A Garota Má (Pt.9): Verdades insanas

A Garota Má (Pt.9): Verdades insanas

Escrito por Natasha Morgan

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Kiev 7:53 AM

Ioan Sokolov terminava de vestir seu uniforme impecável quando o telefone tocou. Faltavam poucos minutos para começar seu expediente e ele não queria se atrasar, sabia da punição em casos de atrasos. No quartinho simples da base já não havia mais ninguém.

Ele olhou, em dúvida, para o celular descartável que mantinha escondido para emergências. O número piscando na tela lhe era familiar – o que o impeliu a atender a ligação.

Privet – ele atendeu em sua língua materna.

– Em inglês, por favor, velho amigo.

Aquela voz o surpreendeu de imediato. Halle Bennett, o americano que conheceu em uma missão no norte do país. Há anos não tinha contato com aquele homem, o que o fazia pensar por que estaria entrando em contato só agora.

 – Halle Bennett. – sua voz era carregada com o sotaque.

– Você se lembra dos velhos tempos.

 – Foram grandes aventuras. Ouvi dizer que prosperou como caçador de recompensas. É por isso que está me ligando?

 – Oh, eu não pretendo entrega-lo ás autoridades, meu amigo. Mas soube que anda aprontando por aí.

Ioan fez uma pequena pausa, absorvendo aquele momento de tensão. Ele praguejou. Aquilo não estava certo. Se o americano tinha alguma ideia no que estava envolvido, certamente lhe traria problemas. Já não era um soldado russo mais, agora era propriedade privada do campo Delta L I.

Ioan. – a voz do americano saiu ansiosa.

 – O que andou xeretando, Halle?

 – Apenas algumas pesquisas de praxe. Nada que o comprometa.

 – Difícil acreditar nisso.

– Não estou atrás de você, meu amigo. Sei que está numa missão confidencial sem data para voltar ao mundo, mas recentemente acabei por descobrir qual tipo de missão é essa. Não teria ligado se não fosse importante. Preciso de informações sobre o campo no qual atua.

 – Fique com suas coisas na sua América. É mais seguro para você. Não tem ideia com o que está lidando.

 – Pode apostar que eu tenho, sim. Há alguns anos conversamos sobre isso, você me contou coisas perturbadoras sobre o que aconteceu aí. E então simplesmente desapareceu, sumiu do mapa dizendo que estava numa missão particular. Você está preso aí, não é mesmo?

 – Não devo comentar sobre a minha missão. Sequer deveríamos estar tendo esta conversa.

 – Você não tem permissão para ter um celular. No entanto, quando eu liguei, você atendeu.

 – Algumas regras podem ser transgredidas.

 – Então me ajuda a te libertar, parceiro.

 – O que pretende, Halle Bennett?

 – Ah, você ficaria surpreso! – o americano deu uma risadinha. – Conheço o responsável pelo sequestro do laboratório. Seu nome é Lucien Fournier. Digamos que estou na cola deste desgraçado faz tempo e ouvi dizer que ele estava por trás do tráfico de novas drogas resultantes desse campo em Kiev. O que eu quero saber é como foi que o cretino colocou as mãos nesse poder imenso.

 – Halle, não se meta nisso!

 – Ioan, sabe que me deve. Preciso saber de tudo o que sabe.

 – Se isso se tratasse apenas do meu cargo no exército, eu seria capaz de lhe ajudar sem pensar duas vezes. Mas se trata da minha vida. Você não tem ideia do poder por trás disso tudo. Acha que o senhor Fournier se uniu a ladrõezinhos bacanas? Ele se uniu com um cara capaz de ferrar com a vida de muita gente.

 – Acredite, vamos pegá-lo.

 – E você virou um Deus por acaso?

– Digamos que conto com força bruta. Você não vai querer saber no que estou metido. Mas acredite quando lhe digo, o que tenho nas mãos é maior do que o poder de Lucien Fournier. Aliás, é por isso mesmo que estou te ligando. Se eu destruir a fonte de poder desse francês, ele nada será além de um homem fraco.

 – Não tenho medo do Fournier. Minha preocupação é o sócio dele.

 – E ficarei contente em eliminá-lo também.

  – Então sugiro que a força bruta da qual dispõe seja extremamente poderosa.

O americano deu uma risadinha do outro lado da linha.

 – É uma mulher.

Ioan soltou um palavrão em russo.

 – Devo supor que esta mulher é russa, por acaso? – ele conhecia a fama bruta das mulheres russas, e seu poder de destruição em massa. Mulheres, não se podia mexer com elas em sua terra!

 – Ela é uma mistura exótica, meu amigo. Não vai querer trombar com ela.

 – Eu espero que tenha razão. – fez-se uma pequena pausa. – Que Deus me ajude! Vou ajuda-lo, Halle.

 – Eu agradeço, velho amigo. E irei lhe pagar um dia.

 – Só o fato de poder me libertar dessa opressão e ver minha filha de novo já me conforta. E se, por acaso estiver mentindo, eu te caço nos confins do inferno. Sendo amigo ou não!

