Amy Bradley [Final] – Despedidas Fugazes

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Consegui subir rápido o suficiente para me esconder no armário do zelador no final do corredor do primeiro andar. Esbaforida e sem fôlego, minhas costelas começaram a doer no local que bati ao entrar pela janela. Puxei o ar com força, tentando não fazer barulho, mas estava ofegante demais. Apurei os ouvidos para saber se os passos estavam próximos. Mas ouvi um eco no outro lado do corredor, como se eles tivessem subindo as escadas.

“Ótimo, pega de surpresa. Como fui burra!” eu estava indignada com essa situação, afinal eu não tinha plano, não sabia o que fazer, e não poderia ficar presa no armário o resto da noite, eles poderiam abrir porta por porta e me encontrar. Contei até 100 esperando ouvir passos ou vozes, mas o corredor estava silencioso como um túmulo. Tive então a brilhante idéia de entrar na sala mais próxima e sair pela janela, como cheguei. Mas as salas que dão para o sobrado da varanda ficavam do outro lado, perto das escadas e eles poderiam descer a qualquer instante. Resolvi então descer para o térreo, na pior das hipóteses teria que passar pelo meio do baile (a única saída livre), eles não me perseguiriam em meio ao baile, não é?

Abri a porta devagar analisando o corredor. Nada. Sai de fininho e caminhei silenciosa pelo canto da parede, junto das portas caso houvesse algum sinal deles. Cheguei às escadas e ouvi passos, apressados.

– Eu falei que ela devia ter se escondido aqui em baixo seu burro! – Duke esbravejava.

– Cala a boca imbecil! – alguém ralhou mais baixo – Quer que ela nos escute?

– A essa altura ela já deve ter fugido!

Eu estava descendo o mais silenciosa possível, mas eles logo me alcançariam, suas vozes estavam a um patamar de distancia, quando pisei em falso e o barulho ecoou nas paredes vazias. Eles fizeram silencio e o pânico se instalou em mim. Os passos apressaram-se. Só mais um pouco e me pegariam…

Um som de cadeiras veio de uma sala próxima e ouvi as exclamações “Na sala! Agora a pegamos!” e risadas terríveis. Aproveitei e terminei de descer. Dei a volta no corredor, logo eles estariam ali quando não me encontrassem lá em cima. Agradeci a Will, silenciosamente pela mãozinha e rezei para que ele não fizesse nada com eles. Congelei. “Will! Ele vai matá-los!”

Já ia dar meia volta quando um movimento ao meu lado quase me fez gritar. Will estava ali.

-Venha logo sua boba! Quer ser atacada por eles? – Perguntou e eu apenas balancei a cabeça começando a correr. – Não tem outra saída se não pelo baile. Vou distraí-los quando descerem, você tem que fugir!

Eu simplesmente esbarrei na parede ao lado da porta do ginásio. Toda assanhada e suada dei um nó no cabelo e abri a porta para a festa. Ninguém notou minha chegada – uffa – mas eu tinha que atravessar todo o salão para chegar à saída e avistei um dos amigos de Duke, Claud, conversando com Nancy, o par de Duke, ambos pareciam aborrecidos. Fui me espremendo pelo canto das paredes, tentando não ser vista e finalmente cheguei à saída. O ar frio do lado de fora foi um jato de frescor no meu rosto suado.

Comecei a correr para a calçada e lembrei-me da bicicleta. Seria um risco dar a volta para pegar, eles poderiam sair a qualquer momento, mas teria uma chance a mais se pudesse pedalar, e Tom me mataria se não devolvesse a bicicleta. Engatinhei sob as janelas, para não ser vista e encontrei a bicicleta na parte de trás, onde havia deixado. Subi nela e comecei a pedalar pelo estacionamento o mais rápido possível, as costelas doendo com o esforço. Quando estava na esquina arrisquei um olhar para trás e vi quatro cabeças me procurando quando um apontou para mim.

