A Garota do Baile

A Garota do Baile

Escrito por Saul Guterres

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Era época de formatura, todos os jovens da escola estavam em euforia, também não era pra menos, afinal eles estudaram o ano inteiro apenas para poder estar naquele
baile. Não que os estudos não fosse importante, mas para a maioria, o principal motivo era poder comparecer ao baile do ano.

Estava marcado para um sábado à noite e o baile iria começar às onze horas. A escola fechou suas atividades um dia antes para que todos os alunos tivessem tempo para
ficar chiques e bem arrumados, vestidos para uma noite de gala. Mulheres lindas, homens charmosos.

Lisa tinha ido ao baile sozinha. Não tinha namorado, apesar de ser muito bonita e elegante, nunca alguém entendeu o  porque dela não se relacionar com ninguém. Mas ela sabia.  Não gostava de meninos e sim de meninas e isso era um  segredo guardado a sete chaves. Lisa fazia parte daquele grupo de jovens que não bebia e nem fumava e tinha poucas amigas. Mais pelo seu jeito introvertido do que pelo medo de alguém saber de suas preferências. Ao chegar no baile, logo ela tentou avistar alguns conhecidos, mas não teve  sucesso. Então limitou-se a sentar só em uma mesa e curtir  o baile ali mesmo.

O tempo foi passando e já eram quase uma hora da  madrugada, quando outra moça, que também estava sozinha se aproximou de Lisa e perguntou se ela poderia sentar ali.

Logo concordando, as duas passaram horas e horas conversando, rindo e depois dançando por muito tempo. Lisa dançou com ela a noite toda, sem se importar se iriam ver ou comentar que ela estava com outra menina. Parecia  que as duas se completavam e acabaram se apaixonando naquela noite, mas tudo só ficou na conversa e no
romantismo. No final do baile, Lisa prometeu que levaria a moça embora, mas de repente ela sumiu. E só então foi que ela havia se dado conta que nem se quer sabia o nome
daquela moça. Ela procurou-a por todo o salão por muito tempo. Como não encontrou, acabou embora.

No caminho para sua casa, ainda muito triste, ela passou em frente ao cemitério e viu a moça entrando lá. Desconfiou do que tinha visto e suspeitou que fosse o cansaço e que
estivesse vendo alucinações. Sendo assim seguiu seu caminho. Quando Lisa chegou em casa, ela não conseguia dormir, nem parava de pensar na cena que tinha visto da
moça entrando no cemitério.

Esperou o dia amanhecer e não se conteve, foi ao cemitério. Estava vazio e ela não encontrou ninguém que pudesse lhe dar alguma informação. Aproveitando que estava ali,
resolveu caminhar para ver se esquecia da noite passada, quando de repente tropeçou uma pedra, caindo de frente a um túmulo. Tamanho foi seu espanto ao ver naquela lápide
a foto da menina que ficou com ela durante todo o baile e com a mesma roupa. Se aproximou e leu: “Jamais esqueceremos nossa amiga”, Lisa tentou ver o nome e não conseguiu, pois estava quebrado, a única coisa que pode ver foi se passar vinte anos da morte daquela jovem.

Apavorada, ela saiu em direção a escola e perguntou aos seus colegas se alguém havia visto ela no baile e se a viram com uma outra jovem. Todos sem exceção disseram que ela
estava louca, pois apenas viram Lisa em uma mesa e depois dançando sozinha.
Ainda inconformada Lisa foi até o arquivo da escola em busca de jornais com notícias de vinte anos atrás para ver se encontrava algo. A única coisa que encontrou, foi uma
pequena nota que dizia algo como “um incidente isolado” que teria ocorrido em um baile da mesma escola. O fato narrava que duas meninas de nome não relatados que foram expulsas do baile pois haviam se beijado na frente de todos.
E que posteriormente uma delas havia sido brutalmente assassinada pelos colegas, e a outra ninguém mais viu. E por isso ninguém quis saber de nada pois se tratava de uma
anormal e deram o caso por encerrado. Com essa descoberta Lisa se sentiu triste e ao mesmo tempo com raiva. Como poderia haver tanto ódio entre as pessoas? Nesse pensamento começou a chorar baixinho, para que ninguém a ouvisse. A bibliotecária que estava na escola na sala, ouviu o choro de Lisa e se aproximou dela.