 – Não vou enganá-lo. Bons amigos é para se manter. Agora, conte-me o que sabe.

Ioan passou a mão na cabeça raspada, suspirando, e começou a contar as informações que fora instruído a manter secretas.

 – Ivo Morzov. É o homem que ajudou o Fournier conquistar todo esse poder. Ele era apenas um traficante renomado na época, um ex-integrante da máfia. Acredito eu que foi expulso por suas ideias tresloucadas. Ouvi dizer que a polícia estava atrás dele faz tempo, mas nunca reunia provas o suficiente. É um desgraçado de sorte. Lucien deve ter ouvido falar na reputação dele, pois foi o próprio francês quem veio procura-lo. Ao que eu soube, eles uniram forças e Lucien financiou o roubo do laboratório.

Como bem sabe, eu estava encarregado da segurança do lugar e quando a coisa ficou feia, era eu e mais oitenta homens quem foram ordenados a destruir o laboratório. Mas a limpeza não aconteceu. Morzov subornou um dos senadores de Kiev e a história da limpeza se espalhou, foi garantido que não havia qualquer tipo de perigo espreitando as ruas. Todos os testes foram destruídos e todas as drogas contidas.

Mas é claro que isso não aconteceu. Os experimentos continuam sendo feitos e as drogas estão cada dia mais valiosas. Alguns cientistas se recusaram a continuar no trabalho, mas antes que tivessem a oportunidade de denunciar o esquema, foram silenciados – o que prejudicou um pouco o negócio.

Eu e minha tropa fomos mantidos aqui dentro, cuidando da segurança interna. Não sei como aquele cretino do Morzov conseguiu subornar meu sargento. O fato é que nada sai daqui. Nunca. Somos mantidos prisioneiros e é exigido silêncio absoluto. Lucien quase não comparece nas instalações, mas sempre há homens dele para pegar as mercadorias.

Tudo o que eu sei é que Morzov tem o controle absoluto desta operação e de metade da cidade. Seu acordo com o senador lhe proporcionou um poder absoluto, ele superou até mesmo a máfia. O maldito é intocável!

– Não por muito tempo. – Halle disse. – Meu amigo, preciso que me dê todos os horários de funcionamento, incluindo entrada e saída de funcionários.

 – O que pretende fazer?

 – Vamos destruir este lugar.

 – Halle, isso não será fácil. Há vidas…

 – Nenhuma delas estará em jogo se me disser o que lhe pedi.

E foi exatamente isso o que Ioan fez.

Ele desligou o celular, pensativo, e se preparou para iniciar seu expediente. Que Deus o ajudasse! E que a mulher de quem o americano falou fosse capaz de acabar com todos aqueles desgraçados.

 

New York

 

Halle desligou o celular e voltou os olhos para Cherry.

– Agora é sua vez.

– Isso vai ser complicado. – ela disse e seu sorrisinho dizia claramente que estava adorando aquela aventura.

– Tenho certeza que sua amiga dará conta de tudo.

– Não somos amigas.

Cherry apanhou o celular da mão de Halle e discou um número.

 – A minha franguinha favorita. – Meera atendeu na primeira chamada, a voz ronronante.

 – Mercenária.

 – A que devo a honra de sua ligação? Veio me informar, com detalhes, de como obteve informações sobre Vedrana?

 – Ainda não. Na verdade eu estava pensando se não estaria interessada em mudar de ares, deixar a França por um tempo.

 – Parece-me interessante. O que tem em mente?

 – Kiev.

Meera soltou um palavrão.

 – Por que não sugere lugares quentes e com praia? – resmungou a mercenária. – O que quer que eu faça lá?

 – Preciso que destrua um laboratório de testes farmacológicos. A segurança é extremamente bruta, assim como os poderosos envolvidos nisso. Mas acho que uma mercenária consegue dar um jeito nesse pequeno problema.

 – Parece divertido. Posso ficar com as drogas que encontrar por lá?

 – Você pode destruir tudo.

 – Qual seu interesse nisso, franguinha?

 – Neutralizar uma pessoa. O laboratório, talvez você já tenha ouvido falar nele.

 – Delta L I. Já fui paga para tentar roubá-lo.

 – E você falhou?

 – Não seja ridícula. Eu apenas me recusei a roubar as drogas para um babaca irresponsável.

 – Não sabia que mercenárias tinha escrúpulos.

 – Algumas vezes nós temos. Considere feito. Agora são dois favores, franguinha.

 – Vamos ver como posso lhe pagar depois. E, Meera, sem mortes de inocentes.

 – Não vou tocar em ninguém que me pareça inocente. – ela garantiu e desligou o telefone.

Cherry depositou o celular em cima da mesa de vidro.

– Ela aceitou.

– Mas é claro que sim. – Halle sorriu. – E agora? O que faremos?

Cherry apanhou suas duas pistolas.

– Agora nós caçamos o francês.

