Enchatriagge (Pt.6) – Efimar

Enchatriagge (Pt.6) – Efimar

Escrito por Lillithy Orleander

navio-pirata

Eu me levantei aquela manhã sem me lembrar exatamente o que havia acontecido.

Me lembro de ouvir Niacksa gritar, mas só ouvi o som da chuva torrencial  que sobre   nós caia e a voz de Lugha, nítida como o som dos oceanos me chamando e me fazendo dele servo como sempre acontecia.

– Você está bem?

 

– Por que eu não deveria estar bem, Ann? Deixe de preocupações à toa.

 

E decidi sair para o convés para respirar, Minófelis me olhava de um jeito diferente e apenas me cumprimentou com a cabeça.

Ela vinha saindo da cabine do capitão, e parecia meio preocupada. Os vincos de sua testa demonstravam isso e Mhina parecia nem notar suas expressões quando estava preocupada. Ela era um tanto fria e parecia tão imponente, mas com o passar dos dias eu logo percebi  a fragilidade que ali habitava e também a doçura…

 

-Fique longe dela, entendeu Lucas. Mhina lhe atrai e o destruiria da mesma forma que ocorreria o inverso.

 

Eu á via de uma forma amigável, mas nem por isso deixava de vê – lá como de fato era para mim e para os outros homens, mas no meu caso eu tinha que ficar longe. Os passos decididos caminhavam em direção ao timão e seu capitão. O saiote púrpura dançava sobre os pés descalços enquanto o vento parecia acariciar a face rosada. Eu sonhava com Mhina, mesmo sabendo que o que nos aguardava poderia ter um fim não muito agradável aos olhos alheios. Pietro e Lugha estavam ao longe, sentados em um canto escondido do velho barco deitados um no colo do outro, como se fossem crianças olhando e encontrando desenhos nas nuvens, era uma esfera diferente e quase palpável ao redor deles.

Eles pareciam se entender na simplicidade e parecia que o fato de algumas horas atrás  não havia existido. Ela estava com o cabelo trançado e ria de algo que Pietro dizia. Estava tudo tão calmo que a letargia veio até mim em forma de sono…

 

“Lucas! – a voz me chamou novamente como acontecia desde criança, a névoa começou  a tomar forma. Uma moça vestida de verde, de rosto escondido e um longo  cabelo alourado, sorria e caminhava em minha direção.

 

– Quem é você?

 

– Sou Nyathcirqè, sou aquela que espera o nascimento dos Imperians á gerações. E sinto que é chegado o momento de unir vossas forças para o que deve ser feito. É chegado o tempo meu querido Lsojalf, a batalha está para começar. Sangue nobre se derramará vocês serão caçados e corações serão destroçados como poeira nas mãos daquele que vem trazer a má noticia. Mas o sacrifício é necessário, pois de vocês nascerá a ordem e será encontrado o que a humanidade esqueceu durante eras…

 

Acordei assustado e me perguntando ao o que  aquele ser se referia.

O mar ainda estava calmo e parecia que as tempestades e os vendavais haviam sumido de nossa presença e eu não sabia por que. A noite se aproximou e o céu carregado de estrelas se despedia da Lua Cheia que aos poucos minguava para seu próximo estagio de renascimento. Auster se juntou a mim e parecia meio confuso sobre o que dizer. Eu ainda não confiava nele e o fato de ver como ele agia em relação à Mhina me incomodava. Ninguém percebia ou parecia não notar, mas ele gravitava ao redor dela como se ela fosse algum astro celeste, era notório e o desprezo dela por mais que ela tentasse não convencia, muitas vezes, nem ela mesmo. Eles pareciam imãs.

 

– Você se lembra o que aconteceu na noite anterior?

 

– Do que você está falando?

 

– De você e Lugha, na tempestade e do que aconteceu. Olha ninguém parece ter coragem pra falar e eu não gosto de ficar sem entender as coisas como se nada tivesse acontecido. Minófelis os chamou de Imperians e eu quero saber aonde é que me meti.

 

 

Eu ri do embaraço de Auster ao comentar o fato, eu começava a recordar aos poucos os detalhes do que havia ocorrido, e também já tinha notado que Minófelis nos olhava pensativo.

 

– Deixe pra manhã Auster, vamos nos juntar aos demais e comer algo, estou faminto.

 

Os tripulantes e trabalhadores do barco começavam a cantar canções de suas terras e tocar instrumentos variados, acenderam alguns archotes para iluminar enquanto os outros comiam.

