Surrender (Pt.5) – Athenísia

Escrito por Lillithy Orleander

surrender

Tudo correu normalmente nos milênios seguintes.

Vi grandes cidades ruírem e tantas outras pequenas ganharem um tamanho descomunal.

A vantagem em ser um Mercador, era poder SENTIR.

Eu sentia tudo e depois que Órion me ensinou, pude caminhar entre os mortais sem ser percebido, ou aparecer quando me era conveniente aprendi á esconder as asas…

Provei os prazeres da carne, mas era tudo muito fútil.

Era gostoso ver crianças correndo felizes e livres, era um bálsamo naquela vida. Mas eu odiava carrega-las quando faziam a passagem.

Vi belas mulheres com almas podres e vi almas sábia, caminhando na miséria.

Conheci uma infinidade de Mestiços, que não sabiam de suas condições, mas nós podíamos ver sua verdadeira face, tanto anjos quanto demônios.

No inicio, sofri muito para ajudar as almas fazerem a passagem, mas com o tempo fui perdendo a humanidade que me foi dada,assim como Órion, fazia o que tinha que ser feito de forma rápida.

Até que um dia ela apareceu.

Ela tinha os olhos da cor do âmbar, usava óculos e naquele dia, usava uma saia rodada vermelha e uma camisa social branca.

Tinha os cabelos claros e um sorriso que a fazia parecer gentil.

Havia séculos que eu não sabia o que era sentir, mas quando a vi, meu coração empoeirado voltou a bater.

Mas sua mente suicida me chamou a atenção.

Como Mercador, podia ver o que as pessoas pensavam e em algumas horas era doloroso até para nós mesmos.

A mente de um suicida no básico nos dá a idéia de como podemos tirar-lhe a alma sem causar danos ou traumas, embora a grande maioria não fosse salva. Era um crime matar-se e o resultado dessas almas era carregar por um longo período as dores de seu ato para que pudessem entender o que haviam feito.

No geral eles queriam matar a dor e acabavam por triplica – lá.

Athenísia, não seria muito diferente se não fosse um caso extraordinário.

Eu quis que ela me visse, quis que ela me desejasse e me esforcei muito para tanto, pensei em pedir á Morte um jeito de poder ficar com ela, mas o riso falso e a vontade insana, não a deixavam me notar.

E por ironia do Destino, era eu que teria que busca – lá.

Ela cortaria os pulsos e pela primeira vez, ela me esperaria.

Eu cheguei antes e a vi colocar uma música onde muitos violinos soavam melancólicos. Ela acendeu velas e as espalhou pela casa, tomou um banho demorado de banheira, enquanto o cheiro de Dama – da – Noite e espalhava por todos os lados, colocou aquela mesma saia rodada e um corselete vermelho sangue.

Sentou-se na sala e tomou uma taça de vinho.

– Eu sei que você esta aí, esperando à hora chegar, eu só quero mais alguns instantes e se possível ver quem é você.

Eu me sobressaltei e tive vontade de responder, de aparecer. Mas aquilo parecia somente um desabafo.

-Você não pode me responder ou não quer?

Você tem cheiro de orvalho com calêndula, Mercador.

Eu tremi.

Como podia ela saber de nós? E como me sentia ali?

-Olá Athenísia? – tentei parecer impessoal e continuei parado na janela olhando para rua.

-Oi?- ela também não se moveu do sofá. – Como devo chamá-lo?

-Meu nome é Cahlis.

-Você deve estar se perguntando como sei sobre você.

-Se você sabe sobre nós, é provável que saiba o que vai acontecer. E por que você vai fazer isso? – tentei fingir que não me importava, embora minha vontade fosse implorar pra que ela não fizesse aquilo.

-Eu sou um caído.

Eu me virei para olha-lá.

-Você é o que?

-Eu fui expulsa mais de uma vez e este corpo cansou de viver por eras. Amar e ver quem se ama partir e retornar diversas vezes é dolorido demais. Posso te pedir uma coisa, Cahlis?

-Se estiver ao meu alcance.

-Me ame.

Eu fiquei perplexo ao vê-lá caminhar em minha direção tirando o corselete, enquanto a saia caia a seus pés.

A música mudou para o toque suave de um piano, e então eu descobri o que era de fato o Amor. Ela vibrou em meus braços, e eu a aceitei de bom grado aquele momento, mesmo sabendo que ela nunca mais seria minha.

Era perfeito demais, belo demais se após terminar,ela não me sorrisse, pegasse o estilete e cortasse os pulsos. Ela ficou me olhando, com lágrimas nos olhos.

-Obrigado Cahlis,você era o que faltava. Adeus.

Se eu pudesse naquele instante, teria arrancado a droga do meu coração.

Puxei a esfera enegrecida que brilhou de uma forma estranha, como eu nunca havia visto antes, ela flutuou a minha volta e explodiu.

Senti algo puxar minhas asas.

A coisa de um olho só, com um sorriso vazio,a Vitentriens Negra se prostrou a minha frente.

-Chegou a hora, Mercador.

Continua

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