*-* *-*

O museu Willoughby Éclatant estava silencioso e quase vazio àquela hora. Muito diferente da última vez que Cherry esteve ali. Ocultos pelo prédio antigo na esquina da outra rua, ela e Halle se preparavam para bater um papinho com o francês.

Halle observava a faixada do museu com um binóculo enquanto sua parceira terminava de checar as pistolas que levariam. Nada de armamento pesado para aquela noite. Seriam rápidos e discretos… Ao menos era assim que ele pensava que seria.

– Tudo limpo. Nem sinal da galerinha da outra noite. – Halle informou.

– Seguranças?

O caçador deu um sorrisinho.

– Lucien não tem seguranças.

– Mas que má sorte… Para ele.

– Acho que ele não precisa se preocupar muito com a segurança uma vez que é bem protegido. Acha que o pessoal com quem ele fechou negócios o deixaria assim vulnerável? – Halle apontou para uma área um pouco acima das portas pesadas do museu.

– É uma câmera. – Cherry observou, fazendo pouco caso. – Todos os lugares públicos têm uma.

– Não esse tipo de câmera. É uma pequena cortesia de alguns traficantes. Instalam uma câmera como essa e esperam que alguém tente invadir. A câmera dispara um tipo de alarme e a cavalaria é acionada.

– Então parece que vamos ter companhia.

– Não se eu puder evitar.

Eles passaram pela entrada do museu com agilidade. Halle parou num ângulo estranho para a câmera, mantendo-se escondido de sua lente perceptiva. Ele retirou um alicate do bolso, desencapou alguns fios na caixinha preta e os cortou. O ponto luminoso da câmera oscilou e finalmente se apagou.

– Você é um chato. – Cherry resmungou enquanto adentravam pela porta principal. – Vive cortando meu barato.

– Vai ter oportunidades para se divertir lá dentro. – Halle deu uma piscadinha.

A área ampla onde ficavam as exposições era impecável. As pinturas um tanto assombrosas naquela semiescuridão e silêncio. Eles caminharam pelos corredores ornamentais, tomando o cuidado de não esbarrar em nenhuma escultura. Podiam ver as luzinhas vermelhas do alarme cercando cada obra de arte, abraçando-as em seus braços protetores.

Mas afinal de contas, quem pensaria em roubar as artes daquele francês?

Cherry seguiu Halle até os corredores estreitos dos fundos, que levavam diretamente às salas de lazer. O único som presente era o das águas caindo nas fontes de pedra que enfeitavam o lugar. Eles sentiram aroma de cravo, a essência passeando pelos corredores numa bruma misteriosa e Cherry ocultou um espirro. Maldita alergia fora de hora!

Ela empunhou sua pistola, procurando por qualquer sinal de perigo com seus olhos astutos enquanto Halle lhe dava cobertura. O silêncio era sufocante.

Encontraram Lucien em uma das salas privadas. O francês estava levemente recostado em um divã damasco, lendo um livro de capa dura. Ao seu lado, na mesinha redonda de vidro estava um copo de whisky pela metade, pousado cuidadosamente num porta copos.

A sala ampla e muito bem decorada contava com uma fonte enorme de pedra, dando um ar grego àquele ambiente lustroso. O piso era de mármore claro, as cortinas de veludo roxo e haviam sofás elegantes de vários lugares num tom pastel. Tudo muito bem organizado para os convidados VIPS.

Mas no momento quem desfrutava de toda aquela tranquilidade sofisticada era Lucien Fournier… A presa que estava prestes a conhecer sua caçadora.

Cherry não foi delicada ao apontar a Sig Sauer diretamente para ele, fazendo questão de destravar a arma com um click.

O francês ergueu os olhos para ela, observando que tinha não apenas uma, mas duas companhias. Ele não pareceu surpreso, tampouco amedrontado. Abaixou o livro pacientemente e retirou os óculos que usava, depositando-os no colo.

– Ah, a caçadora da noite. – disse ele, num reconhecimento amistoso. E então se levantou.

Lucien era um homem intrigante. Sabia-se que tinha seus quarenta e tantos anos, mas o rosto não revelava os números exatos. Os traços eram firmes e atraentes, a barba por fazer lhe dava um ar elegante e não desleixado, como em alguns homens. E aqueles olhos verdes eram incrivelmente lindos, muito parecidos com esmeraldas.

Ele deu um sorriso paciente, esperando que seus invasores dissessem algo.

Foi Halle quem quebrou o silêncio.

– Caçadora da noite?

– É como alguns amigos vêm chamando sua parceira. – seu olhar se demorou em Cherry, analisando-a.

Ela se empertigou, firme em sua postura ofensiva, a pistola ainda apontada para o sujeito.

– Temos perguntas a fazer. E, acaso não tenha notado, tenho uma arma apontada para a sua cara. Então sugiro que se sente e fique quietinho.

– Oh, sim. Eu percebi sua Sig Sauer. Ouvi dizer que gosta muito delas. Sinto muito, sua arma não me amedronta, se essa é a sua intenção. – o francês voltou-se para a mesinha redonda ao lado do divã. – Importa-se se eu terminar minha bebida?