Despreocupadamente Ann se levantou e foi dançar uma balada alegre que ela dizia ser de nossa aldeia, eu era tão pequeno quando as pessoas cantavam e usavam a música para contar nossa história que eram poucas as que eu me lembrava. Niacksa deu um riso meio torto e soltou os cabelos indo também bailar com Ann. Os passos ritmados faziam todos bater palmas e beber um pouco mais. As luzes dos archotes pareciam ganhar vida e o sorriso estava estampado em nossas faces como se já não houvesse mais com o que se preocupar e o perigo tivesse ficado deixado de existir no momento em que começamos nossa nova jornada.

A próxima foi Lugha, que arrastando Pietro pelo convés o ensinou alguns passos a ele  de modo que ele pudesse dançar de acordo com a batida da música. As palmas aumentavam e todos agora dançavam, só Auster parecia não querer se misturar, apenas observando de braços cruzados, escondido nas sombras. A música se findou e o trabalhador que cantava começou dessa vez uma canção cadenciada e melancólica, todos haviam sentado, mas então ela se levantou. Uma vez mais descalço, de cabelos soltos e vestida em uma saia rodada carmim e uma blusa de mangas até o cotovelo, que deixava os ombros a mostra, de mesmo tom. No pescoço de Mhina, reluzia um medalhão dourado, presente de Lugha, com um lindo rubi incrustado em forma de gota. Ela puxou a saia até o joelho e começou a dançar suavemente. Movendo as mãos no sentido do vento, enquanto seus passos eram medidos pelo som do alaúde. Ela rodopiou no ar curvando – se para trás como se seu corpo tivesse molas, antes que uma de suas mãos pudesse tocar o chão e a outra a cintura novamente Auster tomou sua frente e a segurou, as chamas dos archotes aumentaram.

A música pareceu se tornar mais quente, enquanto Auster segurava Mhina diante de si como se fosse seu dono, e eu por um mísero instante fiquei com raiva. Eles pareciam um, Mhina fechou os olhos, enquanto a mão de Austter apoiava – lhe as costas trazendo seu rosto de encontro ao dele. Os lábios dos dois estavam tão próximos que ali todos podiam sentir o quão palpavel era o que unia os dois. Ela então voltou à razão, olhou dentro dos olhos de Auster e enrubesceu se desvencilhou dos braços dele, se desculpando. Auster ainda tentou segura – lá, mas minha fúria era tão grande que o segurei com uma força que não era minha, e o arremessei na escada.

 

– Tire suas mãos dela.

 

– Lucas, pelos céus, não! – Gritou Niacksa.

 

O mar ao fundo pareceu se levantar para atender ao meu pedido. O céu se cobriu em nuvens espessas e escuras, tornando a noite um breu. O vento cortava o céu com força e chicoteando os cabelos de Mhina que agora virou – se para olhar o que acontecia.

 

– Lucas? – ela me perguntou assustada.

 

Eu pisquei algumas vezes e sai de perto de todos me trancando na cabine de Minófelis.

 

– O que está acontecendo comigo?

 

Eu me encolhi feito criança embaixo da janela, Mhina abriu a porta e entrou. Eu ainda sentia algo estranho fervilhar em mim.

 

– Você está bem? – foi tudo o que ela me disse indo sentar – se ao meu lado.

 

– Estou eu não sei o que aconteceu.

 

Os olhos assustados pareciam invadir meu corpo e minha alma, eu sequer pensei e deixei o calor fazer morada em meu peito, meu corpo e minha mente.

Eu encostei minha mão fria em seu rosto quente, afastando o cabelo.

 

– Mas já estou melhor, me desculpe Mhina…

 

Mhina não teve tempo de se mover eu fui mais rápido e puxei com delicadeza seu rosto em direção ao meu. O calor primeiro me consumiu e encheu cada pedaço de meu corpo de forma dolorosa.

Eu beijava Mhina, um beijo doce e que parecia envenenar cada célula de meu corpo, mas eu não conseguia solta – lá mesmo enquanto suas mãos me empurravam e pareciam me queimar. Ela conseguiu afastar seus lábios do meu:

 

– Lucas, você está louco. – ela me olhava transtornada e então um círculo de fogo subiu ao nosso redor feito uma parede e pareceu engoli – lá.