Vendo que Lisa estava com as notícias em mãos. A senhora de mais ou menos uns quarenta anos perguntou o que ela fazia por ali com aquelas reportagens e porque estava chorando? Sem revelar que era ela, Lisa relatou o acontecido no baile, e que estava ajudando um amigo que havia visto tal moça. A senhora em momento, olhou para  longe, como que se estivesse tentando lembrar de alguém.

Lágrimas escorreram de seus olhos e Lisa ficou se entender. Então a senhora disse para que o amigo de Lisa se cuidasse, pois a “moça do baile” só aparecia para quem
corria perigo.

Agradecendo a atitude da bibliotecária, ela saiu em direção as ruas e ficou pensando sobre o que aquela senhora lhe falou. Será que seria verdade? A moça que ela viu se tratava de um fantasma? Ela estaria realmente em perigo? Com esse pensamento seguiu em frente sem se dar conta que estava sendo seguida. Próximo ao cemitério, um colega seu de escola se aproximou, perguntando se Lisa gostaria de dar uma volta. O moço se chamava Ruam, e era o mais preferido pelas meninas, apenas Lisa nunca havia lhe dado bola.

Tentando disfarçar ela alegou estar com pressa e que não poderia sair com ele. Mas Ruam não admitia um não como resposta e agarrou-a pelos cabelos levando para o cemitério a dentro. Aos gritos Lisa tentava se soltar de seus braços, mas era inútil. Ele tentou beijá-la chamando-a de sapatão que sabia seu segredo e por isso não queria transar com ele. Lisa começou a chorar e neste instante avistou a moça do baile a sua frente e pediu socorro. Ruam sem entender nada atirou Lisa no chão e foi ver quem era aquela intrometida ali parada. Quando se aproximou dela levou um susto. Ela parecia uma noiva cadáver, e com apenas um golpe atirou Ruam para cima, que caiu de costas no chão.

Ao chegar perto dele, a moça do baile disse em seu ouvido pra que ele contasse para o seu pai o ocorrido e que ela estaria aguardando por ele eternamente. Machucado e apavorado o jovem saiu correndo em direção a saída. Ele corria tão rápido que nem se deu conta do ônibus que vinha e acertando-o em cheio seu corpo, morreu na mesma hora.

Lisa que assistia tudo de longe, não pode deixar de rir, aquilo foi menos que o merecido para aquele canalha pensou ela. Levantou-se e foi devagar se aproximando da aparição para agradecer. A moça já não estava mais com a aparência assustadora e sim com uma cara jovial, que fez com que Lisa sorrisse para ela ao agradecer pela ajuda. A moça também lhe devolveu um sorriso e ia logo sumindo, quando Lisa perguntou se poderia ao menos saber o seu nome ou se poderia ajudá-la em algo. Ela novamente sorriu e disse a Lisa que não interessava seu nome e sim as suas atitudes. Ela queria ser respeitada e conhecida como a Moça do Baile apenas. E já que Ruam havia falecido, (e por
algum motivo ela estava de olho nele) Lisa seria a encarregada de narrar a sua história. Sendo assim Lisa narrou o ocorrido para seus amigos chocando a todos na
cidade.

Desde então não foram poucos as pessoas que de alguma forma ou outra afirmaram ter visto a colegial do baile. Mas todos eram homens que maltratavam suas esposas, filhas, amantes enfim. Certa vez Lisa estava passando na frente da casa onde morava Ruam, e teve a impressão de ter ouvido gritos de uma mulher. Esconde-se em atrás de uma árvore e viu quando ela atirou uma mulher a chutes para fora de sua porta. Prontamente, ela que detestava ver mulheres sendo escravas de homens pensou em sua amiga fantasma e saiu
dali com cuidado para não ser vista. Deu uma olhada para trás e se surpreendeu ao ver novamente sua amiga lhe acenando e entrando na casa do pai do Ruam.

No outro dia, ao acordar a primeira coisa que Lisa viu, foi a reportagem no jornal! “Encontrado morto em sua casa, com ferimentos por todo o corpo, o um dos antigos suspeitos do estupro das meninas a vinte anos atrás no baile da escola”

Fim

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8 comentários em “A Garota do Baile

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