A Garota Má (Pt.12): O Frio da Escuridão

A Garota Má (Pt.12): O Frio da Escuridão

Escrito por Natasha Morgan

Foto: Oleksiy Maksymenko.
Foto: Oleksiy Maksymenko.

Willa acordou no escuro.

No instante em que abriu os olhos, o breu a abraçou com suas sombras frias.

Ela se ergueu de um rompante, recordando-se dos últimos acontecimentos. Perdida, debateu-se no espaço largo que se encontrava, usando apenas seus outros sentidos para se localizar. Seus passos eram inseguros, explorando o escuro frio.

Cega, ela se desesperou quando encontrou os limites de uma parede áspera logo à frente. Tateando o concreto, Willa começou buscar uma saída. Qualquer porta ou entrada de ar que pudesse lhe revelar um interruptor ou um lampião. Qualquer fonte de luz que a tirasse daquele breu nefasto!

O silêncio era ainda mais angustiante, quebrado apenas pelos sons arfantes de sua própria respiração alterada.

Willa gritou, esmurrando a parede maciça.

O desespero cresceu a medida que ela tateava, às cegas, à procura de uma porta ou janela. Mas nada havia ali além do escuro opressor e os sons abafados de seu choro.

Ela se encolheu, deslizando o corpo trêmulo até o chão onde se envolveu como uma bola na tentativa frágil de se proteger daquele breu. Seu coraçãozinho forte batia descompassado, tornando o pânico ainda pior. Ela chorou, como uma menina indefesa, atormentada pelos demônios do passado.

Mas ela também cresceu.

Uma chama ardente de ódio e vingança nasceu dentro de sua alma. E foi isso que começou a aquecê-la.

 

*-* *-*

Cherry estacionou sua Harley Davidson no estacionamento ornamental de cascalhos, esperando Halle descer. Logo ao seu lado o Ranger Rover de Klaus e o Mustang de Sander ocuparam as outras vagas.

O localizador GPS os levara exatamente àquela mansão renomada ao sul de New York, uma área um tanto isolada da cidade. Engraçado o Magnata ter escolhido logo aquele lugar para fazer sua residência. Quer dizer, Cherry teria pensado em invadir exatamente aquele local.

Tão pateticamente óbvio.

Bóris era um idiota com ternos caros e muita grana. Incapaz de pensar como um campeão. Mas o que esperar de um ser que escraviza mulheres?

Cherry apoiou a Shotgun de cano cerrado no ombro, observando a faixada da mansão Elisabetana. Seus óculos de sol dos anos 80 não lhe atrapalhava na observação minuciosa, apenas lhe dava um ar ainda mais perigoso e selvagem.

Halle estava logo ao lado, olhando por um binóculo profissional. A Glock estava levemente acomodada no coldre do peitoral, pronta para ser usada. Sander se aproximou, engatilhando o rifle poderoso que levava. Klaus o acompanhou, armando-se de suas duas pistolas profissionais que faziam o maior estrago. Seus olhos severos estavam ainda mais duros naquele começo de dia.

Todos ali estavam prontos para matar.

E seu alvo residia naquela mansão macabra.

– Como estão as coisas, Caçador? – Sander perguntou, olhando o portão de ferro ao longe.

– Temos seguranças, companheiros. – disse Halle, passando o binóculo para o patriarca da família.

Klaus apanhou a coisa e observou por alguns minutos, tomando ciências do território e seus perigos. Ele não era mais um dos que atuavam nas ruas, matando e livrando-se dos inimigos. Mas estava mais do que disposto a usar suas armas. Havia tempo que não tinha uma diversãozinha como aquela e seu lado bandido ansiava por um pouco de sangue e socos.

– Podemos dar conta disso facilmente.

– Eu sozinha poderia. – Cherry disse, dando de ombros. – Com vocês, será fácil como tirar doces de uma criança. – seu sorrisinho malicioso ocultava suas verdadeiras emoções. Por dentro queimava. Se aquele crápula colocasse as mãos em Willa… Mas ela não queria pensar isso. No momento, tudo o que podia fazer era se concentrar em sua arma e na quantidade de bundas que chutaria. Aqueles malditos pagariam!

– Quantos seguranças? – Sander perguntou.

– Uns trinta, talvez. – Halle deu de ombros.

– Ele sabe que viríamos.

– Mas é claro que ele sabe! – Cherry fitou aqueles portões com ardil.

– Vamos mostrar àquele cretino do que somos capazes. – Klaus disse e sua voz ressoou, cheia de sombras. Ah, aquela severidade nórdica era uma promessa sangrenta para a barbárie. Aquele homem fora forjado pelo próprio Thor.

