Jogando com a Morte

Jogando com a Morte

Escrito por Saul Guterrres

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Tudo indicava que seria um feriado entre amigas na casa dos avós de Laura. Ela, Maurem e Dana sempre que tinham uma folga dos estudos e do trabalho se reuniam naquela casa para conversar, beber, dançar, enfim fazer tudo que tivessem vontade. Estava combinado que as vinte horas, todas estariam na casa da avó de Laura, já que seus avós haviam saído em uma festa e só chegariam na noite posterior. Como o combinado todas chegaram as vinte em ponto e logo começaram a beber e ouvir muita música alta. Estavam todas bem animadas contando sobre seus romances, trabalhos, famílias e etc.. Até que certa hora Dana resolveu ir ao banheiro. Este ficava perto do sótão da casa e chegando perto, ela ouviu vozes, mas não soube identificar sobre o que falavam ou quem falava. Pensando ser devido ao som alto ela entrou no banheiro e em seguida retornando a sala onde estavam as demais garotas. A noite foi passando e Dana ainda ouvia aquelas vozes, mas não teve coragem de comentar com as outras amigas. Então ela resolver ir até o sótão para ver do que se tratava, ela abriu a porta e puxou as escadas para ter acesso. No instante que ela abriu a porta as vozes pareciam mais exaltadas passando por sussurros e até mesmo gritos. Dana pensou até que as vozes clamavam pelo seu nome. Quando ela entrou no sótão as vozes simplesmente pararam. Mas ao acender a luz, ela observou uma caixa que tinha uma estranha imagem de um bode na frente. Ela abriu a caixa e viu que se tratava de um jogo. Logo após, Laura e Maurem que deram falta da amiga estavam chamando por ela pela casa quando Dana ouviu gritou:

– Aqui em cima, venham ver o que eu achei!!!
– Que diabos faz aí no sótão sua louca? Perguntou Laura
– Pensamos que havia caído bêbada no banheiro!! Disse Maurem rindo. Dana mostrou a elas o tal jogo, perguntando a Laura se ela sabia da existência do mesmo.
– Lógico que não né!!! – Minha vó nunca me deixou subir aqui, mas confesso que nunca entendi o por que? Vamos fazer o seguinte! – Pega esse jogo e vamos ver se do que se trata e se conseguimos nos divertir com ele essa noite!! Que tal?

Dana concordou na mesma hora, mas Maurem ficou meio pensativa. Ela achou aquela caixa muito estranha e aquelas figuras pareciam perturbadoras. Mas ela não soube definir muito bem, a sensação e acabou por concordar devido a insistência das amigas. Já na sala, elas abriram e viram que tinha uma espécie de manual de instruções, então começaram a ler e viram que era um jogo de perguntas e respostas, porém as respostas seriam dadas por um “espírito”, só que para isso elas deveriam usar um tabuleiro que tinha todas as letras do alfabeto, todos os números e no meio escrito SIM e NÃO e mais um compasso, que deveria ser segurado por quem fizesse a tal pergunta. Dana foi a primeira a experimentar, pegou o compasso, colocou sobre o centro do tabuleiro e perguntou:

