Surrender (Pt.6) – O Ínicio do Fim

Escrito por Lillithy Orleander

anjo-loiro

Senti como se estivesse no meio de um terremoto. O corpo de Athenísia sumiu do nada como se um buraco o tivesse engolido.
O tempo começou a parar no mundo real,corri até a janela e antes que pudesse me lançar no ar vi anjos descendo do céu,em seus pelotões,empunhando espadas.
Vi demônios subindo do chão gargalhando.
E vi também meus iguais de armas em punho.
Arqueiros,espadachins e ceifeiros…
Órion surgiu atrás de mim.

-O que foi que você fez?
-Eu?
-Era só tira-lá do corpo,deixa-lá se matar.
Athenísia foi um anjo celeste,acusada de traição e jogada no Inferno,que a expulsou depois da “Grande Revolta”,ela e alguns outros são marcados para morrer sem serem tocados,devem morrer imaculados para que não repousem em nenhum dos lados,até mesmo entre nós é proibido ter um Renegado.
-Mas que porcaria é essa agora de Renegado?

Alguém poderia ter me contado.

-Não se preocupe,Cahlis-era Morte.

E depois de milênios ele aparecia como se nada fosse diferente.

-Você não pode mandar no que sente e nem nós poderíamos adivinhar que logo você ia se apaixonar por Athenísia.

-Por que “logo eu”?

-Você foi um Ilihudathy-um Mensageiro e foi um Masdaracky-um Guerreiro.
Você era quase um Arcanjo e não tinha como saber que um Renegado e selado para não ser tocado por nada com excessão de Arcanjos e no seu caso um quase Arcanjo.
Você rompeu o selo e libertou a alma dela.Agora vamos escolher um lado para batalhar.
Você ainda se lembra como se faz,Cahlis?

Morte sorriu e foi a única coisa que ele me perguntou,como se estivessemos em um Parque de Diversões e fossemos escolher o melhor brinquedo para brincar.
O que não sabíamos é que entre anjos,demônios e mortais,tudo pode sempre ficar mais complicado.
Eu vi o céu ficar vermelho antes mesmo do Sol começar a nascer e fiquei observando a chuva cair sobre a grande Metrópole.
Políade que não via desde meu julgamento apareceu e veio até mim.

-Como é bom vê-lo,velho amigo,pena ser em circunstâncias pouco agradavéis. -e sorriu aquele riso simples que não via á milênios – Vamos relembrar os velhos tempos,sua primeira batalha.
Acredito que ficarás ao nosso lado?

-Com toda certeza.Em honra aos velhos tempos.

Políade apertou-me a mão e abriu as asas.

-Preciso preparar meu regimento.

-Regimento?

-Sim,agora sou General.Nos vemos em breve e dessa vez,não corte minhas penas…

E sorriu de sua piada,o que me deixou pensando no tempo curto ao qual eu havia vivido ao seu lado.
Políade foi um grande mentor,um bom amigo,mas agora eu podia ver o fio sobre sua cabeça quase se extingüir,aquilo me preocupou.
Órion se juntou a mim e Heleonor que o acompanhava,parecia que adorava tudo aquilo.
A única que não se encaixa naquele cenário era Carmelita com toda sua fragilidade e seu instinto materno.
Eu temia por ela.
O primeiro comando partiu das bestas,que começavam a alçar voo,empunhamos nossas arma e lá fomos nós.
Meu primeiro inimigo tinha asas escarlate,olhos avermelhados,uma pele escura e soltava fogo pela boca.Tinha os pés virados para trás e duas cabeças com muitos chifres,além do corpo peludo.
Me juntei a Políade como na primeira vez e desmenbramos a besta.
Arranquei as asas,enquanto Políade batalhava com sua espada e a enfiou na bocarra do monstro.
Foi então que pude ver os vermes que saiam de sua boca cairem no solo e virarem uma gosma esbranquiçada…
Tive que voar desesperado quando vi dois diabretes agarrarem Carmelita,arranquei a cabeça de um deles enquanto ela tentava fugir do outro que segurava seu pé.
Carmelita agradeceu,recuperou sua foice e foi em direção ao campo de batalha.
Fiquei olhando ela partir e achei injusto não saber se ela sobreviveria á tudo aquilo.
Afinal,não podíamos ver quando nossos iguais podiam morrer.
Carmelita era o tipo de ser que não se encaixa como Mercador,mas ela havia sido tão boa em vida mortal que quando fez a passagem deixaram na escolher o que ela queria fazer e ela decidiu ajudar outros a encontrarem o seu caminho no outro lado.
Confesso que em nenhum dos milênios que passei ao lado dela,não vi sequer uma alma que se apavarou ou foi ignorante com Carmelita,ela tinha o dom de acalmar qualquer ser.
Meu oponente seguinte sorriu ao me ver.

