A noite de Halloween

Escrito por Saul Guterres

Bom dia gente, que tal um conto de terror? Foi me passado através de um amigo viciado em histórias de terror! Vamos lá!

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A noite de Halloween

Era noite de Halloweenm a lua cheia brilhava forte no céu. No seu bar de costume Arthur bateu o copo de pinga com força no balcão  e se despediu do atendente gordo que enxugava alguns copos do  outro lado. De pé, ele notou que o mundo estava girando  incontrolavelmente, o porre do dia havia sido “bagual” como  gostava de dizer. Ele saiu do bar e virou à esquerda. Caminhou algumas quadras  pelas ruas esburacadas e mal iluminadas quando se viu diante de  um cruzeiro. A sua esquerda, uma mata densa e perigosa que tinha  uma trilha pequena que o levaria até a fazenda onde trabalhava de  peão e morava com sua esposa e filhos. A sua direita uma estrada de chão batido que o levaria ao mesmo destino, mas demoraria uns quinze minutos a mais e as outras estradas dariam nas fazendas seguintes. Normalmente ele não pensaria duas vezes, iria pela estrada que era segura que o guiaria certamente a sua casa, ele tinha medo não somente de se perder, mas também dos animais
famintos que o teriam como presa fácil. Mas naquele dia resolveu ir pela trilha.

“Se eu ficar na trilha eu me não me perco, chego em casa mais cedo para encher de sopapos aquela vadia que se diz minha esposa.” – disse excitado. Logo pensando em abusá-la como fazia sempre que estava alcoolizado.

O álcool não deixava o medo controlar Arthur que foi caminhando em direção a mata.“Ô seu Arthur.” – Escutou o bêbado de longe. Quando olhou para trás viu um dos outros peões correndo em sua direção. Sem dizer nada ele olhou para o homem que se aproximava.

“Ô seu Arthur, onde tu ta indo seu louco?“

“Onde você pensa seu bocó? Pra casa né!“

“Se eu fosse tu eu num entrava ai não. Tu sabe que tem gente que morre ai por essas bandas e gente que desaparece também!”

“Era só o que me faltava, vai te catar, eu quero chegar em casa logo.”

E Arthur seguiu seu caminho ignorando o rapaz que continuou protestando até perceber que não teria nenhum resultado. A escuridão aumentava a cada passo que ele dava, a mata se  fechava ao seu redor e a trilha pouco a pouco desaparecia. Arthur  quis voltar, mas quando olhou para trás se deparou com a escuridão. Agora ele já não sabia em que direção tomar ou mesmo  em que direção estava.

“Sabrina eu vou te matar sua desgraçada, é tudo culpa sua, eu vou te matar.” – gritou o bêbado culpando sua pobre esposa por seu próprio erro.

Após o grito a natureza parecia mais viva do que nunca. O barulho de animais, insetos e plantas eram claros agora, pareciam chamar seu nome. Arthur se virava de um lado a outro tentando ver alguma coisa e com medo de ser atacado. Algo se enrolou em sua mão o prendendo em uma árvore e ele gritou novamente, um vaga-lume pousou em seu ouvido e ele ainda gritando deu tapas fortes e descontrolados em sua orelha tentando retirar o bicho que zumbia cada vez mais alto. Agora ele tinha certeza de que estava sendo atacado, sentia que vários insetos subiam por sua perna e muitos outros zumbiam ao seu ouvido. Desesperado ele chorou.

Para o seu terror passos fortes e altos vinham em sua direção. Seu  maior medo havia se tornado realidade e ele seria atacado por um lobo, onça ou qualquer animal feroz e carnívoro que estava pronto para comer uma presa fácil.

“Sabrina, eu só queria chegar em casa.” – repetiu o nome da esposa chorando.

“Arthur É tu??” – disse uma voz conhecida.

Em um passe de mágica tudo desapareceu, os insetos já não subiam por suas pernas ou zumbiam em seus ouvidos. O que lhe prendia a mão à arvore já não estava lá. A escuridão aos poucos foi dispersando e ele novamente podia ver as silhuetas das plantas e da pessoa que se aproximava.

“Sabrina, ainda bem que tu veio me encontrar. Eu achei que eu tava perdido, minha imaginação estava me pregando uma peça das boa.”

“Eu escutei seus grito e vim te encontrar. Agora vem, vamos pra casa logo”

Os dois começaram a andar pela mata. Sabrina na frente mostrando o caminho e Arthur seguindo enquanto elogiava a mulher por salvá-lo. Ela por sua vez andava rápido e ficou calada a maior parte do tempo somente respondendo com um “uhum” as perguntas do bêbado. Enquanto isso, Sabrina, a esposa de Arthur, conversava com um amigo de seu marido em sua casa. Ele contava a ela que Arthur havia entrado na mata, estava bêbado e descontrolado. Isso havia mais de uma hora e com certeza ele estava perdido porque o trajeto não demorava mais do que dez minutos. Ela sabia que não havia nada a ser feito a não ser esperar até amanhecer e ir procurá-
lo. Com a mão no rosto Sabrina chorou por horas seguidas, apesar de seu marido não ser perfeito ela o amava e seus filhos também. Por isso ela não queria perdê-lo.

“ Eii Sabrina, eu sei que eu tava perdido, mas porque tamo demorando tanto? Se eu tava tão longe de casa assim como tu me escutou?” – questionava o bêbado.

“Estamos chegando, logo logo tu vai chegar em casa, veja a luz ali.” – respondeu a mulher.

Arthur olhou para frente e viu uma luz branca em meio a vegetação. Afobado ele saiu correndo em direção ao seu destino. Quando ele passou pela ultima árvore ele levou um susto e parou imediatamente com medo de perder sua vida. Por pouco ele não caiu no penhasco a sua frente.

“Sua desgraçada. Tu ta tentando me mata? – gritou Arthur olhando a mulher que ainda estava caminhando em sua direção.

Sabrina não disse nada e continuou caminhando em direção a Arthur que esperava que ela se aproximasse para dar-lhe umas bordoadas. A luz da lua cheia iluminou o rosto daquela que supostamente era sua esposa. Para o terror dele, quem o guiou para fora da mata não foi sua esposa, mas uma figura que ele não podia imaginar o que era. O rosto lembrava uma mulher misturada com um cavalo com olhos grandes em formato elíptico, mas coberto de escama vermelha. O corpo parecia humano, mas era coberto de pelos negros e brilhantes. No lugar dos pés havia um par de cascos. O ar que antes estava fresco e cheirava a plantas havia se transformado em
um ar pesado e denso, o cheiro de enxofre no ar era muito evidente para ser ignorado.

“Sai de mim” – tentou gritar Arthur.

Com uma velocidade inumana a criatura correu em direção a Arthur. Com um de seus cascos ela bateu no peito do homem que foi arremessado no precipício. O bêbado sentiu o casco bater em seu peito, seus pulmões não obedeceram a ordem de respirar. Seus pés saíram do chão e ele outra vez viu o mundo girar  descontroladamente. Arthur girou dezenas de vezes até atingir uma pedra que ficava embaixo do precipício. Seu corpo contorcido ficou estático e seu olhar petrificado. Sangue escorreu por debaixo de seu cadáver manchando a pedra de vermelho. Olhando com deleite lá de cima do precipício estava a criatura. Sorrindo com seus dentes grandes e pontiagudos. Ela diz ao espírito de José que esta sendo carregado por vultos sombrios enquanto se debatia e gritava.

“Não se preocupe, logo logo você vai chegar em casa.”

Fim

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6 comentários em “A noite de Halloween

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