Beijo Eterno – Sociedade das Sombras (Pt.2): Addam Greene

Escrito por Mille Meiffield

addam

No dia seguinte, fui escoltada por um policial até o aeroporto de Annandalle, ele me acompanhou num longo voo até New Hampshire.

Na saída do Leavitt Airport, meu tio Mark Zamerov me aguardava com uma expressão confusa. Acho que poderia ser ansiedade, pois assim que me viu, correu para me abraçar. Há vários anos, desde que brigara com meus pais, ele não ia a nos visitar em casa. Ele era meu único parente vivo. O irmão mais novo da minha mãe. Era impressionante como ele parecia novo. Mark deveria ter mais ou menos quarenta anos, mas não parecia ter mais do que trinta. Eu fiquei parada, como se não fizesse diferença o abraço da pessoa que eu costumava amar e fui forçada a aprender a esquecer. Ele sempre me enchia de presentes em todas as datas comemorativas possíveis, mas não importava o que ele fizesse, Wendy jamais gostou dele.

– Você deve estar exausta querida. – disse ele carinhosamente. – Obrigada por acompanhá-la. – falou dirigindo-se ao policial, que apenas assentiu com a cabeça e foi embora.

Entrei em seu Dodge azul safira, um luxo para os moradores daqui. Esta é a cidade mais fria e silenciosamente patética de New Hampshire. Chegando a uma rua extremamente deserta, Mark estacionou em frente a uma quase mansão, cheia de pequenos arbustos com pedras fazendo o caminho da entrada. Luzes coloridas piscavam nos dois arbustos maiores, nas bordas de todas as janelas e na porta da frente. Uma casa alegre talvez pudesse amenizar meu clima de depressão. Mark retirou do banco de trás do carro, a única mala que eu trouxera e carregou até a entrada. Chegando à porta, ele parou, colocou a mão direita no bolso da frente da calça jeans e pegou um lindo chaveiro em formato de diamante com três chaves e me entregou.

 

-Essas chaves são suas. – disse ele me entregando o molhe.

-Obrigada. – disse eu com a voz embargada.

Chegando ao alto da escada, Mark colocou minha mala em frente a uma porta de cor lilás. Ele disse que ia preparar o jantar enquanto eu desfazia as malas e me acomodava. Entrei no quarto e a surpresa me deixou encantada, como se o quarto tivesse sido preparado pra mim. O quarto era todo lilás por dentro, com algumas decorações roxas. Sobre a cama, havia um dossel e no véu haviam borboletas penduradas. Quando abri o closet me deparei com uma foto da minha mãe quando era adolescente. Peguei a foto e desci as escadas rapidamente, fui procurar a cozinha naquela casa enorme.

Apesar de virem de famílias ricas, meus pais sempre moraram numa casa modesta com um pequeno quintal para Wendy e eu brincarmos quando éramos crianças. Não fazia ideia que minha mãe já havia morado numa quase mansão. Finalmente encontrei a cozinha e parei encostada na soleira da porta. Mark – que estava cozinhando – sentiu minha presença e virou o rosto para me olhar. Ele viu a foto em minhas mãos, minha expressão de surpresa e disse: – Esse era o quarto da sua mãe.

-Minha mãe morava mesmo aqui? – perguntei retoricamente. -Até conhecer John e se apaixonar. – respondeu – Cerca de quatro meses depois, eles resolveram fugir e se casaram longe daqui.

-Tem mais alguma coisa que eu preciso saber tio? – Eu sabia que Mark estava escondendo muito mais do que ele queria me contar. Eu queria saber mais, meus pais eram evasivos em demasia quanto ao passado deles. Quero saber o que eles poderiam estar escondendo.

-Qualquer hora te conto toda a história. – disse Mark terminando o assunto.

-Por favor, tio. – insisti – Eu quase não sei nada sobre os meus pais. Eles nunca falavam sobre o passado. Nem porque o senhor deixou de ir nos visitar.

– Eu prometo que conto tudo depois. Você precisa se alimentar e descansar agora. Amanhã você começa a estudar na North Conway High School e toda terça-feira depois das aulas terá uma sessão de terapia com a psicóloga do colégio. O diretor já deixou tudo pronto para você. Ah, e não se esqueça de passar na secretaria antes das aulas para escolher suas atividades extracurriculares e pegar seu cronograma de aula.

 

-Eu não vou estudar na North Conway. Uma das poucas coisas que a minha mãe contava sobre esse lugar, era que os Zamerov nunca foram aceitos aqui e que todos a odiavam, exceto o papai.

