A Dama de Fogo (Pt.2): Presente da Grande Mãe

A Dama de Fogo (Pt.2): Presente da Grande Mãe

Escrito por Morgana Owl

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Eileen acordara assustada, pois não fazia ideia de como chegara ao seu quarto. Passara praticamente a noite inteira no porão lendo e relendo antigos rituais e mesmo assim não achara o que queria. Onde fora parar aquela página específica? Perguntara-se a madrugada inteira, mas a questão agora era como fora parar no seu quarto.  Levantara da cama e percebera que já estava sol, devia ser por volta de 12hrs… Fechara as cortinas, pois aquele sol todo estava dando náuseas.  Quando se olhara no espelho, percebeu que tinha uma marca estranha no seu ombro, parecia uma mão. Ao colocar seus dedos sobre as marcas, doera muito, era uma estranha queimadura. Como aquilo fora parar ali?! Outro mistério no mesmo dia. Acontecera algo naquela madrugada e Eileen não conseguira lembrar-se de nada.

O dia passara tão lento, que Brigith não conseguira fazer mais nada a não ser pensar no que vira na madrugada. Fora tudo aterrorizante… Queria que aquele dia nunca tivesse existido. Apesar de todo seu romance com Arthur, sua irmã daquele jeito, estranhamente possuída por algo que andava por trás dela, fora uma das coisas mais horríveis que ela já presenciara em sua vida – e olha que foram muitas coisas!

Achara melhor então encontrar com Arthur, no horário combinado no celeiro. Tinham muito que conversar! Brigith chegara mais cedo, uns 10 minutos antes de Arthur. Ficara sentada ali, chutando as palhas que estavam no chão. O celeiro era abafado, mas era somente ali que poderiam conversar sem que ninguém os visse. Arthur chegara de cabelos molhado e banhado de perfume, estava sorridente e aparentemente nervoso, era um dia importante para ele e para Brigith, pois Arthur tinha grandes planos para aquela noite. Brigith levantara e sorrira:

– Você demorou! – abraçara-o

– Estava me arrumando para você, minha pequena. – abraçara-a ainda mais apertado, e sentira que seu corpo estremecia, então percebera que ela começara a chorar. – Meu deus! O que houve Brigith?! Fiz algo, falei algo que a magoou?! – olhara-a fixamente e nervoso

– Estou com medo, Arthur! Vi minha irmã ontem fazendo coisas inexplicáveis. Estou aterrorizada até agora. Por favor, me promete que ficará do meu lado sempre! Prometa-me! – Abraçara-o apertado aos prantos

– Claro, minha amada, sempre estarei com você! Sempre! – Passara a mão sobre seus cabelos e depois levantara seu rosto para que seus lábios tocassem os dela

– Eu te amo, e quero você para todo o sempre! – Dissera Brigith, enquanto beijava-o.

O desejo dos seus corpos um pelo outro falara mais alto e Brigith cedera às carícias de Arthur. Amaram-se como se não houvesse amanhã. O lugar pouco importava, só queriam um ao outro. Suas almas ansiavam por aquele momento.

-x-

Eileen penteara suas lindas madeixas cor de fogo à frente do espelho, quando sussurraram em seu ouvido o que acontecera no celeiro:

– MALDIÇÃO! – jogara a escova com toda força no espelho – Essa putinha da minha irmã é mais rápida do que eu pensei! NÃOOOOO! – puxara seus cabelos com tanta força que saíra um tufo de cabelos vermelho em suas mãos.

Caitlin correra para o quarto de Eileen para saber o que acontecera e que causara aquele grito horrível.

– O que houve minha querida? – entrara correndo no quarto e percebera que Eileen estava com um tufo de cabelo nas mãos e seus olhos pareciam sair fogo.

– Não houve nada Caitlin, apenas meu cabelo resolvera sair para passear. – Fitara-a com muito ódio.

– Não estou te entendendo, Eileen! Você vem agindo estranho desde ontem! – Afastara-se, extremamente assustada com uma de suas mãos sobre seus fartos seios.

– Apenas saia do meu quarto e deixe-me em paz, querida Cat! SAIA! Ou prefere que eu soletre?! – Pegara a escova e tacara na porta, assim que Caitlin saíra correndo e desesperada.