Fugi o mais depressa possível, mas eles estavam de carro e eu não sabia até onde eles me perseguiriam. Já estava a 5 quadras da escola quando faróis clarearam de trás. “Me alcançaram” pensei desesperada. Dei uma guinada repentina na próxima esquina, nem sabia para onde estava indo quando ouvi pneus cantando. Eles ainda estavam atrás. Cheguei à principal rua que leva à praia.

Girei o guidon para descer a encosta de areia, mas era muito íngreme e caí rolando, indo parar na areia fofa. Não fosse meu casaco, estaria toda arranhada.  O carro também não teve sorte, escorregou de lado pela encosta, o motorista provavelmente não tinha muita noção de que só uma 4×4 desceria aquilo. Comecei a correr em direção à praia “Dane-se a bicicleta” pensei quando lembrei-me de Tom. Quando ouvi um som de batida e virei a tempo de ver o carro capotar duas vezes.

Estanquei, e comecei a correr de volta, mas a porta se abriu e Duke saiu se arrastando e puxando Stevi, o cara da voz grave, do lado do motorista. Stevi me viu e Duke levantou-se para vir em minha direção. Stevi logo atrás deixando o carro. Voltei em direção a orla. O ar úmido e salgado ardendo nos arranhões do meu rosto.

– Sua puta! – Duke gritava às minhas costas. – Você vai pagar por tudo!

Não olhei para trás, estávamos próximos da área arborizada, nossa pequena ‘floresta” que era invadida pelo mar num rio de água salgada. Entrei na mata escura tropeçando nas raízes, exausta e dolorida. Meus pés doíam e meus jeans rasgaram, cheguei em algum ponto em que tropecei e cai. Me levantei e tentei ouvir os sons, mas estava tudo silencioso. Não sabia a quanto tempo estava correndo e nem onde exatamente estava, mas aparentemente havia conseguido escapar. Respirei aliviada e olhei em volta, teria que dar meia volta, mas será que acharia o caminho rápido? Resolvi tentar fazer um caminho mais ou menos paralelo ao que eu havia feito quando senti algo.

-Te peguei – Duke falou por trás de mim. Stevi saiu de trás de uma árvore, e deu um sorriso de escárnio.

– Ora, ora, ora… A nossa pequena fugitiva finalmente capturada. – ele falou vindo em minha direção. Duke segurou meus pulsos para trás com muita força e os amarrou com algo grosso.

– Agora você vai pagar por tudo o que fez… Inclusive com meu carro – Will falou ofegante em meu ouvido, sua voz tremia de fúria e cansaço.

– E o que vão fazer? Me torturar? Eu irei denunciá-los! – Retruquei.

– Você não poderá denunciar. – Stevi falou tirando algo do bolso, percebi que era um soco inglês – Considerando que consiga sobreviver, você não conseguirá nem falar.

– Vamos começar pelos braços, que Lewis quebrou e depois a costela… Ah e não vamos esquecer gracinha, da sua recusa ao meu convite. Você vai pagar. – Duke disse puxando meu casaco para trás e passando a mão na minha clavícula. E pôs um pedaço de silver tape em minha boca me impedindo de responder. Seu sorriso era maldoso.

Stevi não deu sinal de aviso, simplesmente me socou nas costelas e me encolhi com a dor nas costelas já machucadas. Will deu um soco no meio do meu peito me deixando sem ar e cambaleei para trás. Eles riam e tinham aparência feroz. “Ótimo, espíritos é moleza, mas gente viva? Complica.” Pensei em meio a dor.

– Hey putinha, já está se arrependendo? – Duke falou dando uma rasteira em minhas pernas, me fazendo cair de vez. – Vem aqui, que a gente ainda não acabou. – Falou me puxando pelas pernas e começou a desabotoar minha calça. Agora eu comecei a ficar desesperada mesmo.

– Duke, você ouviu isso? – Stevi falou de repente e Duke o olhou indagando – Tem alguém andando por aqui. Vamos para outro lugar! – ele parecia alarmado.

– Não estou ouvindo nada – Duke falou se virando para mim terminando de tirar minha calça e começou a subir minha blusa, minha sorte foi Stevi gritar.

