Estrada para o Abismo (Pt. 1) – Um Novo Começo

serial_killer_by_theprodiqy

Estrada para o Abismo

Capítulo 1 – Um Novo Começo

Escrito por: Morgana Owl.

Eram quatro horas da manhã e Carter não conseguia mais dormir. Pela manhã começaria seu novo emprego, em uma nova delegacia. Ele estava ansioso demais para conseguir relaxar. Fora promovido e, consequentemente, fora chamado por outra unidade. O motivo ele descobriria assim que chegasse a sua nova casa, como costumava dizer, pois passava mais horas na delegacia do que em qualquer outro lugar. Agora com o título de detetive, estava mais do que satisfeito, pois era esse seu verdadeiro sonho, desde criança. Detetive Carter! Ah, que maravilha, dissera para si mesmo ao longo da semana.
Por fim, depois de horas rolando para lá e para cá, o relógio despertou e Carter deu um pulo da cama, pois estava viajando em seus pensamentos.
– Não acredito! Finalmente essas horas resolveram passar… – disse enquanto se espreguiçava na beirada da cama.
Seus olhos estavam com olheiras profundas, o que acentuava ainda mais a cor deles, um azul celeste hipnotizador. Sua mãe sempre dizia que seus olhos deixariam qualquer mulher louca, e ele acreditara; loucas de verdade, loucas de pedra. Nunca tivera sorte com as mulheres e nem queria mais tentar. Os cabelos eram castanho escuro, iguais aos de seu pai. Desgrenhado como sempre, mas não importava… Ele só queria se arrumar logo e chegar àquela maldita delegacia o mais rápido que podia, queria saber o que faria dali pra frente. Ao pensar nisso sentia até uma excitação esquisita, quase medonha. Ele gostava, e muito.
Correu para pegar o metrô das 8 horas, pois queria chegar antes do seu chefe que chegaria as 09h30min, supunha. Nada como fazer o papel de bom policial no seu primeiro dia de trabalho. Engano dele… Ao chegar à delegacia, notou que todos já estavam lá: esperando por ele.
– Ora, ora, ora… Se não é nosso mais novo detetive Carter! – dissera Jonathan Kent, seu novo capitão.
– Desculpe-me a demora, senhor! Fui informado de que deveria me apresentar às nove. Estava errado?
– Não! Estava certo. A gente madrugou aqui, Carter. Passamos a noite inteira tentando chegar a alguma conclusão, algum começo, mas nada. Por isso chamamos você. Precisamos de detetives experientes aqui na nossa unidade. Não estávamos acostumados a lhe dar com casos como esses. Ora, como minha cidade é pequena, nunca tem nada demais aqui. Apenas, roubos e mais roubos. Assassinatos… Quase nunca… E ainda mais COMO ESSE! – Apontou para o quadro, onde tinham algumas fotos de uma vítima em volta de muito sangue.
Carter chegou mais perto para analisar, e sem querer pisou no pé de uma belíssima policial ruiva.
– Puxa! O de baixo é meu. – olhou para Carter séria
– Perdão, detetive…? – Carter estendeu-lhe a mão para cumprimenta-la.
– Detetive Anne Brummel, a seu dispor. – Cumprimentou-o e sorriu levemente – serei sua parceira no caso. – piscou
Carter sentiu-se meio intimidado, pois sua parceira era linda. Ruiva, pele bronzeada… eeeer, deveria concentra-se em outra coisa! No caso! Foco Carter, foco. – disse para si mesmo.
– Então, o que temos aqui, capitão? – disse Carter direcionando-se para Kent.
– Mulher jovem, loira, 1,65m, aparentemente não sofrera abusos sexuais, apesar da gravidade do crime. Alguns ferimentos foram feitos post mortem* e outros, bem, segundo nosso legista chefe, Doutor Frank Stuart – apontou para um homem grisalho e com cara de jogador de golfe sentado do outro lado da sala lendo um jornal e tomando café – ela foi torturada por dias, quiçá meses. Pois além dos ferimentos que causou sua morte – um corte profundo na garganta – ela também possuía vários outros ferimentos ao longo de seu corpo, alguns pareciam ter cicatrizado. Só nos resta saber se foi o nosso assassino ou a vítima já apresentava essas feridas antes do nosso psicopata a pegar.
