Enchatriagge (Pt.11/Final): Ellenimir

Enchatriagge (Pt.11/Final): Ellenimir

Escrito por Lillithy Orleander

rise-of-the-phoenix

Kaylinter olhava- nos escolhendo quem seria o primeiro a enfrenta – lá.

Auster ainda estava no chão esperando quase se respirar que o desfile de víboras passasse por cima de seu corpo sem feri – lo.

Ela então olhou para Lugha e sorriu.

– Prefiro mulheres que lutam sem armas, elas demonstram mais dignidade e força do que algumas do seu tipo que tiram vantagem da fraqueza. Mas dessa vez vou abrir uma exceção.

Kaylinter se agachou e pegou umas das serpentes, que ficou em riste diante da mulher, olhou – a nos olhos e está endureceu – se por inteira.

– Agora está melhor estamos iguais em numero e gênero. Onde foi que paramos mesmo? – ela perguntou batendo a cobra no chão, transformando – a em uma lança pontiaguda.

Lugha não recuou apenas sorriu em resposta ao que a rival queria.

Lugha então pareceu formar a mesma parede de quando enfrentou Auster, quando gritamos para que ela não fizesse aquilo, ela gargalhou como se estivesse possuída.

– Vocês são tão tolos! – disse Kaylinter, que parecia se divertir com a situação. – De todos aqui reunidos a menininha atrevida é a que mais tem sede de sangue?

Que graça tem instaurar os caos entre vocês mesmos, se nem receptivos as minhas artimanhas vocês são? – ela fez um beicinho como quem ficasse desapontado.

Só então pude compreender que ela não queria sujar suas mãos, mas queria nos matássemos entre nós mesmo e talvez ela tivesse conseguido.

– Condenada, você pensa que pode me vencer por que usa artimanhas de forma vil pra fazer o trabalho sujo? Qual o problema tem medo de sujar as mãos de sangue? – Lugha enfureceu a mulher que se virou em sua direção pronta para ataca – lá

– Faça o melhor que puder fedelha. E quando estiver no chão, sendo devorada por vermes, lembre – se de quem irá tem governar pelo resto dos seus dias. Quanto a ter medo de sujar minhas mãos de sangue, não se preocupe o cheiro me faz salivar. – ela sorriu

Lugha riu com deboche do que a outra dizia, seus olhos estavam vidrados e ela se quer nos escutava dizer para não deixar sua fúria tomar conta, mas a vontade dela era tão grande que tudo o que conseguimos foi com que ela nos olhasse com raiva.

Kaylinter nos olhou e piscou seus olhos para Mhina.

– Não se preocupe querida, a próxima será você. Quanto aos homens, adoro carne fresca no café da manhã. – e abriu a boca de forma a mostrar a língua gigantesca que dentro dela se escondia, lambendo ao redor da própria.

Mhina pareceu se enfurecer também, mas Lucas não a deixou correr na direção das combatentes.

Auster se levantou e caminhou segurando o próprio pescoço e arrastando a espada, a mão da mulher tinha lhe marcado como ferro em brasa, e a dor era tamanha que sentia como se sua carne queimasse.

Mas ele não se conteve e continuou a caminhar. Em uma pedra perto do trono, havia uma planta vermelha que crescia misteriosamente desde que a mulher aparecerá. Ele então decidiu que se aquilo era um sinal para salvar suas vidas, ele tentaria.

– Nem ouse chegar perto de minha pequena hera. – era a mulher, que espremia palavras sibilando.

Ele ainda sim, vendo o ódio que ela parecia expirar naquele instante achou que a planta, a principio inofensiva, fosse algo que a prejudicasse.

Auster cortou, e no momento em que cortou a planta e arrancou – lhe as raízes, uma fumaça púrpura passou a fustigar a planta, soltando uma risada sinistra.

Um homem erguia – se da mesma com o peito desnudo e cheio de pêlos, com feridas purulentas, enquanto os olhos negros e sem íris olhavam  tudo ao seu redor.

O homem era esguio e demonstrava ser forte, tinha brincos e colares de ouro presos do rosto ao umbigo.

Vestia uma calça de seda azul marinho e sorria com a boca torta, os pés descalços e machucados pareciam ter vida própria, pois insetos e larvas passeavam sobre ele entrando e saindo como se ali houvesse vários tuneis. Ele então olhou Auster com curiosidade, inclinando a cabeça de um lado á outro, tentando entender o que acontecia.

– Acredito que você seja meu bem feitor. – disse ele. – Ou nem tanto, mas como gosto de ser misericordioso vou lhe dar uma morte rápida pelo favor prestado.

Auster olhava estarrecido, como podia ter se enganado.

– Deixe que eu me apresente, sou Guahí.

Ele preparou a espada e ficou a espera do homem que caminhava em sua direção, enquanto ele dava passos para trás na tentativa de se afastar, mas todos sabiam que a batalha começaria e seria inevitável.

Guahí foi o primeiro a desferir o golpe, derrubando Auster mesmo de espada em punho no chão.

Este caiu e não conseguiu levantar de imediato, enquanto o canto de sua boca, a primeira mostra de sangue escapava.

Lugha pôs se diante da inimiga, e puxou a espada curva que sempre carregou consigo, mas nunca tinha sido muito usada.

