Enchatriagge (Pt.2) – Histórias

Enchatriagge (Pt.2) – Histórias

Escrito por Lillithy Orleander

enchantriagge

Me levantei no dia seguinte em meio á um silêncio incomodo.

Levantei e não vi nem Ann e nem Niacksa, saí da tenda e o Sol já ia muito alto, passava do meio dia.

Foi então que vi Lucas sentado á beira do Oásis com os pés na água.

-Onde estão Ann e Niacksa?- perguntei como quem não queria nada.

-Dormindo em minha tenda. -ele respondeu sorrindo.

-Pensei que partiríamos cedo.

-Achei melhor esperar mais um pouco, foram muitos dias de viagem sem parar. Acho que elas merecem descansar. –ele se levantou e ia sair.

-Lucas, para onde iremos?

-Para o Sul, próximo ao mar, precisamos pegar um barco.

-Barco?- eu perguntei incrédula.

-Sim. –respondeu Niacksa saindo da tenda. -estamos a procura de outros, diferentes, iguais a vocês.

Passamos a tarde toda conversando banalidades. Ann me contava as rabugices de Niacksa quando pequeno, Lucas as deixava malucas.

Foi divertido me descontrair com aquelas pessoas de forma gostosa e sem medo.

A noite caiu e a fogueira começou a se apagar, mas eu ainda tinha uma pergunta.

-Vocês sabem o que eu ou, mas nenhum de vocês me disse o que o Lucas é.

Niacksa me olhou com desconfiança, como se tentasse adivinhar se havia algo ruim guardado para seu protegido em meus olhos.

Ann que havia saído a pouco tempo de nosso meio, voltou para me responder.

“Há muito tempo atrás nasceu uma moça muito especial. Ela tinha visões e previa o futuro, mas o todos desacreditavam, seus pais tentaram esconder tudo dos demais por algum tempo, mas a moça insistia em falar.

Até que as coisas começaram a acontecer.

Muitos tiveram medo e decidiram que para o bem da população era melhor mata- lá, para que ela se calasse, mas todas as tentativas foram inúteis.

Tentaram queima – lá viva, mas o fogo se recusou a cometer tal ato e por si só se apagou.

Jogaram- na no mar, mas este também se recusou a receber em suas águas um ato tão vil.

Tentaram sufoca – lá, mas como mágica,veio uma ventania e exterminou aqueles que queria lhe roubar o ar.

Por fim decidiram enterra- lá,mas assim que cavavam a cova a mesma se fechava, também e negando a receber o corpo da moça.

Vendo que não havia jeito e pensando que a moça era algum tipo de mal e que poderia amaldiçoar a aldeia, amarram – na e a deixaram para morrer de fome e sede.

A jovem resistiu por meses, até que sua pele começou a secar e a população notando o que acontecia,parava para zombar.

-Morra logo maldita e deixe nossa terra em paz! –e partiam rindo

Mas no eu último o dia de vida quando todos estavam em meio a praça esperando pela morte dela.

Ela ergueu seus olhos para todos eles e abriu a boca.

Dela, então, saiu uma esfera de água. Brilhante e cristalina e antes que a mesma começasse a tocar o chão, ela evaporou.

Abriu o máximo que pôde de seus olhos e os mesmos se juntaram para virar uma bola de fogo, que assim como a água caiu em direção ao chão, mas dessa vez a terra se abriu pra engoli – lá.

De seu último suspiro veio a profecia:

“Eis que agora nasceram os governantes da terra.por longos anos foram esperados e por longas eras serão idolatrados.

Quatro são os cantos do mundo,

Também quatro é são os senhores que lhes darão o valor do que é viver.

Sete é o número da sabedoria e desses novos filhos nascerá o futuro de glórias.

A cura, eles virão curar a cegueira da ignorância e iluminar as mentes pequenas.

Mas com eles chegará a guerra, e haverá um tempo que será necessário uni – los para que vossa raça sobreviva.”

A sua voz se calou e a pele se tornou poeira e foi carregada pelo vento.

Uma criança que a tudo assistia foi a única que viu quando os ossos da moça se uniram e formaram uma espada, um cimitarra. Ela gritava e só então todos olharam estarrecidos.

Um ancião do vilarejo se aproximou da espada e tentou levanta- lá do lugar, mas a mesma tremeu na mão do homem e se jogou no chão.

Por horas outros curiosos tentavam o mesmo e a espada repetia sempre o mesmo ato, até que por fim a criança que gritou se aproximou um tanto acanhada e pegou no cabo da espada, essa por sua vez não caiu e todos decidiram que deveria ser da criança.

A espada passou de pai para filho, até se perder no tempo.

