o que conversamos aqui, não por mim, mas por você mesma.

– Não tenho nada para contar a ninguém.

– Sei que quer e precisa saber sobre muitas coisas Litza, mas antes preciso conversar com meus irmãos sobre isso. Tem muitas coisas que precisa saber, só não sei se é a hora.

– Eu confiei em você, pensei que pudesse confiar em mim também. – Saí da floresta, entrei no carro e fui para casa.

 

 Continua…

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