A espada trazia o nome dela gravado, e tinha o nome de seu velho amigo e considerado pai, havia sido um presente dado á ela por ele quando ela fez quatorze anos, e ela só usava em casos extremos.

Ela rodopiou com a espada enquanto a outra de lança em punho se defendia dos ataques. Ela se abaixou e numa fração de segundos Lugha cortou – lhe parte do cabelo, o que a irritou ainda mais, mesmo todos desejando que tivesse sido o pescoço de Kaylinter.

Kaylinter cravou a lança no lado direto de Lugha, perfurando a carne de sua cintura, com uma exatidão que nos deixou preocupados.

Lugha ainda segurando a espada com uma mão apenas segurou o lado enquanto, arrancava um pedaço da pele do rosto de Kaylinter num rodopio.

Kaylinter então sorriu e com uma de suas mãos passou a arrancar o resto da pele que ali havia como se desconhecesse o que é dor.

Eu olhava de forma desesperada pensando que atitude deveria tomar.

– Você realmente pensa que me afeta arrancando partes do meu corpo?

A pele caia no chão se tornando uma nova serpente, que rastejava de volta para o trono, seus olhos chamuscavam ódio enquanto Lugha perdia sangue, que manchava metade de sua blusa verde e rapidamente passava a cheirar mal, colando na  pele ainda úmida dela.

O verde ganhou uma coloração marrom e isso fazia com que a criatura que a pouco me caçava quisesse agora caçar freneticamente Lugha, mas ainda sim não demonstrava fraqueza ou cansaço.

Os olhos dela brilhavam e ela sorria como uma leoa mostrando os dentes para a presa.

– Se eu morrer levo você comigo, maldita. E se não morrermos, pelo menos nunca mais você atravessara meu caminho outra vez.

– E você realmente acredita que sairá viva? Olhe para você, está se esvaindo em sangue e logo Montserrat vai devorar o que sobrar de você.

As duas voltaram a se chocar, enfrentando – se visualmente, medindo força entre espada e lança. Kaylinter então sorriu e lambeu a face de Lugha que com nojo, afastou – se não sem antes acertar a cintura da rival com um chute derrubando – a no chão.

– Seu ódio só me instiga a querer destrui – lá mais rápido. Não, destrui –lá não, torna – lá minha escrava pela eternidade. Eu te colocarei correntes nos pés e no pescoço e lhe tratarei como trato meus pequenos monstros.

Montserrat – ela gritava. – venha para a mamãe.

A criatura de imediato correu até a mulher e de uma maneira bizarra passou  a beija – lá, que passando a devorar  os pedaços de sua criação.

Rasgando e mastigando, enquanto a criatura guinchava de dor e ela gargalhava com a boca pingando um sangue negro e fétido, que lavava – lhe o pescoço descendo por entre os seios.

Lugha viu sua chance nesse instante, puxou a adaga uma vez mais e lançou na direção dos dois seres que se atracavam vorazmente.

Mas não teve muita chance, a mulher segurou a adaga entre os dedos e com o dedo em riste fez sinal negativo para Lugha.

A adaga estava escurecendo nas mãos de Kaylinter e está assim que a viu envelhecida a lançou novamente para sua dona que foi acertada na coxa, prostando – se de joelhos com a dor.

Ela respirou fundo e arrancou a adaga de sua coxa, urrando de dor, rasgou a blusa e amarrou a coxa.

A ferida de sua cintura começava a secar, mas ainda vertia o sangue escarlate.

Ela se levantou mancando e foi até onde estava seu arco, mas Mhina não deixou e a segurou pelo ombro.

– Você na pode mais, vai se matar.

– Eu preciso ir, preciso vencer, preciso mata- lá. – a outra ria enquanto lambia seus dedos sujos de líquido espesso.

Montserrat não existia mais.

Mhina tomou a frente e Kaylinter caminhou até ela confiante.

– Então já mudamos de oponente achei que vocês fossem mais fortes. Mas bem, vamos  ver o que minha nova delicia tem a oferecer.

Kaylinter bateu a lança no chão e começou a tentar acertar Mhina com golpes ritmados, mas está não se deixava tocar.

Kaylinter tentou passar a lança nas pernas, mas Mhina parecia dançar e ao invés de acertar as pernas de Mhina, ela apenas cortou o tecido da saia.

Kaylinter não gostou e mordeu o canto inferior da boca até tirar sangue do mesmo, ela então parou e passou as mãos nos lábios e notou o sangue dela, o ódio lhe subiu a face.

E ela passou a ser mais ofensiva, tentou agarrar Mhina, mas não teve êxito, pois Mhina passou por debaixo de seus braços, levantando – se em seguida e puxando os cabelos desgrenhados da mulher, que tentava de todas as formas se soltar, mas Mhina fazia questão de arrasta – lá por entre as pedras, enquanto o sangue dela ficava no caminho.

Kaylinter se debatia e gritava segurando os cabelos onde parecia doer.

Mhina estava impiedosa e com olhar vazio, caminhou até onde estava uma pedra pontiaguda.

– Conhece esse lugar, Kaylinter? – ela sorria embevecida.

– Peste, eu mesma tratarei de mata – lá e a torturarei da pior forma possível.

– Lugha, você ainda pode andar? – disse Mhina sorrindo sem tirar os olhos da mulher que estava á sua frente, deitada sobre a pedra, arranhando a mesma com as unhas gigantescas, enquanto suas próprias víboras mordiam – lhe a face. – Lugha, traga a espada!