-É a única escola daqui e você vai estudar lá sim. Uma vez a sua mãe pediu que eu cuidasse dos bens mais preciosos que ela tinha se um dia algo acontecesse a ela e a seu pai. Eu já não posso mais fazer muita coisa pela Wendy, além de torcer para que ela esteja viva, mas por você eu posso. As aulas começam as oito.

Mark serviu o jantar. O cheiro era agradável ao ponto de fazer com que minha boca salivasse, mas não me rendi a isso. Fui para o meu quarto e mesmo morrendo de fome, me deixei levar pela dor e o cansaço e adormeci. Acordei mais indisposta e dolorida do que nunca, por ter dormido em uma só posição a noite toda.

Contrariada e obviamente muito mal humorada, peguei a primeira roupa que vi pela frente e vesti. Um jeans velho e um suéter cinza sem graça que ganhei da Wendy no meu último aniversário. Corri até meu carro para me livrar da chuva torrencial que caía sobre a cidade, entrei, liguei o aquecedor e fui para a torturante North Conway High School. Minha mãe sempre contava histórias de quando ela e meu pai iam namorar escondido na clareira que se encontrava ao final de uma trilha na quinta entrada da floresta, então fui para a escola pela estrada mais longa, a que passava por esse caminho para tentar achar essa trilha. A paisagem era encantadora e adorável, mas aqui não era a minha casa. Cheguei ao estacionamento da escola um pouco cedo demais, ainda estava vazio. Estacionei o Porsh preto que Mark me dera, próximo ao prédio principal. Peguei minha mochila, fui até a secretaria para me apresentar e escolhi a única atividade extracurricular que estava disponível no momento. Teatro.

Peguei meus horários e me dirigi para a minha primeira aula do dia, história com o professor Ackles. Os corredores já estavam cheios de estudantes, todos me encarando. Uns olhavam assustados, enquanto outros me olhavam sombriamente. Voltei meus olhos para o chão e caminhei rapidamente procurando a sala de aula, uma garota com um olhar estranhamente mortal esbarrou em mim com força quase me fazendo cair.

– Sai da minha frente, idiota. – disse a garota. Todos começaram a rir de mim. Peguei minha mochila que tinha caído do ombro e continuei andando. Chegando a sala de aula o professor me encaminhou para uma carteira na última fileira. Meu parceiro de aula ainda não havia chegado então eu me acomodei em meu canto, peguei o livro que o Sr. Ackles havia me dado, coloquei-o sobre a mesa e comecei a ler. Não demorou muito e a garota que tinha feito eu passar vergonha no corredor, passou pela porta e olhou furiosa para onde eu estava. Ela contornou a minha carteira e sentou-se ao meu lado.

– Bom pessoal, essa é Ralitza Zamerov – disse ele apontando pra mim. – Ela vai estudar conosco a partir de hoje. – Tobey Ackles era um professor bem bonito. Devia ter mais ou menos uns trinta anos, tinha pele morena bem clara e olhos cor de mel. – Senhorita Greene, espero que possa acompanhar a senhorita Zamerov pelo colégio hoje, para que ela possa se adaptar mais fácil.

Com um sorriso malicioso nos lábios, ela disse que não seria problema algum. Para meu desespero, a aula terminou rápido demais. Arrumei o material na mochila o mais devagar possível, esperando que com a minha demora, a tal senhorita Greene – que eu descobri se chamar Lykke – não estivesse me esperando do lado de fora da sala. Na secretaria eu fui informada que a Sra. Quigley, minha professora de francês tinha faltado, então resolvi esperar pela próxima aula no banheiro. Eu estava ansiosa para voltar pra casa. A repulsa que os outros alunos sentiam por mim me incomodava além do que deveria.

Saí da cabine do banheiro e fui lavar minhas mãos, e para a minha surpresa, Lykke Greene me esperava com uma expressão mortal em seu rosto. Assustada, caminhei rapidamente até a pia para pegar minha mochila que estava em cima do balcão sem olhar ou falar com ela. Cuidadosamente, ela me puxou por traz, segurando a gola do meu suéter, tapando a minha boca e me jogando contra a parede. Bati com a cabeça e fiquei meio tonta.

– Ouça bem, coisinha insignificante – disse ela com uma voz sombria e olhos ameaçadores – se você ousar chegar perto de mim ou de minha família você morre.

– Eu nem conheço a sua família, não sei do que você está falando. – disse com a voz rouca, tentando manter a cabeça parada.