-Ora,ora o anjinho Mercador.

-Medrión.

-Você sabe que irá morrer esta noite,ou melhor,que eu o matarei e não darei a oportunidade de você se tornar outra coisinha nojenta e insignificante que fica atrapalhando planos maiores.

-O que?

-Você é mesmo uma pedra no sapato.
Decidiu se tornar Masdaracky na pior hora porssivel.
Eu e Mharion tinhamos planos para instalar o caos,aí você tinha que aparecer e matar Heliandra.Eu a queria como General dos meus combatentes.
Então Fhilíade se intrometeu,maldito Consiliarum,você se tornou Mercador e depois de milênios se encanta logo por aquela desgraçada da Athenísia.
Você tem idéia de que agora vou ter que matar muitos que eu queria ao meu lado e tantos outros vão ter que morrer para que eu possa conseguir algo e manter o planejado?

Medrión havia falado demais e agora tudo fazia sentido.
Era por isso que Mharion me olhava como se quisesse me fazer pegar fogo em meu julgamento.
Eu havia frustrado seus planos.

-Os próximos serão Madakian,e depois Políade e então Mharion matará Niháde,sabe por que?Por sua culpa.Você atravessou nosso caminho e pôs tudo a perder.

Medrión lutava bravamente,era um exímio espadachin mas eu já não podia mais prolongar aquilo.
Me desvencilhei do golpe,cravei minha espada naquela cabeça horrenda e desci por suas costas rasgando o restante,arrancando suas asas de morcego.
Enquanto a baba que escorria de sua boca respingava pelo corpo sem vida e corroia.
Meu instinto assassino despertou e dessa vez eu não precisava me preocupar com quem eu iria matar.
Logo Mharion iria padecer por minhas mãos,mas para isso eu precisava atravessar um campo inteiro para atingi-lá.Maldita,pagaria por tudo o que eu perdi e também pelo o que estava prestes a perder.
Atirei flechas nos olhos de um demônio que atacava Políade e arrancava cabeças,asas e membros de coisas que eu desconhecia.
E então entrei em desespero.
Um demônio jogava Carmelita transpassada por uma lança na boca de uma Quimera,graças aos ventos eu ainda era veloz e tive tempo de pega-lá,antes que aquela coisa á engolisse.
Carmelita tão doce,estava banhada em sangue.

-Eu tentei Cahlis,mas não nasci pra essas coisas,sabe.Nunca gostei de guerras.

-Descanse Carmen,eu cuidarei de tudo.

Ela me deu um lindo sorriso,passou a mão em meu rosto…

-Vença Cahlis! – e fechou seus lindos olhos.

Eu fiz questão de esperar ela partir,recolhi seu fio branco,luminoso e quente,assim como ela.
O amarrei e o vi se tornar uma borboleta azul que partia para um novo recomeço.

-Adeus,Carmen!

Eu quis gritar,quis chorar,mas meu ódio cresceu como quando eu era um anjo e meus sentimentos triplicaram..
Tirei minha camisa,amarrei em meu braço a fita de cetim carmesin que Carmelita trazia presa no cabelo.Era por mim que ela tinha partido,por causa de Mharion e agora eu queria vingança.
Arrastei a Quimera até uma nuvem de fumaça não muito longe e a joguei no fogo.
Eu a vi estribuchar e o cheiro de carniça subiu no ar.
Puxei as adagas e lancei no demônio que matou Carmelita.
Políade se aproximou e me perguntou se eu estava em,respondi que SIM e contei o que Medrión havia me dito,ele ficou horrorizado.
Como podia um anjo compactuar com um demônio contra seus iguais?

Continua

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