Mhina estendeu as mãos para o chão e a serpente que parecia maior que as outras obedeceu ao seu chamado se erguendo, sobre pés escamosos, retorcendo – se e ganhando uma forma quase humana mas que não deixava de ser animalesca.

– Senhora, quem és tu que agora ordenas? – o sibilar e o sussurro rouco chamaram a atenção de todos que ainda estavam presos aquela cena.

– Sou Mhina, Senhora da Chama Ardente, Guardiã da Poderosa Fênix e ordeno que voltes a tua forma, ser que rasteja, pois estás livre para seguir teu caminho. Está que vos aprisionava, não mais tem poder sobre ti, e nem sobre teus irmãos.

A criatura sibilou alto, como se tentasse gritar e voltou a sua forma de origem, enroscando na perna de Mhina, subindo por seu braço e parando por fim em seu pescoço próximo á orelha.

– E eu te seguirei minha senhora, aos confins de Mutreality. – ela se contorceu novamente e em contato com a pele de Mhina, pegou fogo, enquanto em nova criatura se transformava. – Salamandrae… – foi tudo o que ela disse quando o ser dançou diante de nossos olhos.

Lugha que agora arrastava a perna que parecia se encher de gangrenas trazia sua espada no alto da cabeça.

– Lugha, sem dó e sem remorso. – disse Mhina olhando – a nos olhos.

– Com todo prazer. – ela disse com os dentes trincados.

A espada cortou o ar, silvando como se forma – se um pequeno tornado e decepou  a cabeça de Kaylinter, que quicou no solo, matando qualquer planta que ali havia.

O solo ficou negro e transformou – se em cinzas.  Lugha caiu ao lado do corpo, que ainda estremecia com os últimos espasmos e segurava a própria perna.

– Eu não vou conseguir. – disse ela com lagrimas nos olhos.

Mhina correu a sentar – se ao seu lado e estendeu – lhe as mãos.

– Você vai sim, estamos nisso juntos lembra, e não podemos chegar ao fim de tudo sem você, portanto lute. Vai ficar tudo bem.

A perna ficava cada vez mais negra e parecia que iria cair, Lugha chorava e de dentro de uma dessas lágrimas uma criatura saiu.

A principio pequena e indefesa como se fosse um minúsculo leão, para em seguida começar a crescer descomunalmente.

Longas asas se formaram, enquanto as garras cresciam rapidamente nas patas, as penas da cor da areias reluziam um tom dourado, e o bico de ferro se formou em meio a face, como se fosse uma ave.

O ser deitou a cabeça sobre o seio de tua senhora e num lamento mudo como a brisa que vem dos oceanos, tocou Lugha.

– Levante – se minha senhora.

Ele apertou a perna enegrecida com a pata e Lugha em meio a dor gritou desesperada, tentando afastar aquilo de sua presença.

Mhina tentou empurra – lo, mas foi arremessada pelo vento das potentes asas.

Um tornado formou – se ao redor dos dois, enquanto ela gritava e clamava por ajuda.

– Levante – se minha senhora! – dessa vez o ser gritou e era como se mil trovões nos ensurdecessem, as mãos foram imediatamente para nossos ouvidos que latejavam com aquele som em tom de ordem.

De repente o silêncio, nada mais podia ser visto ou escutado, o tornado se findou e Lugha estava em pé, curada, sem nenhum ferimento aberto.

– Esse é meu soldado, meu servo fiel. Um Silfo…

A criatura bateu asas e subiu aos céus deixando o vento correr solto por entre todos nós.

Auster havia desaparecido com o homem que surgiu da fumaça.

E Lucas como que lendo meu pensamento olhou na direção das frondosas arvores que agora pareciam uma floresta sombria.

– Eu temo por ele. – disse eu

Não precisei dizer muito, Pietro havia mudado novamente, e partia na direção do matagal.

– Sinto cheiro de sangue. Sinto cheiro de morte…

Então saímos todos correndo na direção que Pietro mostrava.

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Eu temia que ninguém chegasse a tempo, por que afinal de contas uma ajudinha não seria lá má idéia.

Guahí lutava como uma besta. Os colares, assim que ele conseguiu me afastar dos outros, transformaram – se em correntes com massas na frente.

Ele me sorria com se meu medo, sim eu estava com medo, fosse sua maior diversão.

– O que é você, pequenino? – ele perguntou me olhando com voracidade. – um pequeno inseto para que eu o pise sem piedade ou apenas um homem por trás de uma espada fajuta?

–  Eu sou Auster. E farei o possível para lhe matar.

Guahí girou as correntes enquanto eu tentava pensar para qual lado devia fugir.

Não houve meios, ele lançou a massa e essa enrolou- se em meus pés, derrubando – me no chão pedregoso.

– Agora eu irei comer o que não faço a muitas gerações, desde que Kaylinter me enganou e me prendeu naquela planta maldita.

Nunca pensei que houvesse um tolo capaz de me libertar.

Ele não parava de falar, era se conversasse consigo mesmo, enquanto me arrastava para mais próximo, babando com um cão.

– Aquela maldita um dia me jurou poder, fartura e o mundo, mas assim que conseguiu o que queria. Assim que foi devorada pela grande serpente negra, ela me abandonou.

Quando saiu finalmente do ventre do animal, ela o comeu e todas as víboras saudaram – na como senhora absoluta.

