Galamadriel (Pt. 2): Pauline

Galamadriel (Pt. 2): Pauline

Escrito por Lillithy Orleander

galamadriel

 

Ninguém em momento algum me disse que isso aqui era um saco e que me cansaria dessa corja de gente infrutífera.

No começo foi bem interessante, sabe

Anjos caindo do céu, meio sem criatividade isso, e os idiotas aqui achando a coisa mais linda.

Humano se encanta com cada coisa, e em alguns momentos até eu me encantei com alguns prazeres carnais.

É eu sou o tipo de cara que entra num jogo pra vencer e mandar, quando me mandaram pra cá, a minha vontade de ser grande e ter poder me chamou muito a atenção, mas quando cheguei aqui foi a maior roubada.

Não voltei pra onde tinha que voltar, e ficar passeando por Galamadriel também não ajuda muito.

Resolvi então ter uma vida, tipo vida igual a dos idiotas que habitam esse lugarzinho medíocre e sem futuro, onde a maioria já está perdida e não é necessário que nenhuma orda nossa precise se esforçar muito para conseguir o que quer.

Depois de alguns séculos alguns se afastaram do “grupo” e como ninguém pareceu se importar que estivéssemos aqui resolvemos que para não haver conflitos com a galera lá de cima, entramos num novo acordo, do tipo: “ Você toma conta da sua vida e eu tomo conta da minha”, claro nossos excelentíssimos lideres fizeram isso da forma diplomática e com direito a aperto de mão.

Na boa eu dei muita risada.

Agora eu estava aqui, sentado num bar depois do meu expediente que terminou quando o dia amanheceu tomando uma. É eu sempre bebo uma vodka antes de voltar pra casa.

O que eu faço aqui?

Trabalho numa grande fabrica de colchões, não tive a mesma sorte e nem a mesma inteligência dos meus companheiros. Também sei lá o que me deu na cabeça.

Fumo um maço de cigarros por dia e na boa toda vez que tenho que escutar o Sean dizer: “Cara, você precisa parar” eu fico irritado, tenho vontade de colar a língua dele no céu da boca pra ver o que acontece, mas o cara parece bacana, embora ele seja um tremendo babaca certinho.

Nova York consegue ser a pior cidade do Universo, cheia de gente de nariz empinado e mulheres que não gostam de ser submissas, mas é isso aí, elas ainda são as melhores.

Hoje tem jogo do Chicago Bulls, não consigo entender a graça desse esporte idiota.

É, eu reclamo mesmo, estou de saco cheio desse papo e dessa conversinha fiada.

Então véio, na boa se me encontrar na rua, cuidado, eu posso ser seu pior pesadelo.

O garçom do bar já conhecia de muito tempo e sempre que colocava meu copo ao meu lado saia como se estivesse fugindo do cão.

Mal sabia que essa era exatamente a sensação, o cara carregava um crucifixo enorme no meio do peito por baixo da camisa, como se aquilo fosse capaz de me afugentar ou de esconder as atrocidades e orgias que ele fazia nas boates por aí afora.

Estava chovendo, fazia tempo que não chovia e até a chuva desse lugar me incomodava, era tudo sem graça. Ser um demônio nesse lugar e ter que ficar escondendo minha aura ou minha essência, era uma droga.

Mas naquele dia em especial eu podia reclamar menos.

Ela estava sentada um pouco ao longe e olhava a chuva cair com satisfação, era notório que ela gosta.

O cabelo azul e a pele clara me chamaram a atenção, os óculos um pouco abaixo dos olhos me fizeram enxergar bem mais além, ela estava sozinha e eu também então podia juntar o útil ao agradável.

– Bom dia moça, posso me sentar? – ela me olhou de cima a baixo por cima daqueles óculos, como se eu não fosse nada, o desdém a marca que se escondia naquele rosto, mas eu adoro um bom desafio.

– Não. – ela foi taxativa

Voltou para o jornal que estava em suas mãos e colocou o fone de ouvido, escutando a música, Nothing else matters do Metallica.

– Essa música é boa.

– Não estou tentando ser difícil, portanto me dê licença, senhor. – ela disse num tom frio e delicado, a voz de sinos repicou em meu ouvido, mas que droga estava acontecendo.

Eu fiquei parado com o copo, enquanto seus lindos olhos também azuis se misturavam com preto do rímel e do delineador.

Eu nunca fui dispensado e também não admitia levar um não, ainda mais de uma mortal.

Mas ela parecia tão distante que aquilo de alguma forma me afetava, decidi sair e deixa – lá só com seus pensamentos.