– Ele é um sarrista. – Halle disse e sua voz sugeria que aquilo não era um elogio.

– Sou cortês. – Lucien o corrigiu. – Muito diferente de vocês dois que invadiram minha propriedade e tentam me ameaçar com uma arma. Se queriam conversar, bastava terem batido na porta. Eu os atenderia de bom grado.

– Ah, disso eu duvido. – Cherry disse.

– Eu sabia que viria atrás de mim, querida Von Kern. Seu tio a enviou para recusar o acordo que propus, só posso supor.

– Isso não tem nada a ver com a Família.

Surpresa passou pelos olhos do francês.

– Não? Então de que se trata? Confesso que não entendo sua presença aqui para algo além de uma conversa turbulenta sobre negócios da Família.

– Vedrana Jovanović. Esse nome lhe é familiar?

– Nunca o ouvi antes. – Lucien teve a audácia de mentir.

– Resposta errada. – Cherry apontou a pistola para o lindo divã e atirou, abrindo um buraco grotesco na almofada macia.

O desgosto foi visível na expressão de Lucien, seu semblante se fechou.

– Não há motivos para ser rude, menina. Seja boazinha ou nos desentenderemos. Não vou tolerar que destrua minha propriedade.

– Estou morrendo de medo. – Cherry provocou.

Lucien deu um sorrisinho duvidoso.

– Não vai querer se meter comigo. Seja pacífica e prometo retribuir na mesma educação. Continue a devastar minha propriedade e lhe ensinarei bons modos.

– Parece que é você quem não sabe com quem está mexendo, francês.

– Na verdade eu sei. Conheço sua reputação, Cherry Vicious.

– Então sabe o que é melhor para você. Vou perguntar mais uma vez: Vedrana Jovanović. Onde ela está?

– Eu não tenho a mínima ideia a quem você se refere.

Quem atirou desta vez foi Halle, destruindo a linda estátua acoplada à fonte.

– Vamos, Lucien, sabemos o quanto você ama suas obras de arte. Não queremos destruir tudo. Por que não facilita?

– Cherry, Cherry, Cherry… – o francês sorriu. – Deveria saber que eu nunca facilito.

Num segundo tresloucado, Lucien se jogou para frente e deu um chute na cara de Halle, fazendo-o cambalear e perder o controle da pistola. Ele se voltou para a outra invasora muito antes dela poder reagir, interceptando a arma dela e a agarrando pelo pescoço num aperto de aço. Seus olhos eram mortais, e ele a arremessou no ar.

Cherry se chocou contra o vidro temperado de uma das paredes, estilhaçando-o. Os cacos impiedosos lhe cortaram as costas e as palmas das mãos quando caiu sobre eles. Ela mirou o francês com ódio lascivo.

É, parece que tinha subestimado a capacidade de Lucien Fournier em ser um bom lutador.

Maldição!

Ela se levantou do chão, chacoalhando o corpo e fazendo cair os caquinhos de vidro. Sua expressão era letal. Pelo canto do olho viu Halle se recuperar, tentando apanhar sua pistola de volta.

Mas é claro que Lucien estava preparado para isso! Aproximou-se com rapidez e chutou longe a Glock prateada.

– Eu prefiro que não fique com isso. – disse ele, muito tranquilo para alguém que acabou de chutar traseiros.

– Isso não vai me impedir de lhe dar uma boa surra! – Halle ameaçou, furioso.

– Na verdade, Caçador, eu prefiro que você fique de fora deste combate. – Lucien disse, apanhando uma pistola pequenina do bolso do paletó e atirando no adversário.

Os fios elétricos engancharam na carne do pescoço e imobilizaram Halle num choque de alta voltagem, desmaiando-o sem nenhuma consideração. O corpo se estirou no chão, imóvel.

– Maldito! – Cherry soltou um grito e avançou contra o francês.

Eles se chocaram bruscamente. Cherry conseguiu acertá-lo duas vezes no rosto e acabou levando uma porrada no estômago, curvando-se em dor. Lucien aproveitou-se daquele seu momento de fraqueza e tentou se sair correndo.

Cherry o agarrou pela canela, puxando um canivete de dentro da bota e arrebentando o tendão dele com um corte fundo.

Lucien gritou, desferindo um golpe bem no rosto dela. Mancando, o francês se afastou, deixando um rastro de sangue.

Cherry riu como uma diaba e se levantou com um salto, pronta para ir atrás daquele filho da puta! Ela o agarrou pelos cabelos no meio do caminho e eles mais uma vez se atracaram, chutando-se e socando-se numa brutalidade infernal.

Lucien deu um murro na boca da garota e apossou-se dos lindos cabelos platinados, arrastando-a até a fonte destruída, onde tentou afoga-la. Cherry se debatia, lutando contra a pressão que mantinha sua cabeça dentro d’água.

Para o inferno! Não ia morrer daquele jeito pelas mãos de um puto francês!

