Surrender (Pt.9/Final) – Επανάληψη

Surrender (Pt.9/Final) – Επανάληψη 

Escrito por Lillithy Orleander

surrender

-Vamos Cahlis, me enfrente se tiver capacidade!

Ela voltava a gritar, eu não ia desistir, não queria mata-lá, mas agora era necessário.

Tudo e todos dependiam disso.

-Vá! – respondeu-me Órion- Eu e Heleanor damos conta do bichinho estranho.

-Vamos vencer tá e vamos voltar a nossas vidinhas. Cansei dessa palhaçada,já perdi gente que eu me importava e não quero perder mais ninguém,hora de vencer e voltar pra casa.

Sim, nós tínhamos casa, o nosso próprio descanso.

Nós o criávamos onde nos sentíamos bem ou onde havia uma lembrança agradável, era só usar nossa energia e tudo acontecia e da mesma forma tudo sumia.

Peguei novamente a foice e decidi esperar o primeiro ataque.

Thandelyan veio de espada em punho em minha direção.

Nossas armas tilintaram, e o som do trovão se vez ouvir, e teria feito o ouvido de qualquer ser comum, doer.

Ela me sorria mostrando os dentes, enquanto nossas armas se cruzavam.

Separamos-nos por um instante, tempo suficiente para que eu trocasse a foice por uma espada, que me pareceu mais adequada.

-Olha, ele sabe lutar! – ela riu histérica.

Ela não era um oponente fácil, nossas espadas se cruzavam  rapidamente e ela parecia adivinhar cada passo que eu iria dar.

“Direita, direita, esquerda, alto, direita, defende…”- eu pensava, ela parecia refletir o ataque.

Foi então que ela me feriu, perto da costela, senti o aço frio da espada e o gosto do sangue subir-me a boca.Senti-me enfraquecer e a visão se turvar.

-Veja a ironia, a morte sendo morta. Ah Mercador, você sabe o que está em jogo aqui?

Cuspi o sangue e ataquei novamente.

-Você não vai conseguir nada Thandelyan. Nada entendeu.

Gritei e voei em sua direção de espada em riste, ela não pestanejava em atacar e parecia saber cada uma das falhas de meus golpes. Ela me feriu no peito.

-No próximo ataque, lhe arrancarei o coração, maldito. E sabe por quê?

O pegarei pra mim e farei com que tudo que você defende acabe.

Eu serei soberana e todos me temeram.

-Cale a boca, maldita!

Eu temi, senti o meu medo invadir cada pedaço do meu corpo, que agora doía e sangrava pelas feridas causadas por Thandelyan.

Foi então que vi sua defesa abaixar. Ataquei, cortei seu braço e enquanto ela urrava de dor, voei por trás de suas costas e cortei metade de suas asas, mas ela foi mais rápida.

Puxou uma de suas correntes e lançou em minha direção enquanto eu tentava alçar vôo.

-Você agora será meu bichinho Cahlis.

Levantei a espada a tempo da corrente se enlaçar nela ao invés de mim, mas ela puxou com tanta força que minha espada voou longe.

Ela  lançou outra,enquanto eu tentava alcançar minha foice, mas era tarde demais e ela enrolou em meu pescoço, Thandelyan me puxava para próximo de si.

O que acontecia comigo? Thandelyan parecia mais forte.

Senti minha força se esvair aos poucos e a corrente antes negra, começou a ganhar um brilho estranho chegando até os dedos de Thandelyan,que parecia absorvê-la.

Só então entendi, ela estava sugando minhas energias.

O desespero tomou conta de mim, será que esse seria meu fim? Ela me olhava com os olhos injetados de ódio.

-Face á face, Cahlis! Eu posso ver seu medo, cretino. Posso senti-lo sufocando seu coração

Mas eu prometo que sua morte será tortuosa.

O riso macabro preenchia o ar, eu não podia entregar tudo á ela.

Tahndelyan me arremessou longe e cai de rosto no meio de um deserto.

Eu podia sentir o calor causticante e a areia queimarem minha pele e minhas asas, minhas forças pareciam me deixar, não havia brisa ou vento, apenas o silêncio e eu.

Não havia mais anjos ou demônios e a batalha parecia ter se findado, foi então que ouvi uma voz…

Infrit, Ilihudathy e Masdaracky

Cahlis, Mercador e morte…

Quem és tu afinal e por que lutas, se ao pó das areias de Imperian te entregas?”