 

Quanto a mim, senti com se navalhas me cortassem a carne, causando uma dor Eu gritava com mais força e a plenos pulmões, mas o fogo parecia entrar em minha boca e me queimava por dentro, era horrível. Eu senti a morte tocar meus olhos pela primeira vez na vida e enquanto meus olhos se fechavam, para o que parecia ser minha última visão o fogo cessou.

Niacksa gritava, Ann corria e Mhina chorava.

 

– Joguem – no ao mar!

 

Foi tudo que ouvi, senti várias mãos tomarem meu corpo e em seguida o frescor das águas. Como era bom.

Eu dormi…

 

 

-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

 

– Eu não queria machuca – lo, eu nem sei por que ele fez aquilo. Niacksa por favor, ajude – o.

 

– Fique calma Mhina.

 

Foi tudo o que Niacksa me disse e Ann saiu me levando como se eu fosse uma doente. Eu estava tentando entender o que acontecia, Lucas sempre fora – me muito bom e então do nada aconteceu o que até eu mesma desconhecia. Lucas foi tirado da água, e os ferimentos pareciam bem menores, mas ele ainda Os dias passavam e ninguém ousava tocar no assunto, o único a se manifestar foi Minófelis.

 

– Nunca viu Fogo e Água darem certo em união…

 

E saiu contando os passos desejando que Lucas se levantasse logo. O mar começou a emanar uma névoa gélida depois de dez dias e nada de Lucas, ele apenas dormia.

 

– Estamos próximos de Efimar. – nos disse Minófelis.

 

Estávamos todos juntos e então Auster tomou a palavra.

 

– Minófelis?

 

– Sim.

 

– Você passou a chama – los de Imperians, você pode nos dizer por que.

 

 

E Minófelis passou seu posto ao timoneiro para sentar – se um pouco mais próximo a

nós.

 

 

“Meu povo nasceu em meio a histórias contadas pelos antigos e por muitos forasteiros que em nossas terras chegavam Em uma delas conta – se a história do retorno dos Imperians. Filhos da criação. Eles viriam da água, do fogo, do ar e da terra e teriam o poder de fazer os descrentes acreditarem e de mudarem toda uma nação. A profecia conta que quando os quatro estivessem unidos, haveria uma força que os levaria para cumprir seu destino. Mas também haveria a força que iria querer a destruição e  para tanto tentaria tomar posse do Fogo para que este se tornasse escravo para subjugar  e destruir os demais. O sacerdote os esperaria durante muitas Luas e Sóis, transformado em pedra em seu    templo  para que pudesse guia – los ao caminho que deveria ser seguido. Sendo assim a Mãe Terra daria a honra de um espadachim guardar seus ossos para usa – los em favor dos Imperians como guardião e defensor – e apontou para Auster, que olhou com se desacreditasse do que ouvia – Virá também àquele que vê o passado, o presente e as coisas vindouras.”

 

– Você só pode estar brincando comigo, então você quer dizer que eu vim parar aqui e que não foi por acaso?

 

– Você possui a arma criada a partir dos ossos da Grande Mãe e você ainda dúvida?

 

– É só uma espada…

 

– Você já se perguntou como está espada foi feita e como chegou a sua família?

 

– Sempre foi de minha família e… – Auster pareceu se lembrar de algo – a profecia.

 

Auster então decidiu nos contar sua história e os espaços e vácuos que nos

perturbavam com relação a ele, começaram a sumir.

 

– Então essa é a nova geração de Imperians. – Sorriu – nos Minófelis.

 

-Eu… – era Lucas que depois de dias acordava.

 

-Lucas. – disse Ann – como você está minha criança? Se refez do acontecido?

 

Os olhos azuis brilharam como acontecia antes quando o conheci e ele sorriu coçando sem jeito o alto da cabeça.

 

– Eu acredito que sim.

 

Lucas sentou – se para observar o mar e passou a tarde toda ali, sem ninguém perto e em  silêncio. A noite caia uma vez mais e alguns de nós começavam a se enrolar em roupas mais quentes, coisa que eu não precisava fazer.

 

– Mhina, posso falar com você? – me perguntou um Lucas um tanto cauteloso.

 

– Claro. – eu sorri sem jeito, mas o acompanhei até a popa do barco e me aproximei da amurada e fiquei olhando o mar.

– Eu gostaria… Eu quero lhe pedir desculpas, pelo incidente de alguns dias atrás.

 

– Não tem problema, foi só um mal entendido, passou…

 

– Você gosta dele, não é.