Reunindo o que ainda lhe restava de fôlego e forças, ela deu uma cabeçada para trás, atingindo-o com força no nariz. Lucien cambaleou, libertando-a de sua fúria. A assassina não se limitou em sua agilidade, chutou-o quando ainda tentava se recuperar do outro golpe.

– Cadela! – Lucien riu como um lunático, afastando-a com um empurrão. – Sabe, eu quase poderia respeitá-la por isso.

Cherry deu um sorrisinho, assumindo uma pose ofensiva de lutadora. Ela balançou os dedos, convidando-o a avançar novamente num claro desafio.

– Venha, francês. Vou lhe dar uma chance de se vingar pela surra que lhe dei.

Lucien a encarou com diversão e, como um touro confrontado pelo cetim vermelho, avançou contra sua pequena desafiadora.

Cherry oscilou com o impacto, puxando-o para o chão mais uma vez. Ah, aquilo estava virando um hábito horrível! Ela deu uma cambalhota, arremessando o corpo dele do outro lado da sala. Levantando-se com pompa, apanhou a pistola deixada no chão e a mirou diretamente para a testa do atrevido.

Lucien se mexeu, pouco à vontade, encurralado. Seus olhos fitaram o cano da Sig Sauer com respeito e ele chegou a sorrir.

– Onde estávamos mesmo? – Cherry perguntou. – Ah, sim… Vedrana. Conte-me o que sabe sobre ela.

– Eu não vou dizer nada, pequena invasora.

– Ah, você vai sim. – Cherry puxou um cigarro de sua jaqueta e o acendeu com uma mão só enquanto segurava a pistola com a outra. – Sabe, eu fui capturada pelos russos há um tempo atrás e conheci uma velhinha muito simpática. – ela soltou a fumaça sensualmente. – Aprendi como fazer os outros falarem sem precisar de muito. Aquela velha era muito persuasiva. Acho que posso ser tão boa quanto ela.

Cherry tirou o cigarro dos lábios e o aproximou do rosto de Lucien, os olhos brilhando com diversão. O francês se encolheu, mirando-a com ódio.

– Tem certeza de que não quer falar?

– Isso é tudo o que tem, menina? – ele parecia achar graça.

Cherry apagou o cigarro na orelha dele, fazendo-o gritar.

– Ah, Fournier. Você nem imagina o que eu tenho para te fazer falar. – seu sorrisinho maligno congelou a alma do sujeito.

– Vai me matar? – Lucien riu. – Não tem ideia do poder que ostento nesse momento! Você não sairá viva daqui se tocar em mim.

Cherry puxou uma adaga ornamentada do cano da bota e se agachou para encarar o francês, deslizando a lâmina afiada ameaçadoramente pelo rosto dele.

– Acontece que eu já tenho gente cuidando desse pequeno problema para mim. Em breve você não terá nada além de sua carcaça estraçalhada. – ela aproximou o rosto do dele. – Agora, vai me responder o que eu perguntar ou terei que retalhar seu lindo rostinho?

Aqueles olhos verdes esmeralda a encararam de volta, o pavor espreitando as pupilas levemente arregaladas. E como ele se esforçava para manter aquele semblante divertido!

– Você invadiu minha casa, destruiu minha propriedade e aqui está me ameaçando. Deixe-me retribuir a afronta oferecendo verdades que irão destruir sua alma…

*-* *-*

Kiev

Meera caminhou elegantemente pelo corredor de concreto, passando pelos corpos estáticos sem nenhuma consideração. O sangue se empoçava sob sua bota, vermelho vivo. Mas ela não se importava com isso. Sangue era vitória. Sua vitória.

Matara todos naquele pavilhão. Todos os guardas e cientistas ambiciosos que não quiseram se render e sair dali. Uma pena! Que desperdício. Cherry havia dito para não matar ninguém desnecessariamente e, por mais que fosse excitante desafiar as regras da assassina, Meera concordava com o pedido.

Ela limpou a espada na echarpe que usava, manchando-a de sangue. Atravessou o corredor, vendo as luzes piscarem como se previssem alguma coisa, e teve acesso às portas duplas e impecáveis do laboratório tão almejado.

Meera invadiu com a espada em punho, tinha uma pistola presa ao coldre da cintura caso precisasse, mas era com a espada longa que ela provocava mais estragos. Aquela belezinha de titânio lhe conferia força, agilidade e uma morte rápida.

O ambiente estava vazio – como ela previra. Cientistas espertos. Não estavam dispostos a morrer pela ambição de outros.

Ela baixou a espada, assumindo uma expressão tranquila. Seus passos foram lentos, sondando o ambiente esterilizado e bem organizado. Havia várias mesas, geladeiras, centrifugas e outras parafernálias utilizadas por aquele pessoal inteligente. Para uma mercenária, tudo aquilo não passava de lixo.

Ah, exceto pelos pequenos experimentos em tubinhos cintilantes.

Meera se aproximou de uma das geladeiras transparentes. Em suas prateleiras havia centenas de tubos pequenos contendo aquele líquido verde tão conhecido…

Chegaram a lhe oferecer mais de um milhão por apenas um daqueles tubinhos. Uma pena que ela tivesse que destruir tudo.

