Galamadriel (Pt. 10): Calíope

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Escrito por Lillithy Orleander

Iridish partiu levando Qüerinemer ainda adormecida em seus braços por uma porta que havia sido aberta por Lilith.

Ela vestia um longo vestido púrpura de estilo medieval, com detalhes em renda preta que deixava seus ombros pálidos á mostra e fazia mangas compridas escondendo – lhes a mão.

O cabelo preso em uma trança que se iniciava no topo da cabeça, estava coberto com pequenas rosas negras, seu semblante era triste, e ao olhar pela janela o passado veio lhe a mente.

“Era tudo perfeito, éramos felizes e eu possuía o amor de Gabriel para mim. Era simples, não ter que dividir o poder e nem as atenções.

Eu havia sido criada para auxiliar os Arcanjos e fora criada com o propósito de ser parceira de um deles, assim como outras estavam sendo criadas para o mesmo fim.

De imediato, me tomei de amores pelo jovem Gabriel. Ele era alto e tinha os olhos esverdeados, mas eles sempre mudavam de cor com seu temperamento e não demorou muito para que eu aprendesse isso.

Eu o amava, mais do que qualquer coisa e as parceiras criadas para os demais, foram se tornando apenas anjas á serviço de embelezar nosso lindo lar.

Rafael não desejou a sua em momento algum e nem ela mesma o quis, pareciam irmãos, nas brincadeiras e até mesmo conversas, eram gêmeos por ironia do acaso.

Miguel se preocupava mais em ajudar o Pai do que em ter alguém ao lado e muitas vezes até achávamos graça de ver a pobre anja correr atrás dele.

Com Lúcifer, foi totalmente o oposto, ele se dava muito bem com sua parceira e isso por horas era visto com maus olhos pelo pai, que notava a todo instante que seu filho do meio, fazia exatamente por onde enfrenta – lo com suas atitudes.

Mas então veio a criação dos humanos, e foi onde surgiu a inveja entre eles e a vontade de ser possuidor da Terra. A criação favorita de nosso Pai tomou sua atenção de tal maneira que fomos sendo esquecidos aos poucos e designados para ser os servos do homem. Ou pelo menos essa era versão de Lúcifer, e eu como idiota, acreditei.

Miguel de imediato ficou ao lado do Pai e foi recompensado como aquele que ordenava, mandava e desmandava na Terra.

Rafael ficou irado, mas nada disse não queria aborrecer seu progenitor.

Gabriel observava á tudo calado, ele sempre me assustava quando seus olhos passavam para aquele tom acinzentado.  Ajudou a continuar a criação do mundo, enquanto Lúcifer encontrava um jeito de conseguir o que agora parecia pertencer á Miguel, ele queria o poder e depois de algum tempo, vendo quão belo tudo ficava, passei a desejar tal lugar para mim da mesma forma e foi assim que Lúcifer me levou consigo.

Ele percebeu e logo, começou a me fazer pensar na idéia, eu aceitei e o céu já não era mais o limite para mim e o amor de Gabriel perdia cada vez mais espaço em meu ser, somente o poder me faria feliz, ou pelo menos era o que eu achava.

Lúcifer tentou convencer os irmãos logo que o homem nasceu,de que o mundo pertencia a eles e não a nova raça. Rafael ficou tentado a lutar contra os demais, mas como bom covarde que era, abandonou totalmente a idéia quando lembrou – se que teria que enfrentar o Pai e isso ele não faria.

Não era para haver uma briga, mas Miguel não aceitou os termos de Lúcifer e a batalha começou. Muitos anjos concordaram com o que ele dizia e também queriam sentir o poder nas próprias mãos, assim como eu.

Para todos nós, éramos visionários lutando por nossos direitos. Gabriel descobriu que eu havia me tornado consorte de Lúcifer. A principio ele se julgou incapaz e me perguntou por que, eu apenas abaixei a cabeça enquanto Lúcifer passava o braço sobre meus ombros e ria debochando do irmão.

– Você sempre foi fraco Gabriel, sempre se escondeu na sombra de Miguel. Prove a Lilith que você a ama e lute por nossa parte na herança.

