A Garota Má (Pt.11): Sob as garras da Leoa Anciã

A Garota Má (Pt.11): Sob as garras da Leoa Anciã

Escrito por Natasha Morgan

a garota ma

O grito estridente de Alline ecoou pelos hectares da mansão.

A traidora se encontrava presa ao porão que a Família utilizava para os serviços sujos. Amarrada com arame à uma cadeira de metal, a mulher estava atada às torturas da simpática senhora de vestido florido.

Fridda sorria diabolicamente, chacoalhando nas mãos as unhas sanguinolentas que acabara de extrair de sua inimiga.

– Mais uma para minha coleção. – comemorou a velhinha. – Se continuarmos assim poderei ter uma bela coleção de runas. Pretendo usar suas unhas e dentes como material.

Alline ergueu a cabeça com impetuosidade, cuspindo sangue no chão.

– Vamos acabar logo com isso, velha.

Fridda deu uma risadinha, balançando o alicate de aro perolado.

– Eu devo admitir, você tem coragem… Coragem de se infiltrar numa família poderosa como a nossa. Coragem de enganar meu filho e o trair descaradamente. Coragem de manter relações com o porco de um francês. Coragem de mentir para mim… E coragem de tentar fazer nossa família ruir, sua puta!

O soco de Fridda fez Alline se estatelar com a cadeira no chão. A velhinha deu a volta na mesa que as separava, despreocupada, e a ergueu do chão pelos cabelos num gesto tão simples quanto ajeitar a roupa amassada.

Alline rosnou, mais uma vez cuspindo sangue. Ela riu.

– Você bate como uma velha.

– E você mente como uma cadela.

– Aprendi isso na escola em Istambul. Foi uma lição dura que tive que aprender.

– Ah, não. Você não vai me convencer com sua historinha triste. Sei sobre o seu passado, Vedrana. E, por mais que tenha sido uma história lamentável, isso não vai me convencer de seus motivos para ser esta mulher desprezível. Você mexeu com a família errada!

– Eu sei muito bem com quem eu mexi, sua idiota! Não estou buscando sua pena. Não preciso dela!

– Tem certeza disso? – Fridda deu mais um de seus sorrisos diabólicos.

– Você não me coloca medo, velha. Na verdade, quase posso respeitá-la por quem é. Acho que eu poderia ser como você quando envelhecer.

– Ah, com toda certeza, você não pode.

– Tem razão. Eu sou melhor! – Alline disse e tentou se erguer de sua cadeira de ferro. Mas o arame de titânio a manteve bem presa.

Fridda deu uma risadinha.

– Continue tentando. Enquanto isso… – ela balançou o alicate novamente.

Alline rosnou.

– Velha, se continuar com isso serei obrigada a prometer uma revanche.

– E acaso está em condições de revanche? Não se esqueça de quem tem o poder por aqui, Traidorazinha.

– Doce ilusão a sua. Eu estou sob seu poder porque eu quero estar. Espere só até eu me libertar. Vai desejar não ter nascido!

– Mas que pretenciosa…

– Não é pretensão. É apenas um fato. Eu sou uma Borsahy.

Fridda riu com vontade.

– Ah, você jamais poderia ser uma Borsahy. Eu conheci Borsahys. Sua laia jamais seria digna de uma posição de tamanha honra. Foi por isso que foi expulsa, não é mesmo? Não é que você não fosse boa… Apenas não se enquadrava às regras e caráter.

Alline a fitou com ódio, mas soube ocultar direitinho sua expressão.

– Você é uma velha idiota.

– E esta velha idiota já lhe arrancou as unhas e três dentes. Quem é a perdedora aqui, afinal de contas?

– Continue com seus joguinhos, Fridda. Sou capaz de acompanha-la no tabuleiro.

– Engraçado… Eu achei mesmo que você fosse implorar. – Fridda começou, refletindo.

Borsahys não imploram.

– É o que veremos… – Fridda disse, sacando uma de suas faquinhas ameaçadoras e a cravando com tudo na palma da mão da inimiga. A lâmina serrilhada prendeu a carne à mesa.

Alline soltou um grito abismal de dor e surpresa. De seus olhos injetados escapou uma única lágrima agoniante.

– Agora vamos parar de brincadeira e começar a responder as perguntas que realmente importam. – Fridda prosseguiu, muito sossegada, sentando-se à cadeira de metal logo à frente. Sua pose despreocupada lembrava uma fidalga.