Meera abriu a porta do refrigerador e retirou tudo o que encontrou lá dentro, depositando as drogas em cima da mesa de alumínio. Seus olhos astutos não demoraram a encontrar as outras drogas guardadas naquele laboratório.

Uau! E como tinha material naquele lugar!

Imagine só se decidisse vender aquelas porcarias. Poderia se tornar bilionária em poucos minutos.

Meera deu um sorrisinho, tentada.

Mas não estava ali para isso. Aquelas drogas eram letais e o mundo estava cheio de pessoas capazes de destruir umas às outras, não precisavam de uma ajuda extra. Uma arma daquelas nas mãos do ser humano certamente causaria uma destruição em massa. E fora por isso que a mercenária não aceitou a oferta de roubá-las.

Ela apanhou um vidro de líquido viscoso e o derramou sobre os frascos e papelotes em cima da mesa, observando-os se deteriorar lentamente enquanto assoviava uma música qualquer. O cheiro forte que subiu pinicou seu nariz e ela teve que se afastar para não vomitar.

Houve um pequeno estouro e então as substâncias continuaram a se destruir.

Satisfeita, Meera se afastou, apanhando seus novos e letais brinquedinhos que carregava numa pequena mochila preta. Ela retirou pequenas caixinhas negras conectadas a vários fios ameaçadores – os melhores explosivos já inventados. Seus brinquedinhos particulares aos quais apenas ela e outros membros da Ordem tinham acesso. Pequenos, fáceis de carregar e com um poder de detonação inimaginável.

Ela os organizou estrategicamente em cada canto da sala, certificando-se de liga-los e programa-los, como havia feito no restante do prédio. Seu andar era pura elegância felina, as botas ecoando no piso de ladrilho. Antes de abandonar o laboratório, ela deu um pequeno aceno ao local numa despedida.

Conforme andava novamente pelos corredores em meio aos corpos, a mercenária voltou a assoviar aquela música intrigante.

O vento frio foi um alívio em seu rosto quando finalmente alcançou a saída. Seu carro roubado a estava esperando, com todo luxo que uma Ferrari costumava proporcionar. Ora, se era para ir àquele país de merda, que fosse com estilo! Ela gargalhou internamente, divertindo-se demais com toda aquela operação. Sangue foi ofertado em abundância à sua leoa interior, aplacando a fera por alguns minutos.

Meera deu uma última olhada para a construção à sua frente e então apertou o pequeno botão triangular do detonador.

O prédio explodiu, fazendo voar pequenos escombros por todos os lados enquanto aquela bola gigante de fumaça se apoderava do antigo laboratório, consumindo-o em suas chamas mortais.

A mercenária se voltou para a Ferrari vermelha, pouco se importando com o fogo letal que começava a se espalhar pelo lugar. Uma verdadeira assassina, fria até a medula.

Ela entrou no carro e pisou no acelerador, deixando para trás escombros, fogo e morte.

*-* *-*

New York – Museu Willoughby Éclatant

Cherry não estava muito certa sobre o que Lucien queria dizer com verdades que destruiriam sua alma, mas apenas um pouco de pressão de sua adaga no rosto dele o fez começar a falar.

– Vedrana Jovanović. Eu a conheci quando era uma jovem ambiciosa á procura de riquezas no Marrocos. Era extremamente sedutora para uma mulher das Terras Médias, impossível não se apaixonar. Caí nas garras dela e foi quase impossível me livrar das teias de cetim que ela teceu tão delicadamente para me aprisionar.

Com o tempo e confiança perfeita descobri que a jovem Vedrana não pertencia às Terras Médias e sim à Sérvia. A pobrezinha fora arrancada dos pais quando tinha apenas nove anos e forçada a pedir esmolas nas ruas desoladas de Kragujevac. Um monge turco a encontrou e teve pena da menina, levando-a para seu lar em Istambul. Ela cresceu no meio da maior Ordem do Oriente Médio e quando teve idade o suficiente para decidir, uniu-se aos treinamentos dos Monges Assassinos.

Quando foi expulsa da Ordem por não se qualificar, ela tentou a vida no Marrocos, mais uma vez conhecendo a pobreza das ruas. Eu a encontrei nesse meio tempo e a acolhi sob minha proteção e riqueza. Como eu disse antes, Vedrana nada tinha de inocente e sua ambição me cativava.

Eu fiz dela uma verdadeira rainha, realizando seus mais singelos desejos e vendo-a radiar diante de tanto luxo. Sempre fomos maravilhosos juntos, conquistando grande poder. É uma criaturinha especial essa, uma mulher rara de se encontrar!

O francês ergueu seus olhos para Cherry e um meio sorriso se fez em seus lábios feridos.

– Você está atrás de Vedrana porque foi ela quem matou seus pais.

Embora não tivesse sido uma pergunta, Cherry se viu obrigada a responder.

– Sim.

Lucien gargalhou.