– Porra! – Duke exclamou – Por que você está agindo assim?

– Alguém encostou no braço, cara! – Exclamou – Na primeira vez ignorei, mas na segunda segurou meu ombro! – ele tremia e Duke olhou em volta. Vi Will parado, quase cara a cara com Duke, mas apenas eu o via.

– O que pensa que está fazendo? – Will falou estendendo a mão e tocando o peito de Duke que tremeu com um calafrio, Stevi se encolheu ao seu lado.

– Essa floresta é assombrada! Vamos embora daqui! – Stevi estava desesperado.

– Não! – Berrou Duke – E deixar ela aqui? Para nos denunciar depois? – Ele bradou segurando Stevi pelo pescoço. – Vamos por um fim nisso agora!

– É, um fim na sua covardia – Will falou perto do ouvido de Duke que olhou para o lado alerta.

– Juro que ouvi a voz de alguém. – Agora ele finalmente parecia assustado – Quem estiver aí, apareça agora! – ordenou.

– Estou bem aqui, na sua frente, cara – Will sorriu e abriu os braços. Depois elevou-os fechando os olhos. O ar pareceu ficar mais frio ao redor, mais tenebroso. Duke olhava para as sombras das árvores. Mas quem ele procurava estava bem à sua frente. Will deu uma gargalhada digna de um filme de terror e Stevi correu, desaparecendo na mata. Duke se virou para mim.

– É você quem está fazendo isso, Carry? Você vai morrer agora sua vadiazinha infeliz, mas antes vai sentir muita dor! – falou doentiamente segurando meus cabelos, e Wil se interpôs entre nós. Duke parou a centímetros de seu corpo e arregalou os olhos.

– É cara, não era ela quem fazia os acidentes – Will falou – ela tentava impedi-los. – Duke recuou dois passos, a boca escancarada – Quem causou todos os acidentes, nas pessoas que faziam essas coisas, como você, fui eu.

Duke deu um grito e tentou correr, mas Will materializou-se à sua frente e sem tocar nele o fez voar para trás, aterrissando ao meu lado. Tentou se levantar, mas Will o puxou pela gola. Engraçado, Duke era maior que Will, mas no momento Duke parecia um animalzinho indefeso.

– Por favor, por favor não… – Choramingava – minha mãe, meu pai… Por favor…

– Sua mãe… Seu pai? – Will repetiu incrédulo – Filho da Puta! E as mães e pais das garotas que você estuprou? E a mãe e o pai dela? – falou apontando para mim. – Você acha mesmo que essa súplica vai me fazer derreter? Foi por causa de um merda como você que estou aqui! – Bradou.

Eu tentei fazer algo, mas estava amarrada e amordaçada. Me arrastei para Will me ver e balancei a cabeça, ele tinha que parar. Ele tinha que entender que assim ele não iria a lugar algum. Felizmente ele me viu. Olhou para Duke, sua expressão não era mais de ódio, mas sim de nojo.

– Por ela, eu não vou te mandar pro inferno. Mas você vai jurar que jamais fará mal a ninguém e irá fingir que este dia jamais existiu. – Will disse segurando o colarinho de Duke e ele afirmou com a cabeça – Ah! E peça desculpas a ela… Agora!

– M… Me desculpe! – Duke exclamou gaguejando e Will o soltou no chão.

– De joelhos! De novo! Peça! – Will forçou.

– Desculpa! – Duke gritou.

– Ótimo – Will sorriu – Agora, apenas para não esquecer desta promessa… – Ele ergueu a mão para a árvore e um galho chicoteou o traseiro de Duke, fazendo-o fugir desesperado.

Seus gritos sumiram em meio à mata e Will me encarou. Assenti com a cabeça e ele tirou a fita da minha boca. Puxei o ar com força enquanto ele libertava meus braços. Me recompus, calça, blusa e casaco. E o encarei.

– Obrigada – consegui falar e não contive o impulso, abracei-o, chorando, percebendo que ele não estava mais tão… Sólido quanto antes. Ele me abraçou de volta.