– Isso não é minha herança. – respondeu ele virando – se de costas. – Isso jamais será nossa herança, é a criação de nosso Pai, portanto matem – se, lutem entre si, aquela raça é forte e vocês queiram ou não, nós passaremos, mas eles continuaram por aqui. Se você deseja ir Lilith, é um direito seu. Você é livre.

Gabriel alçou vôo e se quer olhou para trás.

– Vê esse é o tipo de fraqueza que deve ser aniquilada. – disse Lúcifer olhando com raiva para o irmão que acabará de partir.

Miguel desembainhou a espada e saiu em defesa de Gabriel, o ódio ardia dentro daqueles olhos, ele e Gabriel sempre foram muito próximos e sempre estavam juntos, o que os tornava inseparáveis e extremamente poderosos.

– Venha seu moleque, que vou lhe mostrar por que EU sou melhor que qualquer um dos quatro para governar.

A briga começou e ambos faziam suas espadas tilintar com voracidade e determinação. Ninguém queria perder e ninguém queria ter que abaixar a cabeça para o outro admitindo a derrota.

Nosso Pai que parecia disperso com a criação do novo mundo sentiu a vibração desastrosa que se instaurava entre nós.

Foi quando fomos banidos, pelas mãos de Miguel, Rafael fugiu no meio da batalha e não tomou partido em nenhum dos lados.

Gabriel voltou seus olhos escuros como o breu, enquanto descia ao chão, me olhando com nojo, eu estava caída, suja de lama e poeira e nem assim ele se compadeceu.

Lúcifer esbravejava e jurava vingança a plenos pulmões, eu corri em direção a Gabriel desesperada e agarrei – me em seus joelhos pedindo que ele intercedesse por mim. Ele abaixou e puxou meus braços de suas pernas e me colocou de pé, segurando – me pelos ombros, olhou – me com os olhos marejados, e não disse palavra, apenas me empurrou virando – me as costas em seguida.

Aquilo fez com que algo em mim doesse profundamente, eu havia perdido Gabriel.

Os anos passaram – se e me tornei a soberana de uma terra amaldiçoada e a principio destruir e fazer os servos de meu Pai caírem em ruína era o melhor dos sabores e do meu ponto de vista a mais bela vingança.

A morte foi criada com o principio de separar bons e maus, mas não resolveu muito as coisas, outra vez eles discutiram e brigaram para ver quem teria o poder sobre ela, mas dessa vez nosso Pai foi mais rápido, deu á ela plenos poderes sobre todas as criaturas.

Lúcifer temeu perder a vida, a existência majestosa e os planos que ele traçava para o futuro. Abandonou a disputa, assim como Miguel, que também temeu perder tudo. E essa foi a maneira que encontraram para afastar um do outro, pelo menos a curtos intervalos, mas não havia meios de mantê – los afastados por muito tempo, eles achavam meios inacreditáveis para criar atritos que sacudiam a terra, o inferno e o céu. Depois de um tempo aquilo me entediou de tal maneira que eu já nem me dava o luxo de aparecer, as discussões eram desgastantes, encontrar Gabriel era dolorido, ainda mais depois que você se torna a mãe de muitos demônios menores.

Um dia sem ao menos esperar, acabei encontrando uma porta em um canto oculto. A curiosidade tomou conta de mim e achando ser uma artimanha de Lúcifer ou algum de seus segredinhos sujos, já que ele possuía tantos.

Para minha surpresa o caminho atrás da porta era escuro, mas muito perfumado, no primeiro instante eu recuei, dei dois passos para trás, mas algo me mandava continuar. Foi a primeira vez que ouvi a melodia, doce, cadenciada e melancólica.

Era como ser enfeitiçada e amarrada por cordas para que eu continuasse seguindo o som. Para minha surpresa avistei uma claridade ínfima e senti uma leve brisa dançar ao meu redor, aos poucos eu me acostumava novamente com a claridade e assim acabei por sair em uma janela.

Ele tocava docemente o piano, de olhos fechados, e com as longas asas tocando o chão.

Gabriel, depois de tantos milênios era ainda mais belo do que tudo que eu já havia visto nos mundos paralelos ao nosso nos últimos tempos, embora todos dissessem que Lúcifer era o mais belo de todos os anjos.