– Ouvi dizer que você era uma vingadora. Que estava atrás dos rastros que os assassinos deixaram. – ele riu mais uma vez. – Nunca esteve tão certa, menina! Vedrana matou seus pais.

Cherry sentiu seu corpo enrijecer.

– Ela sequer se incomodou em contratar alguém para fazer o serviço. Arquitetou o plano, sozinha e puxou o gatilho, eliminando aqueles que estavam tão próximos ao seu coração sem qualquer piedade.

– Onde ela está! – Cherry gritou, cravando a adaga na perna do maldito francês. A lâmina atravessou a carne e se prendeu ao chão.

Lucien soltou um grito de dor e a surrou no rosto.

Cherry girou a adaga em resposta, ouvindo-o se contorcer em agonia. Desta vez, ele não ousou revidar. O sangue empoçou no chão, escorrendo pelo piso marmóreo numa visão aterrorizante.

– Diga-me, seu filho da puta! Onde ela está?!

– Mais perto do que você imagina, minha adorável vadia! – Lucien disse, arfante.

Ele respirou algumas vezes, com dificuldade, e então um sorriso louco se espalhou por seu rosto contorcido de dor.

– Depois que conquistou toda riqueza almejada, Vedrana prometeu me ajudar a destruir todos aqueles que estavam no poder. Eu queria o poder só para mim e minha linda esposa estava mais do que disposta a me ajudar a se livrar de todos aqueles que estavam em meu caminho. Mas para isso ela precisava mudar de identidade, não seria sábio ter um passado tão turbulento como Vedrana Jovanović. Então ela renasceu, adotando um novo nome, uma nova vida e uma nova essência.

Lucien fitou Cherry nos olhos.

– Se está procurando por Vedrana Jovanović, deve procurar dentro de sua própria casa. Ela se esconde dentro da sua amada tia!

Cherry recuou, absorvendo aquelas verdades insanas.

– Devo admitir que Alline é um nome fraco se comparado á majestade de Vedrana. Mas não foi uma escolha minha. – o francês continuou. – Assim como não foi escolha minha ela se casar com Klaus Von Kern. Ah, o tão admirável mafioso nórdico. Mal sabe ele que não passa de um corno! Um mero objeto nas mãos delicadas e habilidosas de Alline.

Cherry avançou sobre Lucien, apossando-se do pescoço dele. Ela puxou a lâmina cravada na coxa dele e a apontou novamente para o rosto.

– Está mentindo!

– Por que eu faria isso? – Lucien a desafiou. – Olhe você mesmo para as mãos dela. As marcas deixadas pelo ácido da pólvora estão lá. É claro que pesquisou sobre as consequências de se puxar o gatilho de uma Skyph limitada para colecionadores.

– Por que você a entregaria assim tão fácil?

– Pelo simples prazer de vê-la matar você e destruir toda a sua maldita família. – Lucien deu uma risadinha. – Ah, Cherry, você é uma tolinha! Você e sua família. Enquanto ofereciam luxo, amor e uma posição de prestígio à titia boazinha, ela os traía perversamente e passava as noites fodendo comigo. Vocês, Von Kern, nunca foram tão miseravelmente traídos.

– Você deveria saber que nos vingamos com impiedade dos cretinos que se metem conosco.

– Isso eu quero ver. – Lucien provocou, arrogante.

O sorriso que Cherry deu foi de congelar a alma.

– Ah, mas você não vai ver. – ela disse e cravou a adaga em um dos olhos dele, extraindo-o das órbitas.

Lucien gritou e seu grito reverberou por todo o lugar, assombroso. Ele se debateu, desesperado, segurando o rosto que vertia sangue.

Cherry o imobilizou com um puxão, segurando a cabeça dele com firmeza. Cruel, ela enfiou a adaga novamente, extraindo o outro olho enquanto o francês gritava desenfreadamente. Ela o empurrou no chão, deixando-o se lamentar a perda da visão e dignidade. Apanhou os olhos do chão e os guardou no bolso.

Lucien se arrastava pelo chão, desorientado. Seus gritos eram um lamento assombroso.

– Vadia! Maldita cadela escandinava!

Mas aquilo estava longe de intimidar uma assassina como Cherry Vicious. Ela fuçou no casaco da jaqueta que usava, retirando uma pequena ampola com um líquido verde e viscoso. Aproximou-se do francês.

– Gostaria que pudesse ver o que tenho nas mãos. – a voz dela o assustou, fazendo-o recuar instintivamente. – Isso é uma pequena amostra de poder que você ofereceu ao corno do meu tio, como você o chamou a pouco. Engraçado como esse pequeno vidrinho pode causar um estrago muito maior do que a morte.

Lucien recuou bruscamente, arrastando-se para longe daquela maluca ordinária. O medo era visível em seu rosto manchado de sangue.

– Ah, eu não quero que você se afaste. – Cherry o segurou pelo cós da calça, com muita facilidade. – Hoje vou lhe proporcionar o que você queria distribuir nas ruas. Seu império chega ao fim esta noite.