– Sua puta desgraçada! – Alline a xingou, cega á dor e ao ódio.

– Você achou que minha neta era ruim? – a velha soltou uma outra risada. – Eu sou cem vezes pior.

– Maldita!

– Eu disse a você que começaria sua descida ao inferno. – Fridda deu uma piscadinha sacana. – Conte-me de seu plano sórdido com Lucien Fournier de destronar minha família.

– Cretina, eu não vou lhe contar mais nada.

A Bestemor se moveu preguiçosamente, girando a faca sobre a mão da oponente.

Mais um grito estridente escapou dos lábios da sérvia, arrastando um monte de obscenidades naquela língua estranha.

– Você só torna o jogo mais interessante. – disse Fridda.

Alline ergueu os olhos para ela.

– Vamos ver se posso tornar o jogo ainda mais interessante. – ela disse e um sorriso se espalhou por sua face manchada de sangue.

Alline não precisou de mais do que apenas um impulso de seu corpo para livrar-se totalmente do arame de titânio que a prendia à cadeira. Passou as últimas cinco horas desconectando as fibras daquela porcaria com a ponta de seu brinco estrategicamente retirado. Tudo o que precisou foi de um pouquinho de força e pronto! Sua prisão estava arrebentada.

Ela se apoiou na cadeira, chutando a mesa pesada com os dois pés.

Fridda foi jogada para trás com violência, caindo no chão com a mesa de carvalho e tudo. O peso da madeira a esmagou por poucos segundos até que recuperasse suas funções habilidosas de matriarca da Família. Num giro rápido, a velhinha estava de pé, apontando uma de suas facas para a oponente atrevida.

Alline veio para cima dela, babando.

– Sua velha frígida! Eu disse que eu me libertaria e a faria pagar.

– Eu estava contando com isso, sua ordinária. – Fridda deu um sorrisinho empolgado. – E o que a faz pensar que sou frígida? – a risada da velha foi mais do que estridente. Ao que parecia estava se divertindo à beça com toda aquela situação.

Elas começaram a se rondar como divas caçadoras, a pose ofensiva dando-lhes um ar elegante. A expressão no rosto de Alline ia além da fúria – o que contrastava drasticamente com a empolgação insana da outra.

Alline avançou e elas se atracaram brutalmente. Fridda aguentou a força jovem da outra, absorvendo os golpes com maestria e bastante energia, revidando com a mesma intensidade. Toda sua força e valor foram mostrados em seus modos honrados diante da batalha e, de velhinha frágil, ela passou a ser vista como uma leoa anciã.

Alline a chutou com violência no rosto, provocando um ferimento selvagem e fazendo a senhora cambalear. Fridda se recuperou no meio da queda, dando um salto habilidoso para frente e agarrando a inimiga pelos cabelos sedosos. A Bestemor enrolou os fios lustrosos na mão como uma corda poderosa e puxou com força, trazendo a maldita para perto o suficiente para feri-la com a lâmina poderosa de sua faca entalhada em cobre.

A lâmina poderosa pousou na pele macia cor de marfim e, sem piedade alguma, decepou-lhe uma orelha.

Alline deu um grito ensandecido e socou a velha no rosto, afastando-se num desespero desenfreado. Segurou o que restou de sua orelha estraçalhada, sentindo o sangue empoçar em suas mãos e escorrer por entre os dedos. O olhar antes já injetado, tornou-se negro como breu e ela avançou novamente.

Fridda riu como uma louca e jogou a orelha perfeitamente cortada no chão, esmagando-a com sua botinha antes de absorver o golpe de sua adversária novamente. A força com que a cadela sérvia a atingiu foi muito mais bruta desta vez, mas a Bestemor da Família não se deixou vencer tão facilmente. Empurrou a miserável para longe, atingindo-a com um chute que aprendera quando ainda menina na Noruega.

Alline foi parar do outro lado do galpão, atingindo a parede de concreto com uma força exagerada. Caiu no chão pesadamente, mas levantou-se antes de ser atingida pela faca que a velha arremessou. A lâmina atingiu e se cravou no concreto, imponente.

– Perdeu sua faca, Velha. – Alline riu.

– Tenho milhares dela. Não se preocupe, sua pele não sentirá falta da minha lâmina.

– Nem seu rosto de meu punho!

Elas se enfrentaram mais uma vez.

– Você não desiste, não é mesmo? Parece não se dar conta de que não há uma saída. Não vai escapar de minhas garras, menina.