 

– Como?

 

Auster nos olhava de soslaio como se nos vigiasse. Eu olhei de Lucas para ele fingindo não entender a pergunta, afinal nem eu mesmo sabia o que me motivava a sentir tanta coisa por uma única pessoa.

 

– Não.

 

Lucas uma vez mais tomou meu rosto em sua mão e me olhou fixamente. Eu vi a mesma coisa acontecer novamente.

 

– Eu não vou machuca – lá, mas tente deixar de ser cega e de tentar se proteger de si própria Mhina. Todos nós sentimos de longe o que cerca você e ele quando vocês estão próximos. Eu gosto de você, e meus instintos me tornaram irracional, não era aquilo  que eu queria. Preste atenção. Lucas me deu um beijo na testa em sinal de respeito e me deixou pensando no que ele acabava de me dizer. Eu ainda observava o mar quando olhei para o céu e vi as estrelas.

As sombras de uma nova terra chegavam aos nossos olhos em meio a escuridão, traçando silhuetas sombrias. Montanhas altas se levantavam e Niacksa se aproximou de mim.

 

– Vai esfriar mais, em breve.

 

– Eu não sinto frio, mas prometo tomar cuidado com a temperatura. – eu disse tranqüilizando – a

 

 

Ela pareceu não se importar e ficou por ali calada ao meu lado a esperar e assim como eu observando o nada e pensar no que nos aguardava na nova jornada. Sarifh virou somente uma memória deixada para trás ninguém mais se quer mencionava seu nome ou se importava com as atrocidades que ele poderia causar.

 

 

– Atracaremos quando o dia raiar. – disse Minófelis – espero que as moças tenham trago agasalhos o frio de Efimar pode matar quando não se foge dele.

 

Niacksa saiu e foi para perto de Lucas que parecia também não sentir o frio se Pietro, Lugha e Ann foram deitar e somente alguns de nós ainda passeávamos pelo Logo foi a vez de Minófelis e o timoneiro assumiu seu lugar, a por fim Lucas e Niacksa. Restando somente eu e Auster. Eu ainda olhava o mar quando ele se aproximou.

 

– Você deveria se deitar e descansar o dia pode ser longo amanhã.

 

– Eu não preciso que você se preocupe comigo. – eu já ia virando as costas e saindo quando ele segurou meu braço.

 

– Você me mata todas as vezes que me ignora.

 

Eu tentei tirar meu braço de sua mão, mas ele não me largou.

 

– Me solta ou eu vou ter que gritar! – eu tremia e ele de cabeça baixa sem olhar em meus olhos apenas sussurrou.

 

– Eu gostaria que tudo fosse diferente Mhina, eu gostaria que você fosse só mais uma entre tantas, mas é mais forte do que eu. O seu calor e o seu cheiro me deixam cego…

 

– Eu não sei do que você está falando, me solta…

 

– Você sabe sim, você sentiu da mesma forma que eu senti.

 

Auster me puxou mais para perto e me olhou nos olhos como se estivesse lendo cada reação minha. Eu estava nervosa e uma parte de mim me mandava ficar calma enquanto  a outra me pedia para fugir.

 

– Você pode me odiar, você pode me desprezar pelo resto da minha existência, você pode até  me matar mi Lady, mas essa noite eu morrerei feliz.

 

Ele me enlaçou a cintura mesmo enquanto eu tentava empurra – lo para longe, não com grosseria, com meiguice, ele levantou meu queixo, me olhou uma vez mais e só me disse uma coisa.

 

– Você é única Mhina…

 

O beijo foi devagar e sem urgência, eu não tentei mais resistir eu nem queria mais isso. Ele apertou meu corpo de encontro ao seu e o calor emanava dele assim como o que habitava dentro de mim. Era doce, suave e sutil.

Era, pela primeira vez em anos, sem malicia. Eu enlacei o seu pescoço enquanto ele me pegava no colo e me levava até a cabine do timoneiro. Ele me desceu do colo ainda entre beijos na face, no pescoço e no ombro. Nos deitamos no chão mesmo, na madeira fria que a mim não incomodava, com o cheiro da maresia que me inebriava, com o cheiro de avelãs e calêndulas, era o cheiro de Auster.

Eu me entreguei á ele e esqueci até por qual motivo eu o repudiava.

 

– Minha Mhina… – era tudo o que ele dizia enquanto eu trazia seu corpo mais para

perto do meu…

 

-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

 

 

– Auster…– eu a ouvi sussurrar entre um beijo e outro.