– Quem está aqui? O compasso girou sozinho para surpresa das três e parou no número 6.
– Foi tu que moveu ele. Disse Laura.
– Da onde, eu juro que não fui eu. Falou Dana meio que surpresa.
– O que será que esse 6 significa? Perguntou Maurem.
– Sei lá, melhor eu perguntar outra coisa. Então Dana concentrouse e perguntou: – Vamos nos divertir muito hoje? Novamente o compasso moveu-se e parou em “sim”. Todas deram muita risada, pois aquilo estava por um lado sendo divertido. Mas elas nem imaginava com o que estavam brincando.
– Minha vez, falou Laura segurando o compasso. – Com quantos anos vou morrer? O compasso deu três voltas e parou no número 23. Laura fez uma cara de espanto afinal, dali a duas semanas ela estaria de aniversário completando vinte e três anos. Só pode ser idiotice pensou ela. Mas não conseguiu disfarçar a cara de espanto.
– Deixa de ser medrosa Laura, isso é só um jogo. Dana tentava amenizar aquele clima tenso que gerou na sala. – Tua vez Maurem, já que foi a única de nós que ainda não participou do jogo. Disse Dana encarando amiga com um ar inquisidor.
– Não quero jogar isso. – Esse jogo tá ficando muito estranho pra mim. Maurem estava visivelmente nervosa, como se algo a estivesse incomodando. – Pois bem! Então eu vou fazer um pergunta sobre tua pessoa. Falou Dana enquanto pegava o compasso. – Não Dana, não quero participar disso…
– Ai, faça-me o favou Maurem, tu sempre medrosa, é por isso que nenhum garoto se aproxima de tu. Dana parecia mais eufórica do que o normal. Girou o compasso e disse  om uma voz que tentou fazer assustadora.
– Quando é que a Maurem vai morrer? As luzes nesse momento se apagaram e todas gritaram assustadas, mas Dana não tirava a mão do compasso, que estava girando sem parar. A luz retornou em seguida, Laura e Maurem estavam apavoradas.
– Eu fico impressionada com vocês sabia? Disse Dana. – Até parece que isto não deve ter sido uma falha na fiação elétrica desta casa, já que deve ter uns duzentos anos. Logo em seguida ela olhou para o tabuleiro, e algumas letras estavam riscadas.
– Olhem isso! Falou Laura anotando as letras que estavam riscadas na ordem. E, H, J e O.
– Hoje!!!! Disse Maurem já extremamente assustada. – Eu falei que não era pra me envolver nisso, disse ela chorando.
– Calma guria, eu já disse que isso é só um jogo. Dana, falava enquanto fazia outra pergunta.
– E eu? Quando vou morrer. Nesse momento o compasso saltou de sua mão, batendo em uma mesa de vidro que estava ao lado fazendo um estouro ensurdecedor. As luzes se apagaram novamente, todas correram dali para achar um quarto. Porém Dana ao levantar, pisou em um pedaço grosso de vidro e deu um grito muito alto de dor. Tentou correr a caiu sobre o tabuleiro. Fazendo muito barulho. Novamente tentou levantar e correr, mas pisou em vários cacos de vidros espalhados pelo chão e não aguentando a dor caiu. E para seu azar a mesa de vidro, que estava com algumas pontas, caiu em cima dela, rasgando a sua garganta e parte do seu rosto, derramando sangue por todo o tabuleiro.

A luz voltou, Laura que havia corrido para o quarto de sua avó, ouviu os gritos de Dana e desesperou-se. Maurem que estava um pouco mais perto presenciou as cenas, embora na penumbra, ela viu que alguém ou sombras estavam ali naquele momento. Ela se aproximou e começou a gritar ao ver o corpo de Dana todo cortado e coberto de sangue. Laura desceu nesse momento vendo a mesma cena começou a chorar.

– O que fizemos? – Como vamos explicar isso?
– Tu vai explicar Laura, afinal é a casa dos teus avós, teu jogo e eu não tenho nada a ver com isso, eu vou embora daqui agora.

Maurem foi para a porta correndo e tropeçou no tabuleiro. Virando de baixo para cima, estava todo manchado de sangue, exceto algumas letras, que ela leu e se deu conta de que formava “AGORA”. Então lembrou-se da última pergunta de Dana e já desesperada, saiu porta afora tentando não pensar mais naquilo. No caminho de casa já muito perturbada, ela tinha a sensação de estar sendo seguida, então começou a correr, até que ouviu um
grito.

– Maurem me espera, era tudo brincadeira, foi só pra te assustar!!! Era Dana que parecia estar muito bem. Vendo-a, ela foi atravessar a rua correndo, e nem se deu conta de que estava na avenida mais movimentada da rua. E então um caminhão que vinha a toda
velocidade, atingiu seu corpo em cheio, fazendo voar para o outro lado da rua. Ela ainda teve tempo de ver a imagem de Dana se aproximando e rindo, mas um outro carro, a acertou na cabeça, estourando na mesma hora.

Laura sem saber o que fazer, ligou para seus avós que vieram na mesma hora. Ela relatou o ocorrido a eles. Que quase a mataram ali mesmo.

– Minha neta, nós sempre falamos pra nunca subir lá no sótão. Disse a avó de Laura em prantos. Pois ela sabia que aquele jogo deveria ser mantido a sete chaves e ninguém poderia tocar, se não todos morreriam.

– Só nos resta chamar a polícia e relatar que tudo não passou de um acidente . Disse o avô de Laura. E assim foi feito. A polícia veio e atestou que foi um acidente, que provável aquelas meninas deveriam estar bêbadas. E também relataram que a pouco tinham atendido uma ocorrência de uma menina que parecia estar bêbada que atravessou a rua e não viu o caminhão sendo atingida e lançada na outra rodovia morrendo em seguida. Laura ouviu aquilo e não pode deixar de pensar no jogo, que dizia que Maurem, morreria naquela noite.