– Hum… E sabemos o que causou esses ferimentos? Qual foi o método da tortura? Nossa vítima estivera desaparecida? Por quanto tempo? – Indagou Carter.
– Entramos em contato com a equipe de desaparecidos e disseram-nos que ela não se encaixa com nenhuma mulher desparecida desse distrito. – dissera Brummel, enquanto folheava seu bloco de papel.
– E quanto aos ferimentos, Detetive Carter – Dr Stuart finalmente pronunciou-se, sua voz era grave, igual de locutor de rádio das madrugadas – Analisei minuciosamente cada um deles, pois não é todo dia que tenho corpos assim para analisar – soou um pouco animado ao falar, mas logo retomou o tom sério – enfim… Alguns cortes foram feitos com bisturi, pois são precisos. E pasme: alguns deles, ele suturou. Tem um na perna direita – apontou para a imagem no quadro – que parece ser o primeiro da série de cortes, ele vacilou um pouco nesse. Ou seja, talvez seja a primeira pessoa que ele tenha torturado.
– Isso não quer dizer que ele sentiu remorso. – Completou Carter.
– Apenas estivera excitado demais para conter-se ao cortar essa moça. – Disse Brummel, com certa fúria no seu tom de voz.
– Certamente, devia estar esperando há tempos para cometer tal atrocidade! – Carter falou direcionando seu olhar para Brummel.
– Ah, acho que não cheguei a mencionar. Além dessas feridas “superficiais”, sinto em lhes dizer… Mas nosso primeiro psicopata tirou os órgãos reprodutores da nossa vítima cirurgicamente, pois dá para notar que é algo recente.
– Meu deus! – disse Brummel, enojada. – acho que vou surrar esse cara quando encontra-lo!
– Contenha-se, Ann. Faremos justiça. O pegaremos antes que ele possa machucar outra mulher. – Disse Kent, abismado, pois não sabia dessa “novidade”, não fora mencionado pelo legista, horas antes quando dera o laudo. Parecia que ele queria guardar essa notícia para quando o detetive Carter chegasse.
Carter sentou-se à mesa de reunião para analisar os papéis com algumas anotações feitas às pressas. Àquelas pessoas realmente estavam trabalhando em seu primeiro caso de assassinato e psicopatia. As informações estavam muito confusas, mas em sua cabeça ele sabia do que se tratava e com quem estava lidando, já tivera trabalhado em casos assim antes, na outra cidade.
– Ele matará novamente, precisamos nos preparar para o pior. Antes de qualquer coisa, precisamos descobrir quem é nossa vítima, e o que motivou nosso assassino a matá-la com tanto ódio. – Carter falou com firmeza.
Assim que acabou de dizer, entrou um policial jovem e moreno correndo na sala de reuniões:
– Senhor, encontramos a carteira de identidade de nossa vítima, seu nome é Jennifer Orleans, 18 anos. Já contatamos seus pais, moram na cidade vizinha, por isso não encontraram no sistema de desaparecidos de nossa cidade. Estava desaparecida há três meses! – Jhonny entregou uma pasta com informações para o capitão Kent.
– Obrigado, Jhonny! Muito obrigado! – fez com a cabeça para que Jhonny voltasse às suas funções. – Detetive Brummel, preciso que você e Carter vão à cidade vizinha falar com os pais da jovem Jennifer o mais rápido possível!
– Sim senhor capitão! – Brummel pegou seu casaco e sua bolsa que estavam em cima de uma cadeira e levantou-se depressa. Parou na porta e ficou encarando Carter, que estava ali ainda sentado anotando algo. – Carter??? – chamou-o.
– Ah, me desculpa, sou muito distraído! Estou indo! – Levantou-se apressadamente e derrubou todos seus papéis no chão. – Ai meu deus, como desastrado… Já estou indo, só mais um minuto!– Pegou tudo de qualquer jeito e colocou dentro de sua pasta.

– Esse é nosso gênio? – disse Brummel, em tom de deboche. – Nos daremos muito bem! – Riu enquanto Carter saiu todo atrapalhado atrás dela.

Continua

_______________________________________________________________________________________

*Post-mortem: Que ocorre após a morte de alguém (homenagem post-mortem); PÓSTUMO.

6 comentários em “Estrada para o Abismo (Pt. 1) – Um Novo Começo

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s