Beijo Eterno – Sociedade das Sombras (Pt.1): Minha vida

Escrito por Mille Meiffield

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Prólogo

A dor era lancinante. Acordei em meio ao forte sol do deserto, sentindo-me tonta e desorientada. Uma figura meio disforme que poderia ser uma pessoa vestida com uma capa negra que cobria todo o seu corpo, avançava em minha direção. Olhei para trás de mim e vi que uma BMW preta, toda distorcida, pegava fogo. Voltei a olhar pra frente e vi que aquele vulto se aproximava cada vez mais. Tentei levantar, mas a dor aguda dos meus ferimentos fez com que eu caísse. Um líquido quente e viscoso escorreu pelo meu rosto vindo do alto de minha cabeça, passei a mão e vi uma enorme mancha de sangue sobre meus dedos. Desmaiei.

***

Despertei do que parecia ter sido um sono profundo. Abri os olhos lentamente e percebi que minha visão estava meio turva. Pisquei algumas vezes, tentando ganhar foco e enxergar direito. Levantei minhas mãos e cocei os olhos metodicamente. Ouvi um “clic” na maçaneta da porta e ela se abriu.

-Litza?! – disse minha irmã. – Você está bem? Já acordou há muito tempo?

– Oi Wendy. Eu estou bem sim. – seu olhar era de uma felicidade inexplicável. – Anh? … Onde eu estou? … O que houve?

Não sei o que eu disse, mas os olhos de minha irmã se encheram de lágrimas. Ela me abraçou por um longo período e chorou. Wendy me pedia perdão e dizia que tudo ia acabar bem, mas eu não entendia nada.

-Wendy, o que está acontecendo? Você não está falando coisa com coisa. –  eu disse confusa ao ouvir Wendy falar entre lágrimas.

-Você não lembra de nada do acidente? –perguntou

-Que acidente? – perguntei ansiosa

-Você sabe que dia é hoje Litza?

-Meu aniversário? – respondi confusa

-Não. Hoje é 30 de setembro.

-Eu dormi por uma semana? E onde estão a mamãe e o papai?

-Eles….

Wendy começou a chorar compulsivamente e saiu correndo do quarto. O quebra-cabeça estava montado agora. As lembranças voltaram num flash e eu gritei com a forte dor de cabeça que veio com elas. Lembrei do acidente e que meus pais ainda estavam no carro quando ele explodiu. Meus pais morreram por minha culpa e Wendy só estava viva por que ela tinha brigado com a nossa mãe e não quis atravessar o estado conosco, para comemorar meu aniversário no Dalle´s Dinner, meu restaurante favorito. Era tudo culpa minha. O que eu ainda não sabia, era que a minha tragédia particular chamada vida, estava apenas começando.

 

Capítulo 1

A voz de Wendy me despertou da fantasia por trás do livro que eu estava lendo.

-Litza, o Sammy e a Trish já chegaram. Desce logo.

-Só mais cinco minutos. – respondi

O amor da minha vida e minha melhor amiga estão aqui e a única coisa que tenho vontade de fazer é ficar aqui trancada, lendo a noite toda. Me forcei a ficar de pé e mesmo desanimada peguei o meu jeans favorito e um suéter verde que combinava com a cor dos meus olhos, não queria que Sam me visse mal vestida me arrumei um pouco. Queria que o ele reparasse em mim. Desci as escadas num átimo e fui me sentar ao lado de Trish, que como sempre já havia mudado a cor do cabelo. Semana passada ela usava um tom laranja, hoje ela está com o cabelo azul.

-Essa cor ficou ótima em você- eu disse

-Também achei, mas o Sammy disse que eu fiquei parecida com as bruxas de Salem. –disse Trish

– E ficou mesmo irmãzinha- disse ele sarcástico.

– Deixa de ser chato, Sammy. Ela está linda sim. -retruquei

– O jantar já está pronto. – disse Wendy retornando da cozinha. –Trish, você me ajuda a pegar os pratos e os talheres? Litza e Sam devem

querer conversar um pouco a sós.

– Eu te ajudo Wendy. – disse eu

– Litza, faça sala para meu querido irmãozinho enquanto eu ajudo a sua irmã – respondeu Trish. – É a sua chance de se dar bem Sammy. – sussurrou alto o suficiente para que eu escutasse.

Sam e eu nos entreolhamos e começamos a rir. O jeito desastroso e nada sutil que Wendy e Trish sempre arrumavam para nos deixa a sós era sempre engraçado. No começo foi uma risada gostosa e calorosa, mas depois a risada ficou intensa e tão alta que tivemos que respirar fundo para voltarmos a conversar.

– O seu sorriso é maravilhoso. -disse Sammy olhando nos meus olhos.