Caitlin descera as escadas correndo procurando por Sean, que estivera esse tempo todo no escritório e não ouvira nada, por incrível que pareça.

– Sean! Sua sobrinha está ficando louca! – entrara batendo as portas do escritório.

– Cat, minha querida, já disse para ter paciência com Eileen! Ela passou por momentos difíceis, mais do que nós, você sabe.  – Levantara-se de sua cadeira e se aproximara de Caitlin.

– Eu sei meu querido. Mas você não viu o que eu vi! Foi pavoroso. Ela está louca! Precisa realmente de ajuda psiquiátrica. Deveríamos chamar o Dr Dwayne, o que achas? – Fitara-o, com uma estranha animação.

– Pode ser. Veremos ao amanhecer, agora preciso me deitar… Amanhã tenho reunião com os banqueiros da cidade. Vamos? – Olhara-a sedutoramente

– Estou precisando mesmo meu amor. Esse dia foi longo. A propósito, onde está Brigith!?

– Deixe-a. Você sufoca demais as meninas… Vai ver que é por isso que estão enlouquecendo! – Dera uma risada alta e batera no bumbum de Caitlin, que tomara um susto.

-xx-

Passaram-se três semanas depois daquela noite e Brigith sentira-se estranhamente enjoada. Não tivera mais pique para quase nada e muito menos para acordar cedo, como fazia todos os dias. Seus tios ficaram preocupados, pois pensaram que ela estava ficando depressiva de novo. Mas Eileen soubera desde o inicio que aconteceria isso, mais cedo ou mais tarde. Estava nos seus planos.

Eileen, por sua vez, estava cada vez mais instável. Preferira ficar reclusa em seu quarto durante o dia e só aparecia no entardecer… Estava cada vez mais pálida. Parecia que algo estava sugando suas energias e bom humor. Caitlin ligara para o Dr Dwayne, pois achava que Eileen estava com graves problemas psicológicos. O dr apareceu na casa dos Von Bommel na mesma tarde em que solicitaram sua ajuda. Ele era um homem alto, com um sorriso amigável, jovem e incrivelmente bonito, totalmente o oposto de que Eileen pensara que fosse. Fora muito cordial e atencioso com Eileen, que demonstrava pouco interesse:

– Bom, para começarmos algum tipo de tratamento, preciso entender os motivos que levaram a senhorita a perder o interesse em ficar junto da família, fazer suas aulas de que tanto gostas e outras coisas. Explique-me, senhorita Eileen, o que está acontecendo com você? O que passa pela sua cabeça? – fitara-a, pensativo.

– Para começo de conversa, nunca tive interesse em ficar junto dessa ‘’família’’. Sou obrigada a morar aqui desde a morte dos meus pais. Óbvio que gosto dos mimos que me oferecem, mas só isso. Que fique claro. E mais uma coisa: já sou inteligente o bastante para ir a essas aulas irritantes. – lixara as unhas enquanto falava, desinteressada.

– Vejo que a senhorita é bastante afiada e que guarda muito rancor dentro de si. – Olhara fixamente para a caderneta que anotava algumas coisas.

– Até agora não entendi o porquê de chamarem um psicólogo para mim. Minha irmã, pelo contrário, que sofre de depressão. Eu nunca sofri de nada, não preciso das suas consultas. Está obviamente perdendo seu precioso tempo e eu o meu. Posso me retirar? – levantara-se da cadeira em que estava sentada e fizera menção de sair do escritório.

– Só tivemos 10 minutos de conversa e percebo o quão bem a senhorita está. Seu único problema é ser mimada demais. Realmente estou perdendo o meu precioso tempo aqui. Pode sair sim, seu diagnóstico é um dos melhores. – Colocara suas coisas dentro da sua maleta, pegara seu paletó e saíra em disparada da sala, furioso.

– Ora, ora, ora… Esse doutorzinho é bem mais interessante do que eu pensava. – Eileen rira estranhamente.