– Ah, Velha… Você está prestes a conhecer a fúria de uma Borsahy. Lembra-se de que falei que Borsahys nunca imploram? – Alline começou, rondando-a. – Então… O lance com os Borsahy é que também nunca nos rendemos ou perdemos!

Ela deu um golpe certeiro, atingindo o rosto da velha. Fridda perdeu o equilíbrio e caiu. Foi o que bastou para Alline tomar conta da situação. Aproximou-se da carcaça da anciã e tomou os cabelos translúcidos como se não passassem de fios soltos de um saco de estopo, levantando a cabeça da mulher sem nenhuma consideração.

Seu sorrisinho pretencioso era por demais irritante naquela face linda demais para se julgar traidora. Ela havia vencido, afinal de contas. E podia enfim dar cabo daquela velha detestável que quase a arruinou.

Mas o sorriso se esvaneceu de seu rosto, assim como o sentimento de vitória quando encarou aqueles olhos azuis abertos e impiedosos, fitando-a com imponência.

Fridda lhe deu uma cabeçada violenta e se levantou do chão, segurando outra de suas facas ameaçadoras.

– Não vai passar por mim tão fácil.

Alline suspirou, revirando os olhos, e voou para cima da velha novamente. A cada minuto aquilo se tornava um pé no saco. Maldita velha! Será que nunca morria? Uma Borsahy não deveria estar perdendo tempo com aquela mulher… Não quando havia tantas coisas em jogo!

– Para o inferno, Fridda! Vamos acabar logo com isso.

– Na verdade, eu prefiro postergar um pouco mais e continuar furando você. – a velhinha disse, dando um de seus golpes rápidos demais para o raciocínio da menina e a atingindo com a lâmina de cobre no rosto, arrancando um pouco mais de sangue.

Alline virou o rosto com o impacto, sentindo a dor latejar. Seus lábios se comprimiram numa linha dura e ela rosnou, juntando suas forças para atacar.

Fridda ergueu as mãos num gesto extremamente provocante, instigando a outra à luta. Seu convite foi aceito instantaneamente e os punhos se cruzaram no ar, batalhando entre si. Os chutes se chocavam com elegância, assim como os passos ofensivos de guerreiras.

Realmente, lutar contra uma Borsahy não era tarefa das mais fáceis. Mesmo para uma Escandinávia com sangue Viking nas veias. O povo do oriente sabia bem como chutar traseiros e matar suavemente…

Uma pena que o povo do norte fosse forjado na barbárie.

O golpe de Fridda sentenciou Alline a uma descida rápida ao inferno, afinal. Pelos menos por alguns segundos. Ela se chocou mais uma vez contra a parede de concreto, desta vez batendo a cabeça com brusquidão o suficiente para fazer seu mundo oscilar.

Levantou-se, grogue e balançou a cabeça na tentativa vã de recuperar o controle sobre si mesmo. Mas a letargia ameaçou congela-la naquele estado lamentável. Temendo a fúria da velha enquanto estivesse fraca, a traidora apanhou a faca de cobre cravada à parede e correu em direção a única porta naquela sala.

Ela precisou lutar contra a maçaneta, mas conseguiu abri-la e abraçar a liberdade momentânea. Saiu desenfreada pelo corredor escuro subterrâneo até a saída pelo jardim. Quando o ar fresco atingiu seu rosto, pôde respirar pela primeira vez com alívio.

Os dois seguranças que guardavam a entrada da mansão apareceram em poucos minutos, mirando o laser de suas armas potentes diretamente para o peito da sérvia. Dois brutamontes durões, prontos para defender a Família.

Alline revirou os olhos, livrando-se deles como se não passassem de crianças. Ela apanhou um dos rifles caídos no chão e seguiu caminho pela mansão, livrando-se de todos os escudeiros que encontrou pela frente. Apesar de estar ferida e faminta, ela lutou como uma fera indomável.

Quando os portões elegantes da mansão se fizeram ver, a gargalhada ameaçadora de Fridda ecoou pelo jardim, assim como as ameaças impressas em sua voz horripilante.

– Corra, franguinha, corra o quanto puder. Eu vou encontra-la no final do dia e arrancar sua pele com minhas unhas!

Alline correu, deixando para trás aquela casa infernal com a leoa de chácara solta à sua caça.