Os dias passavam sempre com a mesmice e todos os dias eu repetia aquele mesmo ritual, mas depois que a notei era diferente, parecia valer a pena agir como os demais, fingir – se humano e tentar levar a vida de forma natural, afinal eu estaria preso aqui pra sempre…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Por que será que não me surpreendo mais com os homens?

Ah sim me lembrei, eles vivem de interesses carnais.

Aquele cara realmente achou que eu lhe daria atenção as 7:00 hs da manhã cheirando a vodka?

O estilo bad boy já estava fora de moda desde a década de 70, mas ele parecia insistir na moda, cabelo com topete, jaqueta de couro e um  sorriso que me tirou o fôlego no primeiro momento, mas depois passou, depois de tantos anos na Terra nada mais me surpreendia.

Saí daquele lugar e observei o céu, peguei o aparelho no bolso traseiro e disquei rápido o número de um velho amigo, que agora se deixava envelhecer como os humanos.

– Zaurur, vai chover hoje.

– Eu sei… E o que você quer fazer Qüeri? – ele disse com um sorriso claro na voz, de quem já sabia o que eu queria.

– Voar… – afinal era do que eu mais sentia falta às vezes.

A chuva começou a cair enquanto eu caminhava apressada pela Quinta Avenida, cheia de guarda chuva e pessoas que corriam para fugir daquele fenômeno fantástico, pelo menos aos meus olhos.

Marcamos de nos encontrar em um poste onde uma lâmpada estourada, começava a acumular a chuva que caia, ali estava a passagem para Galamadriel.

Quando atravessamos pude sentir o perfume de gerânios e jasmins invadir minha face, aquilo me dava saudades de meu antigo lar e fazia eu me perguntar o porquê de ter sido jogada na Terra.

Minha pele começou a se esticar, rasgando – se em parte sobre os ossos dos ombros, minhas asas queriam se libertar de sua prisão. Manchadas de sangue, eu as abri sentindo a brisa correr pelo meio das mesmas era bom sentir tudo outra vez, e esquecer aquele pesadelo.

Voar novamente me libertava daquela carcaça inútil na qual eu me escondia, não precisava esconder minha aura, nem apagar minha essência, ali eu podia ser simplesmente Qüerinemer, um anjo e não uma mortal de cabelos azuis excêntrica.

– Zaurur, como você consegue viver entre eles, envelhecer como eles?

– Eu simplesmente me apaixonei no meio do caminho e me deixei levar pelo o que essa gente tinha a oferecer, nem tudo é ruim Qüeri, nem tudo você precisa olhar com repugnância.

– É impossível Zaurur.

– Você já se permitiu tentar? – ele me disse sorrindo, como se fosse um professor ensinando para um aluno o caminho correto, ou apenas como cometer erros e se divertir.

Zaurur havia abandonado sua aura angelical 200 anos depois de estar aqui, ele era o que vocês chamam desertor,  primeiro ele pirou, ficou nervoso ameaçou matar nossa superior, ameaçou se vingar de todo mundo e foi o primeiro a hastear a bandeira anti “queridinhos de barro”, ele odiava tudo isso.

Eram doenças e mais doenças, guerras e mais guerras, mas ele se saiu bem e até lutou em algumas, mas quando sentiu como os homens podia ser generosos, suas armas caíram e a couraça de fortão e turrão caíram dando lugar ao doce e apaixonado Zaurur.

Ele viveu durante 50 anos com uma bela moça de um vilarejo, ela envelheceu ao seu lado sem ao menos questionar por que Zaurur nunca adoecia e por que ele sumia nos dias de chuva.

Ela era doce e sensível, uma boa esposa e fazia Zaurur sorrir como nunca havíamos visto e foi por esse sorriso iluminado que decidiu jamais voltar pra casa, mesmo que viessem nos buscar.

Infelizmente ela faleceu idosa, sorrindo e dizendo a verdade a Zaurur.

–  Eu sempre soube por que você sumia nas chuvas de Verão, e por que seus amigos eram tão diferentes, eu o vi voar.

Eu te vi chorar nas noites de Lua Cheia, e escutei você pedir para ser levado quando eu partisse, mas você Zaurur, é um anjo. E anjos não morrem.

Ela estendeu a mão em direção ao rosto dele, e pela primeira vez pude vê – lo chorar. Eu coloquei minha mão em seu ombro enquanto ele fechava os olhos da bela esposa.

Ela estava errada sobre anjos morrerem, Zaurur quase conseguiu, matou metade dos mestiços – demônios o que fez com a outra metade quisesse vingança e sangue.