– Obrigada. – agradeci ruborizada

– Litza, eu preciso muito falar com você sobre um assunto importante. – o tom de Sammy era sério, porém tranquilo.

-Pode falar. Você sabe que não existem segredos entre a gente.

Como sempre, Wendy estragou nosso momento nos chamando para jantar.

Levantamos e fomos até a sala de jantar e sentei-me ao lado da minha irmã. Tudo correu como de costume, rimos, brincamos, conversamos e nos divertimos a esmo. Nada poderia acabar com a nossa alegria naquele momento, nada a não ser, eu.

A lembrança de meus pais, do acidente, há quase dois anos, ainda estava fresca em minha memória. O calor do deserto, o estado da BMW e a explosão. Num repente todas aquelas imagens voltaram a minha mente. Lágrimas quentes rolaram pelo meu rosto e eu fui me refugiar na cozinha.

– Ralitza, o que foi? – perguntava Wendy com seu tom mais carinhoso possível.

– Nunca mais me chama de Ralitza, meu nome é Litza. – rosnei – Eu quero ficar sozinha.

– O que é isso? Você nunca falou assim comigo antes. – disse Wendy aparentemente chateada.

– Só a mamãe me chamava de Ralitza e mesmo assim quando a gente brigava, meu nome é Litza. – As lágrimas começaram a inundar meu rosto com mais intensidade

-Vão pra sala, eu fico aqui um pouco com ela. – disse Sammy à Trish e Wendy.

-Ela…. Sammy não deixou Wendy terminar a frase. – Eu sei. – disse ele.

Me virei para o balcão da pia e comecei a chorar em silencio. Sammy se aproximou vagarosamente e colocou uma das mãos no meu ombro. Ele não disse nada. Sammy me entendia melhor que ninguém.

Ele me virou até que eu ficasse de frente pra ele. Seus lábios estavam tão perto do meu que seu hálito me entontecia. Ele secou minhas lágrimas com suas mãos e beijou o caminho que elas fizeram na superfície do meu rosto. Com uma doçura estonteante, seus lábios fixaram-se nos meus e suas mãos deslizaram até a minha nuca. Respirei fundo ainda sentindo seu beijo, quando seus dedos se entrelaçaram em meus cabelos.

Gelei quando ele se afastou. Uma dor súbita me atingiu, mas consegui me controlar. Fitei seus olhos que também fitavam os meus e seus lábios se retorceram na forma de um sorriso brincalhão. Eu sabia o que ele estava pensando. Tínhamos feito o que queríamos há muito tempo, mas o medo de nosso amor acabar com nossa amizade, fazia com que guardássemos nossos sentimentos.

Novamente Sammy me beijou. Desta vez foi mais intenso, mais quente, era o meu Sammy, meu melhor amigo, o amor da minha vida. Ele me abraçou forte, me levantou e me apoiou no balcão da pia. Na hora em que eu abaixei a minha mão direita para me apoiar, esbarrei numa tigela de alumínio que caiu fazendo um barulho estrondoso. Nesse momento, percebi que Wendy e Trish estavam nos espiando da soleira da porta e todos começamos a rir.

-Querido irmãozinho, finalmente, hein? – disse Trish quase á gargalhadas

-Uau! Litza, eu nunca tentei uma forma tão diferente de ficar com alguém.

-Engraçado Wendy, é bem parecido como quando você ficou com o Jared.

-Será que vocês poderiam nos deixar um pouco a sós? – reclamou Sam.

– Ok, Sammy. Isso me lembra que eu sou mais velha que a Litza e estou vetando a agarração de vocês.

-Hahaha. Como você me faz rir. – peguei um pano de prato e joguei nelas, fazendo com que recuassem e nos deixassem

A noite terminou com um clima agradável. Minha irmã e eu conversamos um pouco sobre o começo do meu namoro com Sammy e fomos dormir.

A histeria que eu senti na hora do jantar, durou a noite toda. Pesadelos regados a sangue e fogo me atormentavam desde o acidente, mas esse em particular me aterrorizava como uma premonição. Aquela figura de capa negra que eu vi no deserto estava na minha casa e era ela que causava toda aquela destruição. Despertei atordoada e em meio a gritos. Alguns segundos apenas se passaram, quando Wendy, assustada, invadiu meu quarto acendendo a luz que feriu meus olhos ao seu toque.

– Litza, o que houve?

-Desculpa ter te acordado. – eu disse – Foi só um pesadelo idiota.

-Tudo bem! Eu vou voltar a dormir agora. Ah… Não esquece que hoje a Trish vem dormir aqui e, por favor, não durma o dia todo.

. . .