 

Bóris estava por demais empolgado naquele início de noite. Trajava um terno elegante de seu país materno, os sapatos confortáveis como somente Mocassins eram capazes de ser, e abotoaduras de rubis. O som de Vivaldi explodia pelas antigas caixas de som da lustrosa mansão, proporcionando ao Magnata um momento relaxante.

Sua felicidade era tanto que ele poderia até mesmo bailar!

Ah, se se atrevesse a tanto…

Ele riu, vaidoso, e ajeitou a barba meticulosamente bem tratada.

A campainha tocou, interrompendo-o no meio de sua inspeção importante em frente ao espelho. Ele fitou a porta pesada do hall, imaginando quem seria àquela hora e como passou pela segurança de seus portões sem soar o alerta.

Sua mão automaticamente foi para a bainha do terno, repousando preguiçosamente sobre sua pistola elegante. Ele acenou uma vez à empregada jovem, instigando-a a abrir a porta.

A menina se intimidou, mas obedeceu seu mestre. Teria o resto do corpo marcado caso se atrevesse a contestar uma ordem. Sua roupa pouco convencional a incomodava terrivelmente, mas forçou um sorriso no rosto belo, empinou a  coluna e abriu a porta com uma elegância exagerada.

No momento em que Bóris viu seus convidados, baixou a arma e se limitou a franzir o cenho.

A empregada vestida em correntes e tiras de couro soltou um grito ao encarar o homem à porta e saiu correndo, deixando um rastro de medo para trás.

Lucien tentou não levar aquilo para o lado pessoal. Sabia que seu estado era lastimável e lhe restavam apenas poucos minutos de lucidez antes que a detestável Sílica terminasse de corroer seu sistema. Ele ainda usava seu terno caro, agora bastante abarrotado, e óculos escuros, ocultando suas órbitas vazias e sangrentas. No entanto, era impossível conter o sangue aterrorizante que escorria por sua bela face traumatizada para sempre – o que assustou a pobre menina.

Ao seu lado estava sua bela e mais fiel amante, apoiando-o cuidadosamente quando nem ela própria conseguia sustentar seu próprio corpo. Não podia vê-la, mas sabia que estava machucada e terrivelmente abalada.

– Mas o que diabos aconteceu a vocês? – Bóris perguntou, perturbado, convidando-os a entrar.

– Fomos descobertos. – Alline disse, ajudando o amante a seguir pelos corredores perfumados da mansão do búlgaro.

– O que isso significa? – o olhar de Bóris indicava desconforto.

– Significa, meu velho amigo, que somos fugitivos daquela família maldita. Assim como você.

– E o que veio fazer em minha casa? Pedir abrigo?

– Imaginei que nossa amizade fosse forte o suficiente para contar com isso. – o olhar que Alline lançou a ele sugeria que, talvez, aquilo não fosse um pedido.

Bóris sorriu.

– Você sempre foi generosa com seus presentes.

– E pretendo lhe oferecer seu mais cobiçado desejo. A cadela que lhe escapou. Está prestes a tê-la de volta.

O búlgaro os guiou até uma de suas melhores salas. O conforto, o luxo e o calor da lareira de mármore fora muito bem vindo.

– Solina é uma mulher diferente nesta época. – Bóris disse, vendo Alline acomodar Lucien em uma de suas poltronas de veludo. – Talvez não seja uma ideia esperta se por tão perto de suas garras famintas.

– Não me diga que realmente a teme. – disse a sérvia, cética.

– Só um idiota não a temeria. Até mesmo você tem medo dela.

– Eu sou uma Borsahy.

– Isso não lhe impediu de levar uma surra. – o olhar negro do búlgaro a esquadrinhou. – Está horrível, minha querida.

– Está tentando ser engraçadinho?

– Jamais com você. – ele se sentou em seu divã cor de vinho numa pose sofisticada.

– Você está elegante hoje. – Alline observou. – Aproveitando seu bichinho?

– Eu a entreguei a um amigo. – Bóris gargalhou, bem humorado.

– Talvez eu também a deseje emprestada por alguns longos minutos.

– Não sabia que gostava de tal coisa.

– Ah, não quero nada com o corpo dela além de retalha-lo inteiro pelo que Cherry fez comigo.

– De forma nenhuma. Não a deixarei estragar minha mercadoria.

– Eu lhe darei outros bichinhos. – Alline deu um sorrisinho, focando sua atenção no amante.