Ele apanhou suas duas pistolas de ouro, destravando-as com elegância leonina.

– Vamos nessa.

Cherry deu um sorrisinho. Não era preciso chamar duas vezes.

Sander e Halle se prepararam também, mais do que ansiosos para o que estava por vir. Aqueles dois morriam por uma boa diversão, literalmente.

Vestidos de negro e armados até os dentes, eles marcharam em direção aos portões, lado a lado como uma quadrilha poderosa de mercenários. O ar severo já era o suficiente para fazer tremer qualquer um. O som rústico de seus calçados contra o cascalho ressoou pelo espaço silencioso, numa promessa letal.

A coisa ia ficar feia!

Klaus parou diante do portão de ferro antigo, ouvindo o burburinho dos seguranças por trás dos muros. Claro que estavam prontos, esperando por eles. Mas não tinham ideia de com o que teriam de lidar.

Com um sorriso digno dos Von Kern, o chefe da família apontou suas duas pistolas para o portão e todos os outros o imitaram, formando uma linha de frente perigosa.

– Vamos logo com essa merda!

Suas palavras foram como uma ordem e eles começaram a atirar, metendo bala para todos os lados e fazendo um enorme estrago na faixada luxuosa da mansão. O muro alto e reforçado simplesmente ruiu, levantando uma onda de poeira, fuligem e pedaços de concreto, e revelando aquela linha de frente letal: Quatro assassinos em trajes grossos e negros, empunhando armas ameaçadoras e com aquela expressão perigosa no rosto sujo de poeira.

A maioria dos capangas sucumbiu diante das balas impiedosas, despencando pelo jardim. Os que sobraram, correram apavorados e foram caçados pela leoa selvagem e seus seguidores.

Sander apanhou um deles pelo pescoço no meio do caminho e o desarmou com uma facilidade extraordinária, enfiando o cano de seu rifle na boca do desgraçado. Ele puxou o gatilho, fazendo o cérebro explodir para todos os lados. Sua face bela se tingiu com algumas gotas de sangue, mas em nada alterou a severidade em seu olhar.

Klaus arrebentou a porta principal com um chute, fazendo voar lascas de madeira para todos os lados. No instante em que adentrou aquela casa com cheiro de almíscar, sua alma gelou. A companhia que esperava ali dentro era muito melhor do que ele poderia supor. Uma de suas pistolas se ergueu no ar e ele atirou.

Lucien voou para trás, caindo da poltrona de veludo, confuso.

Ah, agora sim o jogo ficou divertido…

Ao seu lado, o Caçador, Cherry e Sander entraram, como verdadeiros assassinos ferozes.

O Martelo de Thor giraria e derramaria sangue em honra aos Deuses.

 

*-*-*-*

Besnik Hoxha estava por demais ansioso.

Aquela era a terceira vez que ajeitava a camisa de linho, olhando-se no espelho. Seu rosto marcado ainda era uma visão horrenda, mas os cortes e hematomas sumiam lentamente. Maldita menina Von Kern, ela havia estragado sua vaidade por um longo tempo.

Ele tentou forçar um sorriso, livrando-se daqueles pensamentos tristes. Aquele era um momento de alegria, afinal! Finalmente teria o que lhe fora prometido. Bóris foi generoso em ofertar a menina de novo. E, desta vez, ela não lhe escaparia.

Besnik abandonou o quarto, seguindo pelos corredores fracamente iluminados.

A porta do cofre se revelou, imponente.

Bóris era sempre esperto quanto à segurança de seus bichinhos. As malcriadas eram mantidas em lugares como aquele, presas até que aprendessem a lição de obediência. Aquele lugar sombrio certamente atingia o mais profundo da alma daquelas pobres garotas, pois nenhuma delas ousava voltar ali.

Com apenas um puxão firme, ele girou a alavanca e a porta se abriu, revelando um breu apavorante que assustou até mesmo um homem destemido como ele. O albanês deu dois passos, mergulhando naquele silêncio tenebroso. E então o rostinho dela se fez ver na parca iluminação que irradiava pela porta.

Aquela expressão amedrontada da menina lhe causou uma ereção pesada. E Besnik sorriu, avançando ansiosamente.

 

Willa calara seus gritos alguns minutos antes de ouvir o som das alavancas sendo puxadas, exausta demais para se manifestar. Seu coração deu um salto dentro do peito, antecipando quem seria.

A porta se abriu sem nenhum rangido e a iluminação de fora adentrou aquele breu, revelando o visitante perverso. O rosto já assustado da menina se tingiu de pavor no instante em que Besnik Hoxha apareceu e ele sorriu, apreciando a reação que causara.