 

– Nunca tente nada contra os meus e você ficará bem, mas se alguma coisa acontecer com meus irmãos, mesmo que não tenha culpa, você vai pagar, e vai pagar caro.

– Eu já disse, Não sei do que está falando. – disse eu apavorada

– Não banque a sonsa. Eu sei muito bem o que você veio fazer aqui. Saia do meu caminho Zamerov.

Lykke saiu pela porta a passos largos. Eu aproveitei que ainda tinha algum tempo e lavei o rosto para me livrar das lágrimas que teimavam em cair de meus olhos. Tentei controlar a respiração para me acalmar. Prendi o cabelo com um rabo de cavalo frouxo e fui para a aula de teatro da professora Chatner. A primeira tarefa foi para mim a mais difícil. Nós tínhamos que contar como foi o nosso primeiro semestre na escola. Como eu era a novata, tive que contar como foi o início do meu dia. O que eu podia dizer? Eu não podia contar o que acontecera. Se a Wendy estivesse aqui, tudo seria mais fácil. Ela me fazia falta.

Eu fiz o melhor que pude.

Enfim chegou a hora do almoço. Procurei a mesa mais afastada e ela estava vazia. Ótimo. Eu nunca almocei sozinha em Annandalle, sempre tive vários amigos. Aqui eu almoçaria sozinha sempre, o que não seria tão ruim, já que ninguém gostava de mim. Retirei o meu lanche da mochila e na hora que eu ia dar uma mordida no meu sanduíche, uma linda figura despontou no corredor, vindo em minha direção. Ele era alto, tinha uma pele tão pálida que parecia neve, um cabelo liso e negro que se destacava entre os outros. Seus olhos me lembravam pedras de ônix, eram como lagos negros que pareciam sugar toda a minha energia. Tudo ao redor se silenciou. Meus pensamentos voaram em torno dele.

– Bruxa! – Gritou um garoto que estava com ele ao chegarem perto. – Volta pro lugar de onde veio aberração.

Meu rosto enrubesceu. Eu não tinha medo dele, mas senti vergonha. Porque ele me chamava de bruxa se nem me conhecia? Porque todos me evitavam? Peguei meu lanche e me retirei do refeitório, ouvindo as sonoras risadas que davam olhando para mim. Fui para o pátio, a chuva torrencial mantinha o lugar deserto o que me aliviou um pouco. Alguns pingos caíram sobre o meu casaco. Sentei-me num banco da área coberta que ficava quase do outro lado do pátio. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto novamente. A dor de estar sozinha no mundo e sem amigos estava martelando em meu peito. Sequei a última lágrima ao ouvir passos se aproximarem. Olhei com o canto dos olhos e o vi. Era o carinha bonito que passou por mim no refeitório. Não tem mais ninguém aqui, então ele só pode estar aqui para me humilhar. Ele sentou-se ao meu lado, olhou para o chão e com uma voz grave e suave ao mesmo tempo me cumprimentou.

– Oi.

– Oi – disse eu com um meio sorriso triste.

– Me desculpe pelo Matt. Ele sempre é um idiota, mas é um bom amigo.

– Não precisa se desculpar, não foi sua culpa.

– Ah! Desculpa a minha falta de educação. Sou Addam Greene. –ele estendeu a mão para mim e meu corpo retesou.

Uma brisa gelada subiu pela minha coluna. O medo me fazia tremer por dentro e eu me segurei ao máximo para não demonstrar a ele isso. Se Lykke o visse conversando comigo agora, minha morte seria certa.

 

– Vejo que já conheceu Lykke. Não se preocupe, ela não vai te machucar. – disse ele com um toque carinhoso e um largo sorriso nos lábios. Eu não conseguia falar. Meus olhos fitavam minuciosamente cada movimento do seu corpo – Você é Ralitza Zamerov, não é?

– Litza! – exclamei. Só meus pais me chamavam de Ralitza, e mesmo assim, quando eu fazia algo errado.

– Litza, tudo bem. – ele riu de novo – Então Litza, como eu disse, não precisa ter medo da Lykke, ela é protetora demais, mas não é má pessoa

– Eu não tenho medo dela – disse sobressaltada – Só não quero ninguém me enchendo.

-Calma, não foi isso que… – outro sorriso começou a se formar.

Peguei minha mochila e levantei, não tinha motivos para ouvir desaforo de alguém que nem me conhecia. Ele me segurou pelo braço e me girou até que eu ficasse de frente para ele.

– Desculpe, não quis ofender, é que a minha irmã causa isso nas pessoas. – disse ele se desculpando.