Ela me olhou nos olhos e disse que não precisava mais de mim.

Ele me ergueu do chão me segurando pelo pescoço, sufocando – me.

– Ela fez exatamente assim, até me matar, mas infelizmente eu fiquei preso a essa carne estúpida como seu servo, eu fui escravizado e fadado á acompanha – lá, mesmo depois de sua morte.

Você tem noção do que é clamar a morte todos os dias preso e sendo alimentado com restos da carne humana que ela não come?

Ela me fazia de animal quando estava entediada, me fazia comer outros que ela havia transformado em servos somente para se divertir, e aquilo terminou por matar o restante de minha humanidade.

Ele apertava mais meu pescoço me deixando cada vez mais sem ar, eu sentia como se meus olhos fossem saltar das orbitas a qualquer momento. Não sei ao certo o que aconteceu naquele instante, mas eu respirei aliviado quando vi Guahí caído como eu tossindo, eu realmente achei que aquele seria meu fim, mas fui salvo.

Acho que nunca fui tão grato por ver o rosto de Pietro como fui naquele instante.

– Auster, está tudo bem?

– Vou ficar Pietro. Vou ficar.

Lucas chegou logo em seguida, acompanhado pelas mulheres.

Guahí se reergueu do chão em meio a gargalhadas e limpando o pó que parecia haver em suas vestes.

– Mais comida. – ele olhou para Meriagè e apontou o dedo.

– Você, eu quero você pra mim, vai lamber meus pés assim que eu me tornar o senhor absoluto.

Meriagè o encarou por alguns instantes e foi até a frente do ser, empurrando delicadamente cada um de nós que estava em seu caminho.

– Você pensa que é o que criatura? – ela respondeu irada e adquirindo novamente os olhos amarelos do basilisco eu acreditava ser sido deixado para trás.

– Olhe a sua volta, amaldiçoado Guahí e observe bem a cena que se desenrola ao seu redor.

Guahí pareceu temer a voz de Meriagè, mas levantou a cabeça e olhou em seguida, sem entender.

Meriagè andou ao seu redor como que o hipnotizando, ele ficou estático olhando nossos rostos de um jeito inexpressivo que nos fazia se perguntar o que ela estava fazendo.

– Kaylinter, aquela que um dia você muito amou e deu asas para que as loucuras dela tivessem inicio, está morta.

Ela não mais voltará e você vagará sozinho pelo mundo, rastejando e implorando misericórdia, comendo os mesmos restos e sendo enxovalhado.

O transe então pareceu terminar e antes que Meriagè pudesse retornar até nós ela a segurou pelo braço, torcendo – o até escutarmos o estalo de alguma coisa quebrando.

O  grito pareceu gelar – me a alma, enquanto o arrepio subia por minha espinha, o primeiro a correr em socorro de Meriagé foi Lucas, que se lançou no ar.

Correu na direção de Guahí e qual não foi minha surpresa ao ouvir o grito emudecer e a pele de Meriagè se arrebentar por completo trazendo a tona uma grande serpente da cor da esmeralda, com presas afiadas que pareciam aço, desvencilhou – se de Guahí enquanto Lucas o derrubava no chão com o chute no peito e o dominava.

– Lugha, a lança! – ele gritou

A garota lançou a arma com tanta destreza que me pareceu impossível que o outro fosse conseguir pegar.

Mas a sintonia entre eles era tão grande que Lucas parou a seta ao lado de seu rosto sem fazer mais esforços, como se ela nunca tivesse saído de sua mão.

– Hora de libertar sua alma meu caro. – disse Lucas enfiando a lança na garganta de Guahí, que parou imediatamente com os olhos vidrados, sem esboçar nenhuma reação.

Lucas se levantou do corpo que parecia jazer sem vida e virou – lhe as costas sem nem perceber que a monstruosidade se levantava como se algo ou alguém a reerguesse com fios invisíveis.

A risada gutural preencheu o ar e todos pararam para ver o que acontecia.

Guahí se levantou e arrancou a lança de sua garganta, olhando – a com desdém.

– Isso é o melhor que podem fazer? Admira-me que muito que tenham matado Kaylinter.

Ele lançou a arma em direção a Lucas e parecia que dessa vez, meu menino não escaparia, eu iria falhar com a promessa que Hyvani, mas Pietro a segurou e girou no ar acertando a testa  do ser, que não se deixava matar.

– Lucas?

– Eu sei, ele vai nos dar trabalho…  – foi tudo que ele respondeu para Auster, que mais recuperado buscava sua espada, agora era hora de fazer acontecer.

Ambos se entreolharam para saber quem daria o primeiro golpe, enquanto Guahí novamente tirava a lança do meio de testa.

– Vocês estão começando a me chatear. – o sorriso havia sumido dos lábios da criatura que agora tinha o rosto lavado em sangue, os brincos pendurados no nariz, mudaram do ouro para a cor do cobre, o cheiro de podridão invadia o ar.

– Pois que venha o primeiro. – foi tudo o que Guahí disse.

Pietro correu na frente dos outros dois e desferiu  o primeiro soco que foi engolido por uma massa de vermes, que ele lançava no chão e pisava. Reagindo com rapidez Guahí lhe deu um chute mas Pietro o parou antes mesmo que o atingisse.

Auster se armou de espada e também correu contra Guahí mas este desviou e o jogo longe novamente.