Caitlin recebera a ligação do psicólogo e ele dissera que Eileen estava muito bem e que deveriam parar de sentir pena dela, pois o seu único problema era ser tratada como um vaso de cera caro, que não poderia quebrar ou tocar. Cat ficara pasma com aquelas palavras, pensara muitas vezes isso e não tivera coragem de dizer a Sean, pois Eileen passara por maus momentos e os dois pensaram que se dessem tudo para Eileen, não teriam que enfrentar sua fúria e sua desgraça. Mas agora nada fazia sentido, porque continuaram fazendo de tudo para Eileen e ela não parecia satisfeita com nada, pelo contrário, sentia ódio de tudo. Principalmente de Brigith, que nada fazia a ela.

-xxx-

Brigith não parara de sentir-se mal e procurara o médico da família… Seu diagnóstico foi assustador e ao mesmo tempo feliz: ela estava esperando um filho de seu amado Arthur.

Antes de ir embora, pediu ao médico segredo, pois não queria que seus tios soubessem da notícia por outra pessoa e sim por ela mesma. Assim que saíra do pequeno consultório que ficara no meio do Vilarejo, correra para o estábulo onde seu amado sempre ficara. Contara tudo para ele, que transbordara de alegria. Decidiram ali que teriam de se casar imediatamente. Estavam tão felizes que não pensaram nas consequências. Pois com certeza haveria algumas.

Eram de classes sociais diferentes… Ambas as famílias ficariam chocadas com esse casamento e, principalmente, com esse bebê. Como os tios de Brigith reagiriam com essa notícia? Como Eileen reagiria a essa notícia? Sempre soubera da gravidez da irmã, mesmo antes da concepção. Mas nunca se atrevera a imaginar que Arthur daria a brilhante ideia de que casassem, por mais que parecera óbvio o tempo inteiro. Porém a dama de fogo sempre tinha uma artimanha para virar o jogo a seu favor. O que não seria nada bom para Brigith e seu bebê.

Naquele momento tão especial em sua vida, Brigith não queria mais pensar em nada. Não queria saber da consequência e do que viria em seguida, apenas queria curtir aquele momento e agradecer. Resolvera sair naquela noite sozinha… Fora até o Lago Diamante, seu lugar favorito para entrar em contato com a Grande Mãe. Subira em algumas pedras  e começara a recitar suas orações voltadas à grande deusa:

‘’ Ó, grande Mãe!
Seus caminhos são perfeitos
E no dançar do vento
Vem nos saudar com sua presença

É no dançar do vento,
No silêncio das noites
E no surgir do luar
Você vem nos abençoar

Seus mistérios e segredos
Estão ocultos em tudo
E estão presentes em nós
Em cada palavra e gesto

Em ti está o nosso refúgio
Grande Mãe que olha por nós
Na sua simplicidade
És perfeita

No cantar dos pássaros
Ouço a sua voz reconfortante
E sinto-me envolvida pelos
Seus cuidados e carinhos

E nas águas cristalinas
De riachos e cachoeiras
Que são seus cabelos
Sinto-me acariciado

E envolvido na dança do cosmos
Para o qual um dia voltarei
Onde poderei ser agraciado
Com a sua presença
Em ti encontrei a paz
Para os dias turbulentos
Você foi meu porto seguro
Em meio às tempestades

Grande Mãe a ti
Eu só tenho a agradecer
Pois me levantaste
A cada vez que cai

Que suas bênçãos
Alcancem-me sempre
Obrigada hoje e sempre
Por estar em minha vida

Que assim seja e assim se faça. ’’

Após recitar uma de suas orações favoritas, ajoelhara-se em reverência a Lua. Ficara ali alguns segundos de olhos fechados, meditando. Então sentira um bafo quente em seu pescoço:

– Bu! Oi, minha querida irmãzinha. Acho que precisa de companhia, certo? – fitara-a enquanto rira alto.

Era nada mais nada menos que Eileen, naquele momento era uma desagradável surpresa. Brigith levantara-se e fitara a irmã, descontente:

– O que queres Eileen? Sabe que prezo muito esse momento e não gosto que atrapalhem.

– Só quero saber o que tens tanto para agradecer, minha lindinha. Conte-me? Sou sua irmã, lembra-se? – olhara-a extremamente entusiasmada.

