Surrender (Pt.7) – O Adeus de Morte

Surrender (Pt.7) – O Adeus de Morte

anjo

Escrito por Lillithy Orleander

Matei quantas bestas pude até chegar onde estava Mharion.
Ela estava de costas.

-Infrit,ou devo dizer Cahlis.
Quanto tempo não?

-Maldita,isso é tudo culpa sua.

Ela abriu as asas e se virou,me olhando da mesma forma que me olhou no julgamento,mas dessa vez pude sentir seu ódio.
Sua mão estava suja de sangue e só então percebi que Fhilíade jazia sem vida,virando aos poucos pequenos pontinhos brilhantes,como se fossem vagalumes.
Agora era tudo ou nada.Naquele instante eu lutaria não só por mim,mas por todos que comecçvam a ficar longe de nós.

-Você deveria ter escutado o que Niháde lhe disse.
Mas não voceê quis se tornar um Masdaracky.
Olhe para trás e veja o caos,isso não é obra minha Mercador estúpido.É sua culpa que se mete sempre onde não deve.
Era para eu ter o poder e dominar todas as castas sem que os “grandões”soubessem ou pudessem interferir.
Sabe,o que manda é o poder.

Quanto mais ela falava,mais ódio eu passava a sentir.
Foi quando me deparei com a cena macabra.
Niháde estava amarrada a correntes enquanto várias serpentes mordiam as pontas de seus dedos.
Eu podia ouvir seus gritos e temi que Niháde ficasse cega.Eu não podia deixa-lá morrer.
Alcei voo enquanto Mharion ria.

-Você não vai poder salvar todos.Escolhas devem ser feitas,Cahlis!.

Desembainhei a espada e cortei as correntes,matando as serpentes.

-Muito Obrigado,Mercador.
Mas tua luta só terá fim quando todos se curvarem diante de ti.

Foi só o que ela me disse antes de cair em meus braços para apoiar.
Tive medo da nova previsão,mas tinha que me preocupar com os que batalhavam.
Levei Niháde até as portas do Quinto Céu,pois eu não podia entrar.

-Infrit?

Aquela voz tão saudosa. E amiga.

-Cahlis,Madakian.
Apenas Cahlis…

-Para mim você sempre será Infrit.
Como tem sido sua vida,meu querido filho?

-Complicada.
Eu…Senti…Sinto…Falta…
Mas esse não é o melhor momento,acredito que você saiba tudo o que está acontecendo?

-Sim e faço votos de que tudo se resolva. – ele sorriu.

Eu o abracei e me virei para partir,foi quando ouvi o grito de Mharion.

-Escolhas,Cahlis! Você é fraco demais!

Tudo o que ouvi depois foi o último suspiro de Madakian. Ela o havia acertado com uma flecha em chamas.
Meu querido mestre,havia virado cinzas,sem chances de restauração.

-Tic tac! Tic Tac! Seu tempo está acabando.

Quando tentei alcança-lá,ela lançou nova seta,que seguiu seu curso até o campo de batalha transpassando todos que encontrava pelo caminho.
Eu tentava impedi-lá de atingir seu alvo,mas não fui rápido o suficiente.
A flecha perfurou mais dois demônios e por fim Políade,que desvanecendo,me sorriu.

-Vença.Por mim.Por Madakian.Por todos nós,Infrit.

Seu corpo começou a transformar-se em uma poeira prateada que correu por entre meus dedos.
Eu chorei ,me prostrei.
Carmelita,Madakian,Políade…
Ninguém mais morreria por causa desse inferno,a não ser Mharion e a caçada agora era questão de ordem,de honra,de vingança…
Recolhi do chão o medalhão dos Puriaggi de Madakian e um pequeno diamante que restou do corpo de Políade.
Eu os uni e coloquei em meu pescoço.
A maldita pagaria com sua alma e agora já não me importava que o céu inteiro caísse sobre mim,nem demônios.
Eu estava pronto para lutar e não iria perder.

-Você vai ficar cego se continuar assim. -era Órion nada encostava nele.

Ele era um combatente,um Masdaracky, expulso do céu da mesma forma que eu.
O rapaz franzino,deu lugar a um ágil lanceiro que não errava um alvo e nem era atingido.
Heleanor usava uma massa e se divertia ao esmagar cabeças e arrancar asas.
Uma Amazona se assustaria ao vê-lá lutar.

-Por Carmen.Eu não vou deixar nenhum em pé.Nem que pra isso eu tenha que dar o dia de hoje como último em definitivo. -ela voltou a sorrir e lutou bravamente com as bestas que dela se aproximavam.

Morte lutava sem dificuldades do outro lado,mas quase nenhuma criatura ousava se aproximar,logo ele tinha que caçar suas presas.

-Quer ajuda? -perguntei.

-Acredito que você tenha um peixe maior pra pescar,Cahlis. -Morte sorriu e decepou dez monstros de uma só vez.

-Preciso te agradecer Cahlis.

-Pelo o que?

-Por me mostrar como era bom sair e sentir o mundo outra vez.

Morte era encarregado de levar as almas ao destino final: Transmutação,Renascimento,Céu,Inferno e Dimensões.
Mas nunca o vi triste ou zangado.
Ele sempre sorria,e foi essa imagem que levei dele quando decidiu partir.

De repente a batalha havia sumido e vi Morte a beira de um lago negro como o petróleo,no meio do deserto, encostado em uma árvore.
Ele conversou com uma moça de cabelos castanhos e cheio de pequenos cachos,olhos de mesmo tom.De sorriso gentil um tanto quanto infantil,pele rosada e voz aveludada.Era uma suicida.
Durante um bom tempo eles observaram o trajeto da Lua no céu.
A Aurora apareceu,ele partiu e ela sorrindo caminhou pelo deserto,descalço,num vestido azul-marinho que o vento colocava em sua silhueta,como se dançasse ao seu redor.
Ele a viu acordar e nada disse.
Ela sorriu e saiu do quarto correndo como uma criança,entrou numa estufa e cuidou de cada flor.
Eram todas Orquídeas.

Morte vinha muitas vezes vê-lá e assim como as flores,ela começou a se apagar até o dia em que se matou.
Morte foi busca-lá pessoalmente,mas ela não se lembrou dele e se tornou um espírito vagante.
Morte sofreu,chorou e no lugar em que estava criou um jardim.
Plantou cada flor,trouxe cada pássaro,esperou por cada árvore e quando viu que toda beleza que ele conhecia estava naquele lugar,trouxe a alma da moça.
Ela ainda não se lembrava dele,mas todos os ela o esperava.
Morte sorria simplesmente por que á amava.

Voltamos á batalha.

-Agora você entende.

Sorrindo ele enfiou a mão no próprio peito e arrancou o coração.

-É seu rapaz.Seja honesto,seja gentil,seja franco e nunca seja inflexível.
Essa é minha hora e esse é meu presente.

Ele arrancou meu coração e colocou o seu no lugar.
Uma nova onda de energia correu em meu corpo e em minha cabeça muitas vozes falavam,inclusive a de Mharion. Eu já sabia onde acha-lá.
Morte se despediu e pela primeira vez pude ver suas asas.
Eram azuis-marinho,longas e na ponta eram prata,como se estrelas estivessem cravejadas ali.

-Adeus Cahlis,você agora é a morte.Cuide bem do que lhe foi dado.

Eu agora era o carrasco e seria também o ser mais temido…

Continua

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