– Vamos voltar. – falou após alguns minutos de meus vergonhosos e raros soluços com lágrimas.

 

3

Foi um dos melhores banhos da minha vida. Fiquei relembrando. Não falamos nada na volta, ele apenas me guiou para fora da floresta. Will havia levado, com aquela força dele, a bicicleta do Tom para perto da mata, ouvi as sirenes ao longe, que indicavam que já estavam no local do acidente. Não havia sinal de Duke ou Stevi. Will me acompanhou até em casa e disse “nos vemos na segunda”. Depois disso sumiu. Não falou muito de seus poderes especiais, mas questionei sobre Duke pode vê-lo.

– Ele me conhecia, é amigo do cara que colidiu comigo… – explicou – e quanto a ele me ver, bem, acho que minha raiva pelo que estavam fazendo com você foi tão grande que foi “palpável” – completou rindo e alisando meu braço.

“Que noite louca!” pensei, deitando em minha cama e suspirando. Lembrando que agora Will, certamente, iria seguir em frente e aquele dever de missão cumprida, antes de cair num sono profundo.

 

3

Na segunda feira o colégio estava um rebuliço, primeiro por que dois dos rapazes que estavam no carro na hora do acidente (Trent e Phill) estavam gravemente feridos devido à capotagem do carro. Segundo por que Stevi estava agindo muito estranho e terceiro por que Duke havia desaparecido por quase todo o fim de semana e só pela noite do domingo reapareceu em sua casa, todo sujo e com as roupas rasgadas jurando que iria confessar todas as coisas erradas que já fizera. Ele estava afastado por que também falava coisas malucas como “ele estava na floresta! Mas ele morreu!” e tal. De toda forma, nenhum morto, apenas um tanto… loucos. E feridos, claro. Mas nada com que eu ficasse realmente preocupada ou pesasse minha consciência, até mesmo depois do que houve na floresta.

Ninguém me ligou ao acidente ou me viu na festa. O que foi ótimo. Agora só mais três semanas e eu iria me mudar, durante o feriado de Páscoa. Nossa! Quem se muda na Páscoa? Ah, sim, o meu pai, que sequer sabe a data da Páscoa.

As aulas seguiram normalmente e não vi Will em lugar algum, senti um peso saindo dos meus ombros. “Finalmente”, pensei, ele seguiu em frente. Mas, pensei cedo demais. Após a ultima aula estava passando pela escada quando o vi, encostado no parapeito, uma perna apoiada na parede e os braços cruzados. Parecia pensativo.

– Amy! – Exclamou quando me viu – estava louco para falar com você!

– Err, oi – gaguejei – Pensei que você tivesse seguido em frente…

– Bom, é sobre isso… e outras coisas que quero falar. – Explicou sorrindo – Posso te acompanhar até em casa?

– Claro – falei estranhando a pergunta.

No caminho, que fiz a pé, mesmo sendo distante, ele ficou bastante calado inicialmente. Resolvi então quebrar o silencio.

-Então… O que queria falar?

– Bom… – Falou chutando uma pedrinha com as mãos nos bolsos – você está bem?

– Sim, estou – afirmei com convicção – Já passei por coisas tensas.

– Você é durona – afirmou – admiro essa sua qualidade… E lhe devo obrigado.

– Porque?

– Por onde começo? – indagou retoricamente – Você me fez questionar meu método, me ofereceu ajuda, me impediu de tirar uma vida de uma forma mais cruel que a minha foi tirada, mesmo que ele merecesse…

– Não cabe a nós julgar o que alguém merece ou não. – falei

– Eu sei… Por você eu não fiz isso e… –hesitou – Não farei mais nada de mau… – olhei para ele.

– Você está querendo dizer… – incentivei.

– Que vou seguir em frente, mas não do modo como você está acostumada.

– Como assim? – Não entendi.

– Os meus poderes chamaram a atenção de algumas pessoas poderosas… Acho que você sabe quem são, os anjos ceifadores… – falou e a compreensão foi baixando sobre mim com um arrepio, eu conhecia um ceifador, mas não sabia como eles “nasciam”.