– Não tenho nada para contar a você, Eileen. Deixe-me em paz, por favor?! Somos irmãs e não mais amigas. – começara a caminhar de volta para o bosque que levaria de volta para a fazenda.

– COMO ASSIM?! O que eu te fiz?! – puxara Brigith com força

– Solte-me! – puxara seu braço de volta e sentira um arranhão – Eu vi o que você fez no porão, Eileen! Eu vi com quem você falara a noite inteira. – colocara sua mão sobre o arranhão.

– Eu não falei com ninguém, Brigith, a propósito, nem me lembro daquele dia! – fitara-a, estarrecida.

– Você não é mais a mesma depois da morte dos nossos pais. Você me olha diferente, como se eu tivesse culpa de tudo! – seus olhos mergulharam em lágrimas.

– Mas você tem culpa, Brigith! Você é a causa. – Olhara-a com ódio.

– Como eu sou a causa?! Nunca fiz nada que pudesse causar a morte dos nossos pais e, principalmente, seu ódio.

– Como não? Você sempre foi à filha perfeita. Inteligente, calada, concentrada… E nada mais e nada menos que A VERDADEIRA filha. Ao contrário de mim. – Empurrara cada vez mais Brigith enquanto falava, até pressioná-la contra uma árvore.

– Do que está falando?! – Brigith deixara as lágrimas rolar.

– Ah, não se faça de tola, minha querida ‘’irmã’’. Sou uma BASTARDA! B-a-s-t-a-r-d-a! Sou filha de uma putinha – igual a você – que o papai lindo comeu durante uma de suas viagens. A minha querida mamãe morreu no meu parto. Aí o nosso querido e generoso papai, trouxe-me para esse inferno. Satisfeita?! – Eileen chorara de ódio, seus olhos estavam cada vez mais vermelhos.

– N-ão pode ser… ee-eu não sabia disso, Eileen! – Fitara-a com enorme compaixão.

– Poupe-me da sua pena, sua desgraçada. E digo mais, sei da sua gravidez. – Enxugara as lágrimas com o antebraço.

– Como você sabe? Quem te contou? – Saíra de perto da árvore e voltara ao caminho que levava de volta a fazenda.

– O mesmo ‘’cara’’ que você viu comigo no porão. – Piscara para a irmã.

Brigith correra assim que olhara para trás de sua irmã e vira a tal entidade. Fora em vão. Sentira algo puxando seu pé e caíra, cravara as unhas no chão tentando liberta-se, nada adiantaria, era uma força sobrenatural. Assim que Brigith totalmente cansada chegara aos pés de sua irmã, Eileen fitara-a:

– Não adianta correr, sua tolinha. Deixo você ir se prometer-me uma coisa: assim que você der a luz ao seu bebê, quero que suma. Ou acabo com a vida de vocês aqui e agora. Fui clara?

– Por que isso?! Não, Eileen! Por favor! – Chorara desesperadamente.

– FUI CLARA? – gritara no rosto de Brigith.

– Deixe-nos em paz! – tentara levantar e caíra novamente.

– Vou contar até dez para você tomar sua decisão. Um… Dois… Três… – fora interrompida por Brigith suplicando.

– Tá bom, Eileen, tá bom! Você venceu dessa vez. Prometa que não fara nada com meu bebê?! – Olhara-a com as lágrimas rolando em seu rosto.

– Relaxa irmã, não sou tão ruim assim… – dera uma enorme gargalhada – então ficamos combinadas? Se quebrar o acordo, mato os dois. Ou melhor, os três. Arthur, inclusive. E outra não contará nada a ele. Fui clara? – levantara o rosto de Brigith e olhara-a nos olhos.

– Sim, agora me deixe ir, por favor!

– Claro suma daqui. ANDA! – fitara-a, com um sorriso de satisfação no rosto.

E a tal entidade? Estivera ao lado dela o tempo inteiro, como se fosse um guardião. Fizera tudo que ela ordenara. Óbvio que tudo tinha o seu preço e esse preço Eileen estava disposta a pagar.

Porém antes de ir Brigith tinha uma última pergunta:

– Eileen, eu aceito tudo o que você disse, contanto que me digas a verdade e não machuque o meu bebê. Foi você quem matou nossos pais?

 

Continua

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