– Auster. – disse Pietro. – está luta não é sua.

Ele estendeu as mãos para o amigo e o ajudou a levantar.

– Cuide delas, se acontecer alguma coisa, cuide delas.

Auster acenou com a cabeça para Pietro e lhe entregou a espada, enquanto Lucas pegava a de Lugha.

– Dois contra um? Isso será no mínimo divertido. – Guahí sorriu e apontou para Lucas.

– Você primeiro.

Lucas se precipitou, respondendo ao outro com ferocidade, cortou – lhe um dos braços e desferiu – lhe socos e chutes, mas Guahí se quer se movia do lugar, apenas ria.

– Terminou?

Lucas ofegava e começou a sentir o formigamento em sua pele, só então percebeu que por dentro da pele de suas mãos e braços, bichos entravam e rastejavam dento dele.

Lucas olhou enojado e teve ânsias para vomitar, mas assim que abriu a boca, um por um, os vermes caiam.

Ele caiu de joelhos e Mhina o acudiu de imediato, ele começava a ter convulsões exageradas enquanto Pietro pareceu  derramar uma lagrima pelo canto do olho.

Tomou a espada e foi na direção de Guahí que ainda gargalhava e chamava Pietro com as mãos.

-Vocês não podem fazer nada por ele, em poucos instantes a pele dele será devorada e ele morrerá antes mesmo que o Sol se ponha.

Pietro viu no minuto de distração a oportunidade e enfiou a espada no coração do ser, ela entrou toda no peito, e só então vimos Guahí cuspir sangue, mas ainda sim, sorrindo.

Lucas por força ou obrigação levantou – se com muito esforço e juntou as mãos.

– Eu morro, mas levarei você comigo.

– Tente  sua sorte, infeliz.

Um globo brilhante  se formou no centro das mãos de Lucas enquanto ele se apoiava em Mhina.

– Você não precisa fazer isso, você precisa sobreviver. – disse ela para ele.

– Eu faria qualquer coisa pra sobreviver, mas não estou em condições. – ele sorriu como sempre meu menino fazia.

Olhou nos olhos de Mhina com carinho  e balançou a cabeça com lagrimas nos olhos.

– Seja feliz! – ele beijou – lhe a testa, em sinal de respeito e lançou a esfera, caindo em seguida desacordado nos braços de Mhina.

Seu corpo se ergueu por um instante e dele uma forma líquida tomou a forma de uma moça de cabelos esverdeados e pele clara, ela sorriu para o corpo que ali jazia, virando em direção a esfera e parando – a.

Pietro  ainda lutava bravamente contra Guahí, mas parou assim que viu a moça sorrir em sua direção, caminhando suave sobre a relva.

Meriagè olhava boquiaberta.

– Mas o que é… – ela não terminou de falar

– Ondina. – foi o sussurro que emanou dos lábios de um Lucas desmaiado.

A moça sorriu com mais segurança e numa velocidade assombrosa se juntou a esfera, chocando – se de encontro a Guahí que cambaleou e caiu sobre um arbusto.

Pietro aproveitou a oportunidade e decepou a cabeça dele.

O corpo a princípios foi submerso em vermes e larvas que sobre ele corriam, para logo em seguida ser tragado pela terra e sumir.

Pietro caiu exausto e chorando.

– Eu não agüento mais, eu preciso sair dessa loucura.

Lugha correu e o abraçou, deitando – o em seus braços.

– Fica calmo, estamos quase no fim disso tudo.

Uma névoa novamente se desprendeu do chão trazendo aos nossos olhos uma moça, em forma etérea que caminhou até Meriagè e entrou em seu corpo.

– Imperians, vocês eram esperados. É chegado o momento e meu senhor os espera. Levantem – se e me sigam.

– Quem ou que é você? Está maluca, estamos exaustos e Lucas está quase morto era esse o plano de seu senhor? Nos matar no meio do caminho?

Ou ele é só mais um cretino em busca de nossos poderes ou sei lá o que vocês querem tirar de nós. Estamos cansados desse circo. – Mhina disse tudo isso segurando as lagrimas que estavam prestes a cair de seus olhos.

– Me chamo Nyathcirqè e vim para ajuda- los o caminho agora é curto e Ellenimir está no horizonte.

Lucas não irá morrer, eu mesma cuidarei para que não aconteça isso.

Ela então saiu do corpo de Meriagè que passou a tossir desesperadamente como se lhe faltasse o ar e entrou no de Lucas.

Ele se levantou e com uma voz estranha mandou – nos seguir.

A névoa não se dissipava se tornava mais densa e o ar mais pesado, embora ao nosso redor sentíssemos a noite chegar e o perfume das flores se tornar enjoativo.

Eu já havia entregado minha vida ao destino e nem tinha mais forças para reagir a nada eram coisas demais e parecia que haveria outras ainda piores.

– Niacksa, está tudo bem?- me perguntou Lugha

– Eu realmente não sei. – eu estava em choque.

Nos aproximamos de um lago onde um pequeno barco nos esperava, adentramos a embarcação e então vimos o Templo.

Parecia entalhado na pedra de mármore claro, era alto e possuía colunas grossas e marcadas com palavras que eu nunca havia visto.

Do local em que estávamos era possível ver o teto abobadado, com pedras que reluziam a luz fraca do Sol que partia, formando pequenos arco-íres e lançando centelhas no lago, que se mostrava límpido e cristalino, com muitas madrepérolas em seu fundo.

