Surrender (Pt.4) – Morte

Escrito por Lilithy Orleander

surrender

Ele me mostrou por onde seguir e quando olhei para trás pela última vez vi Madakian cabisbaixo, com o fio quase apagando sobre sua cabeça.

Políade possuía o mesmo fio sobre si, metade brilhante, metade escuro.

Fiquei espantado, mas  o   homem  apenas fez que “não” com a cabeça.

Aquilo era o tempo de vida que ambos tinham.

Com o tempo vim a descobrir que Políade não mais renasceria, viraria poeira cósmica, por isso seu fio   estava escurecido.

-Você agora terá um caminho a seguir e em alguns momentos ele será trágico e em outros sem misericórdia e caberá á você tomar a decisão final.

Sabe não é um serviço muito fácil, e alguns de vocês leva tempo até se acostumar

– O que é você? – Foi a única coisa que perguntei.

– Oras, eu sou Morte, a morte. –respondeu ele com um leve sorriso .- Não sou um …Mercador.Detesto essa palavra.

Era estranho  a morte ter discípulos e detestar vê-los chamados de “Mercador”?Sim,Morte possuía sentimentos  e mais tarde e descobriria que ela os possuía muito mais forta do que a grande maioria de nós.

-Para sua nova vida você  precisa de ajuda para adaptar-se.

Essa é Heleonor e ela irá te ajudar.

Ele virou-me as costas e partiu.

Heleonor possuía, como muitos o cabelo negro,curto na nuca e mais comprido na frente,tinha os olhos verdes,usava uma blusa de gola alta e um sobretudo bege,botas e calças pretas.

Possuía um jeito sutil de pousar e até mesmo o farfalhar das asas negras ,era silencioso.

Algum tempo depois, Heleonor me contou sua história:

“Eu fui mortal um dia. Gananciosa,guerreira e quando morri fui para o lado “nego da força” – ela sorriu. – eu não aceitei o fato de ter morrido.

Me  rebelei e logo me tornei uma súcubo(demônio femininos que seduziam os homens e os faziam cair em tentação). Um dia não aceitando me deitar com um dos generais infernais  , eu o matei.

Bom o resultado você já conhece.

Mas no meu caso não recebi um coração, pois o meu precisou ser arrancado. Eu perdi minha lama pois ela ficou negra e acabou virando pó,eu não posso me dar ao luxo de morrer de novo,por que eu não mais renasceria e nem transmutaria em um novo ser.”

Era estranho vê-lá ali, despreocupada como se não fizesse diferença.

-Sabe,algumas vezes nós matamos gente aquie e não existe um modo fácil de te contar isso.

Ela sorriu e me deixou pensando em tudo o que havia acontecido.

Não havia mais castas,meus sigilos foram arrancados e um novo surgiu em meu pulso sem que eu soubesse o significado.

Επανάληψη.

Heleonor tinha me deixado uma calça e uma camisa preta,era meio irônico.

Foi então que me vi como de fato eu agora era.

Eu tinha os olho azuis,a pele pálida,o cabelo preto rajado em branco,a cor do sangue nas asas ficou vívido nas pontas em contraste com negro-bréu do restante.

Só então percebi que não era mais Infrit e que nunca mais seria.Eu era Cahlis.

Abri minhas asas sobre a Lua Cheia e fui  procurar por Heleonor.

Encontrei-a sentada em um mouro com mais dois Mercadores.

-Novato!!!

Era uma Mercadora de asas cinza claro,que sorriu quando caminhou em minha direção num vestido de pregas,dourado e salto alto,de cabelo enrolado,branco,cindo obre um rosto que chegava a ser inocente.

-Meu nome é Carmelita e aquele ali é Órion,ele é meio reservado.

Mais ao longe pude ver um rapaz franzino,vestindo bermuda negra jeans,camiseta azul e tênis.Tinha asas negras e o cabelo era branco e muito curto.

-Oi. – Foi tudo o que ele me disse.

-Está na hora de partir, está pronto para o que ira ver,Cahlis?