– Então… Você vai virar um anjo ceifador?

– Bom, mais ou menos isso… – falou retomando a caminhada.

– Will, fico feliz que você tenha encontrado um caminho!

– Sim, bem… – ele suspirou – Não nos veremos mais, Amy.

– É… – analisei sua expressão, seus olhos azuis tristes – estou acostumada a dar adeus…

– Eu… Amy, ainda tenho um pouco de tempo e não estarei mais no colégio nos próximos dias, mas – ele me olhou suplicante – antes de se mudar poderia passar no cemitério onde estou enterrado para me encontrar?

– Ah – achei estranho, mas ele estava sendo gentil, e caso ele resolvesse fazer algo meu amiguinho Jeremy, por acaso ceifador, trabalha naquele cemitério – claro! – Ele sorriu e passou a mão no meu rosto.

– Nos vemos então…

– Nos vemos… – falei enquanto ele sumia

3

As últimas semanas não foram nada demais, mas meu pai decidiu que não iríamos para nenhuma daquelas cidades que ele tinha dúvidas (ele adora decidir coisas de ultima hora e nos avisar mais em cima da hora ainda), faltando apenas uma semana no informou que nos mudaríamos para Pinelakeville*, Canadá, uma cidade em ascensão, com uma mansão colonial do jeito que ele adora visitar e nos jogar dentro por sabe-se lá quantos meses. Ainda não sei o que pensar do fato de Tom ir para a mesma escola que eu, ou pelo fato de ser ceracada de plantas, rios e lagos…

A escola normalizou, continuei com meu trabalho e nenhum sinal de Will nos corredores, eu quase havia esquecido da minha promessa a ele, não fosse durante um trabalho na quarta feira que me obrigou a encontrar com Jeremy. Não mencionei nada a ele, mas disse que iria entrar no cemitério no sábado para me despedir. Não consegui dormir direito nos últimos dias, pensando no que Will poderia querer.

No sábado, a casa estava praticamente vazia, apenas com uma pequena parte de nossas bagagens de mão que iriam ao aeroporto conosco. Peguei minha mochila de viagem e saí. No jardim retirei três rosas, que nunca mais iria ver, para levar ao cemitério. Jeremy me aguardava na entrada.

– Amy! – ele me saudou do seu posto na entrada, Jeremy é alto e tem cabelos castanhos compridos até as costas. Acho que quando ele faleceu o rock estava naquela época dos anos 90. – Que bom sua visita!

– Oi Jeremy. Vim dar adeus. Viajarei hoje. – falei – Posso entrar? – Pessoas como eu temos sempre que pedir permissão aos Ceifadores guardiões, não podemos simplesmente entrar lá, até porque há quem entre nos cemitérios para fazer coisas ruins.

– Claro. – Falou abrindo passagem.

Fui diretamente à procura do túmulo de Will, na verdade à procura de sua figura, mas não o encontrei. Depois de uns minutos rondando, Jeremy percebeu que eu estava procurando algo.

– O que está fazendo?

– Procurando alguém – falei.

– Qual o nome?

– Ah… William Evans… – gaguejei vendo sua expressão seca.

– Ali – apontou para um grupo de lápides altas à esquerda – mas esse cara não está aqui e você não pode falar com ele. – completou asperamente e voltou para a entrada.

Fui até o local indicado e encontrei sua foto, com uma guirlanda murchando e um papel dobrado na guirlanda. Abri a mochila e pus as três rosas sobre a terra úmida.

– Cadê você, Will? – murmurei – por que pediu que eu viesse aqui?

O vento soprou, brincando com as folhas da guirlanda e o papel, quando uma inscrição me chamou a atenção. O bilhete continha, em letras pretas, o meu nome.

“Por motivos de força maior não posso estar presente. Por favor vá até a praia e olhe o mar, no banco de areia a leste. Lembre de mim. W.”

Estranhei o bilhete, mas não podia fazer nada, ainda era cedo, então guardei o bilhete no bolso e me encaminhei para a saída.