 

Tudo parecia um sonho onde eu era agraciado por tê – l á ao meu lado. O fogo que antes eu esperava fulminar – me não veio, mas a mulher doce que em meus braços  se encontrava parecia se render a cada toque meu, e seu corpo me era tão conhecido que era – me difícil crer que um dia não tivéssemos pertencidos um ao outro. Nenhuma mulher se igualaria a ela, ela era diferente de tudo e nem mesmo uma vida boêmia como a minha, parecia fazer sentido depois de Mhina.

 

 

– Eu a amo Mhina, desde o dia em que te vi. – uma lágrima correu de seu olho e tive medo de tê – lá machucado ou que talvez ela tivesse respondido á um impulso carnal.

 

Era o fim do sonho, eu peguei a lágrima com um dos dedos e fiquei olhando.

 

– Por que tinha que ser você Mhina? É confuso e complicado, mas eu a amo… Não entendo seu choro.

 

Ela se levantou e abraçou – me o pescoço e sorriu um riso tímido, beijou – me a face.

 

– Eu estou feliz, mi Lord.

 

– Você me assustou.

 

Eu a sentei em meu colo e ali ficamos olhando pela janela, como viemos ao mundo, enrolados em uma manta olhando o véu da noite. Ela adormeceu em meus braços e o cheiro de damas – da – noite me hipnotizava ainda mais. Ela era linda.

O dia amanheceu e quando dei por conta da claridade e estendi a mão para os lençóis ela já não estava mais no quarto.

Os dias no mar estavam me deixando louco e eu estava imaginando coisas ou ela havia mesmo estado ali?

 

– Minófelis?

 

O barco parecia vazio, foi o próprio timoneiro que me respondeu. Saíram todos, assim que o barco atracou no porto devem estar na cidade, precisavam comprar algumas coisas antes de recomeçar a viagem e não quiseram te acordar. Eu me vesti o mais rápido que pude e saí de encontro á eles.

 

-Auster, aqui. – me gritou Pietro sorrindo

 

– Onde estão os outros?

 

– Por aí, a cidade é grande então nos dividimos para comprar o necessário, e decidimos nos encontrar no barco antes que Minófelis parta, ainda há coisas lá para pegarmos.

Você parece estar um pouco melhor hoje.

 

– Sim a noite foi fria, mas consegui dormir bem.

 

Pietro não era indiscreto e se sabia de algo não iria dizer aos demais. O frio não escondia a alegria do povo de Efimar que mesmo congelada e completamente branca tinha sua beleza a mostrar. Os montes altos e alvos, refletiam a luz do Sol fazendo a cidade parecer  banhada por milhões de cristais. Pietro fez sua parte e decidiu voltar para o barco e não tendo mais o que fazer ou comprar, decidi voltar com ele, quando estávamos saindo do mercado aberto, uma senhora me parou e me entregou o que parecia ser um bilhete.

 

 

“Auster, Velho amigo vejo que decidiu conhecer as maravilhas de Sim, está cidade tem lugares perfeitos para encontrar uma boa dama… No entanto eu só desejo uma e estou prestes a conseguir. Adeus companheiro, Sarifh”

 

 

Meu coração saltou desesperado no peito, como ele havia conseguido nos encontrar e Mhina, pela cidade sozinha á mercê de Sarifh, ela não. Ela já me havia tirado Keramidhê.

 

– Pietro, Sarifh nos encontrou… – Pietro arregalou os olhos e correu.

 

– A essa hora todos já voltaram para lá Ann, Lugha…

 

Estávamos os dois correndo por algo naquele instante por mais que ele soubesse que também corria perigo. Encontramos Lucas no caminho que nos olhos sem entender o porquê da correria.

 

– Sarifh. – Gritou Pietro antes mesmo de chegar perto de Lucas.

 

Nos olhamos os três sem dizer palavra. Quando chegamos ao barco o silêncio se fazia presente o único que nos esperava era Mairittiá.

 

-Onde está todo mundo?

 

– Mestre Sarifh levou Mhina, mas deixou – me para lhes dar um recado e então ele puxou a corda do mastro.

Lugha estava amarrada dos pés á cabeça desacordada.

