A Lenda do Cigano Pirata

Escrito por Saul Guterres

Bom dia povo mágico, hoje conto a vocês, mais uma lenda sobre o magnífico povo cigano. Essa lenda possui vários relatos por todo o mundo, cada um contando a sua maneira, fazendo com que a lenda cresça ainda mais. Então vamos lá!!

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Dizem que, por volta de 1200, na Espanha, todos os que não pertenciam ao Catolicismo eram perseguidos pela Igreja e tratados como hereges. Sendo assim em um dia, perto do local onde hoje fica a cidade Vigo alguns padres avistaram um acampamento cigano muito bonito. Aos seus olhares aquele local era uma antro de perdições e maldicentes, pois aquele povo vivia como se não houvessem leis e cultuavam a lua em suas danças pagãs. Temendo que os jovens da igreja se misturassem com aquelas pessoas eles resolveram tomar uma atitude. Chamaram o rei que morava naquelas terras e ordenaram que todos fossem queimados como hereges. E foi nesse cenário que o acampamento de ciganos foi
dizimado, restando apenas uma mulher e seu filho pequeno. Estes escaparam pois estavam fora da aldeia em busca de água para seus
amigos, pois logo abaixo do acampamento havia um belo lago.

Quando estavam retornando viram chamas tão altas que parecia cobrir o céu, temendo pela vida de seus amigos a cigana agarrou o menino em seu colo e saiu em direção ao vilarejo. Chegando lá ela se deparou com o pior, havia muitos soldados que estavam com suas espadas massacrando a todos e queimando seus corpos em uma grande fogueira. Aos olhos da cigana caíram lágrimas de revolta, tristeza e dor, pois quando criança ela já havia presenciado uma cena parecida. E decidida, antes que os descobrissem naquelas rochas, ela pegou o seu filho e saiu em direção ao mar. Na fuga, acabam chegando ao litoral de uma praia deserta e ficaram ali durante o fim do dia. E ao escurecer avistaram um grande navio, como homens diferentes, mas bondosos. Eles eram piratas que ali acampavam. Ao embarcarem, eles contaram a sua história aos homens ali presentes quee apiedados daquela tragédia acolheram eles em seu navio. Dois meses depois a cigana falece, vítima de cólera, e o menino passou a ser criado pelos piratas. O pequeno cigano tornou-se homem e, consequentemente, assimilou o modo do vida dos piratas.

Participou de muitas batalhas para garantir a sobrevivência. Certa vez, por um acaso do destino desembarcaram na mesma praia em que o menino fora achado. A Igreja, então, trocava favores com os piratas e o rapaz pode livremente chegar à vila, onde conheceu
inúmeras pessoas e mulheres lindas. Perto da vila, havia um acampamento cigano, que só entrava na vila em dia marcado, para apresentação de seus serviços artesanais, musicais e teatrais. Porém era extremamente proibidos a eles fazerem seus rituais naquelas terras, caso contrário sofreriam a ira dos padres.

O jovem pirata tomado por um impulso de ver gente como os do seu sangue foi ao acampamento e contou sua história, sendo muito bem recebido por todos. Naquela semana, sempre que podia, o jovem ia ao acampamento, para passar o tempo com seu povo e para ver a bela cigana, de nome Carmelita, A qual se apaixonou. Pelas guloseimas que a moça lhe ofertava secretamente, o rapaz sabia que era correspondido, porém sabia que era um amor impossível, pois ele jamais poderia ficar apenas naquele lugar.

Quando chegou o momento do rapaz partir para novas aventuras no mar, ele implorou que Carmelita o seguisse. A jovem, desesperada de amor, queria partir com o pirata, porém sofria por pensar em abandonar a família, principalmente, por estar comprometida. A moça, então, solicitou um sinal aos céus.

No dia marcado para a fuga, Carmelita, ainda de madrugada, correu à praia. Levava um bolo feito com mel. Chegando próximo à praia, percebeu que nuvens escuras esconderam o brilho da lua, tornando-se difícil caminhar em terreno tão acidentado. Mesmo assim, a jovem continuou seus passos, até que prendeu o pé numa fenda de pedras e ali ficou, chorando desesperada, vendo o navio dos piratas partir. Já distante da praia, o pirata, que nascera cigano, também chorava, tentando enxergar algo no litoral, até que o brilho da lua retorna e o rapaz pode ver de longe a bela jovem presa nas pedras. E sem raciocinar, o rapaz mergulha para salvá-la, pois a maré enchia e logo cobriria todo o local onde estava presa a bela jovem.

Nesse tempo, aflitos, os pais de Carmelita procuravam pela jovem, até que a encontraram. Estava quase desfalecida, tremendo de frio, Carmelita ainda olha para trás e pode ver seu bolo boiando nas águas escuras. E avistou alguém que via de longe nadando sobre as águas também. Ao chegar ao local, o rapaz só encontra o lenço que cobria o bolo e, chorando muito, retorna ao navio, acreditando que a bela jovem morrera afogada. Por isso, nunca mais retornou àquela praia. Mas guardou o lenço até o dia de sua partida desse mundo.

Com o passar do tempo Carmelita casou, teve filhos, mas nunca se esqueceu do que vivera naquela praia. Por isso, até mesmo idosa, todos os anos ofertava um bolo ao mar, para pedir proteção para o homem cigano, que era pirata, e a quem amara ardentemente, e para celebrar a eternidade do amor, que permaneceu em seu coração. Já o cigano pirata, jamais se casou, apenas teve seus romances. Sempre que encontrava alguma aldeia, ele pedia para que lhe fizessem um bolo com sabor de mel, para jamais esquecer o sabor do beijo de Carmelita.

FIM

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