Chegando a margem notei que não havia ninguém para nos receber e perguntei a Nyathcirqè onde estava seu senhor.

– Meu senhor os espera em sua forma milenar, entremos no templo.

Assim que entramos Mhina caiu no chão de boca aberta, arfando.

– Eu já estive aqui. Em sonho.

Ela nem havia terminado de falara e uma estatua de pedra começou a se mover, abrindo os olhos, e esticando os dedos, de sua boca saiu pó e sua pele de pedra se escamava, ganhando a tez pálida. O longo cabelo grisalho trançado balançava ao sabor da brisa fraca que ali passava.

O homem moveu – se uma vez mais e o restante dos pedregulhos caíram, dando lugar ao homem de manto dourado, com pingentes de esmeraldas e safiras. Ele sorria um sorriso franco e caminhava em nossa direção descalço.

– Sejam Bem Vindos, meus senhores.

Ele se ajoelhou diante de cada um dos Imperians e olhou pra Lucas demoradamente.

– Nyathcirqè?

– Sim, meu senhor.

– Saia.

A moça de forma corpórea saiu e pareceu virar de carne e osso, ajoelhando – se diante do homem.

– Ele será o primeiro. – Lucas olhava vidrado para o nada.

– Meu jovem, sei de tua jornada e garanto – lhe que não foi fácil, mas necessito de um último esforço. Nesta sala há sete espadas e preciso que você escolha uma.

Lucas caminhou como que puxado para uma espada curva, de lâmina multicolor, que parecia leve ao toque. Assim que ele tocou sua aparência mudou de imediato, o longo cabelo negro e as orelhas pontudas apareceram, e seu peito estava desnudo. Sua tatuagem brilhava e ele sorria, ele bateu a espada no chão e esta transformou – se em um tridente dourado. Lucas olhou para a janela do lugar e o lançou pela janela, o tridente caiu no lago e Lucas passou a ser encoberto pela água. Ele sorria, quando a água escorreu Lucas havia desaparecido.

Auster em desespero correu para o homem com a fúria estampada nos olhos.

– Seu desgraçado você o matou! – e desembainhou a espada que imediatamente vôo de suas mãos indo ocupar um lugar ao lado de outra espada.

– Ele está livre, não havia mais o que ele pudesse fazer. Ele está vivo, mas a forma corpórea vai levar tempo para se estabilizar, ela foi muito danificada nessa jornada. Quando chegar a hora ele voltará.

Eu fiquei sem entender o que o homem queria dizer com aquilo.

– Quem será o próximo? – ele sorriu esfregando as mãos – Mas onde foi que deixei meus modos, me chamo Yharucos, sacerdote do Templo de Ellenimir.

Pietro foi o próximo a se apresentar. Ele escolheu uma espada curta que parecia que um simples toque a quebraria. Tinha uma lâmina com dois gumes, mas feriu Pietro quando este passou os dedos nela.

– Filho da Terra, senhor Imperian, venha sábio guerreiro.

Do corpo de Pietro surgiu um homenzinho que parecia ranzinza e só sorriu para o rapaz, olhou para o sacerdote e atravessou a parede como se fizesse parte dela.

– Gnomus. – disse a criaturinha antes de desaparecer por completo.

Pietro ofegou e sorriu.

– Acabou…

Lugha veio a seguir e passou determinada para uma espada fina.

– É essa, leve e de fácil manuseio.

Ela se posicionou para um ataque e uma lufada de ar passou dentro dela derrubando – a. O Silfo surgiu e acenou com sua cabeça para Lugha, naquela despedida muda.

Mhina não queria ir, chorou e tentou fugir, mas Auster a segurou com força e virou – a de frente.

– É o fim Mhina. Acabou. E eu estarei aqui, com você.

Ele a beijou e o fogo que estava contido dentro de Mhina tocou o teto do Templo me deixando apavorada, ela e Auster se consumiam em fogo, libertando um pássaro dourado e uma pequena serpente que havia transmutado por ordem de Mhina.

– Pra sempre. – foi o que ela disse.

A espada de Auster brilhava do outro lado da sala  ao lado de uma cimitarra, uma espada gêmea  á de Auster, com a lâmina avermelhada.

O fogo cessou e diante de nós só havia um casal apaixonado, olhando – se nos olhos e sumindo, aos poucos…

– Muito obrigado. – ele disseram juntos, antes que sua imagem sumisse de vez.

– Eu disse que quando tudo isso acabasse, eu queria conhecer o mundo inteiro e mudar minha vida. Eu quero que você venha comigo, Pietro.

Lugha nem terminou de falar e Pietro a tomou nos braços  e lhe beijou a face.

– Eu achei que você nunca ia dizer isso. – ele sorriu e assim como Auster e Mhina desapareceram.

Eu fiquei ali parada, em silêncio ao lado de Meriagè.

– Eles vão ficar bem.

O sacerdote então tomou nossas mãos e nos levou a outra sala. Vários espelhos  estavam dispostos em circulo e varias imagens passavam ali.

– Isso é o futuro. – ele nos disse.

Vi Auster e Mhina terem filhos e discutirem diversas vezes e depois darem risadas, morrendo velhos de mãos dadas.