 

– Acalmem  – se essa aí ainda está viva, pelo menos por enquanto. Quanto a Minófelis, ele não quis ajudar muito então…

 

Dois homens corpulentos de roupas puídas e cheirando mal o trouxeram já muito machucado, os homens o soltaram e Minófelis caiu de joelhos, cuspindo sangue.

 

– Eu não me importo de morrer aqui e agora, mas matem Sarifh e tragam de volta nossa  origem .

 

Minófelis não teve tempo de falar mais nada, Mairittiá puxou uma espada e cravou em suas costas, fazendo com que ela atravessasse o corpo do capitão, Pietro não pensou duas vezes e em fúria atacou o servo de Sarifh, enquanto eu e Lucas davamos cabo dos grandões.

 

– Maldito eu acabo com você! – Pietro socava o homem se piedade e arremessando – o para fora do barco, o homem caiu no chão úmido pelo gelo e tentava se arrastar para fugir da morte.

O bom Pietro não estava mais ali.

Segurou a cabeça do homem pelo pescoço e o afundou no chão deixando – o cada vez mais sem ar. Uma voz grave fez se ouvir movida pelo ódio e nós paramos  para ver o que iria acontecer a seguir.

Lucas tentou para – lo, mas ele o empurrou para longe e disse para que não nos

 

– Agora me diga, seu porco imundo onde está Niacksa, Ann e Mhina? – mas o homem não respondia, Pietro o levantou do chão e nós ouvimos quando o estalo de algo se chocou com o chão e o homem gritou.

 

– Vou perguntar mais uma vez, onde estão elas? – o homem tornou a se calar já entre lágrimas, Pietro repetiu o golpe e dessa vez pudemos ver o sangue escorrer pelo nariz e orelhas.

 

– Estou lhe propondo viver, pois no próximo golpe eu vou mata – lo. Onde estão Ann, Niacksa e Mhina? – o homem engasgava sangue e Pietro o virou de bruços para que ele pudesse cuspir o que o sufocava e pudesse falar.

 

 

– As mulheres não voltaram somente Mhina foi levada, mestre Sarifh a quer a qualquer custo, ele me deu dinheiro quando um de seus informantes disse que havia visto Niacksa negociar com Minófelis e partiu antes de vocês para espera – los aqui e captura – lá.

 

– Para onde ele a levou?

 

– Para a gruta da Almas Condenadas, ele vai usar o corpo para trazer a coisa que está lá e precisa do fogo de Mhina, vai usa – lá e depois mata – lá.

 

 

– Tem algo mais que eu deva saber?

 

– Não meu senhor, misericórdia.

 

– Você teve misericórdia ou piedade por Minófelis? Eu acredito que não, portanto… –

Pietro soltou o corpo no chão se levantou. – Eu não terei a mesma para com você.

 

E terminou de afundar o homem na terra que estranhamente começava a engolir o homem como se estivesse viva, devorando Mairittiá que gritava por socorro, até que os gritos cessaram.

Ele entrou no barco, desamarrou Lugha e a deitou na cabine que pertenceu a Minófelis, eu e Lucas mesmo tenso, arrumávamos o corpo de Minófelis para queimar o mais rápido possível no mar enquanto Ann e Niacksa se aproximavam as pressas quando viram o sangue.

– O que foi que aconteceu aqui?

 

Em poucas palavras vi as faces de Ann mudar de cor enquanto Niacksa parecia mais fria e objetiva, reunia os poucos pertences que tinham e os dos demais.

 

– Vocês estão esperando um convite formal para queimar o barco ou terei que fazer tudo sozinha?

 

Saímos do barco e viramos as costas para o madeiro que agora ardia em chamas. Pietro carregava Lugha ainda desmaiada nos braços e então caiu ao chão com ela.

Niacksa o olhou e sorriu.

 

– Olá Pietro?

 

Ele a olhou sem entender e nós também, rapidamente ela nos disse o que acontecia.

 

– Quando vocês assumem o que realmente são o ser que habita em vocês é quem governa suas ações, portanto quando a sua razão volta para seu corpo vocês se lembram de poucas coisa e de pequenos fragmentos.

O que vocês vão fazer quando encontrarmos o templo é separar os seres de vocês e no mínimo tentar sair vivos.

Aquilo era uma missão suicida.

Sarifh tinha Mhina para soltar sabe – se lá o que, e não hesitaria em mata – lá quando acabasse, Pietro tinha um personalidade assassina e todos nós até o fim da jornada estaríamos mortos.

O que no restava agora?

A Gruta das Almas Condenadas.

Continua

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