Ele não percebeu quando cheguei e eu não quis atrapalha – lo fiquei sentada atrás da cortina azul, ouvindo a canção e admirando o ser que eu tanto amava.

Ele parava de tocar e eu ia embora, era – me dolorido saber que estava tão perto e tão longe dele, eu ia todos os dias e aquilo havia virado meu vicio diário.

Com os dias passando percebi que o perfume do caminho nada mais eram do que lindas rosas brancas que pareciam crescer  na esperança de que alguém as encontrasse.

No dia seguinte eu fui novamente atrás da canção, mas tudo estava quieto e aquilo me causou espanto.

Pela primeira vez adentrei o recinto sem medo de ser vista, parecia estar vazio.

Me aproximei do piano e ousei me sentar no lugar que ele sentava, dedilhar as notas que ele dedilhava e respirar o ar que ele respirava.

O perfume das rosas me tomou de imediato e me virei, Gabriel me olhava de longe, de braços cruzados e com os mesmo olhos acinzentados daquele dia fatídico.

Eu me levantei e pensei em tentar me explicar, mas as palavras me fugiram dos lábios e eu simplesmente virei às costas para voltar por onde havia vindo, mas então percebi que se eu entrasse ali, ele saberia como eu havia chegado e daria um jeito de sumir com a passagem, eu não poderia perder isso também, olhei para uma porta ao lado que emanava o mesmo perfume e adentrei.

Era o lugar mais lindo que alguém poderia conhecer, meus olhos encheram – se de lágrimas ao presenciar tal beleza, a grama verde ainda molhada pelo orvalho, parecia crescer preguiçosamente sobre o solo, pequena flores serviam de pouso para borboletas multicoloridas que ali dançavam sem se preocupar, a clareira, era cercada  por pinheiros altos e parecia criar uma pequena fuga em direção á uma cachoeira onde eu podia ver lindas ninfas de cabelos esverdeados e pele pálida, brincarem perto dá água, fazendo pequenos arco – ires. A brisa morna que emanava estava carregada de mil essências, todas de alguma forma agradáveis ao olfato.

Eu caí de joelhos e dei livre curso as lágrimas, estava emocionada, Gabriel escondia do mundo seres mais do que belos, eles eram mágicos.

Uma pequena criança que parecia caber em minha mão. Sentou – se em minha perna, com olhos da cor do vinho e me olhou com seus olhos gigantes, balançando sua minúscula cabeça e sorrindo, sua risada parecia um sino e isso me acalmou e me fez perceber cada detalhe daquela realidade. Era tudo perfeito demais.

– São os Jardins de Avalon.

Era Gabriel que caminhou em minha direção e sentou ao meu lado.

– Nenhum mortal, a não ser que elas desejem – ele apontou em direção as pequenas criaturas. – pode achar esse lugar.

Eu abaixei minha cabeça e ruborizei violentamente, era como voltar ao início e ter ele só pra mim novamente, abraça – lo, beija – lo…

O que eu sentia falou mais alto e me fez aproximar – se dele, eu acariciei seu rosto, e ele fechou os olhos beijando a palma da minha mão.

Não tinha mais o que dizer, ele ainda me amava, era meu Gabriel outra vez, os olhos agora límpidos feito um cristal, me diziam isso.

Ele me beijou e por um instante tudo estava perfeito outra vez.

Gabriel tocou meu corpo, e este o recebeu como se a tempos o esperasse. Ele deitou – se sobre mim, lançando as longas asas ao ar, a pele dele ainda tinha o mesmo sabor adocicado e o abraço dele ainda me mantinha absorta em somente quere – lo.

Gabriel beijava minha clavícula e traçava pequenos círculos com a língua em meu pescoço, suas mãos ágeis abriam meu vestido com a mesma delicadeza de um amante, sua mão quente passeava por meu corpo enquanto eu buscava sorver cada pedaço daquele momento. Nossa respiração unida, uma vez mais, enquanto nossos corpos respondiam em perfeita harmonia a cada movimento do outro.

Eu me sentia completa novamente.

– Eu a amo Lilith.

Eu só li verdade naquelas palavras.

– Por toda a vida e além dela Mi Lord. Eu também o amo Gabriel, mas do que minha própria existência.