Mais adiante vi Lugha e Pietro, eles viajaram pelo mundo, ela deixou de ser ladra. Não tiveram filhos seus, mas pegaram uma linda menina de cabelo vermelho para criar, um bebê que chamaram de Anfitrite, Ann…

Nos espelhos em diante vimos a criaturas que acabávamos de libertar retornando, em uma nova era.

Vimos as lutas e os desafios que os aguardavam.

A terra morria aos poucos e estava deixando de lutar. A água começava a ter fim. O fogo ficou incontrolável e perdeu seu equilíbrio. Quanto ao vento, corria com voracidade causando destruição por onde passava.

– Alguém terá que ficar. – disse o sacerdote.

Decidimos que seriamos nós. Meriagè e eu.

A Lua banhou o templo com sua luz e sacerdote virou pedra, enquanto aquele brilho caia sobre nós mudando cada poro de nosso ser e nos tornando eternas, para esperar as gerações futuras.

Mutreality passou a ser chamada de Terra e depois de longos anos acompanhando as mudanças vieram os deuses, que começaram a ser esquecidos, descobriram a magia, houve muitas mortes por causa dela, e houve muita gente que não desistiu  de te – lá para si.

Achamos por bem nos separarmos.

Eu casei, tive filhos, netos e bisnetos e vi cada um deles morrer.

Meriagè, eu nunca soube o que fez ou fazia.

Depois de algum tempo, nascida no mundo onde Enchatriagge era perfeita, nos restou a realidade de uma aventura que ficou no passado.

Tudo estava mudando e em breve, talvez muito em breve pudéssemos sentir novamente o brilho de outrora se manifestar…

Mas quanto tempo isso levaria?

Dias Atuais

dias atuais

Havia se passado muito tempo depois daqueles fatos.

Eu não envelheci tanto, mas tive que ver todos que amei ou conheci morrerem enquanto eu estava estacionada no tempo devido ao desejo do sacerdote Yharucos, eu devia esperar o retorno dos meus meninos quando chegasse a hora certa e a humanidade uma vez mais precisasse entender as verdades de sua origem.

Assim como eu, Meriagè ficou nessa mesma consternação. Não a via á anos e nem tinha noticias suas, pois ela escolheu viver ao redor do Templo de Ellenimir, ou nos dias de hoje Himalaia, era assim que as pessoas chamavam o lugar agora.

Algumas desconfiavam que houvesse algo mágico no lugar, e até se atreviam a ir buscar a tal magia.

Alguns morriam no caminho, outros por pura ganância achavam que ali se escondiam riquezas maiores do que as de El Dorado e da nunca mais vista Atlântida.

Sim estes lugares existiram, mas o homem assim como tantas outras coisas quis poder, ouro, riquezas.

Então os deuses que nasceram a seguir decidiram guardar para si tais lugares, onde somente alcançaria aquele que de lá quisesse somente a sabedoria, sabendo – se que de lá jamais voltaria.

O celular  tocou ao longe, no parapeito da janela enquanto eu plantava minhas tulipas, eu hoje vivo na Holanda, na cidade de  Eindhoven.

– Eles voltaram. – foi tudo que ouvi da voz do outro lado da linha, era Meriagé.

A tesoura de jardinagem caiu de minhas mãos enquanto o celular voltava a ficar mudo, ela já havia desligado…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Enquanto isso, ao redor do mundo…

Noruega, Oppland

O lago Ovre Sjodalsvatnet estava congelado e recebia rachaduras ínfimas, como se algo forçasse de dentro para fora querendo sair, e de fato foi o que ocorreu.

Um rapaz de pouco mais de 25 anos, surgiu revolvendo a água ao seu redor, e a mesma aos poucos descia sob sua pele suavemente deixando o nu, para em seguida formar uma onda e cobri – lo.

Ele estendeu as mãos e um terno de linho azul marinho cobriu seu corpo, enquanto ele arrumava a gravata de seda azul turquesa.

Ele caminhou até a beirada do lago saindo da água e tocando a borda do lago, a neve começou a cair formando pequenas espirais ao seu redor enquanto grudava em seus pés formando sapatos negros.

– Hora de começar mais uma vez minha jornada.

Lucas abriu os olhos para o Sol que ainda brilhava a meia noite, roubando o lugar da Lua…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Sevilla, Espanha

– Me ajudem! Me ajudem, por favor!

A polícia vinha correndo como louca pelo meio das ruas apinhadas de gente que esperava a corrida dos Touros pela cidade.

– O que aconteceu señor?

– Me roubaram! – o home gritava a plenos pulmões gesticulando com os braços.

– O señor chegou a ver quem foi se havia alguém perto, se era homem ou mulher?

– Não, mas…

Espera um pouco tinha uma moça de pele clara e saia verde. Ela não devia ter mais que 17 anos eu acho.

Ela caiu e eu me ofereci para ajuda – lá a se levantar e depois que ela sumiu na multidão, meu dinheiro também desapareceu.

Ao longe uma garota corria dando gargalhadas e se vangloriando de seu feito.

– Hombres!

Soltou as longas tranças loiras, e correu com o vento acariciando seu sorriso e sua face bailando ao redor de seu corpo, enquanto os Touros eram soltos do outro lado da cidade, saboreando o mesmo vento: Liberdade…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Luxor, Egito

– Menina você não tem juízo, saia desse calor agora!

