Você pode nos ver?

Você pode nos ver?

Escrito por Saul Guterres

Você pode nos ver

Alana estava assistindo ao seu programa de TV favorito  naquela noite, era um programa que mostrava casos reais de pessoas possuídas por entidades malignas e tudo mais. Ela sempre foi fascinada por esses mistérios, e sempre que  podia chamava seu pai Augusto para assistir junto.  Seu pai já não era assim tão fã dessas histórias e sempre  dizia para ela que aquilo era coisa de gente que não tinha  instrução e só queriam o dinheiro dos que acreditavam em  tal farsa. Porém naquela noite ele quase mudou de ideia,  devido as cenas que viu sobre um tal caso de uma senhora  que auxiliava espíritos perdidos a fazerem a travessia.

Se isso fosse mesmo verdade, deveria ser meio assustador e ao mesmo tempo interessante ajudar espíritos, pensou ele.  Nesse instante a porta da sala bateu com força assustando  os dois que pularam do sofá. E para o espanto deles não  tinha nenhuma janela aberta que pudesse ter entrado vento.  E mesmo assim além da porta ter batido, eles perceberam  que estava frio na sala. Como Augusto não ligava muito  para isso apenas deu risada e saiu para seu quarto. Já Alana  estava totalmente apavorada, e com muito custo adormeceu.

Já bem de madrugada Augusto acordou com um cheiro  estranho em seu quarto, era uma mistura de sangue com  algum tipo de produto químico que ele não soube distinguir. Levantou e foi até a cozinha para ver se o tal cheiro vinha  dali. Como não encontrou nada, ele foi até o banheiro e  depois até a sala, mas não sentiu cheiro algum. Pensando  que era algo na rua, Augusto saiu em direção ao seu quarto,  mas quando passou pelo corredor viu uma figura estranha  saindo do quarto de Alana. Era um homem, com o rosto todo desfigurado e vestia uma roupa parecida com a de um  médico. Ele encarava Augusto com uma expressão de raiva  e medo ao mesmo tempo, e ele sem saber o que fazer e já  apavorado deu um grito que acordou Alana na mesma hora.  Ela levantou correndo e foi até o corredor para ver o que era aquilo e se deparou com a cena de seu pai tremendo de  medo abaixado no canto do chão.

– O que houve? Perguntou Alana, assustada em ver seu pai  naquele estado. Então ele apenas apontou para o final do  corredor e Alana tentou ver o que era, mas não avistou  coisa alguma. Augusto aos poucos foi retomando a  consciência e contou para Alana que viu um vulto de um  homem que parecia ter saído de um filme de terror em sua  direção. Alana sem entender nada deu uma gostosa risada, pois seu pai que era a pessoa mais incrédula que ela conhecia, estava com medo de um suposto fantasma que só ele viu. Ela auxiliou seu pai a levantar e disse a ele que aquilo só poderia ter sido um sonho ou algo da imaginação dele. Pois ele estava impressionado com o programa visto anteriormente e que na casa deles não tinha nenhuma aparição. Ela trouxe um copo de água a ele e levou seu pai até o quarto e disse pra que ele esquecesse aquilo e voltasse a dormir.

Mas Augusto não conseguiu dormir e ficou horas e horas  levantando e espiando o corredor. E foi assim que ele sentiu novamente aquela sensação e correu para o quarto, fechou a porta e se tapou, mas uma estranha força arrastou ele para o chão e ao se virar viu aquele homem novamente. E  perguntou:

– O que você quer? Quem é você?

O fantasma se aproximou dela e respondeu:

– Você não queria ajudar? Eu ouvi seu pedido e agora você vai me ajudar!!!

– Não, eu não posso te ajudar, não sei te ajudar, disse Augusto. Então o homem em momento de raiva deu um grito que para Augusto parecia um uivo de uma fera infernal, e com uma agilidade imensa se atirou sobre ele tentando acertar socos e chutes, fazendo Augusto desmaiar.

Os dias foram passando, Augusto e Alana já não falavam  mais sobre isso, pois ele estava achando estar com algum problema mental, devido ao fato de só ele ver aquele fantasma. E com o tempo ele foi ignorando as aparições até que um dia nunca mais o homem apareceu. E ele aprendeu que jamais deveria mexer ou pensar sobre aquelas coisas.

Certa vez Alana estava na sala, assistindo um filme qualquer quando Augusto chegou do seu trabalho. Ela questionou ele se suas visões haviam parado e ele apenas limitou a dizer que sim e saiu para o seu quarto. Alana terminou de ver o filme e foi para o seu quarto pensando na história de seu pai. Será que aquilo tudo seria verdade? Se fosse como ela via nos seus programas seria fácil ajudar, na certa o tal fantasma só queria alguém para conversar. E ela seria a pessoa ideal. E com esse pensamento adormeceu. Já era passado das duas horas quando ela escutou um barulho na sala, levantou e foi ver o que era. Com certeza seria seu pai. Quando passou pelo corredor sentiu um cheiro de cloro
muito forte que quase fez ela vomitar. Foi até a cozinha e não viu nada, porém quando estava retornado ao seu quarto a última coisa que se ouviu foi seu grito de desespero e  nada mais!

Fim

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6 comentários em “Você pode nos ver?

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