– Não me ofendeu, só não te devo explicação alguma – disse eu irritada. Puxei meu braço para me desvencilhar de seu aperto forte e fui andando a passos largos para o terceiro prédio, onde tinha aula de inglês.

As aulas da tarde se arrastaram, mas enfim tocou o ultimo sinal. Addam insistiu em sentar-se ao meu lado em todas elas, mesmo Lykke estando na aula de biologia conosco. Corri para o estacionamento assim que percebi Lykke e Addam conversando e sem prestar a atenção em mim. Abri a porta do meu Porsh, coloquei a mochila no banco de trás e pulei para o banco da frente com o pé disparando para o acelerador. Chegando em casa, estacionei na entrada da segunda garagem. Peguei minha mochila e corri até a porta, a chuva torrencial continuava como de costume, mesmo estando no início do outono. Entrei e um estranho cheiro doce invadiu minhas narinas. Fui até a cozinha e encontrei sobre a mesa uma torta de chocolate com coco igual à que a minha mãe fazia comigo e Wendy ajudando. Era nossa torta preferida. Tinha um bilhete junto e uma travessa de vidro coberta com papel alumínio ao lado. Abri o bilhete e reconheci a letra do meu tio. Nele dizia que a torta era um presente de boas-vindas e a lasanha – que estava na travessa de vidro – era o meu almoço e que na segunda gaveta da estante tinha dinheiro para eu comprar algo para comer a noite. O que eu não entendi e achei estranho foi a última frase do bilhete: “- pode convidar alguns amigos para vir hoje à noite, só volto amanhã, pois vou dobrar o turno no hospital.” Ele sabia que levaria algum tempo para me adaptar ás pessoas daqui. Sabia que não seria fácil fazer amizades.

Eu não estava com fome, então ignorei a comida e subi as escadas pesadamente. O cansaço começava a me dominar pela noite mal dormida. Joguei a mochila no closet e desabei em minha cama. A imagem de Addam não saía de minha cabeça. Ele tinha a voz tão doce que me entorpecia ao chegar a meus ouvidos. Meus olhos começaram a arder e eu pisquei. O sono começava a me dominar e eu cedi.

Acordei com o estomago reclamando de fome. Olhei pela janela e já estava escuro. Um som de sinos ecoou pela casa e entendi que era a campainha. Desci as escadas rapidamente e ao abrir a porta, senti meu coração acelerar. Era Addam.

– Oi! – disse sorrindo. – Não vai me convidar a entrar? – Perguntou.

– P-pode entrar. – foi horrível gaguejar na frente dele. Fiz um gesto com a mão e ele entrou em seguida. – Pode sentar. O que você está fazendo aqui?

– Eu vim te ver. – A resposta dele me pegou de surpresa e eu corei.

– A Lykke sabe disso? – ataquei

– Na verdade, ela está na porta esperando que você a convide a entrar.

– O que? – perguntei assustada. – O que ela faz aqui?

– Eu a convenci a te pedir desculpas e ela aceitou. – respondeu ele

– Assim tão fácil? – retruquei –Me desculpa, mas isso está me cheirando mal.

No exato momento em que parei de falar a campainha tocou novamente, me fazendo pular. Fui até a porta e abri. Lykke estava com um lindo vestido marrom e um tênis branco com listras azuis. Ela me olhava diferente de hoje de manhã. Isso me assustou mais ainda.

– Posso entrar? – Perguntou com uma voz tão perfeita que me congelou de início.

Não consegui responder, mas ela entrou assim mesmo e foi sentar ao lado do irmão.

– O que vocês estão fazendo aqui? – Minha voz estava uma oitava mais alta. O medo percorria a minha espinha como gotas de gelo derretendo das geleiras.

– V-vocês aceitam comer alguma coisa? – que droga! Será que eu sempre ia gaguejar na frente deles? – Eu estava pensando em fazer uma festinha particular. Tem bolo e lasanha na cozinha e o freezer está cheio de álcool e refrigerante.
– Não viemos aqui para comer e sim para conversar com você. – disse Lykke grosseiramente.

– Lykke por favor. Litza, eu não quero te assustar, mas você sabe quem você é? – Perguntou Addam.

– É claro que eu sei quem sou. Por que não saberia? – Perguntei confusa.

– Eu te disse Lykke, mas você nunca me ouve. – Uma buzina soou do Lado de fora da casa

– É o Petter, eu disse para ele me buscar aqui. – disse Lykke despreocupadamente e saiu pela porta.