Lucien se moveu rápido dando uma cotovelada que a acertou no rosto. Cherry cambaleou, desorientada. Aquele pequeno momento de distração foi o suficiente para o inimigo a agarrar pelo pescoço e a imobilizar no chão, apertando sua garganta com uma fúria lasciva.

– Acha que porque estou cego sou incapaz de te matar? – ele rosnou, babando de raiva. – Maldita!

Cherry se debatia, tentando se livrar do maldito aperto que a levaria a morte. Mas aquele cretino estava com tanta raiva que sua força parecia a de cem homens. Seus olhos se arregalaram nas órbitas, quase pulando para fora. O ar se foi e tudo o que restou foi aquela ânsia dolorosa por mais oxigênio. Os olhos dela lacrimejaram. Não era possível que fosse morrer daquele jeito!

Mas sua aflição durou apenas mais alguns segundos.

O som de um disparo se fez ouvir e Lucien deu um grito, soltando- a.

Cherry lhe deu um murro no nariz e o empurrou com força. Ela olhou para onde o tiro havia sido disparado e seus olhos se encontraram com os de Halle. O caçador ainda estava no chão, um tanto desorientado, mas sua mira ainda era perfeita.

Cherry voltou sua atenção para o maldito francês, apanhando de volta a ampola verde. Puxou a pequena agulha embutida e a cravou no pescoço do inimigo, sem nenhuma piedade. Lucien gritou e se contorceu, mas era tarde demais. A Sílica já estava em seu sistema e em poucos segundos começaria destruí-lo por dentro.

A assassina se afastou cambaleando.

– Que diabos fez com ele? – Halle olhava para Lucien com espanto, vendo o cara agonizar em desespero.

– Arranquei os olhos. – Cherry disse, impiedosa. – E agora ele está provando do veneno que queria distribuir.

Halle não disse nada. Permitiu que Cherry o apoiasse nos ombros e o ajudasse a sair dali. Eles deixaram Lucien para trás, perturbado com seus próprios demônios enquanto seu cérebro era lentamente degenerado por aquela droga cruel.

– Não vou comentar nada sobre você ter arrancado os olhos dele… – Halle começou, assim que estavam dentro do carro.

– Eu tive meus motivos. E se não tem estômago para isso, dê o fora. – tanto o olhar quanto o semblante de Cherry eram sombrios.

– Lamento ter perdido toda a diversão.

– Ah, você terá muita diversão esta noite, pode apostar. Vamos caçar a cadela que matou meus pais!

Ela pisou no acelerador.

Kiev – boate Tantsy kiska

Ivo Morzov mal podia acreditar que ganhara um encontro privado com a dançarina morena. A cadela havia entrado no palco e rebolado até o chão, expondo aquele corpo sarado e delicioso para quem quisesse ver. Mas foi nos seus olhos que ela olhou quando arrancou a última peça de roupa, jogando a minúscula calcinha em seu colo. Minutos depois um segurança veio a seu encontro dizendo que a bela e misteriosa dama queria um encontro privado com direito a tudo. Uma dolorosa ereção foi a resposta que teve quanto àquela proposta. Mas é claro que estava disposto a um encontro privado, inferno!

Eram raros ali naquela boate, mas Ivo sempre era um dos sortudos que podia foder as stripers. E como ele gostava disso! Um dos benefícios de seu novo status.

Ele entrou no pequeno quartinho privado decorado em vermelho, esticando-se preguiçosamente no sofá e esperando sua bela dama chegar. Abriu os botões da camisa social, deixando seu peito à mostra. Livrou-se dos sapatos e desabotoou a calça jeans, quase liberando seu amiguinho.

A cortina de contas foi afastada e lá estava seu docinho!

Meera sorriu, atravessando a cortina num rebolado audacioso. A lingerie bege de renda em nada combinava com a assassina que era, mas lhe dava um ar de sedutora exótica. Ela avançou contra o homem esticado no sofá, tomando-lhe a boca num beijo agressivo – o que só serviu para animá-lo.

Ivo a tocou com urgência, deslizando as mãos pelo traseiro firme e avantajado. Mas foi detido pela mulher.

– Não, não, não. Sou eu quem vai foder você hoje… Literalmente. – A mercenária deu um sorrisinho e então revelou a espada longa e afiada, cravando-a na carne macia do sujeito.

Operação Delta L I cancelada com sucesso.

Continua

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8 comentários em “A Garota Má (Pt.9): Verdades insanas

  1. Você já é profissa, nem preciso falar muito kkkk ó, tá pegando fogo cada vez mais, to gostando de ver essas máfias, a Cherry metendo o pé na bunda de todo mundo e esses personagens que vão aparecendo, com personalidade própria, muito bem construídos! Parabéns! Mais uma vez, adorei a Cherry!

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  2. Gente, que loucura! Confesso que estava desconfiando que a Alline pudesse estar envolvida, mas receber a revelação assim, tão direta, foi como uma bofetada! Capítulo lindo, cheio de glamour e sangue. Incrível como você consegue misturar as duas coisas tão bem. E o ritmo de tudo é indescrítivel…

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