-Quem está aí?

Sou um amigo Cahlis, e desejo saber o que queres.

Vejo tuas batalhas Masdaracky, conheço teus anseios Ilihudathy, pois vejo além dos véus da realidade. E se aqui o trago é por que em ti confio e deposito planos para está empreitada.

Quero que venças.

Quero que voltes a luta e mostre-se digno daquilo que lhe foi imposto e que por eras foi aceito de bom grado.”

Senti minhas forças voltarem, as ferida ainda estavam abertas, mas agora já não havia mais dor.

Ouvi o riso de Carmelita. A voz de Políade me pedindo para vencer. Lembrei-me da previsão de Niháde. Do abraço quente de Madakian… Heleonor… Órion… Morte… Fhilíade… Athenísia…

Agora tudo parecia fazer sentido novamente, eu lutava por minhas castas e ordens. Lutava pelo equilíbrio, por meu lar, por anjos e demônios…

Lutava por tudo que um dia eu já soubera amar.

O deserto começou a se dissipar e deu lugar a um salão oval,silencioso e harmonioso em suas cores.

O cheiro de Lavanda e Mirra invadia cada pedaço daquele ar que agora eu respirava.

Pude ver quatro pilares, um de ônix, um de safira, um de rubi e um de esmeralda, que refletia a luz e a transformava em pequenos arco-íris naquele céu diferente onde os pilares pareciam sustentá-lo.

Quando me virei pude ver um trono feito em Jade, de onde escorria água, que descia por pequenas frestas e se perdi na imensidão das paredes do salão.

Um rapaz segurando um arco e uma aljava estava sentado nele, de olhos fechados. Vestia uma calça preta e uma camisa verde escura, em seu pescoço pude ver uma echarpe num verde mais claro. Seu cabelo louro,refletia açor do ouro e pequenas ondulações faziam – no parecer que tinha pouco mais de dezoito anos.

Pelo seu semblante parecia pensativo.

-Olá? – ele me disse sem abrir os olhos.

Era a mesma voz do deserto.

-Quem é você? – apontei minha foice em sua direção.

-Quero te dar um presente, que lhe será útil nesta sua batalha Cahlis.

Não tenho costume de interferir nessas coisas, mas me sinto no dever de acertar meu erro de forma eficaz.

Ele se levantou do trono e caminhou descalço em minha direção.

-Vê as colunas deste salão?

Elas funcionam como pilares da Terra. Somos todos nós Cahlis, que em concordância necessitamos de você para continuar a manter a ordem do caos.

Você é o ônix e representa à transformação, o renascimento, a passagem de todos os elementos. Pois nada em nossa realidade é esquecido é apenas transmutado e continua existindo de alguma forma.

Para isso temos você, a morte…

Agora você entende que se tudo der errado com você, tudo deixara de existir?

Então era disso que se tratava, meu dever era cuidar de tudo e todos, ser o carrasco e também o redentor.

-É hora de voltar, Cahlis e de nos livrar da extinção.

Senti meu corpo aos poucos se dissolver feito areia.

-A propósito, me chamo Gabriel. – ele sorriu e me virou as costas.

Pisquei por um instante e tudo estava lá parado, congelado…

Vi-me jogado no chão, enquanto Thandelyan segurava sua espada com as duas mãos para me matar.

Helianor e Órion estavam quase dando cabo do monstro, que agora jazia no chão sem as asas e parte de sua bocarra arrancada.

Pisquei novamente e meu corpo que estava no chão havia sumido, Thandelyan me olhava assombrada como se visse seu pior pesadelo.

Puxei uma flecha da aljava, coloquei-a no arco e apontei em sua direção. Armei, coloquei na altura de meu rosto e lancei.

Ela não desviou, mas revidou com a espada e veio novamente em minha direção, dessa vez com mais raiva.

-Você não morre seu maldito?

Morra de uma vez !!!

Ela não desistia de lutar e eu começava a me irritar.

Acertei-lhe uma flecha que a fez deixar cair a espada, peguei a foice, enlacei sua cintura e a trouxe para perto.

-Face á face, Thandelyan.

Eu a condeno ao desaparecimento, ao esquecimento.