– Mãe me deixa tá, eu estou bem, esse calorzinho é maravilhoso.

– Maíra, você não tem juízo? Está pelo menos uns 50°C aqui fora e você vem me dizer que este “calorzinho” está maravilhoso? A tenha dó, só vim pra esse Inferno de lugar por que seu pai faz demais as suas vontades menina.

A garota olhou a mãe de soslaio como se não se importasse com o que a mãe dizia.

Em seus olhos naquele instante foi possível enxergar uma leve chama tremulizar, a garota pegou os fones de ouvido, colocou nos ouvidos, calando os gritos da mãe com uma música agitada, enquanto estourava uma bola de chiclete e voltava a mascar…

“A Fire needs space to burn, a breathe to build a glow…”

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Floresta Amazônica, Brasil

– Viu eu te disse que ele era estranho, ele fica ali deitado horas e horas de olhos fechados. Eu já não sei o que fazer. Os amigos chamam pra sair, pra pescar e ele nem se move do lugar. Diz que o lugar dele é escutando o burburinho da terra, vê se pode. Seu filho esta ficando maluco José.

– Pablo é diferente mulher, deixe o menino. A mãe sempre disse que ele seria especial, num te metas com ele, ele não te atrapalha em nada e é obediente, deixe ele quando ele achar que quer sair dali, ele sai. Como sempre faz.

O garoto escutava a discussão da madrasta com o pai ao longe, sorrindo, despreocupado, sem ao menos se importar.

– Sabe, eu posso te escutar. – disse ele para o solo sussurrando.

Ele então sentiu a terra tremer embaixo de si e o palpitar longínquo de um coração que parecia martelar feliz pela descoberta do jovem rapaz de olhos verdes e pele sardenta…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Himalaia, Norte do Tibete

Meriagè olhava o viajante que caminhava só em direção ao “monte das neves”.

– É uma subida íngreme e muito difícil, senhor.

– Me disseram que sim, senhora.

– E o que você procura por aqueles lados? Riqueza? Ouro? Magia, quem sabe? – disse ela rindo das próprias cogitações para o viajante.

– Fé, senhora. E nada mais, posso lhe garantir.

O rapaz partiu e Meriagè ficou incomodada, na manhã seguinte subiu ao monte, fazia  dias que não ia ao Templo.

Foram dias e mais dias até o momento em que encontrou com  o rapaz.

– Senhora?

– Achei melhor que você tivesse uma companhia para chegar ao topo.

Ele simplesmente sorriu e estendeu a mão para a mulher que conhecerá no inicio de sua jornada, ajudando – a subir um declive mais acentuado.

– Você me disse que veio ao Himalaia por que precisava encontrar fé. Pode me dizer por que?

– Posso sim. Perdi muitas coisas e um dia viajando pela internet e cansado da vida que levava, onde nada parecia suprir minhas necessidades, decidi viajar.

Entrei num site de viagens e me deparei com o anúncio sobre o Himalaia, a foto do lugar pareceu me chamar. Fiz as reservas necessárias para o outro dia e cá estou eu. E a senhora, por que mora no pé do monte?

– Estou esperando a hora certa.

– Hora certa para que?

– Pra encontrar meu caminho.

O rapaz ficou sem entender, mas nada mais perguntou a mulher e continuaram a subida.

– A senhora não me disse seu nome.

– Meriagè.

– É no mínimo, diferente.

– E você como se chama?

– Luigi.

Uma tempestade de neve surgiu do nada quando eles se aproximaram da entrada do Templo e Meriagè temia que ele descobrisse.

– A tempestade se aproxima, vamos entrar naquela gruta, para se salvar e passar a noite.

– NÃO!

– Senhora, é nossa única salvação. Está tudo bem?

Ela não teve forças pra responder, ele então a empurrou contra a vontade para a tal gruta.

Ele adentrou primeiro e acendeu um bastão luminoso olhando ao redor para ver se poderiam ficar, mas parou estarrecido quando viu uma estatua de pedra,  com sete espadas atrás de si.

Ele se aproximou enquanto olhava o salão oval e tirava fotos.

– Senhora vê que magnífico? Isso pode ser o marco da história, uma prova para fazer a humanidade acreditar que existe mesmo magia nos picos sagrados.

Senhora?

Ele foi jogado ao chão com uma lufada de ar e retorceu – se como se algo o possuísse.

Seus olhos brilharam e seu corpo foi erguido no alto, flutuando em direção á uma espada de chama azul NE punho de aço.

Ela se ergueu de seu lugar e parou diante do rapaz, que em seguida caiu desacordado no chão.

Meriagè correu em sua direção e viu que ainda estava vivo. Puxou o capuz que cobria sua cabeça e constatou o cabelo agora esbranquiçado.

Ela então pegou o celular e discou para o único número que guardava ali. A espera finalmente havia acabado…

– Niacksa, ele voltaram…

Fim

Espero que todos tenham gostado desse pequeno projeto que se tornou tão grande capaz de me fazer chorar de emoção.

Muito Obrigado as Srta.’ S Raquel Melo, Mille Anni Escobar e Natasha Morgan por serem o porto seguro dessa estória. Aos Sr.’s Lucas e Alessandro, que acabaram por virar personagens. E a cada leitor que comentou que se emocionou de alguma forma.

Muito Obrigado vocês são muito importante pra mim. Amo vocês

Lillithy Orleander

fenix mulher

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