Quando ele se moveu, avançando na sua direção, Willa recuou bruscamente e bateu as costas na parede fria, vendo o sorriso no rosto do albanês se ampliar. Ele a agarrou pelos ombros com força, prensando seu corpo pequeno sob o seu e esfregando-se nela.

Willa congelou por uma fração de segundos, relembrando seu passado cruel. Mas aquelas lembranças não a importunaram por muito tempo. Quando tomou ciência de quem realmente era, a guerreira despertou dentro dela e brandiu seu escudo e espada, soltando um grito de guerra que ressoou em sua alma.

Willa chutou o homem no meio das pernas, com força, e se desvencilhou de suas garras fétidas. Besnik riu do ataque, julgando-a patética demais para verdadeira preocupação.

– Ah, você aprendeu a se defender. – ele caçoou. – Uma pena que isso não vá ajuda-la, minha pequena. Eu finalmente vou desfrutar do que me foi ofertado e não há nada que você possa fazer quanto a isso. Vire-se e me sirva, escrava.

Willa rosnou, ultrajada com a humilhação.

Ah, nunca mais!

Nunca mais se sujeitaria àquele tipo de humilhação. Nunca mais se sujeitaria a homem nenhum. Os dias de escravidão e submissão haviam acabado. Para sempre.

Ela se curvou numa das posições ofensivas que aprendera com Sander e esperou que o homem ordinário se aproximasse, aplicando nele um de seus golpes favoritos.

Besnik foi atingido com uma força brutal no rosto e foi jogado do outro lado do cofre, cambaleando. A surpresa era evidente em seu rosto babaca, assim como a ofensa. Uma pena que idiotas como ele se esquecessem que toda mulher, por mais frágil que pareça, carrega uma guerreia adormecida dentro de si.

Tomada pelo ódio, Willa não esperou que ele avançasse novamente, jogando-se em sua direção com a força de uma leoa. O impacto os fez se chocar contra a parede de concreto num baque oco. Willa chutou o albanês, várias vezes, eliminando qualquer possibilidade de uma nova ereção. Ela o grudou com força pelos cabelos e forçou sua cabeça contra seu joelho, fazendo jorrar sangue do nariz dele.

Besnik soltou mais um de seus gemidos e tentou se livrar das garras daquela louca. Mas o que diabos estava acontecendo? Ele não se lembrava daquela menina ser uma lutadora nata. Nenhuma das putas de Bóris sabia dar sequer um soco.

A raiva tingiu seus olhos e ele fechou os punhos rangendo os dentes. O soco atingiu Willa no rosto e a fez cambalear momentaneamente. Mas a garota conseguiu recuperar o equilíbrio num giro rápido e retribuiu a agressão com a mesma gentileza, atingindo seu adversário também no rosto, com a ponta do pé.

Besnik caiu sentado como um pateta, olhando desnorteado para o espaço mal iluminado à procura de sua pequena agressora.

– Sua vadiazinha. Com quem pensa que está lidando? Esqueceu que pertence à Bóris Petrov? Deve obediência ao seu Mestre!

– Não mais. – a voz de Willa veio carregada de um ódio contido e seu golpe final foi forte o suficiente para afundar o crânio do maldito albanês, chocando-o contra o concreto.

A parede manchou-se de sangue e alguns restos de tecido cerebral. O corpo morto deslizou lentamente até o chão, repousando no piso frio e poeirento.

Willa pensou que sua selvageria certamente a chocaria para o resto da vida, mas nada a dominou a não ser a satisfação de ver o homem morto ali caído no chão. O maldito teve o que merecia.

Com a adrenalina correndo solta em seu sistema, a menina se voltou para a porta aberta, enxergando a luz amarelada que iluminava aquele breu. Seu coração deu um salto e começou a bater ainda mais forte, movido pela esperança.

Ela deu um passo à frente, pronta para dar o fora daquela sala escura, fria e sombria. Mas a sombra curvilínea que apareceu diante daquele facho de luz a impediu.

Alline lhe lançou um sorriso diabólico, fechando a porta logo atrás de si.

Quando o escuro as abraçou em sua aura sombria, Willa começou a tremer.

 

Os passos de Alline foram meticulosamente ensaiados, credenciados com elegância digna de uma predadora. O som oco do que sobrou de seu salto ecoou no piso de ladrilho, alto, e agrediu o silêncio sombrio que se estendia.

Ela teve a leve percepção de Willa recuando – o que fez aquele princípio de sorriso se expandir em seus lindos lábios destruídos. Uma pena que estivesse tão desleixada para saborear aquela vitória. Mas Fridda teria o que merecia por arruinar sua beleza. Ah, se teria.