Zaurur lutava bravamente e em muitas horas se rendia, era quase possível ver que a derrota se aproximava, enquanto ele enterrava o machado na cabeça de um deles e arrancava o braço de outro com a força bruta mesmo.

Então nós entramos no meio da briga e o tiramos de lá, ele ficou muito tempo sem falar com nenhum de nós e um belo dia ele voltou, calmo, tranqüilo e de barba.

Ele havia nos abandonado por amor, não voltaria conosco. Ele ainda era metade anjo, as asas ficariam eternamente, mas seus dons iriam morrer ano á no até desaparecerem por completo.

Era um fardo renunciar a tudo e morrer aos poucos sozinho, e aquilo eu não queria nem perto de mim.

– Precisamos voltar à chuva logo vai acabar e não é uma boa idéia ficar em Galamadriel quando a chuva para.

Era muitas vezes engraçado quando isso acontecia, os dois mundos se juntavam e você podia acabar indo parar dentro de um quarto de hotel onde um velho, fumando charuto, saia do banheiro pelado achando que estava louco.

Minha rotina era sempre a mesma, café em casa para o Poe, meu gato persa e cinzento que se espreguiçava em meus pés enquanto eu observo as pessoas caminharem, sentada no divã embaixo da janela.

Me levanto,passo uma maquiagem leve mas que me agrade, marco meus olhos. Hoje está calor lá fora, visto um vestido de algodão branco com flores esmeraldas, pego meu leque desejando fazer os mortais me notarem. Sim eu levantei com a vontade de ser notada, estava contente e nem ao menos sei por quê.

Compro meu cappuccino na Starbucks, pego um jornal que nem vou ler e me sento naquele barzinho isolado num beco, onde quase nenhuma alma passa.

Volto para minha contemplação matinal pelas janelas encardidas daquele lugar.

– Uma moça tão bonita não deveria estar num lugar desses, sozinha.

O homem esguio e com um palito no canto da boca me sorriu com cobiça, enquanto se sentava ao meu lado como se fosse convidado.

– Por gentileza, retire – se senhor. – forcei um sorriso para parecer educada, mas sabia como acabava.

– Ah qual é gracinha, você está sozinha e eu também, então vamos juntar o útil ao agradável.

Ele passou o braço por sobre meus ombros e a outra mão colocou em minha perna, acariciando o local.

Eu abaixei os óculos, e olhei por cima dos mesmos, já sorrindo como se fosse aceitar a cantada.

Tirei sua mão de minha perna e as empurrei.

– Sabe o que é meu querido, você não faz meu tipo. – disse eu com desdém me levantando da mesa e saindo na direção oposta.

Ele então me segurou, eu odiava quando eles não aceitavam o não.

– Ah gracinha, para de bancar a difícil e vamos nos divertir um pouco.

Eu fechei o punho e levantei a mão para dar – lhe um soco, mas nem vi de onde ele surgiu.

– A moça já disse NÃO, seu imbecil. – era o rapaz do sorriso que me deixou sem fôlego.

Ele derrubou o cara no chão com um soco que lhe quebrou o nariz e ficou esperando que o cara se levantasse. Este por sua vez levantou – se com um canivete na direção de meu defensor, (como se eu precisasse, não é para me gabar, mas eu teria dado um jeito).

O rapaz se moveu tão rápido e com tanta precisão que desarmou o outro sem que ele notasse.

– Some seu verme.

O cara correu até a porta como se estivesse  bêbado.

– A senhorita está bem? – aquele sorriso, ele coçou o lado raspado da cabeça enquanto esperava minha resposta.

– Estou sim, muito obrigado. – eu tentei parecer agradecida.

Ele então se virou e saiu porta afora e eu fiquei sem entender, voltei para minha mesa e cinco minutos depois ele voltava com um cappuccino na mão, e sentou – se na minha frente olhando a janela.

– Você faz isso todos os dias, e eu fico tentando entender o por que. Posso perguntar seu nome?

– Qüerinemer. – eu respondi sem hesitar, ele afinal parecia ser interessante.

As covinhas no canto da boca quando ele dava um meio sorriso, me faziam olhar mais para o homem.

– Qüerinemer. Exótico assim como seu cabelo azul.

Eu sorri e fiz que sim com a cabeça, passei até a metade do dia ali sentada com ele, olhando pra rua sem trocar uma palavra.

Ele turvou minha mente e minha rotina, eu ficava me perguntando o que ele estava pensando que não falava e não esboçava nenhuma reação, apenas me imitava.

De repente ele se levantou e sorriu.

– Preciso ir, foi um prazer conhece – lá, bela Qüerinemer.