Depois daquele dia, eu passei a dar um jeito de fugir de Lúcifer para ter Gabriel, nós sabíamos que mais cedo ou mais tarde tudo seria descoberto, e como toda alegria vivenciada, nossos encontros chegaram ao fim.

Rafael havia descoberto e ameaçou Gabriel, ele para não me ver morrer fez o que tinha que ser feito e por fim me abandonou.

Mas então eu descobri que dentro de mim existia um novo ser, um pedaço de meu bem amado, corri desesperada e feliz pelo caminho que me levava a Gabriel para lhe contar a noticia, mas ele achou que eu mentia que a criança era filha do irmão. Aquilo me magoou profundamente, mas ele tinha seus motivos para desconfiar.

Lori, um servo fiel que de tudo sabia me incentivou a se deitar com Lúcifer para que a criança não fosse morta e assim foi feito.

Nasceu então uma linda menina, a qual chamei de Mícarhy, ela tinha os olhos verdes e os cabelos cheios de pequenos anéis dourados, como os do pai, e sorria para tudo e todos emanando bondade e alegria.

Infelizmente Micarhy crescia rápido, e para meu azar era muito curiosa para uma criança.

Uma tarde enquanto acompanhava Belial em sua ronda, ela pediu para caminhar ao lado do rio Estige, e Belial temendo que algo lhe acontecesse não permitiu e a pegou no colo. Micarhy, então o mordeu e este a jogou no chão, ela então correu para o rio e pulou.

Belial gritava a plenos pulmões, Lúcifer se quer esboçava reação, e eu chorava desesperada o sumiço de meu pequeno presente.

Micarhy estava morta, o barqueiro trazia o corpo desfalecido em seus braços sem ao menos olhar – me nos olhos.

Eu chorava copiosamente e depois de um tempo todos haviam me deixado sozinha para chorar minha dor.

Belial me pediu perdão antes de desaparecer, ele foi o último a me deixar.

Sequei algumas lágrimas e tomei o corpo em meus braços correndo em direção a casa de Gabriel.

Aquilo parecia um ritual sagrado para ele, que tocava em seu piano e não percebeu quando eu cheguei

– Gabriel.

Ele parou de tocar e se levantou de imediato como quem se sente incomodado.

– Já disse para você nunca mais aparecer aqui.

– Eu não viria se não precisasse.

Ele me olhou em pânico, como se algo aquele momento o assombrasse. Mícarhy lembrava em muitos aspectos físicos Gabriel e ele ficou estarrecido.

– Vê, essa é minha pequena princesa do Inferno. Meu presente mais valioso. Ela agora está sem vida, caiu no Estige, era meu pequeno recanto de felicidade e a única lembrança que me sobrou de bom nessa existência maldita e condenada. Vê como ela é linda, ela se parece com o…

– Não diga! – ele gritou

– Ela se parece com o pai.

Gabriel parecia ter levado um choque e caiu ao chão como se tivesse sido derrubado, veio até mim se rastejando e tomou Mícarhy de meus braços.

Ele chorou de modo doloroso, e a cena me doía ainda mais, nossa filha o fruto de meu amor por Gabriel estava agora morta.

Gabriel se levantou e passou feito um tornado para uma janela de cortinas escuras indo parar em um lugar onde o cheiro de carniça fazia morada, o céu vermelho parecia ser tingido de sangue,  minha vontade era de correr daquele  lugar.

Pedaços de vários seres se arrastavam no meio daquela lama escura e pegajosa e ao longe as elevações que eu achava serem montes eram corpos dilacerados e amontoados, que eram devorados por aves de rapina e cães ou pelo menos eram o que apreciam.

– Neirilien! – gritou Gabriel.

Vermes começaram a caminhar sobre meus pés e sobre os corpos que então pareceram ganhar vida e pediam socorro.

Aquilo me deixou apavorada e eu segurei no braço de Gabriel apreensiva.

– Gabriel, a quanto tempo o que posso fazer por você, meu caro?

Um senhor de longa barba branca e vestes marrons em frangalhos cheirando a urina e bebida barata apareceu em meio a podridão.

– Está é minha filha, preciso saber se há algum meio de trazê – lá de volta. Só posso recorrer á você.