Wendy e eu esvaziamos o centro da sala de estar e fomos para a cozinha preparar o lanche da noite das meninas. Separamos filmes, música e colocamos nossos colchonetes no chão com nossos cobertores por cima. Não demorou muito e a campainha tocou. Fui atender e me surpreendi com um lindo buquê de tulipas vermelhas e um cartão aberto na frente. Atrás das flores tinha um homem lindo, com quase dois metros de altura, olhos verdes, cabelos claros e pele branca, apenas com um leve bronzeado do sol.

-Oi, Sammy. – eu disse corada – E a Trish?

-Bom te ver também.

-Para com isso, você sabe que eu sou tímida. Preciso me acostumar com a ideia de estarmos juntos.

-Eu sei, mas ficar corada porque está falando com o namorado não tem sentido. – Sammy me puxou pelos braços e me beijou. – A Trish está no carro pegando uns mini quiches que ela fez. – disse ele assim que nossos lábios se separaram.

Ele me beijou de novo. Seus lábios eram tão doces e ardentes que cada beijo que ele me dava, me levava ao paraíso. Era como se eu pisasse em nuvens.

– Desculpe interromper, mas isso está pesado – Disse Trish apontando para uma bandeja repleta de mini quiches que ela trazia equilibrada em seu braço direito.

Entramos e ficamos conversando por volta de trinta minutos, o que fez com que minha irmã e Trish ficassem de cara feia e praticamente expulsassem Sammy, afinal, era a noite das garotas.

Para evitar a hostilidade, Sammy e eu fomos para a cozinha conversar, enquanto Trish e Wendy assistiam a um filme de terror na sala. Eu aproveitei para lavar a louça e Sammy me ajudou a secar. Terminado o último prato, subimos as escadas e fomos para o meu quarto. Eu sabia o que ele queria, porque também era o que eu queria. Ofegantes, nos deitamos na minha cama. Suas mãos percorreram minha silhueta e estacionaram em meus seios. Seus lábios deixaram minha boca para roçarem em meu pescoço, deixando todos os pelos do meu corpo eriçados. Ele tirou a camisa e eu arranhei suas costas levemente. Ouvi seu gemido de dor e prazer. Nem acredito que estamos há um passo de sermos um do outro. Não imaginei que esse dia fosse chegar tão rápido.

-Espera! – disse num tom grave. – Desculpa Sam, eu quero, de verdade, mas não sei se é a hora certa.

-Litza, eu te amo. Não estou te cobrando nada. Eu espero o tempo que for necessário para isso, a única coisa que me importa, é estar ao seu lado.

-Eu também te amo.

Sammy colocou a camisa e deitamos abraçados, de frente um para o outro. Não precisávamos de palavras. Nossos olhos já diziam tudo o que queríamos dizer. Estávamos sorrindo um para o outro, as mãos dele acariciando minha nuca, quando um grito pavoroso ecoou pelas paredes do quarto. Levantamos subitamente e corremos para a sala. Wendy estava sentada no sofá, tremendo. Seus olhos estavam arregalados e ela olhava fixamente para a entrada do hall que separava a sala e a cozinha. Instintivamente, Sammy e eu nos viramos e vimos o corpo de Trish exangue no chão. Ele correu para abraçar o corpo sem vida da irmã. Havia pavor nos seus olhos. Fui até o sofá, segurei minha irmã pelos braços e a puxei para perto de mim abraçando-a com toda a minha força. Ela estava cambaleante e não conseguia falar. Num repente, outro grito alto e grave me fez tremer e ao olhar para trás me deparei com aquela figura de capa negra que eu tinha visto no deserto, segurando o corpo de Sammy já quase sem vida em suas mãos. Arrastei Wendy até a porta da frente, mas ela estava trancada, então segui pelo corredor dos fundos até a dispensa para tentar sair pela janela. Wendy me fez sair primeiro. Ela subiu na bancada da pia e na hora em que ela passou metade do seu corpo pela janela da cozinha aquela “coisa” agarrou seus tornozelos e a puxou com uma força sobre-humana. Eu tentei voltar, mas a janela se fechou e ela não abria por fora. Levantei e corri até a porta da sala que desta vez estava aberta, mas lá dentro, já não havia ninguém. Minha primeira reação foi ligar para a polícia. Em prantos e sem conseguir falar uma só palavra, continuei ao telefone até a primeira viatura chegar com uma ambulância logo atrás. Tinha acabado de perder o amor da minha vida e minha melhor amiga, e para piorar a situação, minha irmã tinha desaparecido. O assassino não deixou vestígio algum.

A polícia me interrogou e em seguida me encaminhou para uma clínica psiquiátrica, apenas para eu conversar com um psicólogo e dormir um pouco.

***

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