Alline passou pelo corpo de Besnik, tendo o cuidado de não rocar em sua carcaça fétida. Desviou elegantemente do estorvo e continuou seu caminho sereno até onde sua presa se encolhia.

– Você o matou. – disse a sérvia, com uma tranquilidade admirável.

Willa permaneceu calada, apenas observando a gloriosa mulher se aproximar. Seu coraçãozinho martelava dentro do peito, temeroso.

– O que quer? – esforçou-se a perguntar. – Por que me entregou ao búlgaro?

Alline lhe lançou um sorriso frio. E então lhe esbofeteou com as costas da mão, fazendo a menina cambalear com a violência.

– Está na hora de você começar a pagar pelos crimes da sua amiga, cadelinha.

Willa se apoiou na parede para recuperar o equilíbrio. Os olhos baixos indicava submissão, mas tão logo os ergueu para fitar aquela mulher detestável, a promessa de ódio brilhos nas íris claras.

Ela devolveu o tapa.

Alline sentiu sua face arder e não pôde conter sua expressão ultrajada. Mas que ousadia fora aquela? Sua mão voou na direção da criaturinha endiabrada e agarrou a garganta da menina num aperto perigoso.

– Como se atreve a bater de frente comigo?

Willa se livrou do aperto dela com apenas um gesto de repúdio.

– As coisas não são mais do jeito que você estava acostumada. Já sei a cretina que você é, Alline.

– Você sequer tem ideia da cretina que eu posso ser, menina. E estou aqui só para provar o quanto posso ser ruim quando alguém se mete no meu caminho.

– Ótimo. Somos duas. – Willa se posicionou, pronta para atacar.

Alline riu.

– Mas que espécie de animalzinho você se tornou?

– A mesma espécie que vai te mandar de volta para o inferno.

– Eu nunca pertenci ao inferno. – Alline avançou, aplicando um soco em sua adversária.

Willa foi esperta o bastante para absorver o impacto e usá-lo ao seu favor, aproveitando-se da brecha que a oponente abriu. Sua rasteira derrubou a mulher no chão e Willa saiu correndo na direção que se lembrava ser a saída.

Alline a agarrou pelo tornozelo antes que ela pudesse sequer pensar em alcançar a alavanca da porta. Willa caiu no chão, ferindo os joelhos naquele piso frio e poroso. Ela chutou sua adversária no rosto e ouviu o grito enfurecido da mulher. Como se Alline precisasse de mais algumas porradas para terminar de destruir seu rosto tão lindo.

Elas se atracaram, agredindo-se violentamente com socos, chutes e puxões de cabelo. Willa conseguiu se livrar das garras daquela mulher, empurrando-a com as mãos limpas. Mais uma vez correu até a porta e conseguiu agarrar a maçaneta giratória… Até que a ponta de uma lâmina afiada fosse pressionada contra sua garganta.

Ela congelou, erguendo as mãos num gesto como quem se rende.

– Ah, eu devia saber. Você sempre foi uma covarde, não é mesmo? Precisa dessas porcarias para ganhar uma luta. Está na cara que nunca foi uma Von Kern. – Willa disse, virando-se bem devagar para encarar sua captora.

– Você tem razão. Eu nunca fui uma Von Kern. – seu soco fez jorrar sangue do nariz da menina.

Alline a dominou, mantendo-a sob a mira de sua faca artesanal.

Willa limpou o sangue que escorreu pelo seu pescoço, despreocupada.

– Você é uma vadia louca. E está totalmente ferrada.

Alline deu um sorrisinho.

– E você é uma estúpida que continua a me afrontar mesmo estando sob a mira da minha adaga.

– Chama essa faquinha de adaga? – Willa riu, entrando no jogo. E então tomou a arma das mãos de sua agressora num gesto tão rápido que a deixou ainda mais aborrecida.

Willa jogou a faca no breu.

– Não preciso dessa droga para te dar uma boa surra, Alline. Venha! Vou lhe ensinar o que aprendi com seu ex marido.

– Klaus não passou de um brinquedinho em minhas mãos.

– E é por isso que você cobiçava tanto o filho dele?

Alline deu um sorrisinho.

– Ah, o que é isso, Willa? Ciúmes? – ela riu novamente. – Não fique brava, minha querida. Você não teria qualquer tipo de chances com ele mesmo. Afinal de contas, não passa de uma ex-prostituta barata.

– Eu nunca escolhi ser uma prostituta. Isso é coisa sua, Vedrana Jovovich. A garota que vagava pelas ruas da Sérvia e Marrocos vendendo o corpo como uma cadela. Sim, eu li seu arquivo pessoal.