– Senhor policial, por curiosidade, como era o nome da moça que foi atropelada?
– Maurem Cate!! Disse ele com um tom sem muito interesse em
conversa.
– Obrigada. Disse Laura, pensando nas respostas do jogo, que diziam que tanto Dana quanto Maurem morreriam naquela noite, e ela no dia do seu aniversário.

Passaram-se duas semanas, Laura já havia retornado a sua rotina atual. Era véspera de seu aniversario e seus avós haviam preparado um jantar especial para ela naquela noite. Tudo ocorreu bem, Laura estava animada na presença de seus amigos e parentes. Após a festa ela foi se deitar, adormecendo logo em seguida. Teve um pesadelo no qual Dana e Maurem completamente desfiguradas corriam atrás dela com um compasso na mão, tentando levar ela para o inferno. Golpeavam seu corpo, tiravam seu sangue e cortavam todo seu rosto. Ela acordou sentindo todo seu corpo tremer, sentiu uma imensa sede e foi até a cozinha pegar água. Ao passar pela sala, ela viu aquele compasso sujo de sangue e deu um grito. Tentou correr e não conseguiu. Então ela viu uma movimentação no andar de cima de sua casa, conseguiu mover-se e foi até lá. Viu que seus avós entraram no seu quarto e ouviu gritos de desespero, devagar, foi caminhando ate a porta do seu quarto e viu aquela cena aterrorizadora. Seu próprio corpo todo desfigurado e sujo de sangue deitado sobre a cama. Começou a tremer e sentiu que alguém tocou seu ombro. Olhou para trás e viu suas duas amigas com aparência horrível e mais seis pessoas estranhas.

– O que está acontecendo? Perguntou ela.
– Não foi um sonho sua tola!! Disse Dana, ou o que parecia ser ela.
– Como não, eu to aqui…
– Ah, está mesmo? Disse Maurem que estava mais sombria que todos eles.
-Pois eu não acho.
– Chegou sua vez de jogar no inferno!!
– Eu não quero mais jogar jogo algum!!!! Uma das seis sombras que estavam atrás das gurias, chegaram bem na frente de Laura, ela pode ainda sentir um cheiro forte de podre, e falou:
– É mesmo querida? Não quer mais jogar? Então isso só se resume em uma única coisa!!
– Game Over.

Só o que Laura sentiu, foi o calor do inferno sobre suas entranhas, ou o que restou delas…..

O tempo passou os avós de Laura faleceram e a casa ficou um bom tempo sem alugar, pois os vizinhos diziam que as vezes era possível ouvir barulhos dentro da casa. Mas uma família que necessitava urgentemente alugar uma casa por aquele bairro, não tiveram escolha e foram morar na antiga casa dos avós de Laura.

Tudo estava indo normalmente, Flávia, seu marido e seus três filhos se sentiam bem naquela casa. Embora os vizinhos relataram os fatos ocorridos ali. Mas eles nunca deram ouvidos a aquelas histórias. Certa noite, após o jantar, o filho mais velho de Flávia, subiu até o sótão para pegar sua coleção de figurinhas que estava lá, mas ele achou um estranho tabuleiro que estava escondido bem atrás de algumas caixas. Ele logo achou aquilo muito interessante, chamou toda sua família para ver.

– Ei pessoal vamos jogar esse jogo que achei aqui? Então nesse mesmo instante, todas as luzes do bairro se apagaram e acenderam… Um compasso apareceu no meio da casa. Tempo depois gritos ecoaram pelo bairro, mas ninguém soube dizer o que houve com aquela pobre família. Só o que tinha além dos corpos, era um tabuleiro jogado sobre a mesa!

Fim

Comente, diga o que achou! Seu comentário incentiva o autor e faz com que continue a escrever novas histórias!

9 comentários em “Jogando com a Morte

  1. Saul, mais uma vez adorei!
    O suspense ficou bem feito e as mortes um terror D:
    Fiquei BEM CURIOSA pra saber quem eram os 6….. será que rola um novo conto explicando isso? UHEUEHEUEHEUH

    *lançando a semente da discórdia*

    Ps: está tendo uma evolução na escrita!! Parabéns!!

    Curtir

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