O que aconteceu a moça acabou virando somente um mito e foi esquecido com o passar dos anos.”

Então Niacksa tomou a palavra quando Ann terminou, enquanto Lucas olhava para o Oásis admirado.

“Muitos anos depois, nossa tribo que vivia a beira dos lagos, começou a notar que nossas crianças ouviam o murmúrio das águas até uma determinada idade, e depois paravam.

Mas com a mãe de Lucas foi diferente.

Quando o pai de Lucas chegou, ninguém sabia de onde, tomou – se de amores por Hivany e ela por ele.

Muitos anciões tentaram demovê- lá da idéia, mas ainda sim ela decidiu se casar com o forasteiro.

Assim que o casamento foi consumado Hivany deixou de ouvir as águas, Meleagro pai de Lucas começou a passar horas e horas a beira do rio esperando sempre por algo que deixava muitos, preocupados.

Lucas então veio ao mundo, nasceu na água, sorrindo, sem choro e sem trazer dores á Hivany.

Meleagro, quando Lucas fez dois anos, decidiu partir e nos pediu para guardarmos a vida dele.

Com cinco anos Lucas ficou órfão, Hivany faleceu e em seu leito de morte nos contou por que Meleagro havia ido embora.

Meleagro na realidade, havia sumido nas águas em meio á luzes azuis e cantos indistintos e somente Hivany e Lucas presenciaram sua partida, ele prometeu a Hivany que quando ela partisse deste reino, ele mesmo a viria buscar, e que para isso seu corpo deveria se deixado na água quando ela partisse.

E assim foi feito, embora muitos não quisessem tal coisa.

Meleagro era o que Hivany chamava de Ljosalf*.”

Eu olhava perplexa de um para o outro, tentando ver se alguém me dissesse que era mentira e que aquilo era somente para me deixar confusa, mas todos continuavam sérios.

A Lua ia alta no céu quando Lucas se levantou e me estendeu a mão.

-Você quer ver? –me perguntou ele

Eu peguei sua mão e o acompanhei até o Oásis e soltou minha mão antes de chegar a margem.

Sentou – se de pernas cruzadas e começou a entoar um canto.

Lá estava a mesma voz grave outra vez, Niacksa queimava um incenso de perfume adocicado e a fumaça parecia envolver o corpo de Lucas.

O céu começou a limpar enquanto a nuvens sumiam e deixavam o espaço aberto para que a Lua iluminasse o Oásis por inteiro.

Em um determinado momento, ele entrou no Oásis com água até os joelhos, uma leve ondulação vinha até ele começando a encobri- lo.

Uma luz começou a surgir do meio do Oásis como se estivesse respondendo a intensidade do canto de Lucas.

Era lindo de ver e ouvir.

Um globo subia da água e lançava a luz em todas as direções, trazendo para dentro de si o corpo de Lucas que agora sofria pequenas mudanças, um cabelo comprido e negro e orelhas pontiagudas, os faiscavam no mesmo tom azulado da luz.

Lucas parecia outro ser dentro do globo.

Eu estava encantada, me sentia leve e minha vontade, por mais que meu calor repelisse aquilo tudo, era de entrar na água e mergulhar.

O canto hipnótico me chamava, eu então estendi a mão para tocar o globo, enquanto meu pés procuravam achar o caminho até lá, mas Ann me puxou.

– Venha criança!

Eu pisquei duas vezes e ó então me dei conta do que estava fazendo.

Lucas começou a descer e se desligar do globo.

A água descia torrencial como se fosse uma cachoeira em direção ao seu local de origem.

Lucas tocou a areia sorrindo, as luzes se apagaram e o silêncio da noite se fez presente.

Niacksa voltou para a tenda.

-Agora você entende por que somos iguais, mas diferentes? –disse-me Lucas sorrindo, como sempre.

Pude ver o cabelo sumir e a orelhas mudarem também antes mesmo dele deixar a água.

Ele entrou na tenda e se despediu.Ann me chamou para a tenda.

-Mhina,você quase se matou. – disse-me uma Niacksa preocupada

Eu a olhei sem entender.

-Como?

-Você caminhou até o meio do Oásis, de mão estendida, se Ann não te puxa, por pouco você não morre afogada. Não se entregue ao deslumbramento, criança. Ele pode nos levar a destruição.

Eu abri a boca para responder, mas percebi que minha roupa formava uma poça ao meu redor de tanto que pingava.

Ann como sempre prestativa, me pegou pela mão e me levou para trocar a roupa molhada.

Fomos nos deitar sabendo que a viagem do dia seguinte seria dura, só não sabíamos quanto…

 Continua

Comente, diga o que achou! Incentive o autor a continuar escrevendo novas histórias!

*NA: Ljosalf = Elfo

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