Eu a condeno á inexistência.

A flecha havia acertado seu peito e dele nascia um ponto negro onde um fina poeira começava a desintegrar Thandelyan, conforme eu puxava mais a foice mais rápido o efeito da flecha surgia.

-Por que você não morre Mercador? – foi a última coisa que ouvi ela me perguntar

-Por que nasci destinado a ser a morte e forjado para ser sua ruína.

O fim estava próximo e Thandelyan agora era somente uma fina poeira que corria por entre meus dedos.

O cansaço se apoderou de mim, Helianor correu ao meu encontroe me abraçou.

-Você conseguiu Cahlis.

Carmen deve estar muito orgulhosa de você assim como seus amigos que partiram.

Órion se aproximou e apertou minha mão, segurando meu antebraço.

– Você conseguiu meu caro. Foi uma honra, mas espero não ter que passar por isso novamente por um longo tempo. –ele sorriu.

Era a primeira vez em milênios que via Órion sorrir sem parecer entediado ou rabugento. Ele de fato estava feliz.

O tempo voltou a correr e o dia começou a amanhecer, e tudo que para nós pareceu dias, para os mortais foi somente uma noite aconchegante e comum, como outra qualquer.

Nos sentamos em um prédio e ficamos a observar a Aurora surgir… Rosácea, lilás, azul, laranja, pintando o novo dia e abrindo as porta para o magnânimo Sol, eu o saudei como a muito não fazia.

Terminado o espetáculo decidi caminhar entre os mortais, recolhi minhas asas, minhas feridas se fecharam e fiquei olhando-os em sua rotina por mais um dia.

-Oi? – era uma linda menininha de pouco mais de dois anos, de vestidinho azul-celeste, linda olhos verdes e cabelo caramelo com tranças.

-Olá pequenina como se chama?

-Polyana.

-Eu sou Cahlis,e sua mamãe onde está?

-Ali com vovó, vendendo fozinha.

Levantei meus olhos e pude ver uma moça de pouco mais de 27 anos e uma senhora com um cesto de flores que vendiam alegremente aos que passavam.

Eram bem simples, mas quando me aproximei pude ver meu General, Heliandra. Agora uma idosa depois de tantos milênios, na forma mortal, humilde e feliz, como eu nunca a tinha visto antes.

Heliandra demorou a transmutar por ser uma guerreira, ficou séculos vagando nas brisas e ventos até que decidiu voltar a vida e renascer.

Despedi-me de Polyana, abri as asas e parti.

-Mamãe, mamãe, anjo! – ela apontava em minha direção como se visse o ser mais belo de sua imaginação.

Essa era a vantagem dos pequeninos, não precisávamos nos esconder deles, eu sorri.

-Polyana, minha pequena, você sabia que os anjos moram no céu mas, sempre vem visitar crianças boazinhas? – era Heliandra que puxava a pequenina pela mão

Anos depois…

Me rendi ás minha funções e o fato do passado agora era somente uma lembrança.

Eis que um belo dia Heleonor e Órion me chamaram para um julgamento.

-Acredito que será bom que você nos acompanhe. – me disse Órion

Depois de um tempo encarreguei os dois de acompanharem os julgamentos e decidirem o caminho de algumas almas. Eu aparecia somente quando o caso fosse realmente complicado.

Voei ao Quarto Céu e quando cheguei todos sorriam ao perguntar para uma senhora de cabelos avermelhados o que ela queria ser após sua passagem.

-O que eu quero é ajudar aqueles que temem chegar ao destino final.

Senti meu sigilo arder no Pulso e decidi falar.

– Então acredito que a senhora aceitaria ser uma Mercadora?

Ela se virou para mim com um lindo sorriso nos lábios, lágrimas nos olhos e qual não foi minha surpresa ao ver o rosto amigo de Carmen me responder:

-Será uma honra velho amigo…

FIM

Comente, diga ao autor o que achou e incentive a continuar escrevendo! 🙂

*Επανάληψη  – Recomeço

4 comentários em “Surrender (Pt.9/Final) – Επανάληψη

  1. Depois da sua homenagem que me encheu de sorrisos, decidi dar uma olhada nas suas outras obras, escolhi Surrender e me admirei novamente, Lillithy Orleander nunca me decepcionando. Parabéns querida amiga.

    Curtir

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s