– Ela é assim mesmo? – perguntei espantada com o modo de agir dela.

– Não, ela ainda não gosta muito de você, mas ela logo vai se acostumar.

– Quem é Petter? – perguntei

– Nosso irmão mais velho. – respondeu Addam

 

 

– O que você quis dizer com,” você sabe quem você é?” – repeti o que ele disse, mas minha voz não era tão suave como a dele, parecia até rude.

– Eu tenho muita coisa para te explicar, mas tudo tem a hora certa, por exemplo, agora eu gostaria de assistir um filme com você, se não se importar.

– Bom, não me importo, mas não acho que meu tio tenha algum filme interessante, aliás, não vi nenhum desde que cheguei aqui.

– Não se preocupe, trouxe Drácula de Bram Stocker. É um clássico.

– Eu já vi umas quinhentas vezes, mas adoraria assistir de novo.

– Ótimo. Então podemos assistir um bom filme de suspense, comer e beber…

 

Um barulho de sinos soou em meus ouvidos e abri os olhos abruptamente. Percebi que estava sonhando em meu quarto e não na sala com Addam. Antes que me lembrasse completamente do sonho, a campainha tocou novamente. Corri escada abaixo para abrir a porta, provavelmente Mark esquecera as chaves no hospital.  Mas não era Mark, e sim uma garota da aula de teatro, Rachel Maker.

– Oi. – disse eu.

– Oi. – respondeu ela com um meio sorriso tímido. – Seu nome é Litza, não é?

– É sim.

– Sou Rachel Maker. Moro do outro lado da rua e te trouxe um presente de boas-vindas.

Ela segurava um pequenino bibelô de bruxinha. Estendeu sua mão e colocou o presente na minha.

– Obrigada. Eu acho. – disse eu triste ao ver que as pessoas daqui realmente não gostavam de ninguém da minha família.

– Me desculpa, não era para você ficar triste, eu só achei que você fosse realmente gostar. – disse ela com sinceridade nos olhos. Ela se virou e já estava indo embora…

– Espera! – chamei desconfiada. – Isso não é uma piada?

– Não. Eu não acredito nas bobagens que as pessoas daqui falam. Pensei que seria engraçado e que você não ligaria, só isso. – disse ela se desculpando.

– Tudo bem, eu gostei mesmo.

– Sério? – Perguntou

– Sério. Anh… Você gostaria de entrar?

– Claro, mas não posso demorar muito. Você conheceu meu irmão, Matt, hoje no refeitório. Aquele bobão que te chamou de bruxa. – disse Rachel

– Você disse a ele que viria aqui? – perguntei

– Se ele soubesse, eu não teria nem conseguido tocar a campainha.

– Ele me detesta tanto assim?

– Ao contrário de mim, ele acredita em todos os mitos e lendas da cidade.

– Mitos e lendas?  – Indaguei

– Você não sabe? – Perguntou ela

– Não faço a menor ideia.

 

Rachel entrou e fomos nos sentar no sofá, nos olhamos por um instante e eu esperei até ela começar a falar.

– Eu não sei muito. Na verdade a única coisa que eu sei, é que a

sua família e a família Greene, têm um tipo de rivalidade que já dura séculos.

– Obrigada – disse eu. Meus olhos estavam mareados, mas segurei as lágrimas

– Não precisa me agradecer, eu nem sei toda a história. – disse Rachel – Você está chorando?

– Sim, e não estou te agradecendo por isso, e sim por falar comigo.

– E porque não falaria? Você me parece uma pessoa muito legal, usa roupas incríveis, e apesar das histórias, vários gatinhos já ficaram de olho em você. Eu a vi conversando com Addam hoje.

– Eu não quero falar sobre isso.

– Por quê? Ele fez algum comentário idiota?

– Não, é que… mesmo assim, não foi agradável. Você ainda tem algum tempo? – Perguntei mudando de assunto.

– Acho que sim. – respondeu Rachel – Só não quero chegar em casa depois do Matt.

– O que você acha de comermos e assistirmos a um filme? Mark só vai chegar em casa amanhã e eu tenho bolo e lasanha na cozinha.

– Eu adoraria. Tem tanto tempo que eu não faço isso

– Só vou te pedir uma coisa… não fica assustada se eu começar a chorar, é que na minha última noite de garotas, eu perdi três pessoas que eu amava.

Contei para Rachel toda a história. Ela me fitava admirada. A história a deixou um pouco apreensiva. Sei que ela me entendia melhor e que minha estranheza no primeiro dia de aula tinha sentido agora.

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