– O que aconteceu a criança? – se aproximou o velho deixando um cajado que carregava e estendendo as mãos cheias de feridas purulentas.

Ele pegou Mícarhy nos braços e pareceu cheira – lá.

– Ela passou pelo grande Estige? – ele perguntou olhando nervoso para Gabriel.

– Ela pulou no rio. – respondi lacônica

– Não posso fazer nada Gabriel eu sinto muito, mas Caronte pode. Ele a tirou do rio e se não fez nada é por que sabia que algo ruim poderia acontecer, aceite meu conselho: deixe as coisas como estão.

Ele devolveu nossa filha e deu um tapinha amigável no ombro de Gabriel, os gritos eram ensurdecedores agora, parecia um lamento macabro de muitas coisas ao mesmo tempo, aquilo me deixou arrepiada.

Eu sabia que havia outros reinos e outras criaturas inimagináveis, só não sabia o quão aterrorizante poderiam ser

– Obrigado Neirilien, mas não posso perdê – lá.

Voltamos por onde havíamos entrado e quando adentramos o recinto uma névoa negra se formava no chão e ganhava uma forma que eu bem conhecia.

– Lord Gabriel, me chamou? Lady Lilith, como vai?

Caronte me olhava resignado e com plena certeza do que fora fazer ali.

– Preciso de sua ajuda barqueiro.

– Vossa filha partiu, e não voltará mais, pelo menos não da forma inocente da qual foi gerada e não poderá viver sem que algo precise morrer. É isso que realmente você deseja Lord Gabriel?  Não haverá volta.

– É o que mais desejo.

Eu nada disse e Caronte nem se deu ao trabalho de me perguntar. Caronte conhecia mais do que as almas que carregava, ele conhecia o todo, qualquer pensamento ou sentimento. Lúcifer tinha medo dele e procurava manter – se afastado.

O chão então se abriu e as paredes começaram a desaparecer, tornando – se um pântano horrendo, onde as arvores eram feitas de restos humanos e a lama de sangue coagulado, serpentes sibilavam sobre as carcaças, enquanto pequenos diabretes gargalhavam torturando e aterrorizando os corpos que ainda possuíam vida e sofriam.

Caronte pegou Micarhy nos braços de Gabriel e a jogou naquela lama de sangue.

Eu gritei tentando correr para alcança – lá, mas era tarde, Caronte me impediu de pega – lá.

– Está feito, Micarhy agora deve ser chamada Calíope, ela lhe será fiel e lhe devotará grande amor, sua alma ainda é da sua doce filha, mas o corpo dela partiu e nunca mais será frágil como antes.

Minha filha não voltou, mas um novo ser renascia e seria meu mais novo aliado, Gabriel e eu voltamos ao Inferno onde a porta ficava, e plantamos o jardim, as rosas brancas pareciam ganhar vida quando ele tocava nelas, e quando eu as toquei elas se abriram, ali seria o berço de minha querida Micarhy.

Gabriel como pai paciente, passou a tocar todos os dias para o ser que ali habitava, e ela jamais o atacava se possuísse feições, nós saberíamos e sentiríamos que ela estava feliz.

Quanto a mim  Caronte tinha razão, mais do que ama – lá e protegê – lá, eu a alimentava, com os suicidas de Lúcifer e sempre que possível a aninhava em meus braços. Minha pobre Calíope, minha doce defensora, minha amada Mícarhy… ”

– Lady Lilith?

– Sim , Lori.

– Está tudo pronto.

Lori era o único servo meu que sabia quais eram os reais planos que eu tinha e na maior parte das vezes era quem me ajudava a concretiza – los.

Eu abri minhas longas asas e tomei a forma de Rafael, eu precisava instaurar o oposto para conseguir o certo, e esse era o único jeito. Meu destino agora era a casa de Gabriel.

Agora era pra valer e não tinha mais volta…

Continua

4 comentários em “Galamadriel (Pt. 10): Calíope

  1. Caramba! Terminei de ler esse, a parte 9 e 8!! Lady Lillithy, pare de falar que está sem criatividade HAYUAHAUHAUAHAUH tudo papo! Você não me engana mais! Segurei, mas valeu a pena! *O*
    Ps: acho o máximo como anjos e demônios “surgem” nas suas descrições!

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