Ele estendeu a mão  para que a apertasse e eu fiz o mesmo, ele virou a palma de minha mão e beijou, eu o olhei nos olhos sem entender.

Enquanto ele virava as costas e parava na porta.

– A propósito me chamo Pauline, mas pode me chamar de Paul.

Eu fiquei estática, tentando entender o que havia acontecido. E então me passou a idéia pela cabeça, ele foi enviado por Zaurur.

– Filho da m…

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Ela era linda e eu nem sabia a quem agradecer por aquele babaca ter aparecido.

As mãos macias e o ar de intelectual haviam me deixado hipnotizado e a vontade para seguir seus passos sem que ela  percebesse cresceu tão de imediato que tive que sair de perto dela.

Mas que merda, era só um rabo de saia maldito, era só conquistar e pronto, mas em meu intimo eu sentia que não era como as outras.

Cheguei em casa e joguei as chaves na mureta da cozinha, não havia recados na secretaria eletrônica, me restava um banho, uma Heineken e aquela porcaria de serviço.

Ajuntei o lixo e coloquei pra fora, enquanto minha vizinha gostosa me espiava pela janela, acenando para que eu fosse até o portão.

– Como está o calor na rua vizinho?

Ela vestia um pedaço de pano, por que aquilo estava longe de ser um vestido, curto até as coxas na cor vermelha, aquilo me deixava louco feito um touro, afinal dos prazeres da carne a luxuria era o melhor, e minha vizinha já havia se perdido a muito tempo.

– Vou fazer uma limonada, você aceita? – ela sorriu mordendo o canto da boca se insinuando.

– Vai ficar pra próxima, vou tomar um banho e descansar. Trabalho daqui a pouco sabe como é né.

Ela sorriu notoriamente desapontada, eu fingi não ver.

Aquilo era divertido, meia hora depois de tomado banho e ter guardados meus chifres, a companhia soou.

Eu já sabia do que se tratava me enrolei na toalha e fui abrir a porta, lá estava ela com seu vestidinho vermelho e a jarra de limonada.

– Vim te trazer a limonada vizinho.

Eu a puxei pela cintura deixando cair a toalha, enquanto ela disfarçadamente olhava para baixo.

– Paul, o que é isso?

– A hora do descanso Mika. – eu a joguei no sofá e corri para o parque de diversões.

Ela gemia em meus braços e chegava ao ápice de seu prazer tresloucado, ela sempre pedia mais, se fazia de arrependida e dizia que aquilo não podia acontecer e depois de um tempo voltava.

Mas dessa vez, não era o rosto dela e nem o corpo que eu queria aquilo me satisfazia, mas havia um novo alvo, Qüerinemer.

Nós terminamos, ela se retirou, eu peguei meu maço de cigarros e fiquei me perguntando que droga era aquela.

Entrei no banheiro novamente e tomei uma ducha fria, enquanto os olhos azuis pintados de preto invadiam minha mente, o sorriso singelo, a mão macia, o jornal…

O detalhe da leveza dela, até o caminhar, aonde uma mulher fazia aquilo?

Eu precisava ter certeza de que ela era real e que aquilo seria só mais uma transa. Era isso depois que a tivesse aos meus pés, tudo voltava ao normal.

A noite começou a chegar e me arrumei para ir trabalhar naquela pocilga de novo.

– Boa noite Paul.

Ele estava sentado em meio as sombras, a voz esganiçada só me registrou um reflexo.

– Seu imbecil, que merda você fez comigo? Eu estou preso nessa droga de lugar e eu espero que você tenha vindo me buscar e me levar de volta.

Eu socava Tyrone e o chutava com o máximo de força que podia tamanho era meu ódio.

– Precisamos conversar, velho companheiro, e as noticias não são boas.

Pro Inferno, e quando eram desde que cheguei aqui?

– Desembucha seu desgraçado e dessa vez, não vou aceitar porra nenhuma desse lixo de luta por poder.

– Acho melhor você sentar, as coisas fugiram do controle lá embaixo.

Foi tudo o que Tyrone me disse…

Continua

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4 comentários em “Galamadriel (Pt. 2): Pauline

  1. É engraçado, logo que vi que você estava criando um novo conto fiquei super ansiosa pensando no que viria por aí. Confesso que você me surpreendeu com Enchatriagge. Fiquei super empolgada quando comecei a ler porque era diferente e extremamente criativo. E lá vem você de novo com outro conto maravilhoso e cheio de criatividade 😀
    Adorei Galamadriel!
    Ah, e pirei no cabelo azul da Qüerinemer hi hi hi hi
    Está de parabéns!

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