Lucien estava inquieto. Nem mesmo o calor da lareira era confortável o suficiente para aplacar o frio congelante que sufocava sua alma. Suas veias esfriavam lentamente numa promessa apavorante de morte. Seus lábios, antes rosados e atraentes, tornavam-se secos, enrugados e frios. Ele estava lamentável.

– Céus, o que foi que Cherry fez a ele? – Bóris parecia perturbado, observando o antigo sócio de longe.

– O que ela fará com você se puser as mãos em seu lindo pescocinho. – Lucien resmungou.

– Não darei tanta liberdade assim à ela.

– E acaso acha que eu dei?!

– Não sei. Eu não estava lá para observar a batalha. O que foi que fez à ela para que arrancasse seus olhos?

O francês sorriu.

– Acho que ela não gostou das ameaças que fiz.

– E sua mulher deve ter feito ameaças parecidas para estar no estado que está.

Alline se mexeu, pouco confortável.

– Tive que lidar com aquela velha nojenta.

– Que velha? – Bóris estreitou os olhos.

– Fridda. – Alline deu um sorrisinho.

– Você lutou com Fridda Von Kern? – a voz dele tendia para a admiração.

A sérvia apenas meneou a cabeça.

– Ah, minha cara! Essa é uma luta que eu adoraria ter visto.

– Diga isso a Cherry e ela terá prazer em privá-lo desta visão arrancando-lhe os olhos. – Lucien disse, perturbado.

Alline o abraçou com carinho, tentando amenizar sua dor.

Bóris os observou em silêncio.

– Aquela puta desgraçada. Terei prazer em retalha-la inteirinha somente pelo que ousou fazer a você. – Alline resmungou, quase chorando de tristeza por ver seu amante arruinado.

Mon amour – Lucien apalpou-lhe o rosto com carinho. – Je t’aime.

As lágrimas despencaram do rosto de Alline, tornando-a apenas uma mulher frágil em apenas alguns segundos. Ah, até mesmo os maus amam…

Mas tão rápido quando a expressão suave, veio o ódio profundo, mascarando-a novamente. Seus olhos se injetaram, os lábios doces se comprimiram e seu belo rosto se transformou numa máscara de crueldade.

– Onde está o seu maldito bichinho?

Bóris sorriu.

– Se prometer não mata-la, eu a levo até ela.

– Não se preocupe, velho amigo. Não o deixarei sem suas putas.

O búlgaro se levantou elegantemente e indicou o caminho, cortês.

Alline se afastou do amante desgraçado.

– Eu e Willa precisamos ter uma conversinha.

– Divirta-se, Mon coeur. – Lucien lhe deu um sorriso apagado e tateou a pequena mesinha de cristal ao lado da poltrona que ocupava, apanhando uma taça de vinho tinto.

– Solina tomará conta dele. – Bóris prometeu e com um estalo fez surgir uma de suas subordinadas, vestida igualmente à empregada naqueles trajes estranhos.

– Chama todas elas de Solina? – Alline perguntou à medida que caminhavam pelos corredores ornamentados da residência do búlgaro.

Bóris se limitou a apenas dar de ombros.

– O que vai fazer agora que não é mais a rainha Von Kern? – ele perguntou, verdadeiramente curioso.

– Destruir todos eles. – sua voz ressoou maligna.

– Sabe que não tem poder para tanto. Por isso precisou se infiltrar. Era nosso plano, Mademoiselle.

Alline fechou a cara.

– Não me chame assim.

– Sinto muito. Não sabia que gostava tanto assim do francês. Sabe que ele está morrendo, não é mesmo? Cherry sabia disso quando injetou aquela porcaria no sistema dele.

– Aquela vadia terá o que merece! Assim como essa vadiazinha. – seus olhos se cravaram na porta do cofre prateado, grande o suficiente para abrigar uma casa.

Bóris deu uma risadinha sórdida.

– Quanto desperdício. – ele lamentou e deu de ombros logo em seguida. – Faça bom proveito.

– Ah, eu farei…

Alline destravou a tranca de segurança, vendo todo o mecanismo funcionar num rangido oco. E quando a porta finalmente se abriu, ela encarou aquele breu silencioso com um ar totalmente contrário a um rosto tão bonito. A maldade brilhou em seu olhar.

Aquela pirralha teria o que merecia por se meter em seu caminho!

Continua

Comente, diga o que achou! Seu comentário incentiva o autor e faz com que continue a escrever novas histórias!

5 comentários em “A Garota Má (Pt.11): Sob as garras da Leoa Anciã

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s