Tomada pela fúria, Alline avançou contra a garota, agarrando seus cabelos cor-de-rosa com uma força excessiva e forçando-a olhar em seus olhos sombrios. O soco que lhe aplicou no estômago foi o suficiente para fazer Willa se dobrar de dor e aquela expressão agoniante no rosto da garota foi um bálsamo para sua alma ferida.

Ela agarrou o rosto jovem da menina, apreciando a juventude prestes a ser destruída. Seus polegares foram em direção aos olhos claros e ela os afundou nas órbitas.

– Maldita! Pagará pelo que Cherry fez ao meu Lucien!

Willa gritou, chutando-a com força na barriga. Alline a largou imediatamente.

-Puta! – gritou, enfurecida, e partiu para cima da garota mais uma vez.

Elas rolaram pelas paredes, chão e se chocaram bruscamente contra a tranca giratória da porta. Alline foi atingida na costela, soltando um gemido baixo. E Willa acabou batendo o queixo contra o metal retorcido.

A sérvia a agarrou pelos cabelos nos poucos minutos que se permitiu ficar distraída e a dominou mais uma vez, vomitando toda sua fúria para cima da menina e a sufocando com tanto ódio. Sob a mira de outra faca, Alline a fatiou como um pedaço suculento de bife.

No primeiro corte, Willa se esquivou, jogando-se no chão para tentar se livrar daquela lâmina ameaçadora. Alline a agarrou pelos cabelos e a puxou com força, descendo a faca em sua direção numa raiva espantosa. A menina se esquivou mais uma vez e a lâmina acabou se cravando no piso.

Willa aproveitou aquele momento para dar um chute na agressora e fazê-la perder o equilíbrio. Foi o que bastou para poder fugir de suas garras maléficas… Apenas mais uma vez. Ela correu até a porta, agarrando a alavanca giratória e lutando para abri-la.

– Ah, você não vai sair. – Alline disse, aproximando-se. – Não enquanto não for apenas um corpo inerte.

Willa ergueu as mãos e lhe mostrou o dedo médio.

– Vá se foder, sua vaca!

Alline riu da reação da menina e avançou, agarrando-a pelo pescoço em um de seus movimentos rápidos demais. Suas garras crispadas prenderam a garganta frágil sob seu poder e ela apertou, vendo os olhos claros da pequena Willa se arregalarem suplicantes.

– Como eu disse antes, eu sou uma Borsahy. Eu nunca perco. – Alline se vangloriou.

Willa se debateu, balançando as perninhas no ar e tentando alcançar a canela daquela maldita. Porra, qualquer lugar que a atingisse seria bom! Mas não obteve qualquer tipo de resultado. A mulher era realmente boa. A forma como a prendeu não lhe dava qualquer chance de escapatória. E ela iria morrer ali, presa sob as garras daquela filha da puta sérvia!

O ódio a dominou com uma força abrasadora. Não queria morrer daquele jeito! E se dependesse dela não iria.

Willa cravou as unhas no braço que a sufocava, ferindo a carne macia.

Alline gritou, mas não ousou soltá-la. A satisfação de ver a vida deixando a menina era o suficiente para torna-la impenetrável. Aumentou seu aperto, fazendo lágrimas escorrerem pelo rosto agoniado de Willa.

A menina tateou às cegas, procurando desesperadamente por qualquer coisa que pudesse ajuda-la a se livrar daquela pressão insuportável em sua garganta. Seus pulmões lutavam avidamente por qualquer quantidade de oxigênio que pudesse entrar… Naquele cofre escuro e silencioso, tudo o que ela podia ouvir era o som de seus próprios protestos diante da morte miserável.

Foi quando o som dos tiros começaram e ela soube  que a cavalaria havia chegado.

A inconfundível música do Black Sabbath imperou pelos corredores, fazendo Willa esboçar um sorriso. Ela reuniu o pouco de forças que ainda lhe restavam e se aproveitou do momentâneo momento de confusão de Alline para se libertar.

Chutou a maldita para longe, apoiando-se na parede e respirando com toda força que seus pulmões conseguiram. Ela riu, fitando a oponente.

– Agora você está ferrada, Vadia.

Continua

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7 comentários em “A Garota Má (Pt.12): O Frio da Escuridão

  1. “Vá se foder, sua vaca.”
    Dei altas risadas aqui.
    Willa linda e poderosa, gostei demais e suponho que o Sander e a Bestemor Fridda vão adorar.
    Parabéns Na, está ótimo.
    Só achei que parou meio cedo né…rs

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