Eu os seguia ao longe,mas todos estavam pensativos.Descemos em um vilarejo com pequenas casas,onde muitos dormiam mas seriam acordados em breve.

Ao longe avistamos tanques de guerra e homens preparados para matar.

Eles vieram no silêncio e começaram a atear fogo em tudo,crianças e mulheres para os caminhões entre gritos e choros.

Aos homens que decidiam lutar só cabia morrer.

Carmelita foi a primeira a se aproximar de um jovem com pouco mais de 20 anos.

-Olá? – Ela sorriu.

Ele mesmo estando ferido,sorriu.

-Chegou minha hora não é?

Ele fechou os olhos e Carmelita puxou seu fio.Amarrou-o e ele se transformou em uma borboleta branca e cintilante e partiu.

Fiquei sem entender,olhando embasbacado para aquilo.Com Heliandra havia sido diferente.Por que?

O próximo foi Órion, que se aproximou de um soldado que não deu sorte.

-Quem é você? – perguntou o homem.

Órion se manteve calado e tentou estender a mão para acalma-lo.

-IDIOTA!!! ME DEIXE EM PAZ!!!EU NÃO POSSO MORRER.

Vê?Eu sou jovem,tenho uma vida inteira.

Órion tentou de muitas maneiras que o rapaz se acalmasse mas esse teimava  em ficar histérico.Sua alma começou a soltar-se e Órion teve que ser rápido para não perde-lá.

Abriu suas longas asas e balançou diante do soldado colocando-o para dormir.Ele tirou um globo enegrecido do mesmo que foi sugado para o chão assim que Órion o soltou no ar.

Acompanhei os três noite adentro executando esse trabalho.

Vi pessoas fáceis de serem retiradas de suas vidas como se aquilo fosse um prêmio e vi alguns que se revoltavam e viravam aquele globos escuros.Também vi almas que não havendo meios de convencê-las se despregavam do corpo e nos olhavam assombradas sem entender o que acontecia.

Foi quando Carmelita me explicou o por que :

“Nossa missão é fazer a passagem de todos, alguns nós temos certeza que irão chegar ao descanso eterno tal o tamanho de sua evolução, são almas bondosas, felizes, mesmo com o pouco. A maioria foi muitas outras coisas e tirou proveito dos aprendizados que deveriam receber.

Outras acabam voltando muitas e muitas vezes, sempre mais inferiores pra tentar evoluir, mas é muito raro que isso ocorra.

E há aqueles que fogem e se tornam almas vagantes, ficam presas entre os vivos e os mortos, pois decidem ficar assim, na metade do caminho.

Nosso serviço é mostrar qual será o caminho delas depois da passagem.

Às vezes é fácil, outras são mais complicadas.”

O serviço ali havia acabado e decidimos partir, mas fui agarrado por uma coisa rastejante, com apenas um olho, de corpo magro, roupas enlameadas e caindo aos pedaços.

-Você está marcado Mercador.

Você fará Céu cair e o Inferno se abalar e as castas serem desmascaradas.

Cuidado sua ruína, será a ruína de muitos,portanto cuide de seus aliados,pois você irá precisar.

 

Aquela coisa me lembrou Niháde e só então percebi que aquilo poderia ser uma Vitentriens Negra.

Ela me soltou e partiu rastejando.Todos me olhavam assustados, mas o único que se manifestou foi Órion.

-Vamos ter tempestades em breve.

Quando ouvi uma previsão dessas no passado, veio a queda dos “caídos”.

Se você esta marcado para o próximo  holocausto,então estarei ao seu lado.

E partiu. Heleonor me tornou pela mão.

-Está tudo bem, algumas vezes elas erram ou fazem isso  para assustar.

-Só as vi errarem uma vez Helen. Uma única vez.

Nenhum de nós está seguro. Está conversa morre aqui. – respondeu Carmelita.

E lá estava eu vendo o sol nascer, olhando Carmelita partir e me perguntando o por que de sempre ser acompanhado por tragédias.

Era um novo dia,um novo caminho,mas as batalhas que viriam iriam me mostrar o por que de eu ser diferente.

Continua

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