– Boa viagem Amy! – Jeremy desejou – Espero que eu e Diendiel tenhamos ajudado. – Diendiel é uma amiga um tanto especial, sobre a qual falarei em outra ocasião.

– Obrigada J. – falei e saí apressada.

Cheguei ao banco de areia e me sentei. As pessoas estavam mais abaixo, na praia, tomando sol, jogando, se banhando. Algumas pessoas me olhavam como se fosse louca, de preto, com botas, na praia. Olhei para o mar. “Will, você pregou uma peça em mim”, pensei.

– Ainda bem que você veio – ouvi alguém ao meu lado. Will apareceu sentado, abraçando as pernas.

– Oh! – Exclamei – Pensei que você não pudesse comparecer.

– Ah, aquilo foi por causa de Jeremy… não posso mais ficar ali, não sou mais um espírito comum, e só vim aqui agora por que fugi do meu treinamento.

– Will! – exclamei e observei a praia. O sol estava quase a pino, a proximidade do verão ajudando.

– Eu adorava correr aqui, sentindo a areia, o vento, o calor do sol e o cheiro do mar. – Ele falou com tanta saudade que o encarei. Ele fechou os olhos e sorriu, acho que lembrando da sensação.

– É injusto que isso tenha sido roubado de você – deixei escapar.

– Não tanto, agora como ceifador, posso sentir o calor e o cheiro do mar, mas não posso mais fazer o que gostava – ele me encarou – sentirei sua falta, Amy. Quem sabe, se eu estivesse vivo, seria seu namorado – completou rindo com naturalidade e arregalei os olhos

– Mas eu nã…

– Shiii – ele pôs um dedo em meus lábios para me calar.

– Vamos imaginar, em outra dimensão, talvez você vá à minha formatura, sem saber quem sou, talvez porque seu irmão a levou… – falou em seguida – você seria a garota de preto encostada num canto, com pensamentos mordazes sobre todos. Então eu a veria e a chamaria para dançar…

-Mas eu não danço! – Protestei.

-E eu diria: Esta é sua chance de não ser popular. De dançar com um desconhecido apenas pelo prazer de dançar. E você aceitaria só para que este desconhecido a deixasse em paz… Porém, no momento em que ficássemos cara a cara, nos apaixonaríamos perdidamente…

– Will… – tentei falar, mas seu dedo me impediu novamente.

-E daríamos um beijo perfeito. – ele completou e não pude deixar de rir, como se eu pudesse.

– E meus sumiços?

– Nesta outra dimensão nós seríamos iguais, felizes, e nos casaríamos…

– Tá bom, já sonhou demais – tentei ser séria mas comecei a rir. Ele passou o braço por meu ombro.

– Obrigado, Amy, por tudo. Muitas coisas ainda virão para você e espero que seja feliz. Não se preocupe com nada, farei o possível caso saiba de algo que possa te ajudar futuramente.

– Boa sorte na nova função.

Will sorriu e deu um beijo no meu rosto. Não pude deixar de sentir o rosto corar e a tristeza me tomar. Se fosse verdade, em outra dimensão… Não. Não posso perder tempo pensando nisso. Hora de viajar. Ele me deu um ultimo abraço na hora de partir.

– Eu me apaixonei por você, mas não podemos ficar juntos. Então não esqueça que quando o amor vier você precisa agarrar. – falou em meu ouvido – adeus.

Fiquei olhando para o mar um pouco e voltei para casa, tentando esquecer suas ultimas palavras. Ele era, no fim, um pouco maluco. Ri com minha conjectura. Em casa reunimos o resto das malas que iriam conosco na viagem e fomos ao aeroporto rumo à nova cidade, nova escola e novos fantasmas.

Fim… Até o próximo ano!

*Cidade fictícia

3

Gente, espero que tenham gostado. Muito obrigada por acompanhar e comentar. Como dito antes, esta não é a história oficial, é apenas uma introdução. Em 2015 voltamos com mais contos sobre Amy Bradley em seu novo lar, e prometo que será bem maior. Feliz Ano Novo e vamos escrever! ❤

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